por Adilson Filho
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Hoje é um dia triste para a História do nosso país.
Não foram em um ou dois pontos isolados. O que se viu nas ruas de todo o país
(principalmente Rio e SP) foram jovens ensandecidos partindo pra violência
contra pessoas que carregavam suas bandeiras da luta social.
Não foram só os partidos políticos (importantes
numa democracia) os atacados, mas queimaram bandeiras do MST, da Central Única
dos Trabalhadores, bandeiras de outros sindicatos, e baixaram a porrada sem
perdão em quem se atrevia a levantá-las.
Por favor, é preciso ter equilíbrio também para
separar as coisas nesse momento. Há uma massa de jovens desiludidos com a
política, pois não encontram nesse modelo arcaico uma representatividade à
altura de seus novos sonhos e anseios. Esses são a maioria, e isso é legítimo.
Foi dessa turma bem intencionada que surgiu o MPL. Mas aonde que está o nó
disso tudo? Aonde a coisa esquenta e fica incontrolável?
Esses mesmos jovens cresceram bombardeados pela
mídia e sua demonização sistemática da atividade da politica. Essa mesma mídia
que protege o Daniel Dantas, o Gilmar Mendes, o Gurgel, os empreiteiros,
banqueiros, os barões do transporte público, todos os trilhardários corruptos e
corruptores que sugam o país há séculos, assim como os seus próprios pares, os
donos desse oligopólio nefasto dos meios da comunicação brasileira.
São esses jovens, de coração puro e novas ideias,
que têm seus sonhos sequestrados por essa gente reacionária, manjados
colunistas de Globo, Veja etc. que ditam há anos a toada da opinião publica,
escondendo seus pares, e colocando na linha de frente da população a ira contra
a classe política, que é, como sabemos, apenas a ponta disso tudo…
Mal comparando, Renans, Sarneys, Severinos,
Felicianos e Jorginhos do Posto da vida, são como o menino negro que vende
droga na favela, é gente que mal sabe se
expressar, são gangsters-fantoches nas mãos de peixes muito maiores…
Mas existe uma diferença fundamental: estes são
provisórios, descartáveis pelo sistema representativo democrático (com todas as
suas falhas!) — assim como o garoto segurando um fuzil maior que ele na favela
–, enquanto as famílias de Cavendishs,
Jacobs, Dantas e outros barões serão barões para sempre, como foram seus pais e
avós!
Portanto, atacar essa gente é tudo que o que a
direita midiática conservadora quer…
Mirar o foco no Agripino, no Cafeteira, no
Severino, no Tiririca, é tudo o que eles querem, pois além de ocultar da
população quem são os verdadeiros estupradores da Nação (pergunte a 95% dos que
estão nas ruas quem é Daniel Dantas; agora, perguntem quem é a Inês Pandeló lá
de Barra Mansa), promovem aquilo que mais faz mal a uma democracia, que é a
despolitização do cidadão. Cidadão despolitizado é presa facilmente
manipulável. E é aí que eles entram como ninguém.
Colocando a turma na rua pra gritar contra a PEC
37, contra o fulano e o beltrano, pedindo o impeachment da presidenta, eles
zombam do movimento social na TV (teve repórter com sorriso irônico ao ver a
bandeira do MST queimada).
Pergunte, novamente, a 95% desses jovens se eles
sabem o que significa PEC 37, do perigo enorme pra democracia dar plenos
poderes a um Ministério Publico prevaricador e seletivo, que só investiga uma
parte da atividade política e esquece, por exemplo, as condições desumanas de
nossos presos, amontoados em verdadeiras masmorras medievais. Imaginem inchar
de poder essa caixa-preta, que precisa hoje muito mais de uma reforma rigorosa
do que de superpoderes.
Mas isso pouco importa: eles querem é usar os
jovens como massa de manobra dessa droga de informação manipulada, que empurram
dia e noite goela abaixo e fazem rolar essa e outras pautas reacionárias pelos
Facebooks da vida.
Assim, a Globo, Veja etc. deram a sua enorme
contribuição ao país, ajudando, durante esses anos, a criar (parte de) uma
geração pronta para o combate e a partir até pra violência (como vimos) contra
instituições democráticas, que muitos não tem nem a mais vaga ideia do que
significaram na História do Brasil.
Quem está nas ruas há anos sabe como funciona.
Muitas vezes basta um palito de fósforo para botar
fogo em Roma! Como pudemos presenciar ontem aqui no Rio.
Um grupo vem com suas bandeiras, pacificamente
exercendo seu direito e alguns “inocentes” começam a gritar “sem partido, sem
partido, sem partido”!
Logo, dois ou três mais exaltados correm, pegam uma
bandeira, tocam fogo e pronto: começa a gritaria, já se juntam dez, quinze,
cinquenta pra bater, tacar pedra e agredir sem nem saber porque, muitos apenas
porque ouviram dizer — meu Deus do céu –
que aquelas bandeiras ali são dos “inimigos”!
Eu vou parar de falar, fico um pouco emocionado ao
ver isso acontecendo. Jamais imaginei viver no Brasil — depois das Diretas de
92, de tantas e tantas marchas e lutas históricas –, no mesmo chão, ao mesmo
tempo o perigo das forças policiais de governadores psicopatas ou do “colega”
que está ao meu lado!
Eles conseguiram, essa mídia doente e assassina!
Agora, é tentar seguir na luta do dia a dia, mostrando pra essa galera nova aí
o quanto de perigo pode existir quando atacamos nossos movimentos, partidos
etc., que deram a vida toda seu quinhão para que hoje pudéssemos pisar e
protestar naquele mesmo solo.
Por fim, um pedido de paz:
Um viva a você que acordou; mas, por favor,
respeite quem nunca dormiu!

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