no Correio Braziliense, sugerido
por Samuel Pinheiro Guimarães
http://www.viomundo.com.br/
Brasil e México, embora separados
por milhares de quilômetros, são países com muitas afinidades.
Brasileiros e Mexicanos são povos
irmãos e não nos sai da lembrança a festa que os mexicanos fizeram em 1970
quando o Brasil sagrou-se tricampeão mundial de futebol.
Brasil e México são também os
dois mais populosos países da América Latina, com 200 e 120 milhões de
habitantes, respectivamente, e as duas maiores economias da região, com PIB
respectivamente de 2,25 e 1,4 trilhões de dólares, representando, conjuntamente,
quase 60% do PIB total latino-americano.
O México, como o Brasil, tem sua
história marcada por momentos trágicos. Se aqui tivemos os portugueses
massacrando milhões de indígenas e trazendo mais de 5 milhões de africanos na
condição de escravos, o México vivenciou a tragédia do massacre perpetrado
pelos colonizadores espanhóis, liderados por Hernán Cortés, que aniquilou o
Império Asteca e dizimou mais de 8 milhões de nativos.
Mas o que nos distingue mais
fortemente da realidade mexicana talvez seja a distância física da maior
potência mundial, os Estados Unidos.
A proximidade com os EUA marcou
profunda e tragicamente a história mexicana. Já país independente, livre do
domínio colonial espanhol, o México teve surrupiado pelos norte-americanos,
entre 1837 e 1853, nada menos que 55% de seu território, ou 2,41 milhões de
km², o equivalente a mais da metade da área ocupada pelos 28 países que formam
a União Europeia.
De uma nação com 4,38 milhões de
km², passou a pouco mais de 1,97 milhão de km².
Sucederam-se outros momentos
trágicos no México: a intervenção francesa e a humilhação da imposição do
Imperador Maximiliano de Habsburgo entre 1864 e 1867; a ditadura sanguinária de
Porfírio Diaz entre 1876 e 1911 e a Revolução Mexicana de 1910, liderada por
Emiliano Zapata e Pancho Villa, vitoriosa em 1917, que promoveu uma ampla
reforma agrária no país, mas deixou um saldo de 1 milhão de mortos.
A partir de janeiro de 1994,
iniciou-se uma nova fase, com o México passando a integrar o Tratado
Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês), juntamente com
os EUA e o Canadá.
Nesse período, o México tem sido
utilizado pelo imperialismo norte-americano como uma espécie de aríete contra
os demais países latino-americanos que buscam um caminho próprio, sem a tutela
dos EUA, tendo sido um dos maiores incentivadores da Área de Livre Comércio das
Américas (ALCA), e que foi refutada na 4ª Cúpula das Américas, realizada em
2005 em Mar del Plata.
Recentemente, formou com países
sul-americanos, que seguem a cartilha econômica liberal (Colômbia, Chile e
Peru), a Aliança do Pacífico, para se contrapor à proposta brasileira de
formação da União das Nações Sul-americanas (UNASUL).
O distanciamento político de
Brasil e México só tem se acentuado. Nesses 20 anos, a submissão da economia
mexicana aos EUA aprofundou-se intensamente. Mais de 80% de seu comércio
exterior é realizado com os EUA.
Em 2009, quando a economia dos
EUA caiu 2,4%, reflexo da crise iniciada em 2008, a economia mexicana despencou
6,2%.
Se compararmos o desempenho das
economias brasileira e mexicana a partir de 2003, quando Lula assumiu o governo
e o México aprofundou seu receituário liberal com Vicente Fox, a disparidade é
gritante.
A economia brasileira cresceu
45,44% nesses 11 anos enquanto a do México cresceu 30,71%.
Em 2013 o Brasil cresceu 2,3%, o
dobro do México (1,1%).
A participação dos salários na
renda é de 45% no Brasil e de 29% no México.
Nesse período, o Brasil criou 16
milhões de novos empregos formais e o México apenas 3,5 milhões.
Em 2013, o Brasil criou 1,4
milhões de novos empregos e o México meros 200 mil.
O Brasil reduziu a pobreza
absoluta a 15,9% de sua população e no México ela aumentou para 51,3%.
Não obstante o desempenho
sofrível, o México é tido como o “queridinho do mercado” e o Brasil, o “patinho
feio”.
O curioso é que se os elogios ao
modelo neoliberal mexicano são fartos, na hora dos capitalistas investirem seus
dólares, parecem preferir o Brasil, onde os investimentos estrangeiros diretos
saltaram de 16,6 bilhões de dólares em 2002 para cerca de 70 bilhões em 2012,
enquanto no México refluiu de 24 bilhões para 15,5 bilhões no mesmo período.
Se o modelo liberal mexicano teve
um desempenho tão inferior ao modelo “intervencionista e estatizante”
brasileiro, a que se devem os elogios do mercado ao modelo mexicano?
Seria um ato de má fé, de
fundamentalismo ideológico ou uma estratégia de isolamento do Brasil no cenário
internacional?
Júlio Miragaya é presidente da
Codeplan-DF e Conselheiro do Conselho Federal de Economia
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