
(Hoje em Dia) - O
Brasil comemorou, no primeiro dia da Cúpula do Clima, na ONU, nos EUA, a
redução em 79%, nos últimos 10 anos, do desmatamento. E o fato, ocorrido entre
2010 e 2013, de termos deixado de lançar na atmosfera, em média, a cada ano,
650 milhões de toneladas de substâncias que intensificam o efeito estufa, como
o gás carbônico.
Lembrando que a
maioria dos países desenvolvidos cresceram com base em economias sustentadas
por altas emissões de poluentes - como o carvão e o petróleo - o discurso do
governo brasileiro destacou também que, embora os países em desenvolvimento não
queiram “repetir esse modelo”, eles não podem renunciar à luta pela melhoria
das condições de vida de sua população, principalmente porque o avanço social
não é incompatível com a preservação do meio ambiente.
Enquanto isso, no
mesmo dia, em Itu - município com mais de 25 mil reais de renda per capita e
alto Índice de Desenvolvimento Humano, situado no estado mais rico da Federação
- moradores, em sua maioria de classe
média, saíram ás ruas para protestar contra racionamento de água, que já dura
seis meses, e foram cercados e atingidos com balas de borracha, por uma tropa
de choque da PM, depois de tentar invadir a sede do Legislativo Municipal.
Segunda-feira, a
Primavera começou oficialmente, mas, segundo técnicos de organizações como o
Instituto Nacional de Meteorologia e da Universidade de São Paulo, o aumento da pressão atmosférica - que inibe
a formação de nuvens - diminuirá a oferta pluviométrica e aumentará a
evaporação, evitando a recuperação dos mananciais e dos níveis das represas e
reservatórios da Região Sudeste até o próximo ano.
A questão da
água, em nosso país, é complexa, e até
os animais - que não podem protestar, como os habitantes de Itu e de outras
dezenas de cidades - sabem que a culpa não é só do clima, mas, principalmente,
da ação do homem.
Desde a Descoberta,
temos bebido a água da bica, e usado o rio como esgoto, como se ambos, bica e
rio, não fizessem, como os lagos e os mares, parte de um mesmo sistema.
Onde haja um curso de
água, desde que já esteja correndo dentro de nossas fronteiras, nele
continuamos atirando impunemente nosso lixo e dejetos, humanos, agrícolas ou
industriais; derrubando as árvores e a vegetação em suas margens; arrancando
com jatos de água seus barrancos, no garimpo, na maior parte do tempo,
infrutífero, de ouro, diamantes e outros minerais; assoreando o seu leito e
envenenando suas águas com mercúrio e com agrotóxicos, a maioria deles já
proibidos em outros países.
Precisamos,
municípios, estados, União, combater a
destruição de nossos rios com a mesma energia e determinação com que se está
tentando lutar contra o
desmatamento. Ou quando ficarem
prontas as grandes obras de irrigação que estão em curso, não haverá mais água
para passar por elas.
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