O mundo gira, a Lusitana roda e ficamos todos no mesmo
lugar. Calma, amigo leitor, não se deixe emprenhar pelo ouvido ou pelos olhos.
É uma frase como outra qualquer, despretensiosa.
Já não houve alguém no passado que disse que tudo que é
sólido se desmancha no ar? Há sempre alguma coisa que muda, para pior ou para
melhor. Nosso desejo é que seja sempre para melhor, não?
É claro que entre o homem de Neanderthal e o meu vizinho
aqui do apartamento ao lado há toda uma história para se contar, repleta de
altos e baixos, de avanços e recuos, mas a distancia entre a razão e o coração
permanece a mesma, ora privilegiando uma, ora privilegiando outro. Quando se
encontra algum equilíbrio nessa química, dirão os sábios, reina a paz e a
alegria. Será?
O mundo contemporâneo cada vez menos se compraz com a
verdade. Ou dela se beneficia. Mas, afinal, o que é a verdade, perguntarão os
filósofos de botequim e os verdadeiros…
Diante dos lugares comuns com que abro o artigo, que de tão
comuns não chegarão a sensibilizar as almas bem mais eruditas que a minha,
debruço-me com algum cuidado sobre as próximas eleições de outubro na, ingênua
talvez, expectativa de encontrar explicações para o que ouço e leio e até
preparar o espírito para um possível desastre anunciado. Repito: possível, mas
não desejado… E pelas últimas pesquisas de intenção de votos, apenas anunciado.
Pois guerra é guerra, venha ela pela ponta das baionetas,
dos drones ou pelas manchetes de jornais, revistas e telejornais irresponsáveis.
Em particular nos países que ainda não se despiram de preconceitos seculares
dos mais variados matizes e letárgica aculturação.
Na ânsia de ler o noticiário do dia a dia das eleições
defronto-me com frases como “Chico Mendes era um homem de elite”, “A formação
de cartel não é crime”, “O PSDB é contra toda e qualquer corrupção”, “Quero
governar com os melhores”, “Vamos atualizar as leis trabalhistas”, “O governo
colocou um diretor na Petrobrás para roubar” e toda uma cantilena de idiotices
e frases ocas, o que não é de se estranhar se levarmos em conta, por exemplo,
que Barak Obama é premio Nobel da Paz. E o mensalão mineiro, o do PSDB, nunca
existiu. Em se tratando de nonsense…
Na geleia geral da propaganda política para o grande evento
do próximo cinco de outubro o que sobra é a pobreza generalizada das
candidaturas de oposição ao atual governo, algumas escancarando o lado grotesco
dos candidatos e seus discursos vazios de ideias e carregados de ignorância,
preconceito, algum humorismo e, sobretudo, de pessimismo.
Nesse item, uma vergonha! Cidadãos e eleitores merecem mais
respeito e consideração. Já que o espetáculo da democracia representativa
burguesa nos oferece o “horário eleitoral gratuito” (sic), nada nos impede de
ver ali o raio-x desse jogo do vale tudo.
A presença e o discurso de alguns dos candidatos, o Levy, o
Eymael, o pastor fulano de tal, enfatiza o deboche da própria democracia que
defendem e dizem representar. Dedicar três ou quatro linhas do artigo a essa
baboseira já é demais. Haverá sempre a possibilidade de qualquer um de nós
recorrermos ao soro antiofídico.
Em seguida, as propostas ingênuas e até fora de contexto dos
candidatos da esquerda radical que, excetuada a convicção e alguma coragem com
que defendem suas ideias, corretas muitas delas, não dialogam com o eleitor que
quer encontrar respostas imediatas às suas necessidades do dia a dia e não
ouvir apenas proselitismos políticos e ideológicos.
Por último, o confronto entre os três candidatos que terão a
maioria dos votos daqui a dez dias. Para a oposição conservadora e a da ‘nova
política’ o leitmotiv é a corrupção, crime que surgiu no Brasil a partir de
2002 e, pelo visto, só existe no atual governo, na Petrobrás e no Partido dos
Trabalhadores. Nunca antes nesse país se encontrou tanta corrupção.
“Quem não tiver culpa que atire a primeira pedra”… Não foi
esse, entretanto, o ensinamento maior do líder de toda essa gente? Perguntem ao
Malafaia e ao padre Marcelo. Aos fundamentalistas da revista Veja ou aos
tribunais da Inquisição em que se transformaram os entrevistadores televisivos
da presidente Dilma nessa campanha.
A operação plástica de Aécio Neves e o ar angelical de
Marina Silva ao se referirem à corrupção alheia são de dar enjoo em antiácidos
estomacais. O cinismo com que querem nos colocar no canto da sala de aulas com
orelhas de burro na cabeça chega a ser doentio e criminoso. E sempre que
possível amparado pela justiça eleitoral ou outras justiças espalhadas pelo
país.
E por falar nisso, onde foi parar o látego negro depois de
cumprir sua função de juiz imparcial?
Goste-se ou não, concorde-se ou não, a campanha demonstra
com propriedade que o único programa que se salva é o do próprio governo tanto
em forma como em conteúdo. Mostra o país em transformação dos últimos doze anos
e o muito que ainda se pode fazer. Um esforço hercúleo para quebrar a parede de
concreto erguida pela mídia impatriótica entre o governo e os cidadãos, em
particular os que ajudam a sustentar o país com o seu trabalho de sol a sol.
Os smartfones e ifones com seus selfies e outras surpresas
(e bobagens), as redes sociais estão expondo as vísceras da luta de classes no
Brasil.
De resto é a falácia, a crítica pela crítica, inúmeras
acusações sem provas, a construção de um pessimismo odioso e odiento que só
prejudica, à saída, aos menos favorecidos da pirâmide social. E à soberania do
país.
Não é difícil, para quem ainda não vendeu a alma ao diabo,
fazer tais constatações, até porque a direita e muitos de seus despolitizados
adeptos, já não tem o menor pudor em mostrar as entranhas do jogo que propõe
jogar.
Tudo cheira a mofo e a passado, a uma hipocrisia
nauseabunda, quando varrem para debaixo do tapete de suas consciências o
criminoso assalto contra o patrimônio público praticado em governos de seus
‘líderes’.
Ou ainda quando substituem o diálogo e a contra
argumentação, em defesa de suas ideias (?), pela violência verbal ou mesmo
física fazendo surgir aqui e ali traços inequívocos de intolerância, de um
fascismo reprimido que vem à tona e procura fazer ‘justiça’ com as próprias
mãos.
Há que reeleger Dilma Roussef sim. Qualquer outro resultado
poderá deixar o Brasil e a América Latina às portas de um extemporâneo
retrocesso político e social que a minha geração conheceu bem e que as novas
gerações não fazem por merecer.
O que tem que ser tem muita força.
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