'Os mesmos que falharam redondamente em prever os
estragos que a austeridade causou estão agora dando lições aos outros sobre
crescimento?'
Paul Krugman (via Esquerda.net) / www.cartamaior.com.br
Na sua coluna, Paul Krugman ataca o FMI quando diz
que as propostas gregas prejudicam o crescimento, recordando o historial de
falhanço das previsões de crescimento da economia grega feitas pelo mesmo FMI.
Leia aqui o texto traduzido pelo infoGrécia:
“Tenho estado bastante calado sobre a Grécia, por
não querer gritar Grexit num auditório cheio de gente. Mas ao ouvir os relatos
das negociações em Bruxelas, algo tem de ser dito – nomeadamente, o que é que
os credores, em especial o FMI, julgam que estão a fazer?
“Esta devia ser uma negociação sobre metas para os
excedentes orçamentais, e depois sobre o perdão da dívida que previne futuras
crises intermináveis. E o governo grego concordou com metas que são até
bastante altas, sobretudo considerando que o orçamento teria excedentes enormes
se a economia não estivesse tão deprimida. Mas os credores continuam a rejeitar
as propostas gregas com o argumento de que dependem muito dos impostos e não o
suficiente em cortes na despesa. “Continuamos ainda no ramo de ditar a política
interna.
“A suposta razão para a rejeição de uma resposta
com base em impostos é que irá prejudicar o crescimento. A resposta óbvia é:
estão a gozar conosco? Os mesmos que falharam redondamente em prever os
estragos que a austeridade causou – vejam o gráfico, que compara as previsões
no memorando de 2010 com a realidade – estão agora a dar lições aos outros
sobre crescimento? Mais ainda, as preocupações sobre crescimento estão todas do
lado da oferta, numa economia a funcionar pelo menos 20% abaixo da sua
capacidade.
A azul, as projeções do FMI sobre o crescimento do
PIB da Grécia; a vermelho, o que aconteceu na realidade.
A azul, as projeções do FMI sobre o crescimento do
PIB da Grécia; a vermelha, o que aconteceu na realidade.
"Falem com as pessoas do FMI e elas vão
afirmar a impossibilidade de lidar com o Syriza, a sua irritação com o
exibicionismo, e por aí adiante. Mas aqui não estamos na escola secundária. E
neste momento são os credores, muito mais que o Syriza, que estão a mudar as
regras. Afinal o que se passa? O objetivo é quebrar o Syriza? É obrigar a
Grécia a uma bancarrota presumivelmente desastrosa, para dar força aos outros?
Nesta altura é preciso deixar de falar sobre o
“Graccident”; se acontecer o “Grexit” será porque os credores, ou pelo menos o
FMI, quis que isso acontecesse".
Créditos da foto: Commonwealth Club / FLickr
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