Ricardo Melo, na Folha
Aécio Neves, Gilmar Mendes e
Eduardo Cunha atuam como protagonistas de uma causa falida. Mesmo assim, não
perdem uma oportunidade de expor em público sua estreiteza de horizontes. São
golpistas declarados. Não importa a lógica, a política, a dialética ou mesmo o
senso comum. Suas biografias, já não propriamente admiráveis, dissolvem-se a
jato a cada movimento realizado para derrubar um governo eleito.
Presidente do PSDB, o senador
mineiro-carioca pouco se incomoda com o ridículo de suas atitudes. Aécio sempre
defendeu um programa de arrocho contra os pobres. Gabou-se da coragem de adotar
medidas impopulares para “consertar o Brasil”.
Agora sobe em trios elétricos
como porta-voz do povo. Critica medidas de ajuste, jura pensar no Brasil e usa
qualquer artimanha com uma única finalidade: isolar a presidente. Convoca
sabujos para atacar um jornalista que revelou o escândalo do aeroporto
construído para atender a ele e à própria família. Maiores informações na
página A3 desta Folha publicada ontem (23/08).
Seu ajudante de ordens, ou
vice-versa, é o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Sintoma da
fragilidade do equilíbrio de poderes vigente no Brasil, Mendes emite toda sorte
de opiniões fora de autos. Muda de ideia conforme as conveniências. De tão tendencioso
e parcial, seu comportamento público seria suficiente para impugná-lo como
síndico de prédio. Na democracia à brasileira, pontifica como jurista na mais
alta corte do país. Quem quiser que leve a sério.
Mendes endossou as contas da
campanha da presidente eleita alguns meses atrás. Coisas do passado. Esqueçam o
que ele votou. De repente, detectou problemas insanáveis na mesma contabilidade
e ruge ameaçadoramente contra o que ele mesmo aprovou. No meio tempo, acusa o
Planalto de comandar um sindicato de ladrões financiado por empreiteiras
envolvidas na roubalheira da Petrobras.
Bem, mas as mesmas empresas
financiaram a campanha dos outros partidos. O que fazer? Vale lembrar: Mendes
até hoje trava o julgamento favorável à proibição do financiamento empresarial
de campanhas políticas. Seu pedido de vistas escancara um escândalo jurídico,
legal e moral que o STF finge não existir. Ora, isso não vem ao caso,
socorreria o juiz paladino Sergio Moro.
E aí aparece Eduardo Cunha, o
peemedebista dirigente da Câmara. Terceiro na linha de sucessão presidencial,
Cunha encenava comandar um exército invencível. Primeiro humilhou o Planalto na
eleição para o comando da Casa. Depois, passou a manobrar o regimento para
aprovar o que interessa a aliados nem sempre expostos. Tentou ainda se
credenciar como alternativa golpista. Curto circuito total. Pego numa mentira
de pelo menos 5 milhões de dólares, a acreditar no procurador geral, Cunha
atualmente circula como um zumbi rogando piedade de parlamentares muito mais
interessados em salvar a própria pele.
Cambaleante, o trio parece ter
recebido a pá de cal com os pronunciamentos dos verdadeiros comandantes da
nossa democracia. O mais recente veio do chefe do maior banco privado do país,
Roberto Setubal. Presidente do Itaú Unibanco, Setubal afirmou com todas as
letras não haver motivos para tirar Dilma do cargo. Tipo ruim com ela, pior sem
ela - que o digam os lucros pornográficos auferidos pela turma financeira.
Sem a banca por trás, abandonada
pelo pessoal do dinheiro grosso e encrencada em acusações lançadas contra os
adversários, à troupe do impeachment não resta muito mais que baixar o pano.

Comentários
Postar um comentário
12