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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Rede Globo / Família Marinho - A Irmandade do Caos


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O Inimigo a ser combatido
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          Família Marinho - Rede Globo               -                 ( Blog do Iv#aGlobodeveserdestruida

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      A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO - parte 01





 História Secreta da Rede Globo - Daniel Herz

      A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO - parte 02


   A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO - parte 03



    A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO - parte 04


  A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO - parte 05


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Declaração de princípios da Globo, versão 1984

http://www.viomundo.com.br/


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“Para que melhor se exerça a democracia”: a declaração de princípios da Globo, em 1989


por Luiz Carlos Azenha

http://www.viomundo.com.br/

A TV Globo também fez uma declaração de princípios, em 1989.
Foi na noite em que o Jornal Nacional transmitiu o resumo do debate eleitoral entre Fernando Collor e Lula, editado de tal forma a destacar as melhores falas de Collor e as piores de Lula.
Collor e Lula disputavam a presidência da República. Collor, com apoio da Globo, venceu a eleição.
Seguiu-se ao resumo do debate uma pesquisa do Vox Populi, então ligado a Collor, mostrando como Collor era “o melhor preparado”.
Então, Alexandre Garcia apareceu no vídeo para dizer:
“Nosso trabalho, como profissionais da televisão, foi e continuará sendo o que fez a televisão nesses dois debates. Manter aberto esse canal de duas mãos entre o eleito e os eleitores, para que melhor se exerça a democracia”.
Foi no mesmo ano em que a ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, apareceu primeiro no Jornal Nacional e depois na propaganda de Collor dizendo que o ex-metalúrgico Lula tinha pedido a ela que abortasse e feito declarações racistas. Miriam recebeu dinheiro para fazer tais declarações.
Em 14 de dezembro de 1989, data do último debate entre Collor e Lula — três dias antes do segundo turno da eleição — o jornal O Globo publicou editorial com o título O Direito de Saber, em que argumentava que os eleitores tinham o direito de saber detalhes da vida pessoal dos candidatos — no caso, Lula — antes de decidir em quem votar. O editorial, naquela data, poderia ser interpretado como um aviso a Lula de que haveria ataques pessoais no confronto, com o objetivo de deixar nervoso o candidato do PT.
No entanto, nos anos 90, o então senador Fernando Henrique Cardoso teve um filho com a repórter da TV Globo de Brasília, Miriam Dutra, antes de concorrer à presidência da República. As Organizações Globo não divulgaram a notícia. Em vez disso, enviaram a repórter para um exílio, com salário e sem função, na Espanha.
Passaram-se mais de 20 anos da primeira eleição de Fernando Henrique, em 1994, e as empresas do grupo ainda não noticiaram formalmente o caso extraconjugal. Em 2011, a Folha de S. Paulo noticiou que um exame de DNA revelou que o pai do filho de Miriam Dutra não é o ex-presidente. Neste caso, onde foi parar O Direito de Saber?
O DIREITO DE SABER
O povo brasileiro não está acostumado a ver desnudar-se a seus olhos a vida particular dos homens públicos.
O povo brasileiro também não está acostumado à prática da Democracia.
A prática da Democracia recomenda que o povo saiba tudo o que for possível saber sobre seus homens públicos, para poder julgar melhor na hora de elegê-los.
Nos Estados Unidos, por exemplo, com freqüência homens públicos vêem truncada a carreira pela revelação de fatos desabonadores do seu comportamento privado. Não raro, a simples divulgação de tais fatos os dissuade de continuarem a pleitear a preferência do eleitor. Um nebuloso acidente de carro em que morreu uma secretária que o acompanhava barrou, provavelmente para sempre, a brilhante caminhada do senador Ted Kennedy para a Casa Branca – para lembrar apenas o mais escandaloso desses tropeços. Coisa parecida aconteceu com o senador Gary Hart; por divulgar-se uma relação que comprometia o seu casamento, ele nem sequer pôde apresentar-se à Convenção do Partido Democrata, na última eleição americana.
Na presente campanha, ninguém negará que, em todo o seu desenrolar, houve uma obsessiva preocupação dos responsáveis pelo programa do horário eleitoral gratuito da Frente Brasil Popular de esquadrinhar o passado do candidato Fernando Collor de Mello. Não apenas a sua atividade anterior em cargos públicos, mas sua infância e adolescência, suas relações de família, seus casamentos, suas amizades. Presume-se que tenham divulgado tudo de que dispunham a respeito.
O adversário vinha agindo de modo diferente. A estratégia dos propagandistas de Collor não incluía a intromissão no passado de Luís Inácio Lula da Silva nem como líder sindical nem muito menos remontou aos seus tempos de operário-torneiro, tão insistentemente lembrados pelo candidato do PT.
Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma  criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.
A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de ‘baixaria’.
É chocante mesmo, lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.
É de esperar que o debate desta noite não se macule por excessos no confronto democrático, e que se concentre na discussão dos problemas nacionais.
Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade – e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência.
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fama-de-golpista-da-globo-roda-o MUNDO Al Jazeera English.

           http://alemdarena.blogspot.com.br/2016/09/a-fama-de-golpista-da-globo-roda-o.html

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Rodrigo Lopes: Apreensão de cocaína gerou confronto Globo x Abi-Ackel
24 de outubro de 2014
por Rodrigo Lopes, especial para o Viomundo // http://www.viomundo.com.br/

Um livro a ser lançado nas próximas semanas promete abalar a relação entre o senador Aécio Neves (PSDB) e as Organizações Globo.
Trata-se da biografia autorizada de Ibrahim Abi-Ackel, ex-ministro da Justiça do governo João Figueiredo. Ele ocupou o cargo entre 1980 e 1985.
A obra, Ibrahim Abi- Ackel, Uma Biografia, escrita pela jornalista Lígia Maria Leite e prefaciada pelo senador Aécio Neves, diz que malotes da Rede Globo enviados para sucursal no exterior transportavam drogas.
Sete vezes deputado federal, entre 1975 e 2007, Abi-Ackel sofreu acusações no Jornal Nacional, em 1983, quando era ministro da Justiça, fruto de um confronto nos bastidores com o dono das Organizações Globo.
O livro dedica 10 páginas ao episódio.
Na página 359 o livro sustenta que a campanha promovida por Roberto Marinho contra Abi-Ackel nasceu de um engano do empresário, que acreditava que o ex-ministro havia determinado a apreensão de cocaína em malotes da emissora.
O texto atribui ao ditador João Figueiredo a seguinte explicação: “A campanha do Roberto Marinho contra o ministro Ibrahim Abi-Ackel se deveu a um engano do senhor Roberto Marinho. Os malotes da Rede Globo para Nova Iorque serviram de transporte para cocaína. A Polícia Federal apreendeu dois desses malotes e o Roberto Marinho nunca perdoou o Abi-Ackel, porque pensou que foi ele que mandou fazer a apreensão. Esse foi o motivo”.
Em 1983, depois que o norte-americano Mark Lewis foi preso na alfândega dos Estados Unidos com pedras preciosas brasileiras avaliadas em U$ 10 milhões, os ataques ao ministro no Jornal Nacional começaram.
Em mais de uma reportagem, a Globo acusou Abi-Ackel de envolvimento com o contrabando de pedras preciosas, o que nunca foi provado.
A biografia autorizada de Abi-Ackel foi financiada através da lei Rouanet de incentivo fiscal e recebeu patrocínio da estatal de energia elétrica Cemig e do Governo de Minas. No prefácio da obra, Aécio Neves enaltece a vida pública do colega de Câmara dos Deputados.

“Fomos deputados, ele repetidamente mencionado entre os dez parlamentares mais influentes do Congresso”, diz o texto (leia um trecho acima). Mais adiante, depois de listar as qualidades de Abi-Ackel: “Foram essa qualidades que me fizeram recorrer a ele, como governador, em 2006, para o comando da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, onde conduziu um trabalho exemplar”, destaca Aécio.
Quando Abi-Ackel foi inocentado das acusações que sofreu da Globo, a Folha de São Paulo noticiou:

Ackel é inocente no caso das turmalinas
por JOÃO BATISTA NATALI

Foi na manhã de 29 de março de 1985. A alfândega do aeroporto de Miami apreendeu um carregamento de águas-marinhas, esmeraldas, topázios e turmalinas.
O portador das pedras, Mark Lewis — cidadão norte-americano, na época morador em Anápolis (GO) — não conseguiu documentar ser dono do carregamento. Foi o estopim do chamado “escândalo do contrabando de pedras preciosas”, em que o ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel (1980-85) teve seu nome envolvido, sem que sua participação seja objeto de qualquer evidência.
Ainda corre hoje na Câmara pedido para abertura de processo contra o ex-ministro por peculato, por conta de acusação contra seu filho, Paulinho. O filho teria mantido escritório de advocacia em que protelava extradições ou obtinha vistos de residente para estrangeiros que dependiam do arbítrio do gabinete de seu pai.
“Eu fui o bode expiatório. Não era militar e também não tinha mandato”, disse à Folha o hoje deputado Abi-Ackel (PPB-MG). Sua suposta ligação com as pedras apreendidas é das mais tortuosas.
Lewis era apenas uma “mula” (portador). As pedras pertenciam em verdade a Antonio Carlos Calvares, dono da Embraima (Empresa Brasileira de Mineração, Importação e Exportação), em Goiânia.
Calvares procurou o ex-ministro, que voltara a advogar. Pediu que ele intercedesse em sua defesa. Deu-lhe uma procuração, que foi apresentada por um advogado norte-americano, Charles Hayes, como prova de que Calvares e Abi-Ackel eram sócios no contrabando.
Hayes disse isso em entrevista no “Jornal Nacional”, da Rede Globo. A Folha apurou que na época eram tensas as relações entre a Globo e Abi-Ackel. Hoje, o ex-ministro prefere não falar sobre essa dimensão do assunto. A Folha procurou Hayes, mas não há pistas dele.
Outro personagem-chave na história foi um delegado da Polícia Federal, Mário Machado Filho, que instruiu o inquérito em Goiânia. Ele se aposentou e hoje mora em Aracaju (SE). Disse à Folha ter tido a impressão de que Calvares, para se dar ares de importância, simulou um grau de familiaridade com o ministro que nunca possuiu. Um caso de mitomania.
Foi essa uma das conclusões que o delegado remeteu à sede da PF, em Brasília. O inquérito foi arquivado. Sem inquérito, não houve tampouco motivo para processo judicial.
Calvares destacou para falar com a Folha um dos executivos da Embraima que se apresentou como seu sobrinho. Para este, o caso já rendeu para a família “US$ 150 milhões” em indenizações por difamação, pagas por jornais norte-americanos.
No plano judicial, o que houve de concreto foi um “grand jury” em novembro de 1986 em Lexinton, Estado de Kentucky, para apurar responsabilidades de norte-americanos e estrangeiros no contrabando de pedras brasileiras.
Abi-Ackel não foi em nenhum momento citado por dar cobertura ou como responsável direto pelo tráfico.


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Aécio assina prefácio de livro inconveniente para Rede Globo


http://jornalggn.com.br/ -  26/10/2014

Jornal GGN – Nas próximas semanas deve ser lançada a biografia autorizada do ex-ministro da Justiça do governo João Figueiredo, Ibrahim Abi-Ackel. A obra promete abalar a relação entre Aécio Neves e as Organizações Globo. Isso porque o senador e candidato à presidência é autor do prefácio do livro, que dedica dez páginas para narrar o episódio da cocaína apreendida em malotes da emissora, que teria iniciado uma campanha de Roberto Marinho contra Ackel.
Enviado por Mara Baraúna
Do Viomundo
Por Rodrigo Lopes
Um livro a ser lançado nas próximas semanas promete abalar a relação entre o senador Aécio Neves (PSDB) e as Organizações Globo.
Trata-se da biografia autorizada de Ibrahim Abi-Ackel, ex-ministro da Justiça do governo João Figueiredo. Ele ocupou o cargo entre 1980 e 1985.
A obra, Ibrahim Abi- Ackel, Uma Biografia, escrita pela jornalista Lígia Maria Leite e prefaciada pelo senador Aécio Neves, diz que malotes da Rede Globo enviados para sucursal no exterior transportavam drogas.
Sete vezes deputado federal, entre 1975 e 2007, Abi-Ackel sofreu acusações no Jornal Nacional, em 1983, quando era ministro da Justiça, fruto de um confronto nos bastidores com o dono das Organizações Globo.
O livro dedica 10 páginas ao episódio.
Na página 359 o livro sustenta que a campanha promovida por Roberto Marinho contra Abi-Ackel nasceu de um engano do empresário, que acreditava que o ex-ministro havia determinado a apreensão de cocaína em malotes da emissora.
Leia a página:
O texto atribui ao ditador João Figueiredo a seguinte explicação: “A campanha do Roberto Marinho contra o ministro Ibrahim Abi-Ackel se deveu a um engano do senhor Roberto Marinho. Os malotes da Rede Globo para Nova Iorque serviram de transporte para cocaína. A Polícia Federal apreendeu dois desses malotes e o Roberto Marinho nunca perdoou o Abi-Ackel, porque pensou que foi ele que mandou fazer a apreensão. Esse foi o motivo”.
Em 1983, depois que o norte-americano Mark Lewis foi preso na alfândega dos Estados Unidos com pedras preciosas brasileiras avaliadas em U$ 10 milhões, os ataques ao ministro no Jornal Nacional começaram.
Em mais de uma reportagem, a Globo acusou Abi-Ackel de envolvimento com o contrabando de pedras preciosas, o que nunca foi provado.
A biografia autorizada de Abi-Ackel foi financiada através da lei Rouanet de incentivo fiscal e recebeu patrocínio da estatal de energia elétrica Cemig e do Governo de Minas. No prefácio da obra, Aécio Neves enaltece a vida pública do colega de Câmara dos Deputados.
“Fomos deputados, ele repetidamente mencionado entre os dez parlamentares mais influentes do Congresso”, diz o texto (leia um trecho acima). Mais adiante, depois de listar as qualidades de Abi-Ackel: “Foram essa qualidades que me fizeram recorrer a ele, como governador, em 2006, para o comando da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, onde conduziu um trabalho exemplar”, destaca Aécio.
Quando Abi-Ackel foi inocentado das acusações que sofreu da Globo, a Folha de São Paulo noticiou:
Ackel é inocente no caso das turmalinas
por JOÃO BATISTA NATALI
Foi na manhã de 29 de março de 1985. A alfândega do aeroporto de Miami apreendeu um carregamento de águas-marinhas, esmeraldas, topázios e turmalinas.
O portador das pedras, Mark Lewis — cidadão norte-americano, na época morador em Anápolis (GO) — não conseguiu documentar ser dono do carregamento. Foi o estopim do chamado “escândalo do contrabando de pedras preciosas”, em que o ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel (1980-85) teve seu nome envolvido, sem que sua participação seja objeto de qualquer evidência.
Ainda corre hoje na Câmara pedido para abertura de processo contra o ex-ministro por peculato, por conta de acusação contra seu filho, Paulinho. O filho teria mantido escritório de advocacia em que protelava extradições ou obtinha vistos de residente para estrangeiros que dependiam do arbítrio do gabinete de seu pai.
“Eu fui o bode expiatório. Não era militar e também não tinha mandato”, disse à Folha o hoje deputado Abi-Ackel (PPB-MG). Sua suposta ligação com as pedras apreendidas é das mais tortuosas.
Lewis era apenas uma “mula” (portador). As pedras pertenciam em verdade a Antonio Carlos Calvares, dono da Embraima (Empresa Brasileira de Mineração, Importação e Exportação), em Goiânia.
Calvares procurou o ex-ministro, que voltara a advogar. Pediu que ele intercedesse em sua defesa. Deu-lhe uma procuração, que foi apresentada por um advogado norte-americano, Charles Hayes, como prova de que Calvares e Abi-Ackel eram sócios no contrabando.
Hayes disse isso em entrevista no “Jornal Nacional”, da Rede Globo. A Folha apurou que na época eram tensas as relações entre a Globo e Abi-Ackel. Hoje, o ex-ministro prefere não falar sobre essa dimensão do assunto. A Folha procurou Hayes, mas não há pistas dele.
Outro personagem-chave na história foi um delegado da Polícia Federal, Mário Machado Filho, que instruiu o inquérito em Goiânia. Ele se aposentou e hoje mora em Aracaju (SE). Disse à Folha ter tido a impressão de que Calvares, para se dar ares de importância, simulou um grau de familiaridade com o ministro que nunca possuiu. Um caso de mitomania.
Foi essa uma das conclusões que o delegado remeteu à sede da PF, em Brasília. O inquérito foi arquivado. Sem inquérito, não houve tampouco motivo para processo judicial.
Calvares destacou para falar com a Folha um dos executivos da Embraima que se apresentou como seu sobrinho. Para este, o caso já rendeu para a família “US$ 150 milhões” em indenizações por difamação, pagas por jornais norte-americanos.
No plano judicial, o que houve de concreto foi um “grand jury” em novembro de 1986 em Lexinton, Estado de Kentucky, para apurar responsabilidades de norte-americanos e estrangeiros no contrabando de pedras brasileiras.

Abi-Ackel não foi em nenhum momento citado por dar cobertura ou como responsável direto pelo tráfico.
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http://www.diariodocentrodomundo.com.br/




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Dez razões para não comemorar os 50 anos da Globo

publicado 26/04/2015 

Envolta em escândalos, baixos índices de audiência e atos em prol da cassação de sua concessão, a TV Globo faz aniversário

por Ângela Carrato // http://www.cartacapital.com.br/


Sem o brilho de outras épocas, a TV Globo comemora cinco décadas de existência. Nunca a sua audiência esteve tão baixa. No dia 1ª de abril ocorreram atos em prol da cassação de sua concessão em diversas cidades brasileiras. O do Rio e Janeiro contou com 10 mil pessoas.

Artistas globais e a falecida viúva de Roberto Marinho integram a relação desuspeitos de crimes de evasão fiscal e serão alvo de investigação pela CPI do Senado, criada para analisar o caso batizado como “Suiçalão”.
Ao assumir a postura pró-tucanos durante a campanha eleitoral de 2014, a emissora perdeu parte da regia publicidade oficial com que sempre foi contemplada. Os protestos contra a TV Globo vão continuar e existem pelo menos 10 razões para que os setores comprometidos com a democratização da mídia no Brasil não tenham nada a comemorar neste cinquentenário.
1. Marinho ficou com o canal 4 – Nos idos de 1950, a rádio líder absoluta de audiência e mais querida do Brasil era a Nacional, de propriedade do governo federal. O sucesso era tamanho que animou seus dirigentes a solicitarem ao presidente Juscelino Kubitschek a concessão de um canal de TV. Juscelino considerou a reivindicação justa e prometeu para “ breve” a concessão.
No final de 1957, o Canal 4 era concedido para a inexpressiva Rádio Globo, de Roberto Marinho. As pressões do então magnata da comunicação, Assis Chateaubriand, foram decisivas contra a Rádio Nacional. Ele aceitava qualquer coisa, menos que a Nacional ingressasse no segmento televisivo. O Brasil perdeu assim a chance histórica de ter, no nascedouro, duas modalidades de televisão, a comercial e a estatal voltada para o interesse público como seria a TV Nacional.
2. O acordo que feriu os interesses nacionais - A TV Globo começou a operar de forma discreta em 26 de abril de 1965 e seus primeiros meses foram um fracasso de audiência. Sua operação só foi possível graças aos milhares de dólares que recebeu do gigante da mídia norte-americana Time-Life, apesar da emissora ainda hoje sustentar que se tratou apenas de “um contrato de cooperação técnica”. A realidade, fartamente documentada por Daniel Herz, no já clássico A história secreta da Rede Globo (1995) prova o contrário. Roberto Marinho e o grupo Time-Life contraíram um vínculo institucional de tal monta que os tornou sócios, o que era vedado pela Constituição brasileira. Foi este vínculo que assegurou à Globo o impulso financeiro, técnico e administrativo para alcançar o poderio que veio a ter.
3. Apoio à ditadura (1964-1985) - Durante quase 20 anos, TV Globo e governos militares viveram uma espécie de simbiose. Os militares, satisfeitos por verem na telinha apenas imagens e textos elogiosos ao “país que vai para a frente”, retribuíam com mais e mais benesses e privilégios para a emissora. Ela enfrentou alguns casos de censura oficial, após a edição do AI-5 em 1968, mas o que prevaleceu foi o apoio incondicional de sua direção aos militares e a autocensura por parte da maioria de seus funcionários. Some-se a isso que a TV Globo sempre se esmerou em criminalizar quaisquer movimentos populares.
4. Combate às TVs Educativas – No poder, algumas alas militares viram na radiodifusão um caminho para combater a “subversão” e, ao mesmo tempo, promover a integração nacional. Por isso, em 1965, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) solicita ao Conselho Nacional de Telecomunicações a reserva de 98 canais especificamente para a TV Educativa. Pouco depois, Roberto Marinho começava a agir.
O decreto-lei nº 236 de março de 1967 formalizava a existência das emissoras educativas, mas criava uma série de obstáculos para que funcionassem. O artigo 13, por exemplo, obrigava estas emissoras a transmitirem apenas “aulas, conferências, palestras e debates”, além de proibir qualquer tipo de propaganda ou patrocínio a seus programas. Traduzindo: as TVs Educativas estavam condenadas à programação monótona e à falta crônica de recursos. O que contribuiu para cristalizar a visão de que a Globo é sinônimo de qualidade.
5. O programa global de Telecursos - O projeto de Educação Continuada por Multimeios envolvia um convênio entre a Secretaria de Planejamento da Presidência da República, o BID, a Fundação Roberto Marinho (FRM) e a Fundação Universidade de Brasília (FUB). Aparentemente, o objetivo era nobre: “o atendimento à educação de população de baixa renda do país, mediante a utilização e métodos não tradicionais de ensino”.
Na prática, o convênio ficou conhecido como Programa Global de Telecursos e atendia exclusivamente aos interesses da FRM. Através dele, a FRM pretendia, sem qualquer custo, apoderar-se do milionário “negócio” da teleducação no Brasil. Para tanto, esperava contar com recursos nacionais e internacionais inicialmente da ordem de 5 milhões de dólares embutidos em um pacote de 20 milhões de dólares solicitados pelo governo ao BID no início de 1982.
A tentativa das Organizações Globo de se apropriar dos recursos destinados às TVs educativas chega à imprensa no início de 1983. O “tiroteio” entre os jornais Globo e Folha de S.Paulo durou meses e o convênio, que acabou não sendo assinado, só foi sepultado três anos depois, com o fim do regime militar. Ainda hoje a FRM representa o Brasil em vários fóruns internacionais sobre educação.
6. O caso Proconsult - Leonel Brizola foi um dos políticos brasileiros mais combatidos pela TV Globo. Marinho nunca o perdoou por ter comandado a “rede da legalidade”, emissoras de rádio pró João Goulart, quando da renúncia de Jânio Quadros à presidência da República, em 1961. Com a vitória do golpe civil-militar de 1964, Brizola foi para o exílio e só pode retornar ao Brasil com a anistia, em 1979.
O Caso Proconsult foi uma tentativa de fraude nas eleições de 1982 para inviabilizar a vitória de Brizola para o governo do Rio de Janeiro. A fraude foi denunciada pelo Jornal do Brasilentão o principal concorrente de O Globo e relatada pelos jornalistas Paulo Henrique Amorim, Maria Helena Passos e Eliakim Araújo no livro Plim Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral (Conrad, 2005). Devido à participação de Marinho no caso, a tentativa de fraude é analisada no documentário  britânico Beyond Citizen Kane, de 1993. A TV Globo defendeu-se argumentando que não havia contratado a Proconsult e que baseava a totalização dos votos em apuração própria. Em 15 de março de 1994, Brizola, como governador, voltou a vencer a TV Globo ao obter, na Justiça, direito de resposta na emissora contra críticas de que era vítima.
7. Ignorou as Diretas Já - O primeiro grande comício das “Diretas-Já” aconteceu em São Paulo, em 25 de março de 1984 e coincidiu com o 430º aniversário da cidade. A TV Globo tratou o comício da Sé como um dos eventos comemorativos do aniversário da cidade, diminuindo deliberadamente sua relevância política. Omissões semelhantes repetiram-se em outras capitais. De acordo com o ex-vice-presidente das Organizações Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em entrevista ao jornalista Roberto Dávila, na TV Cultura, em dezembro de 2005, foi o próprio Roberto Marinho, quem determinou a censura daquele comício, impedindo que manifestantes fossem ouvidos e proibindo o aparecimento do slogan "Diretas Já".
A versão de Boni é diferente da que aparece no livro Jornal Nacional - A Notícia Faz História (Zahar, 2004), e que representa a versão da Globo. Aliás, a emissora vem tentando reescrever a sua história e, ao mesmo tempo, reescrever a própria história brasileira. A partir das Diretas-Já teve início a utilização, pelos movimentos populares, do bordão “O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo”.
8. Manipulação - Na eleição de 1989, a TV Globo manipulou o último e decisivo debate entre o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva e o do PRN, Fernando Collor. No telejornal da hora do almoço, a emissora fez uma edição equilibrada do debate. Para oJornal Nacional, houve instruções para mudar tudo e detonar Lula, editando-se os seus piores momentos e os melhores de Collor. Desde então, pesquisas e estudos sobre este “caso” têm sido feitas, destacando-se as realizadas por Venício A. Lima, professor aposentado da Universidade de Brasília.
9. Contra a democratização da mídia - Todos os países democráticos possuem regulação para rádio e televisão. No Reino Unido, por exemplo, a mídia e sua regulação caminharam juntas. Quando, em 2004, o governo Lula enviou ao Congresso Nacional projeto de lei criando o Conselho Nacional de Jornalismo, uma espécie de primeiro passo para esta regulação, foi duramente criticado pela mídia comercial, TV Globo à frente. Desde sempre, as Organizações Globo foram contrárias a qualquer medida que restrinja o poder absoluto que a mídia desfruta no Brasil. Prova disso é que o Capítulo V da Constituição brasileira, que trata da Comunicação Social, até hoje não saiu do papel.
Os compromissos dos mais diversos movimentos sociais brasileiros com a regulação da mídia foram reafirmados durante o 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, de 10 a 12 de abril em Belo Horizonte. Sua carta final, “Regula Já! Por mais democracia e mais direitos”, conclama movimentos sociais e ativistas a unirem forças para pressionar o governo a abrir o diálogo com a sociedade sobre a necessidade de se regular democraticamente a mídia.
10. Ativismo pró-impeachment - A mídia, em especial a TV Globo, tem tido papel protagonista nas manifestações contra a presidente Dilma Rousseff e o PT. Alguns estudiosos chegam a afirmar que dificilmente estas manifestações teriam repercussão se não fosse a Rede Globo. Em outras palavras, a Rede Globo, tão avessa à cobertura de qualquer movimento popular, entrou de cabeça na transmissão destas manifestações. No domingo 15/04, por exemplo, mobilizou, como há muito não se via, toda a sua estrutura com o objetivo de ampliar e dar visibilidade a estes atos. A título de comparação, as manifestações de 13/04, que também aconteceram em todo o Brasil e defenderam a Reforma Política, não mereceram cobertura tão dedicada da sua parte.
Nas redes sociais, internautas repudiaram a cobertura feita pela TV Globo e alcançaram, durante 48 horas ininterruptas, para a hashtag #Globogolpista, a primeira posição entre os assuntos mais comentados do Twitter. Novos protestos estão previstos.
Este já é o pior aniversário da TV Globo em toda a sua história.
*Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Este artigo foi publicado no blog Estação Liberdade

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Rede Globo de Alienação? 

http://www.pedromundim.net/

Por décadas, a grande Besta Negra dos intelectuais tem sido o sr. Roberto Marinho. Sejam intelectuais de esquerda ou de centro (de direita quase não há), ativistas ou acomodados, artistas ou acadêmicos, ninguém gosta desta figura sinistra. Uns consideram-no o Doutor Fausto, outros o próprio Mefistófeles. Atribuem-lhe ciladas traiçoeiras, ardis maquiavélicos, total falta de escrúpulos, ligações suspeitas, oportunismo despudorado, farsas dissimuladas, imenso poder tentacular, como um polvo; sobre ele chegam a correr lendas urbanas que o dão como falecido e secretamente substituído por um testa-de-ferro, sob o comando de poderes ocultos. Foi ele o diabólico criador da Rede Globo de Alienação, que controlaria a mente de milhões de brasileiros e os manteria dóceis e obedientes à elite dominante.

Por absoluta falta de dados e de interesse, não tenho nenhuma intenção de discutir o caráter do sr. Roberto Marinho, nem de afirmar se são verdadeiras ou falsas as acusações que lhe imputam. Mas pode-se discutir a real dimensão de seu poder, e o motivo do imenso sucesso comercial da Rede Globo. A versão aceita é de que tudo começou quando ele abraçou a causa da revolução de 64, fato que lhe renderia toda a sorte de facilidades da parte do novo regime. Bem, isso pode explicar como a TV Globo começou, mas não como ela chegou ao ponto onde chegou. E, teorias conspiratórias a parte, a explicação do sucesso da Globo, a meu ver, é bem simples. É a mesma razão de todo o empreendimento de sucesso: ela é orientada ao mercado. Em outras palavras, ela exibe ao telespectador aquilo que o telespectador quer ver.

Mas é isso o que o povo quer ver? Não, de modo algum, isto é o que ele é induzido a ver! Tudo efeito dos poderes hipnóticos do sr. Roberto Marinho, verdadeiro Goebbels renascido, no comando de uma sinistra organização de especialistas em desinformação a soldo do imperialismo norte-americano. Já ouvi uma universitária, certa vez, a afirmar com toda a solenidade que a Globo estaria empregando o método Paulo Freire ao contrário, visando alienar a sociedade inteira. Os intelectuais repetidamente criticam a Globo por falsear nossa realidade social, mostrando novelas onde todos os personagens são ricos e cheirosos. Mas como Joãozinho Trinta teve a coragem de dizer, quem gosta de miséria é intelectual, o povo quer é luxo... Para a infelicidade de nossa garbosa elite pensante, o povão não quer saber de pobre nem de revolução. Fenômeno similar ocorre em Portugal, onde as pessoas mais letradas lamentam que o país esteja invadido por novelas da Globo, produto de baixo valor cultural. Mas o sucesso destas novelas em terras lusitanas é uma evidência de que o nível mental do povo português, no fim das contas, não é muito diferente do brasileiro. Acredito ter chegado ao cerne da questão: o sr. Roberto Marinho é tão odiado pelos intelectuais porque ele comete o crime de dolorosamente mostrar aos intelectuais que o povo não é como eles gostariam que fosse...

Mas que a Globo é um sucesso, isso ninguém discute. Basta visitar qualquer barraco na favela: pode faltar tudo, mas a TV é sempre de último modelo. Já escutei a piada segundo a qual o pobre prefere comprar uma TV a uma geladeira porque, se abre a geladeira, ele não vê nada, mas se liga a televisão, ele vê tudo. Repetidas vezes ouvi "madames" indignadas por saber que suas domésticas possuem eletrodomésticos mais modernos que os delas, e vêem nisso a prova da irresponsabilidade que atribuem aos pobres, que "passam fome" e mesmo assim querem comprar uma TV último tipo. Quanto a mim, sou de opinião que o pobre sabe muito bem o que faz na vida, e se prefere comprar uma TV a fazer uma boa feira, é porque a TV lhes dá mais satisfação. E tem certo valor, sim. A televisão é a forma mais rala e massificada de difusão cultural, mas sem dúvida que é melhor do que nada. E distrai, sim. A distância social não impede que os pobres se identifiquem com os personagens ricos das novelas, e chorem por seus dramas. É a magia do Padrão Global. Em qualquer lugar do mundo, novelas são estigmatizadas por serem produções rasteiras e bregas, a ponto de serem conhecidas internacionalmente pela denominação irônica de "soup opera" (ópera de sabão), que vem dos tempos do rádio e remete aos intermináveis seriados baratos e patrocinados por uma fabriqueta de sabão qualquer, que as pessoas simples gostavam de acompanhar por não terem mais o que fazer. Por que a novela brasileira tem um padrão de qualidade diferente? Há nesse fato alguma coisa ligada a nossas peculiaridades, que nos diferenciam dos demais países latino-americanos?

Com certeza, a diferença entre as novelas brasileiras e as "mexicanas" é flagrante. Nada de tramas inverossímeis, coincidências incríveis, aristocratas que em pleno século 21 habitam mansões senhoriais ao invés de condomínios elegantes; nada de interpretações duras e falas empoladas, nem de latinos gélidos como nórdicos. O universo social, entretanto, é o mesmo: tanto nas novelas brasileiras como nas "mexicanas" o mundo é composto apenas de ricos e pobres, sem classe média. Digo novela mexicana entre aspas porque na verdade as novelas seguem este padrão em todas as partes do mundo, só a brasileira é diferente. E bem diferente. Aqui o tempo é o presente e a linguagem é a coloquial. Os acontecimentos que impactam o nosso dia-a-dia também impactam o dia-a-dia dos personagens. As locações são lugares que nos são familiares e os personagens se parecem com pessoas que conhecemos, só que... não são reais. Tudo é revestido de um discreto retoque para se acomodar ao Padrão Global.

E é este retoque a verdadeira razão do sucesso comercial das novelas da Globo. Não é um remendo tosco, é um retoque cuidadoso e esmerado. São mostradas as diferenças sociais e as mazelas morais, mas os aspectos repulsivos são eliminados. Os humildes empregados tem boas roupas e falam direito. A ex-menina de rua parece uma gatinha da zona sul. Os imigrantes do século 19 têm todos os dentes na boca e suas cozinhas são limpinhas. A garota de programa só cobra em dólares. Enfim, a Globo não mostra nada que não exista, mas tudo competentemente retocado pelo Padrão Global, que produziu esta notável invenção: o pobre que não fede.nenhum pobre gosta que lhe lembrem de que é fedido, é com prazer que ele assiste às novelas da Globo. O visual exuberante e os personagens "gente fina" das novelas brasileiras, o visual démodé os personagens esquemáticos das novelas latinas, o quadro social só de ricos e pobres em ambos os casos, tudo isso ilustra nossa semelhança e nossa diferença em relação aos demais sul-americanos: não somos, em média, nem mais ricos nem mais cultos do que eles, mas sem dúvida somos bem mais diversificados e cosmopolitas.

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Eduardo Guimarães, em seu blog // http://www.pragmatismopolitico.com.br/

Ouso dizer que se de repente a Globo simplesmente evaporasse da face da Terra, nem os outros braços do aparato político-ideológico-midiático que a organização multimídia da família Marinho lidera iriam chorar por seu sumiço; comemorariam com fogos de artifício

A parcela da sociedade política e ideologicamente alinhada aos governos progressistas que há uma década vêm conseguindo manter o poder contra essa máquina midiática, vem cometendo um erro de avaliação sobre o que convencionou chamar de “grande mídia”.

A Globo não prejudica o resto da comunicação no Brasil apenas ficando com quase tudo em termos de publicidade oficial e privada. A hegemonia da organização da família Marinho prejudica o país ao impor costumes, vetar projetos governamentais, leis, ao difundir ignorância, preconceito e muito mais.

Hoje, no Brasil, há um só grupo de mídia que, nadando contra a corrente que arrasta outros grandes grupos, vem obtendo lucros estratosféricos, crescendo e se solidificando a cada ano: as Organizações Globo.

É um fenômeno impressionante. De 2002 a 2012, a Globo perdeu 22% de sua audiência em rede nacional. Em 2002, no Painel Nacional de Televisão (PNT), a média diária da emissora, entre 7h à 0h, era de 22,2 pontos. De janeiro a agosto de 2012, a média diária foi de 17,4 pontos. Cada ponto equivale a 191 mil domicílios no país.

Em uma década, porém, a participação da Globo nos investimentos publicitários em TV aberta se manteve em 70%. O faturamento bruto da TV aberta da Globo com anúncios passou de R$ 5,65 bilhões em 2002 para R$ 18 bilhões em 2011.

Mais impressionante ainda: o lucro da Globo, ano passado, subiu 36% e chegou a R$ 2,9 bilhões – um aumento de 35,9% ante o resultado do ano anterior –, apesar da queda de audiência.

O paradoxo entre queda de audiência e aumento do faturamento se deve à estratégia multimídia das Organizações Globo. Além da principal emissora de TV do país, o grupo também detém jornais e revistas, além de participação em empresas como a Net e Sky e nos canais pagos da Globosat, como SporTV, Multishow e Telecine.

Não existe país nenhum no mundo com um império de comunicação como esse.

Isso ocorre enquanto outros grandes grupos de mídia como a Rede Record, o Grupo Folha, o Grupo Estado e a Editora Abril vêm amargando seguidos prejuízos.

O mais impressionante é o resultado publicitário da Globo no que tange a verbas oficiais. Apesar da queda de audiência, as plataformas de mídia globais açambarcam 64% das verbas de publicidade do governo federal.

Como resultado dessa ditadura midiática e política, os irmãos João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto Marinho ocupam, respectivamente, o 7º, o 8º e o 9º lugares na lista que a revista Forbes publica dos homens mais ricos do Brasil.

João Roberto e Roberto Irineu acumulam hoje uma fortuna de 8,7 bilhões de dólares cada um. Já José Roberto tem uma fortuna estimada em 8,6 bilhões de dólares.

Como não existe um marco regulatório que vete a monopolização de tantas plataformas de mídia – que, em enorme parte, são concessões públicas entregues aos Marinho pelo governo federal –, enquanto a Globo lucra como nunca os grupos de mídia que atuam politicamente em consonância com a ditadura global vão ficando com as gordas migalhas que caem da mesa, mas que não bastam para impedir-lhes os problemas financeiros.

Mas por que, então, vemos impérios de comunicação como o Grupo Folha, o Grupo Estado, a Editora Abril e outros aliarem-se à guerra aberta que a Globo, de forma aparentemente inexplicável, trava com um governo federal que se entrega à sua voracidade por dinheiro e concessões públicas?

A questão parece ser muito mais ideológica do que prática. Apesar de forrar as Globos com a parte do leão das verbas e das concessões públicas, os governos do PT são vistos pelo resto da grande mídia como inimigos do capitalismo.

As famílias Frias, Mesquita, Civita e congêneres acham que um governo tucano, por exemplo, distribuiria mais benesses ainda e as salvaria de uma situação que, em verdade, deve-se à voracidade Global.

Assim, os governos do PT tornaram-se o inimigo comum de grupos de mídia que, por trás da aparente cordialidade, são adversários ferozes na disputa pelas benesses do Estado.

Mas a Globo não prejudica o resto da comunicação no Brasil apenas ficando com quase tudo em termos de publicidade oficial e privada. A hegemonia da organização da família Marinho prejudica o país ao impor costumes, vetar projetos governamentais, leis, ao difundir ignorância, preconceito e muito mais.
Roberto Marinho e o general João Batista Figueiredo (Foto: Divulgação)

O padrão “racial” da publicidade e da televisão brasileiras, por exemplo, que exclui a verdadeira etnia de nosso povo, é oriundo de uma visão da Globo sobre o país. Novelas, publicidade, tudo o que se vê retrata um país de aparência europeia porque a Globo criou e mantém esse padrão.

A ausência de programas que discutam o país, que se aprofundem em debates importantes, inclusive políticos, é oriunda de uma programação da Globo feita para emburrecer e alienar o espectador.

Como a Globo é uma receita de sucesso, seu padrão é seguido pela concorrência na mídia eletrônica, sobretudo na televisão. Haja vista as cópias de excrescências como o Big Brother em outras emissoras, das novelas bobinhas com elenco ariano etc.

A teledramaturgia global, em particular, é dramática – para fazer um trocadilho. Novela após novela é encenada no eixo Rio-São Paulo, com enredos que se repetem sem parar, com vilões e mocinhos – e mocinhas – idênticos, sempre exaltando as classes sociais abastadas a que a cúpula da Globo pertence.

Todo esse poder da Globo se deve à sua capacidade de chantagear a classe política. Executivo, Legislativo e Judiciário ajoelham-se no altar Global de Norte a Sul do país. Nem a Presidência da República escapa.

Apesar de não vir conseguindo eleger o presidente da República desde 2002, a Globo, ao levar escândalos reais e inventados ao Jornal Nacional, novelas, programas humorísticos etc., selecionando os que quer expor e os que quer esconder, consegue a subserviência da República aos seus ditames.

Se até os grandes grupos de mídia além da Globo estão sendo sufocados por ela, imaginemos o que acontece com a mídia dita “alternativa”, que deve desaparecer em poucos anos se nada mudar.

Todavia, a própria grande mídia – Globo excluída – não deve resistir tanto assim. Com o passar do tempo, os Marinho irão adquirindo participações de tudo até que estabeleçam um imenso monopólio da comunicação nacional.

Não existe um só país da importância do Brasil e no qual vigore regime verdadeiramente democrático que tenha praticamente toda a comunicação nacional sob o tacão de uma única família, de um único império empresarial de comunicação.

Após uma década de governos progressistas que conseguiram distribuir renda, diminuir a pobreza e avançar em termos de solidificação da economia, com aumento exponencial de infraestrutura etc., o Brasil caminha para a Idade Média nas comunicações.

Como livrar o pais da ditadura da Globo? Boa pergunta. Se nem após dez anos de governos do PT conseguimos dar um mísero passo para desconcentrar o poder que a família Marinho começou a acumular graças à ditadura, parece quase impossível mudar isso agora.

A Globo não tem hoje menos poder, tem mais, muito mais. E esse poder está crescendo a cada ano. E se em 2013 conseguir colocar um despachante no lugar de Dilma no Palácio do Planalto, melhor será mudar o nome do país para República Global do Brasil. 

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A história inabalável: Editorial do jornal “O Globo” de 2 de abril de 1964, celebrou o Golpe Militar

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Leia a seguir, na íntegra, o posicionamento histórico e irreparável do jornal da família Marinho durante o processo que removeu, à força, um governo democraticamente eleito e instaurou uma ditadura militar no Brasil. Na foto abaixo, a capa do jornal O Globo, celebrando o “ressurgimento da democracia”, um dia após o Golpe Militar.

Editorial de “O Globo” do dia 02 de abril de 1964

“Ressurge a Democracia”

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.
Capa do jornal O Globo, celebrando o “ressurgimento da democracia”, um dia após o Golpe Militar. (Reprodução)

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”


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A emissora já negou, mas pequenas notas em colunas de jornal e sites sobre audiência indicam que o boicote proposto pelos evangélicos afetou a programação da Rede Globo

A aproximação com os evangélicos vem se desenhando há algum tempo, incluindo contratos de artistas gospel com a gravadora Som Livre, a exibição do Festival Promessas e o encontro com pastores para discutir a maneira como os personagens evangélicos são retratados.
rede globo evangélicos programação
Boicote evangélico faz Tv Globo mudar programação (Imagem: Reprodução)
Outro fato que merece destaque é que o São Jorge, “padroeiro” da novela das 21 horas foi esquecido. Desde o início da trama muitos evangélicos diziam que não queriam fazer um culto a Ogum, como a figura é conhecida nas religiões afro-brasileiras.
O protagonista Théo (Rodrigo Lombardi), que era tão devoto nos primeiros capítulos, não aparece mais acendendo velas nem fazendo rezas para o santo. Não há referências diretas ao santo por parte dos outros personagens.
Várias fontes estão anunciando que a novela tem atualmente um dos piores índices de audiência dessa faixa horária e não conseguiu conquistar o público. Jornalistas acreditam que os posts evangélicos de manifesto nas redes sociais afetaram o desempenho. Inicialmente a trama deveria ficar no ar até junho, mais foi encurtada em duas semanas e chegará ao fim em maio.
Sua substituta será “Em Nome do Pai”, que teve a estreia antecipada. As gravações do folhetim de Walcyr Carrasco já estão em andamento e deve ter, entre outras histórias paralelas a primeira “mocinha evangélica” de uma trama global, uma ex-periguete que se converte e se torna cantora gospel. Outra trama de destaque é para um ex-homossexual que deve viver uma relação séria com uma mulher.
Mais recentemente, houve mudança numa das novelas programadas para estrear este ano. Ao invés de “Pequeno Buda”, foi rebatizada de “Joia Rara”. O motivo seria o temor da emissora que ocorresse outra campanha dos evangélicos contra o título que remete ao fundador do budismo. O folhetim de Thelma Guedes e Duca Rachid entrará no ar no final do ano na faixa das 18h, após o fim de “Flor do Caribe”, que estreia este mês.
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por : Paulo Nogueira // http://www.diariodocentrodomundo.com.br/



Foram quase 6 bilhões de reais nos últimos dez anos em cima de uma lógica altamente discutível.

Interessa incentivar uma programação que vai dar em coisas como o BBB?

Primeiro, a boa notícia: a transparência nos gastos com publicidade no governo.

Transparência é detergente: elimina muita sujeira.

Então seguem as palmas à Secretaria de Comunicação, a Secom, por detalhar onde o governo coloca seu dinheiro.

Depois, a má notícia: a lógica do investimento “técnico”, graças ao qual a Globo desde 2000 levou quase 6 bilhões de reais do governo, não se sustenta.

Presumo que, ao expor seus gastos à sociedade, a Secom esteja não só dando satisfações ao contribuinte mas, acima de tudo, propondo debate.

Vamos a ele.

A análise técnica não leva em consideração que, agindo como age, a Secom está perpetuando uma situação de monopólio construída em circunstâncias obscuras durante o governo militar.

Interessa alimentar o monopólio apenas porque ele é monopólio, ou você pode e deve corrigir situações em que a concorrência é desleal?

Se existe um consenso de que a desconcentração da mídia é essencial para a democracia, por que o governo, na publicidade, incentiva a concentração?

Como este incentivo cego e bilionário cabe dentro da lógica é essencial, para a democracia, que não exista monopólio na mídia?

O que aconteceu nos investimentos publicitários governamentais, nestes dez anos de PT, foi pegar uma situação – a de 2002 – e simplesmente encampá-la, sem nenhuma crítica.

A virtude da “isenção” ficou a serviço do vício.

Partiu-se de uma base que deve muito – quase tudo — a favores concedidos pelos governos militares a Roberto Marinho, “nosso mais fiel e constante aliado na mídia”, como se referiu a ele o ministro da justiça de Geisel, Armando Falcão.

Ora, se a base é viciada, trate de corrigi-la, em vez de perpetuá-la.

O governo não fez isso.

Por quê? Porque não viu, ou porque viu mas não teve coragem de fazer algo que certamente mobilizaria toda a capacidade formidável da Globo de retaliar em nome do, aspas, interesse público?

Cada qual fique com sua conclusão. Nenhuma das duas hipóteses é exatamente positiva.

Ouvi algumas pessoas dizerem que, do ponto de visya jurídico, é difícil alterar essa aberração. Ora. A isso contraponho Brecht. “Não aceite o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.”

Clap, clap, clap: nada deve parecer impossível de mudar.

O investimento cego ignora também o BV, a infame propina legal mas imoral com a qual a Globo mantém acorrentadas as agências de publicidade.

O BV foi mais uma invenção da Globo. Ela adianta o dinheiro que as agências vão colocar nela, e isso tem sido a principal fonte de renda muitas das agências.

Quem milita no meio corporativo jornalístico – eu fiz isso por 25 anos – sabe o veneno ético e moral representado pelo BV. Fora tudo, é uma agressão à luz do dia ao conceito de concorrência e meritocracia capitalista.

Será que nunca a sociedade brasileira vai se livrar desse tipo de mamata legalizada?

Sempre achei irônico o comportamento da mídia à concorrência predadora da Globo. Em meus anos na Abril, diversas vezes comentei o que para mim é bizarro: a maciça, exagerada, bovina cobertura dada à Globo. Quantas capas da Veja e páginas da Ilustrada dedicadas a novelas emburrecedoras e medíocres que, como mostra o Ibope, vão marchando para o bem-vindo ostracismo? A Globo sempre pisou na concorrência, e recebeu, paradoxalmente, o oposto disso — louvores que só tornaram mais contundentes ainda as sucessivas pisadas.

Por fim, você faz tudo isso para dar no quê? Num jornalismo à Jabor, à Merval, à Ali Kamel? Em entretenimento como o BBB e as novelas que incentivam os brasileiros a se encher de cerveja em merchans multimilionários da Ambev e empurram o jogo de futebol para horários em que os típicos torcedores já estão exaustos?

Ou ainda: você faz isso para consolidar a posição dos três Marinhos na lista de bilionários da Forbes?

De toda forma, louve-se a publicação do Secom porque, sem ela, não seria possível discutir um assunto tão relevante para os brasileiros.

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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http://www.pragmatismopolitico.com.br/17/DEC/2012

A Rede Globo foi condenada a pagar R$ 1,35 milhão para reparar os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base de São Paulo. Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga devem receber, cada um, o equivalente a 1,5 mil salários mínimos (R$ 450 mil). Entenda o caso abaixo

Dezoito anos atrás, os donos da Escola de Educação Infantil Base, na zona sul de São Paulo, foram chamados de pedófilos. Sem toga, sem corte e sem qualquer chance de defesa, a opinião pública e a maioria dos veículos de imprensa acusaram, julgaram e condenaram Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada, Mauricio Alvarenga e Paula Milhim Alvarenga.
Chegou-se a noticiar que, antes de praticar as ações perversas, os quatro sócios cuidavam ainda de drogar as crianças e fotografá-las nuas. “Kombi era motel na escolinha do sexo”, estampou o extinto jornal Notícias Populares, editado pelo Grupo Folha. “Perua escolar carregava crianças para a orgia”, manchetou a também extinta Folha da Tarde.
caso escola base mídia
Inocentes foram julgados e condenados pela mídia, que estimulou o linchamento popular.
Na esfera jurídica, entretanto, a história tomou outros rumos. As acusações logo ruíram e todos os indícios foram apontados como inverídicos e infundados. Mas era tarde demais para os quatros inocentados. A escola, que já havia sido depredada pela população revoltada, teve que fechar as portas.
Hoje, acumuladas quase duas décadas de reflexão e autocrítica, a mídia ainda não conseguiu digerir o ocorrido e o caso da Escola Base acabou se tornando o calcanhar de Aquiles da imprensa brasileira — é objeto constante de estudo nas faculdades de jornalismo — e motivo de diversas ações judiciais provocadas pelos diretores da escola.
Em uma delas, Paula Milhim, antiga professora e coordenadora pedagógica da Escola Base, tenta pôr as mãos na indenização de R$ 250 mil que ganhou na Justiça paulista. Com a repercussão do caso, Paula perdeu o emprego, se afastou da família, e hoje acumula dívidas em um emprego instável como auxiliar administrativa.

O decreto de Covas

Em função de diversos atrasos para iniciar a ação judicial, a indenização a que Paula tem direito esteve à beira da prescrição. Para piorar, no momento em que a sua defesa estava formada e instrumentalizada, um ataque cardíaco fulminante vitimou o seu advogado e atrasou ainda mais o processo.
Laércio José dos Santos, seu atual (e terceiro) advogado, só teve acesso ao processo em 1999, após ter expirado o prazo de cinco anos — que consta no Código de Processo Civil para requisição de ação indenizatória.
Antes que a prescrição fosse oficialmente validada, o então governador de São Paulo Mario Covas publicou em 15 de dezembro de 1999 o decreto número 44.536, em que escreveu: “fica autorizado o pagamento administrativo de indenização às vítimas do caso Escola Base, em virtude da responsabilidade civil do Estado por atos cometidos por seus agentes”.
Para justificar a intenção, o decreto cita os princípios da dignidade humana e da inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas. Ambos salvaguardados pela Constituição Federal de 1988.
Com a morte de Covas em 2001, mudaram os quadros da Procuradoria-Geral do Estado e do Palácio dos Bandeirantes. Mudou também o entendimento do governo estadual e o decreto oficial passou a ser questionado na Justiça.

Renúncia de prescrição

Em primeira instância, a juíza encarregada acolheu o argumento da advocacia do estado. Ficou decidido que o decreto apenas significava que Covas havia mandado verificar se havia débito com alguma vítima do caso da Escola Base. Entretanto, como a ação havia sido iniciada em 2004, dez anos após o incidente, a indenização teria prescrito e não poderia mais ser cobrada.
A defesa de Paula Milhim recorreu ao TJ-SP, e obteve ganho de causa na 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal. A Corte entendeu que a intenção do decreto emitido por Covas, ainda que não diga explicitamente, é determinar a interrupção da prescrição.
“É evidente que esse decreto foi uma maneira que o governador encontrou de garantir, a todas as vítimas, uma recomposição, ainda que parcial, daquilo que foi perdido após o verdadeiro linchamento moral por elas sofrido quando da época dos fatos”, justificou o desembargador José Roberto Cabella, relator da ação.
O Tribunal entendeu que o decreto oficial contém uma renúncia, ainda que tácita, à prescrição. O relator cita também decisões anteriores de outras Cortes nas quais ficou reconhecido que é legítimo o Poder Executivo interromper a prescrição de indenizações por força de atos administrativos. “Não é de hoje que o governo, em casos emblemáticos, reconhece seus erros e tenta, na medida do possível, repará-los”, explicou.

Perspectiva de pagamento

Uma vez reafirmado o direito à indenização, o desafio da defesa de Paula Milhim passa a ser a efetivação desse direito. “Ela vai viver para receber?”, indaga o advogado Laércio José dos Santos.
Como ainda há (a provável) chance de um recurso da Procuradoria-Geral do Estado no STJ (Superior Tribunal de Justiça), a decisão do TJ-SP não é definitiva. Sem a ação ter transitado em julgado, Paula ainda nem entrou na fila dos precatórios do Tribunal.
O advogado Flávio Brando, presidente da Comissão de Dívida Pública da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de São Paulo), afirma que a perspectiva de recebimento dos valores devidos pelo governo paulista é bem pessimista.
“O estado de São Paulo deve aproximadamente R$ 20 bilhões”, diagnostica Brando ao afirmar que somente R$ 2 bilhões já foram depositados.
O cenário mais otimista para Paula surge se ela conseguir ser enquadrada na fila dos pagamentos preferenciais. Entretanto, mesmo que ganhe mais agilidade seriam liberados apenas R$ 54 mil para depósito nestas condições, o restante só seria quitado após ela seguir normalmente a fila de pagamentos do Tribunal.

Rede Globo é condenada a pagar R$ 1,35 milhão

A Rede Globo foi condenada a pagar R$ 1,35 milhão para reparar os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base de São Paulo. Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga devem receber, cada um, o equivalente a 1,5 mil salários mínimos (R$ 450 mil).
caso escola base
Caso Escola Base é o calcanhar de aquiles da imprensa brasileira.
A assessoria de imprensa da Globo afirmou que a emissora “está recorrendo e que não divulga a informação por questão de estratégia jurídica”. Os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e a revista IstoÉ também já foram condenados.
Em todos os casos já julgados, ainda não houve decisões do Superior Tribunal de Justiça. Segundo o site Espaço Vital, a decisão contra a Globo foi tomada por unanimidade na manhã de quarta-feira pela 7ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP.
O TJ entendeu que a atuação da imprensa deve se pautar pelo cuidado na divulgação ou veiculação de fatos ofensivos à dignidade e aos direitos de cidadania. Em março de 1994, a imprensa publicou reportagens sobre seis pessoas que estariam envolvidas no abuso sexual de crianças, alunas da Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação, em São Paulo. Jornais, revistas, emissoras de rádio e de tevê basearam-se em “ouvir dizer” sem investigar o caso. Quando foi descoberto, a escola já havia sido depredada, os donos estavam falidos e eram ameaçados de morte em telefonemas anônimos.
Agências e Última Instância
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Como Glenn Greenwald consolidou na mídia internacional a imagem de que é sim um golpe. Por Paulo Nogueira


por : Paulo Nogueira // http://www.diariodocentrodomundo.com.br/


Você jamais vai ver Merval nesta tela
Não adianta gastar dinheiro público e enviar gente como o senador Aloysio Nunes para Washington numa tentativa de conquistar corações e mentes internacionais para o golpe.
Não adianta também jornalistas provincianos como os da Globo se esgoelarem a mando dos patrões para tentar negar o golpe perante a comunidade mundial.
É um jogo que está definido – e não apenas porque o golpe é golpe. Há um fator decisivo nisso: Glenn Greenwald.
Quem conhece o trabalho numa redação sabe como os jornalistas se movimentam em momentos turbulentos num país que não seja o seu.
Para se informar e começar a formar opinião, eles procuram, primeiro e acima de tudo, jornalistas locais que admirem e respeitem.
Greenwald, que decidiu há alguns anos morar no Brasil, preenche ambos os requisitos.
Ele é uma autoridade jornalística nos Estados Unidos, onde nasceu e se formou como repórter, e na Inglaterra, onde foi uma das mais respeitadas vozes do Guardian.
É ele que muitos jornalistas americanos e ingleses consultaram e consultam para saber mais sobre o Brasil.
Confiam em seu conhecimento, em seu discernimento, em sua integridade.
Não apenas lhe telefonam em busca de subsídios. Mas também o entrevistam, como fez há pouco a CNN.
Que jornalista ligado ao impeachment tem, entre os jornalistas estrangeiros, os atributos de Greenwald?
Merval? Azevedo? Noblat? Mainardi? Escosteguy? Míriam Leitão? Sardenberg? Waack? Bonner? Erick Bretas, fantasiado de Sérgio Moro? Ali Kamel, alavancado pela sua obra magna Não Somos Racistas?
Existe não apenas a barreira da língua, naqueles casos. Mas sobretudo a da respeitabilidade, a do prestígio, a da confiabilidade.
Já era uma questão real antes. E se tornou intransponível depois que Greenwald, num espasmo de sinceridade, afirmou na entrevista que fez com Lula estar chocado com a tendenciosidade e a militância política da imprensa brasileira.
É propaganda de direita o que a mídia nacional faz, não jornalismo.
Os jornalistas estrangeiros registraram, evidentemente, a avaliação de Greenwald sobre Globo, Veja etc.
Mais recentemente, Greenwald voltou a falar da imprensa brasileira. Mais especificamente, da Veja, que o atacou num artigo com o mesmo padrão do elogio a Marcela Temer por ser “bela, recatada e do lar”.
Ele afirmou tomar o ataque como um elogio, porque a Veja é uma “piada”. Disse que se mandassem a página emoldurada a penduraria na parede de sua casa.
A imagem da mídia nacional no exterior era inexistente. Agora, ela é o que Greenwald disse sobre ela.
Não é novidade nenhuma para os brasileiros, que sabem dos horrores pseudojornalísticos praticados pelas corporações de mídia dos Marinhos, Civitas, Frias.
Mas para as redações estrangeiras foi uma novidade. Uma péssima novidade.
O diagnóstico de golpe feito por Greenwald acabaria sendo reforçado, para jornalistas de fora, pelo espetáculo grotesco da sessão da Câmara em que corruptos diziam sim ao impeachment com argumentos que pareciam saídos do Sensacionalista.
O jogo da imagem perante o exterior está perdido para os golpistas, qualquer que seja o desfecho do golpe em si.
Para os cofres públicos, é melhor economizar dinheiro como o gasto para mandar Aloysio Nunes para Washington numa missão impossível: mostrar que o golpe não é golpe.
Paulo Nogueira

Sobre o Autor


O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


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brizacatao

Catão e a Rede Globo, por Ivson Alves
POR FERNANDO BRITO // http://www.tijolaco.com.br/


O coleguinha Ivson Alves, figura querida no meio do jornalismo, ferino e bem humorado, fez hoje com que eu lembrasse daquela frase do Brizola de que, eleito presidente, iria terminar com o monopólio da Rede Globo “na primeira hora da primeira manhã do primeiro dia no Poder.

Nada tem a ver com liberdade de imprensa…

Pensando melhor, tem tudo a ver, porque é impossível haver liberdade de imprensa com o poder hegemônico da Globo a avassalar e a 21ditar o padrão de conduta de toda a mídia.

Se eu me lembro do velho Briza, Ivson lembra de Catão, o Velho.

E produz o ótimo texto que reproduzo abaixo.

#aGlobodeveserdestruida

Em minhas pesquisas, creio que descobri o inventor do conceito de hashtag — Marcus Porcius Cato, que passou à história como Catão, o Velho (234–149 a.C). Ele avaliava que Roma jamais teria paz e poderia progredir em seu comércio no Mediterrâneo se Cartago continuasse a existir. Não importava que os romanos já tivessem derrotado os cartagineses em duas guerras. Os caras eram teimosos e, nas duas vezes, reconstruíram as defesas e voltaram a atazanar os latinos no mar interior (inclusive com seus corsários) em poucos anos.
Assim, Catão passou a encerrar todos os seus discursos no Senado, fosse sobre que assunto fosse — finanças públicas, estado da limpeza das ruas de Roma, agricultura (sua especialidade), qualquer coisa — com uma frase: “Ceterum autem censeo Carthaginem delendam esse” (“Considero ainda que Cartago deve ser destruída”). Para poupar tempo (e em nome do estilo), reduziu-a àquela que ficou realmente famosa: “Delenda est Carthago” (“Cartago deve ser destruída”).
Assim, como considero que o Brasil jamais se tornará realmente uma democracia enquanto a Rede Globo existir, informo que, a partir de agora, todos os meus textos aqui terminarão com a hashtag #aGlobodeveserdestruida.

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Leonel BRIZOLA em direito de resposta constitucional na TV GLOBO no Jornal Nacional c/Cid Moreira HD


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Edição Polêmica do JN - Último debate 89


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Há 30 anos, 'JB' revelou escândalo do Proconsult e derrubou fraude na eleição 

No retorno às eleições para governador, tentaram roubar os votos de Leonel Brizola 

  Maria Luisa de Melo

Há 30 anos, uma tentativa de fraude na eleição paragovernador do Rio de Janeiro foi desbaratada graças ao trabalho das equipes do Jornal do Brasil e da Rádio JB. Com a ajuda de militares ligados aos órgãos deinformação, tentou se evitar a vitória do esquerdita Leonel de Moura Brizola, favorecendo-se o candidato apoiado pelos militares, Wellington Moreira Franco. O esquema que ficou conhecido como "Proconsult" entrou na história como a primeira grande tentativa de fraude eleitoral através dos computadores.
O ano era 1982 e o país, debaixo do regime militar já há 18 anos, vivenciava a volta daeleição direta para a escolha dos governadores dos estados. No mesmo pleito, também foram escolhidos os deputados estaduais, deputados federais e um senador em cada unidade da Federação.

No Rio de Janeiro disputavam a cadeira de governador o candidato oficial do governo militar, Moreira Franco, representante do PDS (ex-Arena), partido de sustentação da ditadura militar que, à época, tinha na presidência da República o general João Figueiredo; o deputado federal Miro Teixeira (PMDB), herdeiro direto do então governador Chagas Freitas, mas que tentava passar a imagem de independente; o recém chegado do exílio (1979), ex-governador gaúcho, Leonel de Moura Brizola (PDT); a deputada federal, Sandra Cavalcanti (PTB), que iniciou sua vida política na UDN e no Lacerdismo; além do deputado federal cassado em 1976, Lysâneas Maciel, candidato pelo novato Partido dos Trabalhadores.
Depois de fraude descoberta, Brizola tomou posse como governador do estado do Rio
Depois de fraude descoberta, Brizola tomou posse como governador do estado do Rio

Vivia-se a derrocada da ditadura, embora ela ainda fosse perdurar por mais alguns anos. Para evitar novos sustos nas urnas e tentar manter a maioria no Congresso, o governo militar criou o chamado voto vinculado. O eleitor era obrigado a escolher apenas candidatos de um mesmo partido. De deputado estadual a governador deveriam ser escolhidos políticos de uma mesma sigla, sob pena do voto ser anulado









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Inicio da informatização
A principal novidade daquele ano foi a informatização do somatório dos mapas produzidos manualmente pelas juntas de apuração em cada zona eleitoral. Na maioria dos estados brasileiros, a empresa estatal Serpro foi contratada para computar os votos. No Rio de Janeiro, no entanto, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recorreu à Racimec, empresa dirigida por militares que criaram a Proconsult para atender ao tribunal. Seu responsável técnico era um tenente-coronel do Exército, Haroldo Lobão, ex-chefe do Centro de Processamento de Dados (CPD) do Exército.
As eleições estavam marcadas para 15 de novembro. Menos de um mês antes, na sexta-feira 21 de outubro, na coluna "Coisas da política", editada no Jornal do Brasil, o então diretor-adjunto da revista Veja e colunista do JB, Élio Gaspari, em um artigo intitulado "Uma nova sigla eleitoral no Rio de Janeiro", alertou para a “atividade de pessoas ligadas ao Serviço Nacional de Informações (SNI), em favor do PDS e de seu candidato, Wellington Moreira Franco". O artigo prosseguia:
"De todas as siglas de três letras em ação no Rio, o SNI é a mais discreta, pela própria natureza de suas operações. Até agora, pode-se estimar que esse pelotão agiu em duas direções: numa, contribuiu para orientar as forças uma concepção estratégica tanto na manobra de seccionamento do governador Chagas Freitas, hoje separado do PMDB, quanto na exibição das armas disponíveis para atacar a maré brizolista", diz trecho do artigo(Leia aqui). 
Digitação paralela
Apesar da suspeição levantada por Gaspari, o então recém-criado Partido Democrático Trabalhista (PDT) – no qual Brizola juntou o grupo do extinto PTB que não se junto à Ivete Vargas quando ela se apoderou da velha sigla PTB - quase recuou da proposta de montar um sistema de apuração sofisticado, desenvolvido pelo economista César Maia, ainda uma pessoa desconhecida no meio político. O custo do sistema que ele propunha assustou os caciques pedetistas, notadamente Cibilis Vianna.
Porém, o medo da fraude falou mais alto e, na sexta feira, 12 de novembro, três dias antes da eleição que ocorreria na segunda-feira, optaram pelo esquema mais sofisticado. Por ele, fiscais do partido levariam ao escritório do advogado Rafael Peres Borges, no Centro do Rio, as cópias dos mapas de todas as urnas que depois seriam transferidas, por um motoqueiro, para um endereço secreto onde os dados destes mapas seriam digitados.
"Numa sexta feira, dia 12 (a eleição estava marcada para a segunda-feira, 15, feriado da Proclamação da República), o Cibilis Viana (então secretário-geral do PDT) me telefonou, de madrugada, e disse: 'Cesar, eu estou mandando uma pessoa te entregar agora um envelope com 5 mil cruzeiros. Monte o seu esquema'. Eu respondi, 'Cibilis, mas já é sexta-feira'. Enfim, telefonei para o programador, que estava em Petrópolis. Pedi que ele descesse para a gente fazer isso", contou o ex-prefeito do Rio de Janeiro ao Jornal do Brasil, lembrando-se do corre-corre provocado nas semanas seguintes ao artigo de Gaspari.
"Tínhamos um problema básico, porque a legislação eleitoral brasileira dizia que só era possível reclamar contra a apuração com documentos oficiais. Cada partido recebia cópia em carbono com o resultado", disse. "Foi exatamente isso que tivemos que fazer. Juntar boletim por boletim". 
Disputa acirrada
Naquela eleição, o Jornal do Brasil e a Rádio JB montaram um sistema de apuração paralela da contagem de votos. Trabalhavam com equipes distribuídas pelos centros de apuração das principais zonas eleitorais, das quais os resultados de cada urna eram repassados por telefone para a redação, onde se fazia a totalização dos votos. O jornal O Globo e, principalmente, a TV Globo, fiaram-se nos números do Proconsult, o que acabou provocando a forte suspeita do envolvimento das Organizações Globo com a fraude que se descobriria depois.
A disputa eleitoral no Rio naquele ano teve momentos distintos. Inicialmente saíram à frente da preferência popular a candidata Sandra Cavalcanti e o peemedebista Miro Teixeira, beneficiando-se da máquina governamental comandada por Chagas Freitas. No desenrolar da campanha, Sandra perdeu espaço para o candidato apoiado pelos militares, Moreira Franco, que passou a rivalizar com Miro. No entanto poucos perceberam que o candidato pedetista, como se definiu na época, correndo por fora, foi conquistando a confiança dos eleitores. Àquela altura, se os militares já tentavam derrubar Miro para garantir a vitória de  Moreira Franco, mais ainda faria contra Brizola, considerado por muitos deles como um incendiário.
A partir da eleição do dia 15 de novembro, o PDT passou, então, a recolher os boletins de apuração e a enviá-los para pontos de digitação secretos, conhecidos apenas por Maia: em uma sala em Botafogo digitava-se os resultados dos mapas de apuração de cada urna. Os discos eram processados no Centro de Processamento de Dados da construtora Sérgio Dourado, na Rua Prudente de Morais, em Ipanema. Tudo acompanhado de perto por Maia que, a partir deste episódio, ganhou destaque dentro do partido e mais tarde se transformou no secretário de Fazenda do governo Brizola, que lhe deu projeção nacional. 
A Rádio Jornal do Brasil, logo após os primeiros dias de apuração, verificou que Brizola liderava na capital, onde estavam 70% dos votos, e decidiu se concentrar na apuração dos votos de Brizola e Moreira Franco. Graças a isto, a rádio e o jornal puderam perceber antes dos resultados finais as distorções que ocorriam nos números oficiais do TRE, repassados pelo Proconsult. O esquema da apuração do PDT também detectou as falhas que ainda não eram vistas como fraudes.
Diferencial Delta
Paralelamente, porém, a TV Globo, assim como o jornal O Globo, por ingenuidade ou, como desconfiaram os pedetistas, por participarem do esquema, fiaram-se nos números do Proconsult que sempre apresentavam Moreira Franco à frente.
Para tentar manter o candidato dos militares em primeiro lugar, o Proconsult apegou-se a duas estratégias diferentes. Primeiro deu preferência às urnas do interior do estado onde, teoricamente, o candidato oficial estaria ganhando.
Paralelamente, surgiu o chamado “Diferencial Delta”, como alegariam na época os diretores do Proconsult, justificando o grande número de votos brizolistas anulados por conta da obrigatoriedade da vinculação dos votos. A questão é que nos mapas divulgados pela Proconsult a quantidade de votos anulados e em branco em determinado momento diminuíram à medida em que eles eram, fraudulentamente, contabilizados pró Moreira Franco, na tentativa de modificar o resultado das urnas.
De qualquer forma, dando preferência aos números apresentados pela Proconsult e desconhecendo apurações paralelas como a do PDT e da Rádio JB, as organizações Globo - em especial a TV Globo – alimentavam a esperança de o golpe ser assimilado. Na medida em que difundiam a ideia da vitória do candidato dos militares, permitiriam aos técnicos da Proconsult inverterem os votos nulos e brancos, contabilizados para o candidato dos militares.
Miro reconheceu vitória
Então editores do jornalismo da Rádio JB, Pery Cotta e Procópio Mineiro noticiavam a apuração 24 horas por dia. A constatação, dia a dia, diante da contagem própria de votos, era a mesma do PDT: Leonel Brizola vencia Moreira Franco na primeira eleição direta para governador após 18 anos de ditadura militar no Brasil.
Respaldado na apuração paralela da Rádio JB e também na experiência eleitoral que já acumulava, Miro Teixeira, no dia 18 de novembro, deu entrevista reconhecendo a vitória de Brizola. Em seguida, procurado pelo advogado do PDT, Wilson Mirza, concordou em enviar um telegrama a Brizola cumprimentando-o pela vitória.
De posse do telegrama, no dia 19, Brizola concedeu uma entrevista voltada principalmente para jornalistas estrangeiros, na qual se proclamou o vitorioso da eleição, independentemente de os resultados divulgados pelo TRE/Proconsult não demonstrarem isto. "Só a fraude nos tira a vitória", alertou, jogando a primeira pá de cal no esquema da fraude.
Com isto, seu alerta repercutiu mundialmente e logo recebeu saudações de personalidades internacionais, como o chanceler socialista da Alemanha, Helmut Schmidt. Assim começou a ruir o esquema da fraude, inclusive com a Rede Globo acenando uma bandeira branca ao abrir espaço para uma entrevista do candidato pedetista. Brizola, porém, impôs condições: falaria ao vivo, sem direito a cortes ou edições. O que de fato aconteceu.
Apesar de tudo, continuava a disparidade dos números. Em 22 de novembro, o  Jornal do Brasil divulgava que Brizola alcançara 33,3% dos votos, enquanto Moreira Franco tinha 30,8%, em um total de 14.791 urnas apuradas. Já o TRE, respaldado no Proconsult, dava o resultado de apenas 804 urnas, nas quais Moreira Franco tinha 72.163 votos, Miro Teixeira totalizava 64.270 e Brizola atingia apenas 36.349 votos.
Proconsult pressiona ‘JB’
Apesar de todos os indícios claros da vitória de Brizola e, mesmo depois do reconhecimento por Miro, somente no dia 24 de novembro Moreira Franco resolveu reconhecer sua derrota no pleito. O Proconsult, por sua vez, ainda demorou mais três dias insistindo no erro.








No dia 27 de novembro de 82 'JB' estampou fraude na manchete
No dia 27 de novembro de 82 'JB' estampou fraude na manchete

Para este reconhecimento, foi preciso que o Jornal do Brasil apontasse que estavam ocorrendo diferenças na contabilidade dos votos nulos e branco. Depois de mostrar que o numero de votos nulos e brancos reduzia quanto mais urnas eram apuradas, foi que o TRE se convenceu. No dia 26, o JB noticiou que o tribunal admitia estarem errados os boletins de apuração. 
Nesta edição, o JB anunciava na primeira página: “O responsável técnico pelo Proconsult, Haroldo Lobão, assumiu a responsabilidade pelo erro, ao admitir que o programa que fez está misturando votos brancos e nulos nos diversos cargos”
Pela apuração paralela do JB verificava-se que o número de urnas apuradas crescia, mas havia uma redução nos em branco e nulos. Era o "Diferencial Delta" atuando a favor de Moreira Franco. A divulgação dos resultados diferentes dos da Proconsult levaram o presidente do TRE, desembargador Marcelo Santiago, a prometer uma recontagem dos votos.
Paralelamente, porém, o dono da empresa de processamento de dados, Arcádio Vieira, procurou e ameaçou os editores da Rádio JB. Dias depois, o mesmo foi feito com Cesar Maia, que comandava a apuração do PDT. 
A tentativa de cercear a apuração paralela foi denunciada na manchete do 'JB' em 27 de novembro de 1982: "Proconsult pressionou a apuração do JB". Era o que faltava para a fraude em si ganhar repercussão internacional.
Oito dias depois da eleição, o JB denunciou a tentativa de intimidação da Proconsult. A denúncia, na edição do dia 27, acabou sendo comentada pelo mais influente colunista político do jornalismo brasileiro, Carlos Castello Branco, o Castellinho, na sua coluna do dia 28
Cesar Maia ainda hoje se recorda da visita do diretor da Proconsult. "O Arcádio me procurou dizendo que não estávamos levando em consideração o "Diferencial Delta", já que o governo federal determinou que a eleição seria vinculada. Essa história do "Diferencial Delta" já havia aparecido numa entrevista à Band, antes mesmo da votação, e o Arcádio disse ainda que a vinculação prejudicaria principalmente o Brizola, que é área popular. Eles cometeram uma falha", lembra-se.
Ao contestar estes argumentos, Maia apegou-se a um fator simplório: "Eu disse a ele que apurar era somente uma conta de somar e que tínhamos cópias de cada boletim", recorda. Ao somar os resultados, o PDT chegava ao seu numero e apontava erros na contagem do Proconsult.
Foi exatamente no dia 28 de novembro que o TRE decidiu dar um basta na história e determinou uma auditoria na Proconsult, ao mesmo tempo em que solicitou a investigação do Departamento de Polícia Federal (DPF). Como o país vivia o período da ditadura, esta investigação não teve nenhum resultado concreto.








Cesar Maia e Cibilis Viana denunciam desvio dos votos de Leonel Brizola
Cesar Maia e Cibilis Viana denunciam desvio dos votos de Leonel Brizola

O presidente do TRE então solicitou ajuda ao Serpro para computar as eleições no Rio. Como, a cada dia continuavam sendo detectados novos erros nos boletins oficiais emitidos pelos computadores da Proconsult, no dia 30 de novembro o TRE suspendeu o trabalho da empresa, repassando a apuração para o Serpro.
Reunião no TRE confirma eleição de Brizola
Diante da grande repercussão das falhas da Proconsult e da pressão que ocorreu a partir do noticiário da Rádio JB e do Jornal do Brasil, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Marcelo Santiago, recebeu representantes do PDT e da empresa de processamento de dados para uma conversa a portas fechadas.
No 12° dia após a votação, o partido conseguiu apurar os votos de 17.007 das 17.560 urnas em todo o estado - o equivalente a 95% do total. A apuração só não chegou a 100% porque 553 boletins não puderam ser lidos por estarem em branco, ou por serem ilegíveis. O partido ficava com uma das cinco cópias dos boletins. De acordo com a apuração do PDT, o partido de Brizola tinha 31,3%, seguido de 28% do PDS, 19,5% do PMDB, 9,8% do PTB e 2,9% do PT.
O TRE, então, pediu que Maia enviasse os boletins para a sede do Tribunal, onde tudo passaria por nova contagem. "O presidente do TRE me perguntava o que o PDT queria. Nós exigimos uma recontagem de votos. Eu mandava os boletins para o TRE e depois de umas cinco ou seis horas me ligavam dizendo que o PDT tinha razão", recorda.
"Na análise dos boletins, peguei fraude também para deputado estadual que elegeu uma moça de Nova Iguaçu. Depois da apuração ser toda refeita, ficou comprovado: Brizola ganhou a eleição", orgulha-se o democrata, reconhecendo que o golpe foi derrubado graças ao papel da Rádio JB e do Jornal do Brasil naquela apuração.
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Jornal da Record ataca a Rede Globo [Completo] 12/08/09


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                                   A Globo é a única certa...

Como diz a CartaCapital: somos a Republiqueta das Bananas
A partir do twitter de Mari: // http://www.conversaafiada.com.br/
  Respect my vote.@elpais_espana @BBCBreaking @ONU_es @franceonu@cnnbrk @nytimes


Mídia de tdo o mundo desmascara o golpe! canalha!

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Neutralidade jornalística à moda da Globo. Por Paulo Nogueira


por : Paulo Nogueira // http://www.diariodocentrodomundo.com.br/
Afilhada  de Aécio e símbolo da 'imparcialidade' da Globo: Andreia Sadi
Afilhada de Aécio e símbolo da ‘imparcialidade’ da Globo: Andreia Sadi
O jornalista americano Glenn Greenwald classificou no Twitter de “grande piada” a afirmação de João Roberto Marinho numa carta ao Guardian segundo a qual a Globo é “neutra”.
Alguém tuitou o seguinte complemento: “Ou o herdeiro da Globo vive numa realidade paralela ou não vê o Jornal Nacional.”
Eu diria isso: João Roberto Marinho, o JRM, está tão acostumado a mentir que acredita na neutralidade da Globo.
Vejamos a isenção da casa.
O editor de política do Globo em Brasília, Paulo César Pereira, é primo e afilhado de Aécio.
Pulitzer, este sim um campeão do jornalismo sério, dizia que jornalista não pode ter amigo, ou seu trabalho se envenena.
A Globo ultrapassou as piores expectativas de Pulitzer. No estratégico posto do comando político do jornal da família em Brasília colocou não um amigo de Aécio – mas primo e afilhado.
Aécio é padrinho de casamento de Paulo Celso Pereira. Não é tudo. A mulher de PCP, afilhada portanto de Aécio, é uma das principais repórteres de política da GloboNews: Andreia Sadi.
É uma vergonha, uma infâmia, um ultraje ao conceito de isenção – e mesmo assim JRM se atreve a afirmar em carta à Globo que a empresa é neutra.
Outras demonstrações da isenção à Globo são igualmente chocantes. Em que empresa séria de jornalismo um diretor da casa, como é o caso de Erick Bretas, colocaria o avatar de Sérgio Moro em sua página no Facebook e conclamaria os seguidores a participar de manifestações pelo golpe?
Em que redação decente um editor como Diego Escosteguy, da revista Época, pertencente à Globo, mandaria tuítes em inglês para tentar influenciar o mundo – pausa para gargalhada – em favor do golpe?
O único traço de isenção da Globo está na missão do Jornal Nacional, na qual se diz que o objetivo é tratar os assuntos nacionais e internacionais com imparcialidade.
Todos os dias o JN desmente a si próprio.
Durante boa parte de sua existência a Globo se valeu da falta de um contraponto. Era e é o ponto supremo da miserável mídia plutocrática brasileira.
Fazia, com as demais empresas, arranjos indecentes. O Jornal Nacional dava capas sobre capas da Veja com denúncias frequentemente absurdas contra governos petistas e em troca a revista tratava a Globo como se fosse a BBC.
Até o ridículo livro em que o diretor de telejornalismo da emissora Ali Kamel diz que não há racismo no Brasil foi objeto de elogios fervorosos da Veja. O JN foi capa da revista nos tempos em que esta era uma referência.
combativa jamais cobriu a Globo como deveria. Um caso bilionário de fraude e sonegação dos Marinhos na compra dos direitos da Copa de 2002 jamais foi coberto pela Folha.
Os Marinhos são parceiros, compadres, sócios dos Frias. O jornal Valor pertence às duas famílias.
Foi dentro deste ambiente protegido, propício a crimes jornalísticos sem consequências, que a Globo floresceu com suas manipulações, meias verdades e lorotas completas.
A internet acabou com essa festa macabra.
Ninguém fora da casa saberia, por exemplo, que afilhados de Aécio estão em postos chave de política em Brasília.
A Globo está exposta como jamais esteve.
Por isso, uma carta como a de JRM ao Guardian só pode ser saudada como fez Greenwald: uma grande piada.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


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Dívida da Globo em impostos chega a R$ 358 milhões

Receita Federal conclui que Globo usou onze empresas em paraísos fiscais para sonegar impostos pela compra de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. DARF, a ser recolhido por emissora de João Roberto Marinho e seus dois irmãos, é de R$ 358 milhões

Publicado por Pragmatismo Político - http://pragmatismo.jusbrasil.com.br/



Jornalista Miguel do Rosário apresentou os documentos que comprovam a sonegação da Rede Globo (reprodução)

As Organizações Globo montaram "uma intrincada engenharia", que envolveu o uso de onze empresas abertas em paraísos fiscais, para sonegar impostos a ser recolhidos em razão da compra dos direitos da transmissão exclusiva da Copa do Mundo de 2002. A empresa de João Roberto Marinho e seus dois irmãos procurou "disfarçar" essa aquisição em investimentos em participações acionárias em companhias no exterior. A conclusão está no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, datado de 25 de julho de 2006 e assinado pelo auditor Alberto Sodré Zile. O documento da Receita Federal foi obtido com exclusividade pelo site O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, e divulgado nesta quarta-feira 16.

Ao final do Termo, de 29 páginas, o auditor da Receita conclui que foram sonegados impostos a partir de uma base de cálculo de R$ 732,5 milhões. Os Darfs e multas correspondentes a nove operações, feitas entre maio e junho de 2002, correspondem a R$ 358 milhões. O funcionário da Receita apurou que a Globo usou nada menos que 11 empresas em paraísos fiscais no exterior para "disfarçar" a compra dos direitos da transmissão da Copa em participações em companhias estrangeiras. A operação foi qualificada como "de intrincada engenharia" pelo auditor.

O documento obtido pelo site fala por si só. A maior dúvida é sobre se essa notícia vai sair no Jornal Nacional. Alguma chance?


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Por que a dívida da Globo não é manchete de jornal?

O que descobriríamos se os jornalistas brasileiros fossem atrás das denúncias de sonegação que envolvem grandes grupos de comunicação e que não viram notícia no país?

por Intervozes

Por Bruno Marinoni* // http://www.cartacapital.com.br/

“Siga o dinheiro”, aconselhava William Mark Felt, o “garganta profunda”, aos jovens jornalistas que, nos anos 70, revelaram todo um esquema de espionagem e corrupção no interior da Casa Branca. O que não descobriríamos então se os jornalistas da mídia brasileira investigassem, por exemplo, a denúncia de que a Globo deve mais de R$ 600 milhões aos cofres públicos porque sonegou o imposto decorrente da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002?
O caso, que já vinha sendo anunciado há algum tempo, ganhou novo capítulo no último dia 17 de julho, quando 29 páginas do processo na Receita Federal contra a Globo foram divulgados em um blog na internet. A emissora teria usado 10 empresas criadas em paraísos fiscais para esconder a fraude. Com o esquema, o sistema Globo teria incorrido em simulação e evasão fiscal. O imposto sobre importâncias enviadas para o exterior para aquisição de direitos de transmissão no caso da empresa beneficiária estar sediada em paraísos fiscais seria de 25%, se fosse pago.
E se os jornalistas da nossa mídia fossem, por outro exemplo, atrás do papel que a Igreja Universal, milionária e com isenção fiscal por se tratar de uma entidade religiosa, cumpre no financiamento da Record? Uma matéria intitulada “Macedo nega uso do dinheiro da igreja na compra de TV”, publicada na Folha de São Paulo, em setembro de 1998 (quando a emissora não era ainda uma competidora de peso), afirmou que investigações da Receita resultaram em uma multa de R$ 265 milhões ao grupo. A maior parte do pagamento, ou R$ 118 milhões, coube à Record; outros R$ 98 milhões, à própria Igreja Universal, e mais R$ 6 milhões, a Edir Macedo. Esses valores se refeririam a autuações e multas por sonegação fiscal e outras irregularidades.
Além disso, a imprensa já veiculou algumas vezes que a Igreja Universal compraria a faixa da madrugada da TV Record, que tem baixíssima audiência, por um preço muito acima do mercado. Todavia, até onde sabemos, nada foi feito para resolver essa questão.
Em 2010, foi a vez de Sílvio Santos, dono do SBT, se envolver em um escândalo de fraude fiscal, uma dívida de R$ 3,8 bilhões. O evento não se relacionava diretamente com os meios de comunicação, e sim com seu banco, o “Panamericano”. O dono da empresa, porém, empenhou todo o seu patrimônio, inclusive seus canais de TV, como garantia de que a dívida seria sanada.
Quando poucos grupos controlam os meios de comunicação, quando há concentração do poder midiático é fácil criar um bloqueio a informações desfavoráveis aos donos da mídia por meio de uma estratégia “positiva”: preenchendo-se a agenda de temas discutidos pela sociedade com uma série de assuntos que não atinjam os interesses daqueles que controlam os canais de comunicação.
Escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público são sempre matérias na nossa imprensa, mas qual a seleção de casos que é feita? O que fica de fora? Quem fica de fora dessas páginas? Se há um grande número e diversidade de atores dirigindo os meios de comunicação, maior a possibilidade de nos relacionarmos com canais suficientemente independentes para nos fornecer informações de interesse público. Mas isso é algo em falta no Brasil.


* Bruno Marinoni é repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Intervozes.


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Fraude fiscal milionária da Globo começa a ser divulgada

Globo não pagou impostos pela aquisição dos direitos de transmissão do Mundial de Futebol de 2002. Valor total da dívida ultrapassa os 203 milhões de euros

Rafael Zanvettor - Caros Amigos // www.cartamaior.com.br

Foram divulgadas, esta quinta-feira (17) pelo blog O Cafezinho, 29 páginas do processo da Receita Federal contra a Rede Globo. O relatório divulgado comprova que as organizações Globo criaram um esquema internacional envolvendo diversas empresas com sedes por todo o mundo para mascarar a compra dos direitos do Mundial de Futebol de 2002. O objetivo principal seria o de fugir aos impostos que deveriam ser pagos à União pela compra dos direitos.

A expectativa é que os primeiros documentos viessem a público no domingo, pouco depois da final do Mundial, mas, por questões de segurança, a divulgação aconteceu esta quinta-feira.

Operação

A engenharia da Globo para disfarçar a operação envolveu dez empresas criadas em diferentes paraísos fiscais. Todas essas empresas pertencem direta ou indiretamente à Globo, segundo os documentos. O esquema funcionava de modo a que o dinheiro para a aquisição dos direitos fosse pago através de empréstimos entre empresas pertencentes à Globo sediadas noutros países. Deste modo, a empresa brasileira TV Globo não gastava dinheiro diretamente com a operação. Posteriormente, as empresas que detinham os direitos de transmissão eram compradas pela TV Globo.

“Essa intrincada engenharia desenvolvida pelas empresas do sistema Globo teve, por escopo, esconder o real intuito da operação que seria a aquisição pela TV Globo dos direitos de transmitir o Mundial de Futebol de 2002, o que seria tributado pelo imposto sobre o rendimento”, afirma no relatório do processo o auditor fiscal Alberto Sodré Zile.

Com o esquema, o sistema Globo incorre em simulação e evasão fiscal. O imposto sobre importâncias enviadas para o exterior para aquisição de direitos de transmissão de evento desportivo são de 15%; no caso da empresa beneficiária estar sediada em paraísos fiscais, esta taxa passa a ser de 25%, que é o caso da Globo.

Débito ao País

O cálculo do imposto de rendimento devido pela empresa chega a 183.147.981, 20 reais (mais de 60 milhões de euros) com base no valor pago pela compra, de 732.591.924,140 reais (cerca de 242 milhões de euros). Além do imposto devido, a empresa também deve pagar uma multa, que, por se tratar de um caso que envolve evasão fiscal, chega a 274.721.970,05 reais (perto de 91 milhões de euros). A este valor podem ser acrescidos os juros de mora, como descrito no processo divulgado no ano passado, de 157.230.022,58 reais (mais de 52 milhões de euros). Deste modo, o valor total da dívida da Globo para com a população brasileira ascende a 615.099.957,16 reais (203 milhões de euros), sem contar com a correção monetária.

Créditos da foto: Vermelho


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DE ESTUPROS E OUTROS CRIMES FAZ-SE A REDE GLOBO


http://www.intervozes.org.br/

Aos 31 anos, o modelo Daniel Echaniz alcançou a fama. Para chegar lá, não precisou de 15 minutos. Bastaram-lhe sete. Poderia ter brilhado em tradicionais passarelas da moda ou em milionários anúncios publicitários. Foi virar celebridade num dos programas televisivos de maior audiência no Brasil – o “Big Brother Brasil 12”.
O porém é que, para Daniel, a fama veio pelo avesso. Pesa contra o modelo a acusação de ter estuprado a estudante Monique Amin, de 23 anos, em meio a uma madrugada de bebedeiras, de sábado para domingo passado, num dos ambientes do reality-show da TV Globo. Daniel teria molestado uma desacordada Monique por 25 minutos, dos quais apenas sete foram transmitidos ao vivo para assinantes do pay-per-view do “BBB”. Uma gravação em vídeo já está em poder da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A cena do suposto estupro foi vista por centenas de milhares de pessoas em sites de compartilhamento de vídeos e repercutiu até na imprensa internacional. Alvo de crescente execração pública nas redes sociais, Daniel foi eliminado do reality- show nesta segunda-feira (17), “devido a um grave comportamento inadequado”, conforme a nota oficial da Globo.
A situação de Daniel Echaniz é complicada, para dizer o mínimo. Seu destino está nas mãos de Monique — que, ao sair do “BBB”, poderá se submeter a exame de corpo de delito e formalizar uma denúncia contra o modelo. Aberto o inquérito, Daniel correrá o risco de ser preso, com reclusão de oito a 15 anos. É uma reviravolta impensável para um sujeito que, duas semanas atrás, mal desconfiava que seria um dos escolhidos para disputar o prêmio de R$ 1,5 milhão do programa.
Recorrentes baixarias
Difícil é prever se a Globo sairá incólume do caso. Não que, nos quase 47 anos de história da emissora carioca, esse novo episódio pareça raio em céu azul. Criada à margem da lei em 1965 — e consolidada à base de inúmeros escândalos, alguns conhecidos, outros acobertados —, a Globo nunca considerou a ética uma moeda de livre circulação em seu território. Muito pelo contrário.
Historicamente, o dia a dia na emissora sempre foi povoado, como diria o filósofo, por artimanhas tais quais “o engano, o lisonjear, mentir e ludibriar, o falar-por-trás-das-costas, o representar, o viver em glória do empréstimo, o mascarar-se, a convenção dissimulante, o jogo teatral diante de outros e diante de si mesmo”. Com o “BBB”, ano após ano, “essa arte do disfarce chega a seu ápice”.
Que o diga a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Uma única edição do Big Brother — a décima, exibida de agosto de 2009 a abril de 2010 — fez chegar à comissão nada menos que 227 denúncias de “desrespeito à dignidade humana, apelo sexual, exposição de pessoas ao ridículo e nudez”. Na visão da Globo, a perda de audiência e de credibilidade era compensada com faturamentos recordes.
A carta branca para a baixaria se incrementou na 11ª edição, no primeiro trimestre de 2011. Antes mesmo de o programa começar, o diretor-geral do reality show, J.B. Oliveira, o Boninho, já anunciava uma série de mudanças para “esquentar” a atração. “Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser. Esse ano… liberado! vai valer tudo, até porrada”, escreveu ele no “Twitter”, prometendo ainda álcool à vontade: “Vai ser power… chega de bebida de criança. Acabou o ICE no BBB, esse ano TUDO vai ser diferente”.
“Circo de débeis mentais”
Não é nenhum exagero apontar que o episódio do estupro decorre dessa inacreditável escalada de permissividade. “Para ser bem franco, eu achava que iria haver um assassinato no ‘BBB’, antes de acontecer um estupro. Desde muito tempo que o critério de seleção para o programa tem sido a demência intelectual, o comportamento antissocial, o perfil violento e a falta de caráter, tudo isso potencializado em festas regadas a enormes quantidades de álcool”, sintetizou o jornalista-blogueiro Leandro Fortes.
“Que tenha aparecido um idiota para estuprar uma mulher quase em coma alcoólico não chega a ser exatamente uma surpresa, portanto”, emenda. Suas críticas se dirigem especialmente ao jornalista Pedro Bial, chamado por Leandro de “mestre-de-cerimônias desse circo de débeis mentais montado pela TV Globo”.
Qualquer mestre-de-cerimônias, como se sabe, tem limitada autonomia para fugir do script. Pode-se topar o (digamos assim) “desafio profissional” por inúmeras razões — mas não consta que Pedro Bial demonstre algum tipo de repúdio às aberrações do “BBB”. No caso do suposto “estupro”, o comportamento de Bial seguiu à risca a máxima da americana Janet Malcolm: “Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável”.
Na noite de domingo, em sua primeira aparição depois da polêmica — e da repercussão do caso nas redes sociais —, o apresentador do BBB se limitou a reduzir tudo a um chavão: “O amor é lindo”. Horas antes, a pedido do departamento jurídico da Globo, o vídeo do suposto estupro foi apagado na página do “BBB” na internet e em sites como o “YouTube”. Boninho chegou a dizer que “não rolou” crime e que “eles (Daniel e Monique) supostamente transaram”. Artistas globais que criticaram Daniel ou o programa foram igualmente censurados.
Os "limites"
Já se sabe, a esta hora, que a “operação abafa” da Globo fracassou rotundamente. Graças ao corajoso delegado Antonio Ricardo, uma diligência policial foi ao estúdio do Projac, no Rio, para ouvir Daniel e Monique, por “suspeita de abuso sexual”. A Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, pediu que o Ministério Público do Rio de Janeiro tomasse “providências cabíveis” na apuração do caso, em consideração às “demandas encaminhadas por cidadãs de várias cidades brasileiras”.
O fato é que a expulsão de Daniel do “BBB” ocorreu apenas quando a Globo se viu prestes a ser indiciada por “crime de omissão” — o que poderia tirar o programa do ar. Depois de abrir as portas do Projac para a polícia e cortar até o áudio do reality-show, a emissora se deu conta de que uma crise de credibilidade também estava em curso.
Só então Bial esqueceu que “o amor é lindo” e falou em “violação do regulamento”, enquanto Boninho finalmente admitiu que Daniel “passou dos limites do relacionamento com as pessoas” e que “o comportamento dele foi excessivo”. Para todos os efeitos, o crime e a e Globo estão, mais uma vez, de mãos dadas.
Na zona das sombras, a emissora da família Marinho prometeu colaborar “ao máximo” com a investigação e arcar com os custos judiciais do agora ex-BBB Daniel. Falta combinar quem prestará assistência à suposta vítima, Monique Amin, a quem a Globo não teve nem sequer a dignidade de mostrar a íntegra das polêmicas imagens. E falta, sobretudo, reconhecer que violar regras, ultrapassar limites e cometer excessos são práticas consagradas, há pelo menos 47 anos, pela própria Globo.


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Globo mata e pede desculpas. Patético!

Por razões oportunistas, a Globo está 'confessando' os crimes cometidos nestes seus 50 anos, mas é claro que ela não têm dito a verdade nua e crua...

Altamiro Borges // www.cartamaior.com.br





A retrospectiva da TV Globo sobre os seus 50 anos de existência é patética! Lembra o assassino que mata e depois pede, candidamente, desculpa pelo crime cometido! Na terça-feira (21), no segundo capítulo da série comemorativa do ‘Jornal Nacional’, a emissora admitiu pela primeira vez que “errou” na cobertura da campanha das Diretas-Já, que teve papel decisivo para o fim da ditadura. Já na noite seguinte, o famoso ‘JN’ fez um mea-culpa sobre a edição criminosa do debate entre Lula e Collor nas eleições de 1989. No ano passado, a famiglia Marinho – proprietária do império global – também havia feito uma autocrítica matreira sobre a sua participação no golpe militar de 1964. A sociedade, vítima destas e de tantas outras manipulações, absolverá a criminosa Rede Globo?

Todas estas autocríticas são oportunistas e marotas. No caso da jornada pelas Diretas-Já, o apresentador William Bonner até tentou disfarçar o boicote da TV Globo à massiva mobilização a sociedade. Disse que a cobertura do comício de 25 de janeiro de 1984, que a emissora noticiou como se fosse “um dia de festa em São Paulo”, foi apenas um “erro” de edição: “Essa reportagem provocou muita polêmica ao longo de muitos anos porque, embora ela falasse do comício das Diretas, o texto que introduzia a reportagem não falava em comício pelas Diretas”. O serviçal da famiglia Marinho não explicou, porém, porque a Rede Globo apoiou a ditadura até os seus últimos dias e tentou, sempre, boicotar as lutas pela redemocratização do país – e não apenas o comício paulista.

Já no falso mea-culpa sobre a edição do debate Lula-Collor, o mesmo William Bonner tentou vender a imagem de que a emissora não apoiou o “caçador de marajás” – criado e alavancado pela emissora durante toda a campanha presidencial de 1989. Novamente, o porta-voz do império afirmou que a TV Globo foi mal interpretada na cobertura daquela eleição. “Um debate entre candidatos é um confronto de ideias que precisa ser visto no todo... Resumir, como se faz em um jogo de futebol, com os melhores momentos, que foi a ideia na época, é um risco enorme”. Haja cinismo! Depois, a direção da emissora e alguns dos seus profissionais capachos – que chamam patrão de companheiro – ficam magoados com o povo nas ruas grita: “O povo não é bobo. Fora Rede Globo”.


Já que a TV Globo está confessando – por meras razões oportunistas e mercadológicas – os crimes cometidos nestes 50 anos de vida, reproduzo abaixo um texto escrito em 2010, quando a emissora completou 45 anos. A lista de crimes é enorme. O ‘JN’ precisará de mais tempo para sua penitência: 

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Os crimes da Rede Globo


Por Altamiro Borges

“Sim, eu uso o poder [da TV Globo], mas eu sempre faço isso patrioticamente, tentando corrigir as coisas, buscando os melhores caminhos para o país e seus Estados”. Roberto Marinho.

A tentativa de manipulação dos resultados das eleições presidenciais de 2006 não é o único caso escabroso que justifica a reflexão crítica sobre o papel da TV Globo, agora em discussão devido ao fim do prazo da sua concessão pública em 5 de outubro. Na sua longa história, esta poderosa emissora já cometeu várias outras barbaridades na sua cobertura de importantes fatos políticos do país. Com base num levantamento do professor Venício de Lima, exposto no livro “Mídia, crise política e poder no Brasil”, destacamos outros três episódios reveladores do péssimo jornalismo praticado por esta corporação midiática, sempre a serviço dos interesses das classes dominantes.


Como aponta o autor na abertura do ensaio, o que distingue a TV Globo de outras redes privadas e comerciais é que, “sob o comando de Roberto Marinho, ao longo dos anos da ditadura militar, ela se transformaria em uma das maiores, mais lucrativas e mais poderosas redes de televisão do planeta. Outorgada durante o governo de Juscelino Kubitschek (1958) e inaugurada em 1965, a TV Globo do Rio de Janeiro, junto às suas outras concessões de televisão, viria a constituir uma rede nacional de emissoras próprias e afiliadas que, não só por sua centralidade na construção das representações sociais dominantes, mas pelo grau de interferência direta que passou a exercer, foi fator decisivo em vários momentos da história política do Brasil nas últimas décadas”.

A fraude contra Brizola

O primeiro caso lembrado por Venício de Lima ocorreu em 1982, já na fase de agonia do regime militar. Leonel Brizola, que retornou do seu longo exílio em 1979, candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro. Sua candidatura não agradou à ditadura nem à direção da TV Globo – conforme denunciou um ex-executivo da empresa, Homero Sanchez. Segundo ele, Roberto Irineu Marinho, filho do dono e um dos quatro homens fortes da corporação, havia assumido o compromisso com o candidato do regime, Moreira Franco. Foi montado um esquema para fraudar a contagem dos votos através da empresa Proconsult, cujo programador era um oficial da reversa do Exército.

Nesta trama macabra, a TV Globo ficou com o encargo de manipular a divulgação da apuração. Mas, já prevendo a fraude, foi montado um esquema paralelo de apuração, organizado por uma empresa rival, o Jornal do Brasil. A armação criminosa foi desmascarada, Leonel Brizola foi eleito governador e a poderosa Rede Globo ficou desmoralizada na sociedade. Até o jornal Folha de S.Paulo criticou “esta grave e inédita” maracutaia. “O verdadeiro fiasco em que se envolveu a Rede Globo de Televisão durante a fase inicial das apurações no Rio de Janeiro torna ainda mais presentes as inquietações quanto ao papel da chamada mídia eletrônica no Brasil”, alertou.

Passadas as eleições, mesmo desmoralizada, a Globo continuou a fazer campanha feroz contra o governador Leonel Brizola, democraticamente eleito pelo povo. Ela procurou vender a imagem de que ele era culpado pelo aumento da criminalidade e, sem provas, tentou associá-lo ao mundo do crime. Numa entrevista ao jornal The New York Times, em 1987, o próprio Roberto Marinho confessou essa ilegal manipulação. “Em determinado momento, me convenci de que o Sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro numa cidade de mendigos e vendedores ambulantes. Passei a considerar o Sr. Brizola daninho e perigoso e lutei contra ele. Realmente, usei todas as possibilidades para derrotá-lo”.

Sabotagem das Diretas-Já

Em 1983, com a ditadura já cambaleante, cresceu a rejeição dos brasileiros contra a excrescência do Colégio Eleitoral, que escolhia de forma indireta e autoritária o presidente da República. O jovem deputado federal Dante de Oliveira apresentou uma emenda constitucional fixando a eleição direta a partir de 1985. Os militares reagiram. “A campanha pela eleição direta reveste-se, agora, de caráter meramente perturbador”, esbravejou o presidente-general João Batista Figueiredo. Apesar desta reação aterrorizante, milhões de pessoas começaram a sair às ruas para exigir o democrático direito de votar, na campanha que ficou conhecida como das Diretas-Já.

A TV Globo, totalmente ligada à ditadura, simplesmente ignorou as gigantescas manifestações. Chegou a rejeitar matéria paga sobre o protesto das Diretas-Já em Curitiba. Até duas semanas antes da votação da Emenda Dante Oliveira ela não divulgou nenhum dos eventos da campanha, que reunia centenas de milhares de brasileiros. No comício de São Paulo, em 25 de janeiro de 1984, ela só aceitou noticiar o ato, que juntou 300 mil pessoas, após conversa reservada entre o presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, e o chefão Roberto Marinho. Mesmo assim, registrou o comício de maneira distorcida, como se fosse parte da comemoração do aniversário da cidade.

Somente quando percebeu o forte desgaste na sociedade, com os manifestantes aos gritos de “o povo não é bobo, fora Rede Globo”, a emissora começou a tratar da campanha – já na reta final da votação da emenda, em 25 de abril. Novamente, Roberto Marinho confessou seu crime numa entrevista. “Achamos que os comícios pró-diretas poderiam representar um fator de inquietação nacional e, por isso, realizamos apenas reportagens regionais. Mas a paixão popular foi tamanha que resolvemos tratar o assunto em rede nacional”. O “deus todo-poderoso” foi obrigado a ceder.

O ministro da TV Globo

Venício de Lima também relata o curioso episódio da nomeação do ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, em 1988, o que confirma o poder da Rede Globo para indicar e derrubar autoridades do governo e para interferir, de maneira indevida e inconstitucional, nos rumos do Brasil. Numa entrevista à revista Playboy, o próprio descreveu que a sua indicação foi fruto de uma negociação entre Roberto Marinho e o presidente da República José Sarney – que, por acaso, já controlava a mídia no Maranhão, possuindo uma afiliada da TV Globo no Estado. Ainda como secretário do governo, num cargo subalterno, Maílson da Nóbrega recebeu um telefone emblemático.

“No dia 5 de janeiro, o presidente me ligou perguntando: ‘O senhor teria problemas em trocar umas idéias com o Roberto Marinho?’. Respondi: ‘De jeito nenhum, sou um admirador dele e até gostaria de ter essa oportunidade’… A Globo tinha um escritório em Brasília. Fui lá e fiquei mais de duas horas com o doutor Roberto Marinho. Ele me perguntou sobre tudo, parecia que estava sendo sabatinado. Terminada a conversa, falou: ‘Gostei muito, estou impressionado’. De volta ao ministério, entro no gabinete e aparece a secretária: ‘Parabéns, o senhor é o ministro da Fazenda’. Perguntei: ‘Como assim?’. E ela: ‘Deu no plantão da Globo [no Jornal Nacional]”.

Da mesma forma como indicou, o poderoso Marinho também derrubou o ministro, segundo sua interpretação. “Um belo dia, o jornal O Globo me demitiu. Deu na manchete: ‘Inflação derruba Maílson, o interino que durou vinte meses”, descreve o ex-ministro, que arremata. “Isso teve origem num projeto de exportação de casas pré-fabricadas, para pagamento com títulos da dívida externa, que o Ministério da Fazenda vetou. O doutor Roberto Marinho tinha participação neste negócio… O fato é que O Globo começou a fazer editoriais contra o Ministério da Fazenda”.

Lista extensa de crimes

No livro “Roberto Marinho”, escrito pelo puxa-saco Pedro Bial, alguns entrevistados, inclusive o ex-presidente José Sarney, afirmam que era comum o dono da TV Globo ser consultado sobre a escolha de ministros. Pedro Bial, como fiel servidor da emissora, considera “natural que, na hora de escolher seus ministros, o presidente [Tancredo Neves] submeta os seus nomes, um a um, ao dono da Globo”. No recente livro “Sobre formigas e a cigarras”, o ex-ministro Antonio Palocci também relata que consultou a direção da empresa sobre a famosa “carta aos brasileiros”, na qual o candidato Lula se comprometia a não romper os contratos com as corporações capitalistas.

Na prática, este império interfere ativamente na vida política nacional, seja através de coberturas manipuladas ou de negociatas de bastidores – nas quais ameaça com o seu poder de “persuasão”. Além dos três casos escabrosos, Venício de Lima cita outras ingerências indevidas da TV Globo: “papel de legitimadora do regime militar”; “autocensura interna na cobertura da primeira greve de petroleiros, em 1983″; “ação coordenada na Constituinte de 1987/1988″; “apoio a Fernando Collor de Mello, expresso, sobretudo, na reedição do último debate entre candidatos no segundo turno de 1989″; “apoio à eleição e reeleição de FHC”; “até seu papel de ‘fiel da balança’ na crise política de 2005-2006″, contra o presidente Lula. A lista dos crimes é bem extensa.

Créditos da foto: Latuff

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RCB-Repórter Cidadão Boquinense // https://www.facebook.com/
OS CRIMES QUE A REDE GLOBO FOI ACUSADA POR ROSINHA GAROTINHO!!!

Além da sonegação fiscal, a Globo também é acusada dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira.uso indevido de informação privilegiada. concessão de empréstimos vedados e alem de corrupção, estelionato e lavagem de dinheiro.TV em Foco.
Publicado em 12/09/2011 | Deixe um comentário
Além da sonegação fiscal, a Globo também é acusada dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira.uso indevido de informação privilegiada. concessão de empréstimos vedados e alem de corrupção, estelionato e lavagem de dinheiro.TV em Foco.

Esperamos que as denuncias feitas sejam apuradas pelos Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), por intermédio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
LIVROS PROIBIDOS (FRAUDES DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO, ENTRE OUTROS)
Pra quem quiser saber mais sobre a poderosa maquina de manipulaçao pode procurar por livros “proibidos” relatando os ilìcitos da Rede Globo tais como:
Afundação Roberto Marinho (download livro)
Afundação II - Uma biografia de corrupção.
A historia secreta da rede globo (download livro)
Um dia a história secreta da Rede Globo de Televisão será apurada, mas enquanto não vem a público nada impede que os cidadãos sejam apresentados à verdade e as autoridades constituídas sejam encorajadas a desmascarar uma instituição que vem gangrenando e apodrecendo o processo democrático no Brasil.

Não será difícil entender, a partir daí, como se manipula homens públicos, como se subjuga “autoridades”, como se pratica escroqueria e como está montado o maior esquema de corrupção do País.
O esquema no qual explorava informações privilegiadas para ganhar dinheiro ilegalmente no mercado financeiro.Cabe a justiça investigar, julgar e condenar essa instituição que se apresenta com paladinos da verdade, e que não passa de uma organização criminosa.
Falsificação de Documentos
SÃO PAULO – Ao analisar os autos do processo movido contra Roberto Marinho e seus filhos pelos herdeiros dos antigos proprietários da Rádio Televisão Paulista S/A (hoje, TV Globo de São Paulo Ltda.), a procuradora da República Melissa Garcia Lagitz de Abreu e Silva emitiu parecer comprovando as falsificações de documentos e outras irregularidades cometidas pelo empresário para assumir, na década de 60, o controle da emissora, que hoje responde por mais de 50% do faturamento da Rede Globo.
Após descrever, com pormenores, os atos societários e administrativos consumados por Marinho e seus representantes (Armando Piovesan, Luiz Eduardo Borgerth e Carlos Eduardo de Camargo Aranha), a procuradora conclui que “tudo indica que houve vários fatos ensejadores de ilegalidades cometidas por Roberto (Marinho)”.
Falsificações
Com base na perícia documental promovida pelo Instituto Del Picchia, a representante do Ministério Público Federal afirma que “há indícios de que as procurações e substabelecimentos utilizados nos atos de transferência oficial do controle acionário da Rádio Televisão Paulista S/A para Roberto (Marinho) foram falsificados”.
“Por outro lado, tanto a Armando (Piovesan) como a Roberto (Marinho), por terem representado Hernani (Junqueira Ortiz Monteiro, um dos maiores acionistas), através de procuração que não mais surtia efeitos, poderia ser imputado o crime de estelionato (artigo 171 do Código Penal), por omitirem o falecimento do outorgante da procuração à época dos fatos, conforme Certidão de Óbito juntada às fls. 44, mantendo em erros os demais acionistas e as autoridades federais. Este crime se consumou em 05/12/64 e 10/02/65″, acrescenta a procuradora Melissa Abreu e Silva.
Perícia
Mais adiante, a representante do Ministério Público Federal em São Paulo cita a perícia realizada nos documentos apresentados por Roberto Marinho para justificar a transferência das ações para seu nome: “Por conseguinte, diante dos fatos técnicos expostos e demonstrados, sem embargo de eventuais exames dos originais das peças xerocopiadas poderem trazer novos e mais abundantes, porém despiciendos elementos demonstrativos da falsidade, justifica-se a inicialmente sintetizada e ora repetida conclusão pericial: São falsas as datas de 1953 e 1964, consignadas na procuração e substabelecimentos questionados”.
“É certo que cinco documentos ofertaram provas materiais de produção concomitante, de lavra conjunta e que os documentos em tela foram produzidos em 1974 e 1975″, conclui a procuradora, que aponta, com riqueza de detalhes, as ilegalidades cometidas por Roberto Marinho e seus representantes para justificar a transferência das ações, nas duas contraditórias versões apresentadas pelos atuais advogados do empresário – através de procurações e recibos falsificados, ou através de Assembléias Gerais Extraordinárias, também eivadas de irregularidades.
Crimes
Em seu parecer, a procuradora da República Melissa Garcia Lagitz de Abreu e Silva reconheceu que, no âmbito da Justiça Federal, os múltiplos crimes consumados já estão prescritos, mas fez questão de ressalvar que, no que se refere ao uso dos documentos falsificados perante a Justiça do Estado do Rio de Janeiro, agora cabe ao Ministério Público Estadual a apuração dos fatos. Ou seja, não há mais prescrição, devido à recente reutilização dos papéis falsos, e o empresário Roberto Marinho e seus filhos podem ser condenados por esse crime.
Além disso, a representante do Ministério Público Federal destacou que, para análise de possíveis punições administrativas, foram extraídas cópias dos autos e remetidas ao setor de Tutela Coletiva da Procuradoria da República em São Paulo.
Parecer mostra que houve até estelionato
O parecer da procuradora da República Melissa Garcia Lagitz de Abreu e Silva sobre o processo movido contra Roberto Marinho para anular a transferência do controle acionário da TV Globo de São Paulo, na íntegra, é do seguinte teor, respeitadas as palavras escritas em letras maiúsculas:
1 – Trata-se de peça de informação encaminhada pela Procuradoria da República do Estado do Rio de Janeiro noticiando a prática, em tese, de crimes consistentes na falsificação de documentos, envolvendo a antiga RÁDIO TELEVISÃO PAULISTA S/A, depois transformada em TV GLOBO DE SÃO PAULO S/A, atual TV GLOBO LTDA., concessionárias dos serviços de radiotelevisão, e o jornalista ROBERTO MARINHO.
2 – Consta da inclusa peça de informação que os herdeiros da RÁDIO TELEVISÃO PAULISTA S/A ingressaram com a Ação Declaratória de Inexistência de Ato Jurídico em face de Roberto Marinho, de seus filhos, Roberto Irineu Marinho e José Roberto Marinho e da TV GLOBO LTDA., autuada sob nº 2001.001.124133-1. atualmente em trâmite na 42ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, alegando que a transferência do controle acionário da RÁDIO foi realizada de modo fraudulento, mediante a utilização de documentos tidos como falsificados pelo laudo pericial doInstituto Del Picchia, confeccionado mediante solicitação dos autores (fls. 150/180).
3 – Narram os referidos autos da Ação Declaratória que, em 5 de dezembro de 1964, Roberto Marinho teria adquirido por Cr$ 60.396,00 (sessenta mil, trezentos e noventa e seis cruzeiros) as 15.099 (quinze mil e noventa e nove) ações ordinárias e preferenciais, o equivalente a 52% (cinqüenta e dois por cento) do capital social, que pertenciam aos sócios fundadores da RÁDIO, Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro, Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, Manoel Vicente da Costa e Manoel Bento da Costa.
4 – A referida transação teria sido efetuada para cumprimento da Promessa de Venda de Ações e de Cessão de Cotas com Victor Costa Petraglia Geraldine ou sucessores (fls. 349/356), com base nos seguintes documentos (fls. 71/73):
a) recibo subscrito por Oswaldo, referente ao pagamento das 15.099 (quinze mil e noventa e nove) ações, das quais 5.399 (cinco mil, trezentos e noventa e nove) eram de sua titularidade e o restante, cerca de 5.000 (cinco mil) pertenciam a Hernani, 2.700 (duas mil e setecentas) ações eram de Manoel Vicente e 2.000 (duas mil) ações de Manoel Bento. Relativamente aos três últimos acionistas, o recibo menciona que a prática do ato por Oswaldo estava relacionada à procuração outorgada por Hernani, datada de 10.06.62, e às procurações, datadas de 05.12.64, outorgadas por Manoel Vicente e Manoel Bento;
b) procuração outorgada por Oswaldo, por instrumento particular, a Roberto Marinho, conferindo poderes a ele de transferência para si ou para quem indicasse as suas 5.399 (cinco mil, trezentos e noventa e nove) ações;
c) substabelecimento, sem reservas, de Oswaldo para Roberto Marinho das procurações que teria de Manoel Vicente e Manoel Bento, também o autorizando a transferir para si ou a quem indicasse as ações pertencentes aos supostos outorgantes das procurações substabelecidas.
5 – Nota-se, também, que a transação não foi levada a registro por 12 (doze) anos e a emissora funcionou durante todo esse período sem a autorização dada pelas autoridades federais, contrariando as exigências determinadas pelos artigos 90 e 98 do Dec. 52.797/63, que institui normas para a exploração de concessão de serviço público de televisão.
6 – Há, ainda, notícia, nos referidos autos, da realização de uma Assembléia Geral Extraordinária, em 10 de fevereiro de 1965, para deliberação de aumento de capital. Consta da referida Ata da Assembléia (fls. 31/33 dos autos principais) que Roberto Marinho (que ainda não era acionista oficialmente) subscreveu o referido aumento, havendo registro de que ninguém mais se interessou em fazê-lo.
Consta do documento, também, que o Dr. Armando Piovesan teria procuração para representar Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro, Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, Clélio Marmo e Manoel Bento da Costa. Para os demais acionistas minoritários possuidores de 48% (quarenta e oito por cento) do capital social, não há registro de que teriam participado da Assembléia ou de que foram representados.
7 – Ocorre que Armando não poderia ter representado Hernani, porque este, à época dos fatos (10.02.65), já havia falecido (23.06.62), conforme Certidão de Óbito juntada às fls 11. Este fato, também, faz com que a procuração outorgada a Oswaldo tivesse perdido a validade.
8 – Há que se ressaltar que, se o ato de transferência das ações, datado de 05 de dezembro de 1964, tivesse realmente ocorrido, Armando não precisaria agir em nome dos acionistas primitivos, porque as ações já pertenceriam a Roberto Marinho.
9 – De qualquer forma, o aumento de capital (omitindo-se a transação anteriormente efetuada em 05 de dezembro de 1964) foi submetido ao Conselho Nacional de Telecomunicações – CONTEL, que editou a Portaria 163/65 (fls. 86/87), que condicionou a aprovação do aumento de capital social à regularização do quadro social, dentro de 6 (seis) meses. Nos autos há informação de que essa regularização ainda não havia sido feita em 17 de junho de 1975, sendo que funcionário do Departamento Nacional de Telecomunicações – DENTEL – proferiu parecer reiterando a exigência (fls. 95).
10 – Publicou-se um edital em 09 de setembro de 1975 convocando os acionistas para comparecerem na sede da emissora para suprirem as exigências do DENTEL. Em 30 de junho de 1976 foi realizada a Assembléia Geral Extraordinária para regularização do quadro social (fls. 112/113), na qual consta que foram representados, mas sem identificação de um documento em específico, os acionistas Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro, Hernani Junqueira Ortiz Monteiro (falecido em 23/06/62), Manoel Vicente da Costa (falecido em 15/12/64) e Manoel Bento da Costa, entre outros.
Também há registros de que as ações dos 650 acionistas minoritários, proprietários de 5.693 ações ordinárias e 8.592 preferenciais, poderiam ser adquiridas pelos demais acionistas (remanescentes) na proporção das ações que possuíam, direito este que deveria ser exercido no prazo de trinta dias.
11 – Há registro também de que, em 23 de julho de 1975, foi realizada nova transação envolvendo a venda das mesmas ações relacionadas na alínea “a” do item 4 relacionado acima (fls. 74), conforme recibo idêntico àquele subscrito por Oswaldo.
12 – Em 03 de agosto de 1976, Roberto Marinho, então presidente da TV GLOBO DE SÃO PAULO S/A., apresentou a relação atualizada do quadro de acionistas ao Diretor Geral do DENTEL. Neste documento Roberto Marinho solicitou para si a transferência das ações pertencentes a Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro, Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, Manoel Vicente da Costa e Manoel Bento da Costa e a diversos acionistas, na forma da AGE de 30/06/76, por subscrição (fls. 114/120).
A Portaria 430 de 27/01/77 acabou por autorizar as referidas transferências (fls. 121/124). Em anexo a esta Portaria estão juntados os “Termos de Transferências de Ações Preferenciais” de Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro e Manoel Bento da Costa, sem as respectivas datas das transações (fls. 125).
13 – Consta dos autos, também, que peritos do Instituto Del Picchia, mediante solicitação dos autores da Ação Declaratória, examinaram os seguintes documentos e confeccionaram um laudo, juntado às fls. 150/180:
a) Recibo com data datilografada (“23 de julho de 1975″), registrando como beneficiário Dr. Roberto Marinho, correspondente a 15.099 ações da Rádio Televisão Paulista (fls. 156);
b) Procuração consignando como outorgados o Dr. Luiz Eduardo Borgerth e o Dr. Carlos Eduardo de Camargo Aranha, com data manuscrita de “5 de dezembro de 1964″, relativa a 5.399 ações da Rádio Televisão Paulista (fls. 157);
c) Substabelecimento dos poderes conferidos por Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, aos mesmos outorgados da procuração supra, referente a 5.000 ações da Rádio Televisão Paulista, com data manuscrita de “5 de outubro de 1958″ (fls. 158).
d) Substabelecimento nos moldes do item anterior dos poderes conferidos por Manoel Bento da Costa, com data manuscrita de “5 de dezembro de 1964″, relativa a 2.000 mil ações da referida empresa (fls. 159);
e) Substabelecimento nos moldes do item anterior dos poderes conferidos por Manoel Vicente da Costa sobre 2.700 ações (fls. 160).
14 – O perito concluiu: “Por conseguinte, diante dos fatos técnicos expostos e demonstrados, sem embargo de eventuais exames dos originais das peças xerocopiadas poderem trazer novos e mais abundantes, porém despiciendos elementos demonstrativos da falsidade, justifica-se a inicialmente sintetizada e ora repetida conclusão pericial: São falsas as datas de 1953 e 1964, consignadas na procuração e substabelecimentos questionados”. É certo que cinco documentos ofertaram provas materiais de produção concomitante, de lavra conjunta e que os documentos em tela foram produzidos em 1974 e 1975.
15 – Diante do relatado, tudo indica que houve vários fatos ensejadores de ilegalidades cometidas por Roberto.
16 – Há indícios de que as procurações e substabelecimentos utilizados nos atos de transferência oficial do controle acionário da RÁDIO TELEVISÃO PAULISTA S/A para Roberto foram falsificados, com base, entre outros fatos, no citado laudo (fls. 150/180).
17 – Neste caso, a consumação da falsidade deu-se na data que os documentos provavelmente foram falsificados, ou seja, entre 1974 e 1975. Assim sendo, mais de 28 (vinte e oito) anos já se passaram desde a data da sua confecção, completando-se o lapso temporal, cerca de 12 (doze) anos, previsto no artigo 109, inciso III, do Código Penal, extinguindo a pretensão punitiva estatal.
18 – Por outro lado, tanto a Armando como a Roberto, por terem representado Hernani, através de procuração que não mais surtia efeitos, poderia ser imputado o crime de estelionato (art. 171 do Código Penal) por omitirem o falecimento do outorgante da procuração à época dos fatos, conforme Certidão de Óbito juntada às fls. 44, mantendo em erro os demais acionistas e as autoridades federais.
Este crime se consumou em 05/12/64 e 10/02/65, que consoante o referido artigo tem pena máxima de cinco anos, que prescreve em doze anos, conforme previsão do artigo 109, inciso III, do Código Penal, impedindo a pretensão punitiva estatal, uma vez que já decorreram 38 (trinta e oito) anos desde a época dos fatos.
19 – Quanto ao uso dos documentos falsificados perante a Justiça do Estado do Rio de Janeiro, conforme esclarecido pelo Procurador da República oficiante naquela Capital, já foi comunicado o Ministério Público Estadual, com atribuição para apuração dos fatos.
20 – Pelo exposto, requer o Ministério Público Federal, pela Procuradora subscritora, o ARQUIVAMENTO da presente, nos termos do art. 18 do Código de Processo Penal.
21 – Para análise de possíveis punições administrativas, foram extraídas cópias dos autos e remetidas aos Setores de Tutela Coletiva desta Procuradoria.
DADOS RETIRADO DO SITE: http://epocaestadobrasil.wordpress.com/…/alem-da-sonegacao…/



               RCB-Repórter Cidadão Boquinense****




http://maratcalado.blogspot.com.br/

Deputados petistas pedem investigação contra Rede Globo e FHCAo MPF, parlamentares dizem que há indícios da prática de crimes como organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens, sonegação fiscal, entre outros



Foto: Fotos Públicas

Postado por Agência PT, em 3 de março de 2016 às 09:50:07
Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) protocolaram no Ministério Público Federal um pedido para que sejam feitas diversas investigações sobre as conexões entre a Rede Globo, a FIFA, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e offshores do Panamá que teriam sido utilizadas para cometer crimes contra o sistema financeiro, a ordem tributária e a administração pública. O documento é subscrito por cerca de mais 30 parlamentares.

Segundo os parlamentares, “há fortes indícios da prática de crimes como organização criminosa (Lei n° 12.850/2013), “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores (Lei n° 9.613/1998), sonegação fiscal (Lei nº 4.729/1965), além de outras ações criminosas contra a administração pública (Título IX, Código Penal), contra o sistema financeiro nacional (Lei nº 7.492/1986) e contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/1990)”.

Na representação encaminhada ao MPF, Pimenta e Wadih Damous pedem que sejam investigadas e esclarecidas, entre outros, “a existência de eventuais bens da família Marinho em situação ilícita de ocultação patrimonial; as atividades das offshores vinculadas ao grupo Globo; e as relações entre a Globo, suas respectivas empresas e offshores e a FIFA”. As offshores aparecem como proprietárias de uma mansão da família Marinho, construída ilegalmente em área de proteção ambiental na ilha de Paraty (RJ) e de um helicóptero também usado pela família Marinho, dona da Rede Globo.

Os parlamentares cobram esclarecimentos também quanto ao uso de uma empresa, a Brasif, utilizada por FHC para enviar 100 mil dólares a jornalista Mirian Dutra, com quem o ex-Presidente tucano tem um filho. Miriam Dutra trabalhou para a Globo por 25 anos. Recentemente, Miriam contou que foi “exilada” na Europa pela Globo na década de 1990 para não prejudicar a imagem de FHC que seria candidato à presidência da República. Na época, FHC era casado com Ruth Cardoso.

A Brasif teria sido proprietária da Eurotrade Ltd, com sede nas Ilhas Cayman. A Eurotrade Ltd. firmou, em 2002, contrato com a jornalista Miriam Dutra, como ela mesma afirmou à “Folha de São Paulo”, e como admitido em nota pela própria Brasif. Segundo declarou Miriam Dutra à “Folha”, FHC usou essa empresa para “bancá-la no exterior”. A Brasif teria sido beneficiada em licitações durante o governo FHC. Também existem indícios que a Brasif tenha operações relacionadas às mesmas offshores de origem panamenha.

Em outra entrevista, Miriam disse que o diretor de jornalismo da Globo Alberico de Souza Cruz a “ajudou a sair do Brasil”. Ela sugere que Alberico ganhou concessão de TV em Minas Gerais como retribuição a esse favor que fez a FHC. Miriam também contou que uma forma de retribuição do governo FHC à Globo por seu “exílio” na Europa foram os muitos financiamentos a juros baixos concedidos à emissora via BNDES. Essa relação entre Globo e BDNES também foi incluída pelos deputados petistas no pedido de investigação ao MPF.

Na semana passada, o deputado Pimenta apresentou à imprensa um organograma demonstrando as conexões entre offshores/Globo/FHC e solicitou apuração por parte do Ministério da Justiça. Um inquérito foi aberto pela Polícia Federal para investigar.

*Do site do deputado federal Paulo Pimenta


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Globo incendeia e sabota o país porque sua concessão vence em 2018


http://www.blogdacidadania.com.br/
globo 1
Quem seria Sergio Moro sem a Globo? Como ele conseguiria subverter as leis, violar o Estado Democrático de Direito, proteger políticos de direita e linchar políticos de esquerda sem o apoio da Globo?
Moro/Lava Jato é a Globo e a Globo é Moro/Lava Jato. Não por conta do poder desse juizinho de primeira instância em busca de holofotes, mas pelo poder que a Globo lhe transferiu.
52 anos após ter desempenhado papel decisivo para solapar a democracia brasileira, mergulhando o país em 21 anos de ditadura militar, a família Marinho volta assumir o protagonismo do atentado à democracia.
Em uma edição de 1 hora, 1 minuto e 57 segundos, a emissora não tratou de outro assunto que não o golpe contra o governo legítimo de Dilma Rousseff, eleito por 54 milhões de brasileiros.
Antes de prosseguir, vale contextualizar a situação em que este texto está sendo divulgado. Hordas fascistas se espalham pelas ruas agredindo cidadãos que possam demonstrar opinião política diferente, em um processo que reedita, de forma apavorante, a ascensão do fascismo na Alemanha dos anos 1920/1930.
De onde vem isso? Na edição histórica (da forma mais negativa possível) do Jornal Nacional da última quinta-feira (17/03), o leitor começa a entender.
Por mais de uma hora, a emissora repisou fatos que todos já estão carecas de saber. E divulgou áudios que indispõem Lula com autoridades que irão julgá-lo.
Enfim, promoveu um linchamento e ofereceu à turba “motivos” para se manter mobilizada, ainda que tenha se limitado a divulgar conversas que não contêm qualquer ilegalidade.

Ao fim dessa maratona midiática, o atual robô teleguiado dos Marinho, William Bonner, teve a audácia de dizer que aquela emissora, que acabara de promover um dos ataques políticos mais furibundos que já se viu, não toma partido simplesmente por ser imprensa.


Quem viu e ouviu Bonner dizer essas coisas é capaz de se esquecer quanto a Globo já fez contra a democracia brasileira. E como foi através da política que a família Marinho erigiu esse império que esmaga quem quer que a ele se oponha.
O pior de tudo é que a própria Globo já admitiu – vá lá, ao seu modo cínico, debochado – que nunca se limitou, apenas, a informar. A Globo e seus penduricalhos (Folha de São Paulo, O Globo, Estadão e Veja) interferem há muito na política brasileira.
Dentre todo o mal que essa família já causou ao Brasil, está uma ditadura de duas décadas que, para desespero de qualquer pessoa sensata, começa a ser reeditada.

Confira abaixo, portanto, a confissão do mesmo Bonner no sentido de que não é verdade que “a imprensa apenas cumpre o dever de informar”, como ele diz no vídeo acima. A confissão mostra que o que Bonner chama de “imprensa” pode jogar uma nação no inferno.
Para concluir, vale explicar que a Globo não faz o que faz à toa, só para mostrar que pode ou porque acha Lula e Dilma feios e bobos. A Globo quer tirar o PT do poder e inviabilizar sua vitória em 2018 porque nesse ano sua concessão vencerá.
Muitos fascistas não sabem, mas a família Marinho não é dona da faixa do espectro radioelétrico por onde trafegam as ondas de rádio que colocam a programação dessa emissora na sua tevê. Essa faixa é uma concessão do Estado brasileiro.
A família Marinho teme que se Dilma chegar forte a 2018 e com Lula tendo chance de se eleger, o governo federal pode mandar para o Congresso uma medida propondo a não-renovação da concessão.
Ah, mas o Congresso jamais irá enfrentar a Globo, dirá você. Conversa. A Globo se mantém no “poder” na base da opressão, da intimidação. E seu poder ainda reside na transmissão pela TV aberta. Muitos políticos podem querer ajustar as contas com a Globo, se tiverem oportunidade.

Por fim, um recadinho ao senhor William Bonner: crie vergonha na cara, meu senhor. A história irá registrar com dureza o papel patético que o senhor desempenha ao mentir dessa forma vil a troco de algumas dezenas ou centenas de milhares de reais.

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O VENCIMENTO DAS CONCESSÕES DA TV GLOBO


http://www.intervozes.org.br/* Altamiro Borges

O dia 5 de outubro terá enorme significado para todos os que lutam contra a ditadura da mídia no país e pela democratização dos meios de comunicação. Nesta data vence o prazo das concessões públicas de várias emissoras privadas da televisão brasileira, entre elas de cinco transmissoras da Rede Globo – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Belo Horizonte. A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), que reúne as principais entidades populares e sindicais do país, já decidiu aproveitar o simbolismo desta data para realizar manifestações em todo o país contra as ilegalidades existentes no processo de concessão e renovação das outorgas de televisão no Brasil.
De acordo com a Constituição de 1988, a concessão pública de TV tem validade de 15 anos. Para que ela seja renovada, o governo precisa encaminhar pedido ao Senado, que pode aprová-lo com o voto de 3/5 dos senadores. No caso de rejeição, a votação é mais difícil. A proposta do governo deve ser submetida ao Congresso Nacional, que pode acatar a não renovação da concessão da emissora com os votos de 2/5 dos deputados e senadores. Antes da Constituição de 1988, esta decisão cabia exclusivamente ao governo federal. A medida democratizante, porém, não superou a verdadeira “caixa-preta” vigente neste processo, sempre feito na surdina e sem transparência.
Baixarias e lixo importado
Como explica o professor e jornalista Hamilton Octávio de Souza, “os processos de concessão e de renovação têm conseguido, ao longo das últimas décadas, uma tramitação silenciosa e aparentemente tranqüila, com acertos apenas nos bastidores – especialmente porque muitos dos deputados e senadores também são concessionários públicos da radiodifusão, sócios e afiliados das grandes redes e defendem o controle do sistema de comunicação nas mãos de empresários conservadores e das oligarquias e caciques políticos regionais – os novos ‘coronéis’ eletrônicos”. Na prática, Executivo e Legislativo não levam em conta nem as próprias normas constitucionais.
Entre outros itens, a Constituição de 1988 proíbe a monopolização neste setor, mas as principais redes atuam como poderosos oligopólios privados. Além disso, exige que a comunicação social promova a produção da cultura nacional e regional e a difusão da produção independente, mas as redes – em especial a Globo – impõem uma programação centralizada e importada da indústria cultural estrangeira. Ela também exige que a TV tenha finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, mas as emissoras produzem e veiculam programas que não atendem esse preceito constitucional. “Elas despejam em cima da população programas de baixaria e o lixo importado, que nada têm a ver com a identidade, os valores e a cultura nacional”, observa Hamilton.
Manipulação e deformação da sociedade
Além de deformar comportamentos, com efeitos danosos na psicologia social, a mídia é hoje um instrumento político a serviço dos interesses das corporações capitalistas. Como decorrência do intenso processo de monopolização do setor, ela se tornou um verdadeiro “partido do capital”, conforme a clássica síntese do intelectual italiano Antonio Gramsci. Ela manipula informações, utilizando requintadas técnicas de edição, com o intento de satanizar seus inimigos de classe e endeusar os aliados. A defesa do “caçador de marajás” Fernando Collor, a cumplicidade diante dos crimes de FHC e a oposição ferrenha ao governo Lula confirmam esta brutal manipulação.
Estas e outras aberrações da mídia – monopolizada, desnacionalizada e manipuladora – ficaram patentes no ano passado. Vários institutos independentes de pesquisa provaram que a cobertura da sucessão presidencial foi distorcida, “partidarizada”. O livro “A mídia nas eleições de 2006”, organizado pelo professor Venício de Lima, apresenta tabelas demonstrando que ela beneficiou o candidato da direita liberal, Geraldo Alckmin, ao editar três vezes mais notícias negativas contra o candidato Lula. “A grave crise política de 2005 e a eleição presidencial de 2006 marcam uma ruptura na relação histórica entre a grande mídia e a política eleitoral no Brasil”, afirma Venício.
Tentativa de golpe na eleição
Neste violento processo de manipulação caiu a máscara da TV Globo – que até então ainda iludia alguns ingênuos, inclusive no interior do governo Lula. A sua cobertura na reta final das eleições foi decisiva para levar o pleito ao segundo turno. Conforme demonstrou histórica reportagem da revista Carta Capital, uma operação foi montada entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e a equipe da Rede Globo para criar um factóide político na véspera do primeiro turno. Após vazar ilegalmente fotos do dinheiro apreendido na tentativa desastrada de compra do dossiê da “máfia das sanguessugas”, que incriminava o partido de Geraldo Alckmin, o policial corrupto ordenou que a difusão das imagens fosse feita no Jornal Nacional da noite anterior ao pleito.
A criminosa negociação foi gravada, mas a TV Globo preferiu ocultá-la. Além disso, escondeu o trágico acidente com o avião da Gol para não ofuscar sua operação contra o candidato Lula. Para Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, a solerte manipulação desnorteou todas as sondagens eleitorais, que davam a folgada vitória de Lula, o que evitou sua reeleição já no primeiro turno. “Os eleitores brasileiros foram votar no dia 1º de outubro sob um bombardeio que nunca tinha visto, nem mesmo em 1989… Em nossa experiência eleitoral, não tínhamos visto nada parecido em matéria de interferência da mídia”, garante o veterano Coimbra.
Um debate estratégico
Diante deste e de tantos outros fatos tenebrosos, que aviltam a democracia e mancham a história do próprio jornalismo, ficam as perguntas: é justa a renovação da concessão pública da poderosa TV Globo? Ela ajuda a formar ou a deformar a sociedade brasileira? Ela informa ou manipula as informações? Ela atende os preceitos constitucionais que proíbe o monopólio da mídia e exige que a comunicação social promova a produção da cultura nacional e regional e a difusão da produção independente e que tenha finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas? Estas e outras questões estarão em debate nas semanas que antecedem o simbólico 5 de outubro.
À CMS caberá levar esta discussão estratégica às suas bases. Já o governo e o parlamento, que devem zelar pela Constituição, não poderão ficar omissos diante deste tema. “Antes de propor a renovação automática da concessão, os órgãos de governo deveriam proceder à análise cuidadosa dos serviços prestados, com a devida divulgação para a sociedade. Antes de votar novos períodos de concessão, o Senado Federal deveria, em primeiro lugar, estabelecer o impedimento ético aos parlamentares envolvidos com a radiodifusão e, em segundo lugar, só aprovar a renovação que esteja de acordo com a Constituição, a começar pelo fim do oligopólio – já que o objetivo maior deve ser o da democratização da comunicação social”, pondera o professor Hamilton de Souza.
* Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi).
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EXCLUSIVO: como a Globo conseguiu renovar a concessão apesar de dever ao Fisco
Postado em 10 Dec 2014
por : Joaquim de Carvalho // http://www.diariodocentrodomundo.com.br/




Esta é a nova matéria da série sobre o processo de sonegação da Globo. As demais podem ser lidas aqui.

Para participar de nosso novo projeto de crowdfunding, sobre a falta de água em São Paulo e a responsabilidade de Alckmin e da Sabesp, entre no Catarse.

Em 2007, ano em que o processo de sonegação da Globo foi subtraído da Delegacia da Receita Federal em Ipanema, Rio de Janeiro, a emissora teve as cinco principais concessões do grupo vencidas – São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília e Distrito Federal.

A Globo tinha sido autuada por crime contra a ordem tributária, por deixar de recolher o imposto de renda relativo à compra do direito de transmissão da Copa do Mundo de 2002. Seu débito, incluindo juros e multa, era à época de 615 milhões de reais.

Apesar de devedora, a TV Globo teve as cinco concessões renovadas por um período de quinze anos (até 2022), conforme os processos 53000.020701/2007 (São Paulo), 53000.020700/2007 (Rio de Janeiro), 53000.020703 (Recife), 53000.020702/2007 (Brasília) e 53000.020704/2007 (Belo Horizonte).

As informações constam do requerimento de informações apresentado pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) no dia 11 de novembro do ano passado, quatro meses depois que os primeiros documentos sobre a sonegação da Globo vazaram através do site O Cafezinho.

A deputada fez três perguntas:

– Como foi possível a renovação de concessões à Globo Comunicação e Participação S.A. “se a empresa não cumpria a exigência legal de regularidade perante o fisco federal?

– A empresa apresentou certidão negativa de débito relativa aos tributos federais e à dívida ativa da união?

– O Ministério das Comunicações está acompanhando a situação fiscal da Globopar? (na terceira pergunta, a deputada faz outro questionamento, talvez o mais importante – “existe a possibilidade de cancelamento das outorgas de radiodifusão destinadas à empresa frente ao claro descumprimento, pela entidade, da legislação relativa à renovação de outorgas?”).

No dia 21 de novembro, a Mesa da Câmara aprovou por unanimidade o requerimento de informações.

No dia 12 de dezembro, o requerimento seguiu para o Ministério das Comunicações e no dia 23 a resposta foi encaminhada à Primeira Secretaria da Câmara dos Deputados.

O gabinete da deputada federal está com esse ofício desde o dia 6 de janeiro deste ano, mas não deu publicidade ao documento nem tomou nenhuma providência para aprofundar as informações ali contidas – a principal delas é que, apesar da dívida com o Fisco, a Globo teria apresentado a certidão negativa de débito perante a Receita Federal.

No dia 20 de novembro, quando soube da existência do requerimento, entrei em contato com o gabinete da deputada Luiza Erundina, em Brasília, e falei com o chefe de gabinete, Marcos Mateus, a quem pedi uma cópia da resposta do Ministério das Comunicações.

Mateus disse que estava com uma cópia do documento sobre sua mesa, mas pediu para falar com a deputada antes de liberar a cópia. Segundo ele, Erundina estava convalescendo e ele pediu quinze dias para me dar a resposta. Enviei um e-mail, para formalizar a solicitação, mas a mensagem nunca foi respondida.

Quinze dias depois, conforme o combinado, eu entrei novamente em contato com o chefe de gabinete Marcos Mateus. E a resposta foi surpreendente para mim.

— Não é procedimento do gabinete dar publicidade a esse tipo de documento. Você deve buscar em outra fonte.

Argumentei que a atitude era estranha, principalmente porque a deputada é presidente da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular.

Perguntei: por que um deputado faz um requerimento de informação se a resposta acaba sendo engavetada?

Silêncio foi a resposta do chefe de gabinete da deputada (que, depois de apresentar o requerimento de informações sobre a sonegação da Globo, acabou assumindo a função de coordenadora da campanha a presidente de Marina Silva).


Com base na Lei de Acesso à Informação, entrei em contato com o arquivo da Câmara dos Deputados, onde o ofício original do ministro da Comunicação, Paulo Bernardo, se encontra atualmente. Preenchi um formulário pela internet e, em três dias, veio a resposta.
São cinco páginas, encaminhadas pelo próprio ministro. A parte substantiva é a nota informativa nº 199, assinada pelo analista técnico Anderson Zanati Dultra.

Segundo ele, para a renovação da concessão, a Globo teria que apresentar as certidões negativas de débito, mas ele não tem condições de afirmar se os documentos do processo são verdadeiros.

“O cumprimento de todas as exigências legais para o deferimento da renovação dessas outorgas conta com a presunção de legalidade inerente à administração pública”, escreve o analista técnico.

Em resposta à segunda pergunta da deputada – a Gobo apresentou ou não certidão negativa de débito? -, Anderson Zanati Dultra não dá uma resposta direta:

— A apresentação da certidão negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União pode ser verificada nos autos. Nesse sentido, informamos que esses processos foram enviados para deliberação ao Congresso Nacional.

Ou seja, o que o Ministério das Comunicações possui são cópias, os originais estão no próprio Congresso (o acesso a esses processos será formalizado na sequência desta série de reportagens).

Na resposta do Ministério das Comunicações, o analista diz ainda que fez uma consulta ao site da Receita Federal e verificou que, na data da consulta (2013), não constava débito da Globo.

A informação não tem relevância para o que foi perguntado, já que, segundo a própria Globo, a dívida teria sido paga em 2010, com base nos benefícios de uma lei que concedeu descontos vultosos a devedores do fisco – caso da Globo à época.

Em 2007, quando a concessão caducou, a Globo era, efetivamente, devedora do fisco.

Como a empresa conseguiu as certidões negativas de débito?

Até o ano passado, quando estourou o escândalo, o sistema da Receita Federal informava que o processo que apurou a sonegação por parte da Globo se encontrava em trânsito.

Hoje se sabe que, em 2 de janeiro de 2007, na véspera do processo seguir ao Ministério Público Federal e para a execução do débito no âmbito da própria Receita, o processo foi subtraído da delegacia do fisco em Ipanema pela agente administrativa que, à época, se chamava Cristina Maris Meinick Ribeiro – mais tarde, depois que foi denunciada, ela mudaria o nome para Cristina Maris Ribeiro da Silva.

Em um dos itens da resposta do Ministério das Comunicações, o analista técnico Anderson faz um registro que merece reflexão:

— Destacamos que este Ministério não pode negar fé às certidões emitidas pelos órgãos públicos na análise da instrução dos seus processos administrativos, o que, no caso em tela, corresponde à competência da Secretaria da Receita Federal em conjunto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Ou seja, se as certidões que a Globo apresentou não correspondem aos fatos, o problema não é do órgão responsável pela renovação da concessão.

Por fim, Anderson cita o artigo 223 da Constituição Federal, que, em síntese, pode ser traduzido assim: é praticamente impossível não renovar uma concessão de TV no Brasil.

Isto porque não depende de decisão do Poder Executivo. É necessário que dois quintos do Congresso Nacional (Senado e Câmara reunidos) aprovem a não renovação. Em votação nominal. Ou seja, o voto do parlamentar é identificado – há no Congresso brasileiro deputados e senadores em número suficiente para comprar essa briga com a maior emissora do País?

“A Constituição Federal trouxe muitos avanços, mas, neste ponto, ela ficou a desejar”, diz Pedro Rafael Vilela, executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, uma entidade que reúne alguns dos maiores especialistas brasileiros no tema.



Sobre o Autor
Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquim.gil@ig.com.br

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Como cassar a concessão da Globo. Dentro da lei

Ah, se fosse o Brizola ...
publicado 13/03/2015 // http://www.conversaafiada.com.br/

Generosa contribuição do amigo navegante Adilson:


Lei número 4.117, de 27 de agôsto de 1962 que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações.

Art. 53 (redação dada pelo Decreto-Lei n. 236/1266) – Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprêgo dêsse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação em vigor no país, inclusive:

a) incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias;

b) (…)

c) (…)

d) fazer propaganda de guerra ou de processos de subversão da ordem política e social;

e) (…)

f) (…)

g (…)

h) (…)

i) (…)

j) veicular notícias falsas, com perigo para ordem pública, econômica e social;
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Transfere a concessão à Rádio Globo S.A., pelo Decreto nº 42.940, de 30 de dezembro de 1957, para executar serviços de Televisão na cidade do Rio de Janeiro, para a TV Globo Limitada.

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CartaCapital: Envolvimento da Globo com a lavanderia do Panamá explicaria o recuo da “Triplo X”?

As relações entre a Lava Jato, a Globo e a Mossack & Fonseca
O envolvimento da emissora com a lavanderia de dinheiro panamenha explicaria o recuo da força-tarefa em Curitiba?
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Atropelada por outros fatos e providencialmente esquecida pela mídia, a 22ª fase da Lava Jato continua um mistério. Por que ela destoa tanto dos padrões de outras ações do juiz Sergio Moro e da força-tarefa?
E por que a missão organizada para ser a cereja do bolo após dois anos de intensas investigações tornou-se uma letra morta, um arquivo incômodo nos escaninhos da Justiça Federal em Curitiba?
A 22ª fase, batizada de Triplo X, referência pouco sutil ao apartamento triplex em um edifício na praia paulista do Guarujá atribuído ao ex-presidente Lula, ganhou as ruas em 27 de janeiro.
Não era, portanto, uma ação qualquer. Investia-se naquele momento contra o alvo mais cobiçado desde o início da Lava Jato. As coisas não saíram, porém, como planejado.
Um dos endereços visitados por agentes da Polícia Federal ficava no Conjunto Nacional, prédio de escritórios e lojas na Avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo.
A busca e apreensão aconteceu mais precisamente na filial brasileira da Mossack & Fonseca, banca de advocacia panamenha internacionalmente conhecida por assessorar traficantes, ditadores, corruptos e sonegadores no ato de esconder dinheiro em paraísos fiscais.
Qual a relação da empresa com o apartamento no Guarujá? Uma offshore aberta pela Mossack & Fonseca, a Murray Holdings LCC, tinha em seu nome outro tríplex no mesmo prédio. Ao esbarrar na firma panamenha durante a fase preliminar da investigação, a força-tarefa acreditou ter encontrado o elo para provar que Lula havia cometido o crime de ocultação de patrimônio.
Em resumo: por meio de laranjas, a empreiteira OAS esconderia os verdadeiros proprietários dos imóveis no Edifício Solaris. Bingo? Longe disso. Logo no primeiro dia, a Triplo X identificou 40 indivíduos e empresas no Brasil que fizeram negócios com a Mossack & Fonseca. E aí começa o mistério.
Ao contrário de outras fases e do padrão de comportamento do juiz Moro, os representantes do escritório panamenho não amargaram longos períodos na cadeia nem tiveram os pedidos de prisões temporárias convertidos em detenções preventivas, cuja suspensão fica a critério da Justiça. Foram soltos em tempo recorde, menos de dez dias após a operação.Entre os libertados perfilava-se o principal representante da companhia no Brasil, Ricardo Honório Neto.
O executivo trabalha na Mossack & Fonseca há ao menos dez anos e é bem relacionado, com contatos na própria Polícia Federal. Em 2007, um e-mail interceptado prova que Honório Neto havia sido informado a respeito de uma operação da PF no escritório da empresa.
Na mensagem, ele avisa da ação e orienta subordinados a destruir e ocultar documentos antes da chegada dos federais. Esconder informações é, aliás, uma prática corriqueira e contínua na companhia. Escutas telefônicas recentemente autorizadas que embasaram a Triplo X flagraram Ademir Auada, um dos presos em 27 de janeiro e logo liberado, a confessar a destruição de papéis do escritório.
A eclosão do escândalo internacional que envolve diretamente a empresa panamenha, a partir do megavazamento de 11,5 milhões de documentos sobre as offshore pertencentes a políticos, ditadores, celebridades e afins, todas criadas com o intuito de no mínimo sonegar impostos, causou constrangimentos na força-tarefa da Lava Jato.
Os investigadores sabem que serão cobrados por causa do “desinteresse” em relação às atividades da Mossack & Fonseca. O juiz Moro não atendeu aos pedidos de explicação de CartaCapital. Teria sido apenas desatenção ou algum interesse específico explicaria o comportamento incomum da turma de Curitiba no episódio?
Raciocinemos: Moro já afirmou mais de uma vez que o apoio dos meios de comunicação é essencial na cruzada contra a corrupção. A parceria mídia-Justiça, entende o magistrado, serve para impedir o sistema político de barrar as investigações. Mas e se um dos aliados na imprensa cair por acaso na rede de apuração? O que fazer?
Não se sabe. Fato é que entre os documentos apreendidos durante a Triplo X aparecem os registros de offshore ligadas a Alexandre Chiapetta de Azevedo. O empresário foi casado até recentemente com Paula Marinho Azevedo, filha de João Roberto Marinho, um dos herdeiros da Globo, que apoia de forma acrítica a Lava Jato e até concedeu um prêmio ao juiz Moro. Na lista encontrada na sede da Mossack & Fonseca desponta a Vaincre LLC.
A offshore integra uma complexa estrutura patrimonial: é sócia da Agropecuária Veine Patrimonial, que por sua vez é dona de uma imponente e moderna casa em uma praia exclusiva de Paraty, litoral do Rio de Janeiro, que pertenceria à família Marinho.
A propriedade é alvo de uma ação do Ministério Púbico Federal por crime ambiental. Os Marinho, assim como o ex-presidente Lula no caso do triplex no Guarujá, negam ser os donos do imóvel.
Diferentemente do que acontece no caso de Lula, as relações dos herdeiros da Globo com a casa em Paraty se avolumam. Na mesma lista apreendida no escritório da Mossack & Fonseca, ao lado do registro a respeito da Vaincre LLC aparece o nome de outra empresa, a Glem Participações, que detém um contrato com o governo estadual do Rio de Janeiro para a exploração do parque de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Segundo o blog Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a Glem pertence a Azevedo, ex-marido de Paula Marinho. A neta de Roberto Marinho aparece ainda como fiadora do contrato entre o governo fluminense e a Glem.
Outro documento revela que a Agropecuária Veine é dona de uma cota de um helicóptero do modelo Augusta A-109, matrícula PT-SDA, utilizado pela família Marinho. O endereço para entrega de correspondências no contrato de importação do helicóptero é o mesmo da empresa de Azevedo.
Só para esclarecer: a empresa dona do triplex em Paraty recebe suas correspondências no escritório do ex-marido de uma das herdeiras da Rede Globo.
As Organizações Globo enviaram nota a CartaCapital explicando a situação das offshore, do helicóptero e do triplex em Paraty. Diz a nota que ninguém da família é proprietário da empresa que administra o sítio. Diz também que Paula Marinho não é dona da offshore Vaincre, mas pela primeira vez confirma que a empresa é de propriedade do ex-marido.
Ou seja, o triplex serviu, sim, à família, uma vez que a offshore é uma das sócias da propriedade em Paraty. A emissora afirma também que Paula não tem ligação nenhuma com a Glem Participações e diz que o helicóptero pertenceu ao ex-genro, tendo sido fiadora da aeronave a pedido de Alexandre.
O ex-genro global foi procurado pela revista, mas não se manifestou sobre o assunto.
A história da casa em Paraty não é a única relação dos Marinho com a Mossack & Fonseca e os Panama Papers.
Segundo o jornal holandês deVerdieping Trouw, com base em documentos vazados, a emissora brasileira teria usado empresas de fachada para pagar intermediários na compra de direitos de transmissão da Copa Libertadores da América.
O diário argentino La Nación trouxe outras revelações: “Por razões fiscais, em 2012, a T&T transferiu os seus direitos à empresa Torneios&Traffic Sports Marketing BV, com sede nos Países Baixos. Por trás dessa offshore holandesa, a Mossack & Fonseca criou a Medak Holding Ltd., registrada em Chipre, que, por sua vez, era controlada pela uruguaia Henlets Grupo”.
A reportagem prossegue: “A empresa holandesa, com licença de televisão concedida pela T&T, intermediava a venda dos direitos. A offshore negociou aportes milionários com a TV Globo do Brasil, que eram depositados no ING Bank, em Amsterdã. A empresa holandesa e a TV Globo tiveram contratos negociados de 2004 a 2019, a uma quantia estimada de 10 milhões de dólares”.
Não à toa, a Globo registrou timidamente o escândalo internacional que monopolizou a atenção da mídia estrangeira nos últimos dias. Na segunda-feira 4, por exemplo, o Jornal Nacional tratou do assunto em meros 40 segundos.
Sem imagens, o texto basicamente informava que a Procuradoria-Geral da República investigaria os donos brasileiros de offshore abertas pela Mossack & Fonseca. E ponto.
Há outros ilustres nativos, vários envolvidos em crimes de corrupção, no rol de clientes do escritório panamenho. Robson Marinho, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e acusado de receber propina durante sua passagem pelo governo do tucano Mário Covas, é dono da Higgins Finance.
Segundo o Ministério Público, Marinho embolsou 2,7 milhões de dólares em troca de contratos fraudulentos assinados com a multinacional francesa Alstom. A propina teria ainda abastecido o caixa 2 de campanhas eleitorais do PSDB paulista.
Além dos Marinho globais e do Marinho tucano, os proprietários de offshore até agora flagrados na enorme pilha de documentos incluem políticos brasileiros de sete partidos: PSDB, PDT, PMDB, PP, PSB, PSD e PTB.
Constam da lista, entre outros, o indefectível Eduardo Cunha, presidente da Câmara, o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso, o ex-ministro Edison Lobão, o falecido tucano Sérgio Guerra, acusado por um dos delatores da Lava Jato de ter recebido 10 milhões de reais para abafar uma CPI, e o ex-deputado federal João Lyra.
Fora do Brasil, a “lista negra”, conforme definição de parte da mídia estrangeira, também inclui nomes para todos os gostos, de amigos do presidente russo Vladimir Putin ao cunhado do presidente chinês Xi Jinping.
O primeiro-ministro islandês, Sigmundur Gunnlaugsson, viu-se obrigado a renunciar após a descoberta de que mantinha uma offshore em sociedade com a mulher.
Depois de uma entrevista desastrada a um canal de tevê, na qual emudeceu diante das perguntas dos repórteres e encerrou a conversa sem maiores explicações, Gunnlaugsson foi pressionado pelo partido e por protestos de eleitores.
Na América Latina, o nome de maior destaque é o do presidente da Argentina, Mauricio Macri. Dono de duas offshore abertas nos anos 1980, Macri afirma que as operações foram legais e tratavam de uma sociedade com o pai.
Embora os 11,5 milhões de documentos vazados possibilitem a todos entender melhor como funciona o esquema de lavagem de dinheiro no mundo, a atuação da Mossack & Fonseca não é propriamente uma novidade.
O escritório, fundado em 1977 pelo alemão Jurgen Mossack e o panamenho Ramón Fonseca, à época vice-presidente do país, estendeu seus serviços por mais de 40 países.
Em 2014, o jornalista norte-americano Ken Silverstein reconstruiu a história da Mossack & Fonseca e suas relações com ditadores, traficantes e criminosos diversos.
Rami Makhlouf, o homem mais rico da Síria, descreve Silverstein, valeu-se da empresa panamenha para esconder dinheiro sujo do ditador Bashar al-Assad. Muammar Kaddafi, que dominava a Líbia com mão de ferro, e Robert Mugabe, do Zimbábue, também foram clientes.
Os Panama Papers, pelo que se viu até o momento, tendem a se tornar um escândalo de maior proporção do que o vazamento das contas da filial suíça do banco britânico HSBC. Mas, no Brasil atual, como diria o juiz Moro, “não vem ao caso”.
A rede criminosa da Mossack é grande e em outros momentos, curiosamente, chegou a ser alvo de interesse da Lava Jato. Foi quando identificou que a lavanderia panamenha foi responsável pela abertura das offshore em nome do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o lobista Mário Góes.
Todos foram presos e cumprem ou cumpriram longas prisões preventivas até delatar tudo o que sabiam ou até desconheciam.
Caberá ao Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal, se provocados, se manifestarem sobre tais “peculiaridades” judiciais de Curitiba.
Outro lado: a resposta do Grupo Globo
1- Existe alguma relação entre os proprietários do Grupo Globo e a empresa Agropecuaria Veine Patrimonial?
R: Não. Os proprietários do Grupo Globo não são donos dessa empresa.
2 – Existe alguma relação entre a offshore Vaincre LCC e Paula Marinho Azevedo?
R: Paula Marinho não é proprietária dessa empresa, direta ou indiretamente. O responsável por essa empresa é o ex-marido de Paula Marinho.
3 – Existe alguma relação entre a Glem Participações e Paula Marinho Azevedo?
R: Paula Marinho não é e nunca foi proprietária dessa empresa. A empresa é de propriedade da família do ex-marido de Paula Marinho.
4 – Um contrato do helicóptero Agusta A-109, matrícula PT-DAS, tem como endereço de correspondência a Glem Participações. Paula foi fiadora do termo entre o Estado do Rio e a Glem Participações para a concessão do estádio de remo na Lagoa Rodrigues de Freitas. Qual a relação dela com o helicóptero e com a empresa?
R: O helicóptero que teve as documentações expostas não pertence e nem é utilizado pela família ou pelo Grupo Globo. Quanto à fiança, se operou na época em que esteve casada, a pedido do então marido.
5 – Um heliponto em Paraty foi registrado em nome da Agricultura Veine com o direito de uso de tal aeronave acima mencionada. O ex-marido dela fez ou faz uso da aeronave? Qual a relação de Paula com este heliponto?
R: O Grupo Globo não tem relações com essa empresa nem com o heliponto. O possuidor da aeronave é o ex-marido de Paula.
6 – Tal heliponto fica em uma praia e presta serviço a uma residência a beira mar. Qual a relação da propriedade com a empresária?
R: O Grupo Globo informa que a citada casa não pertence e nunca pertenceu a qualquer membro da família Marinho.
7 -Segundo o jornal holandês deVerdieping Trouw, documentos revelam que a emissora teria usado empresas de fechada para pagar intermediários em direitos de transmissão da Libertadores da América. Qual o posicionamento da empresa?
R: A Globo adquiriu os direitos de transmissão da Copa Libertadores da América da empresa detentora e autorizada a cedê-los. Toda a movimentação financeira foi registrada e realizada via Banco Central e todos os impostos recolhidos conforme a regulação vigente.
PS do Viomundo: Auada, o destruidor de documentos, não é funcionário, mas intermediário da Mossack. O juiz Moro livrou-se da batata quente. Remeteu a apreensão da Mossack ao STF para providências.

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David Miranda
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David Miranda

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Azenha: Os 13 pontos que David Miranda deveria ter mencionado em sua polêmica com João Roberto Marinho
http://www.revistaforum.com.br/
David Miranda escreveu uma resposta a João Roberto Marinho, na polêmica que envolve o jornalista e o todo-poderoso da Globo. O que faltou ele dizer aos leitores do Guardian?
Por Luiz Carlos Azenha, do Viomundo

David Miranda escreveu uma resposta a João Roberto Marinho, na polêmica que envolve o jornalista e o todo-poderoso da Globo. O que faltou ele dizer aos leitores do Guardian?
1. O empresário Mario Wallace Simonsen, o maior exportador brasileiro de café nos anos 50 e 60, dono da Panair, tinha uma poderosa e sofisticada emissora de TV quando João Goulart foi derrubado em 1964. Os militares não confiavam em Simonsen. O empresário foi destruído por eles. Entregaram a companhia aérea Panair à Varig e causaram a bancarrota de Simonsen e da TV Excelsior — em benefício da Globo.
2. A estrutura física da TV Globo foi toda levantada com dinheiro público. Os militares queriam expandir a rede de comunicação brasileira, temerosos de perder a unidade nacional. Criaram a Embratel. A Globo cresceu nas asas da Embratel, empresa pública que espalhou uma rede de antenas e transmissores em todo o território nacional. Dinheiro público, lucros privados.
3. Uma vez deposto João Goulart, o Brasil poderia ter tomado vários caminhos. Carlos Lacerda, corneteiro da quartelada, acreditava que seria eleito presidente se houvesse eleições. Outras lideranças civis, livres de Goulart, também acreditavam numa saída que não fosse a de um governo ditatorial. Está registrado em telegramas da diplomacia dos Estados Unidos que Roberto Marinho trabalhou nos bastidores para que Castelo Branco permanecesse no poder, em nome da “estabilidade”. Ou seja, pela continuidade do regime militar num momento em que ele ainda não estava politicamente consolidado.
4. Durante a ditadura militar, o espertíssimo Marinho reproduziu os moldes de um grande partido oligárquico, se associando econômica e politicamente a grupos hegemônicos locais. A Globo precedeu o PMDB de hoje em trinta anos e sobreviveu ao fim da ditadura justamente por isso. Está associada aos Sarney no Maranhão, à família Collor em Alagoas, à família Sirotski no Rio Grande do Sul — e assim sucessivamente, em todo o território nacional. É o coronelismo eletrônico.
5. A Globo fez de um de seus afiliados, Fernando Collor de Melo, o presidente da República. Derrotou Lula, mas para a emissora inaceitável era mesmo Leonel Brizola, que quando tentou usar o Rio de Janeiro como trampolim para chegar ao Planalto — o Rio era a caixa de ressonância do Brasil — teve de enfrentar uma tentativa de fraude eleitoral em que se suspeita até hoje da participação da Globo.
6. Desde 1962, quando João Goulart aprovou a mais recente lei de regulamentação do setor, a Globo trabalhou contra a definição de um arcabouço jurídico sob o qual seria obrigada a atuar. A explicação é óbvia: com o poder de pressão que exerce nos bastidores, a Globo não quer ter nenhuma amarra legislativa. Prefere decisões administrativas tomadas por funcionários públicos que nem sonham em desafiá-la. A selva regulatória no Brasil, portanto, não é por acaso.
7. A Globo fez aprovar uma lei que regulamentou oficialmente o jabá no mercado publicitário. Quanto mais uma agência concentrar o dinheiro de seus clientes na Globo, mais recebe retorno financeiro antecipado pela emissora. É uma forma de induzir as agências à preguiça e os anunciantes ao desperdício. É por isso que a Globo vive promovendo prêmios, encontros e outros salamaleques para o mercado publicitário: é a tradicional troca de favores que marca a cultura brasileira e sufoca a liberdade de mercado que a emissora diz apoiar.
8. A Globo não recebe apenas o grande quinhão das verbas publicitárias municipais, estaduais e nacional, diretamente ou através de afiliadas. Ela drena os cofres públicos de diversas formas. A Fundação Roberto Marinho financia parte de suas atividades com injeção direta de dinheiro público e outra com isenção fiscal de grandes empresas através da Lei Rouanet. Na administração de alguns dos principais museus do Rio e de São Paulo, a Globo ocupa patrimônio público, não bota um tostão do bolso e dita os parâmetros do aceitável na cultura nacional. O Museu do Futebol, no Pacaembu, jamais colocará em sua exibição uma faixa da torcida Gaviões da Fiel detonando os cartolas ou a própria Globo.
9. Lula não era inaceitável para a Globo quando assumiu o poder, em 2002. Porém, assim que a direita neoliberal se reorganizou depois de falir o Brasil, a Globo passou a articular uma plataforma política agressiva que resultou, já no período que antecedeu a reeleição de Lula, em 2006, numa limpeza ideológica das redações. O primeiro demitido foi o comentarista Franklin Martins. Portanto, é ingênuo acreditar que a emissora tenha agido de forma parcial apenas neste período do processo de impeachment. Esta é uma história de ao menos dez anos, sobre a qual existem milhares de episódios de omissão, manipulação, distorção ou propaganda conservadora no noticiário — antes, durante e depois de campanhas eleitorais.
10. A Globo é hipócrita e não trata a própria corrupção como trata a dos outros. No dia em que Ricardo Teixeira pediu afastamento da presidência da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol, mereceu uma reportagem elogiosa do Jornal Nacional. Isso depois de ser denunciado pelo jornalista Andrew Jennings da BBC, denúncia que foi aprofundada em investigação da TV Record no Brasil. Teixeira estava sob investigação da promotoria do cantão de Zug, na Suíça, junto com o sogro João Havelange, por embolsar milhões de dólares em propina através de uma empresa de nome Sanud, baseada em Liechtenstein. A história da relação entre Teixeira, Havelange e a Globo está minuciosamente relatada no livro O Lado Sujo do Futebol, mas a maior emissora do Brasil escondeu praticamente tudo de sua parceria com Havelange, Teixeira e outros cartolas durante quase 50 anos!
11. Um dos casos em que houve envolvimento direto da família Marinho com tramoias foi denunciado exclusivamente pela blogosfera brasileira e não saiu nos telejornais da emissora: a Globo foi multada em mais de R$ 600 milhões por sonegação de impostos na compra de direitos da Copa do Mundo. Segundo documentos oficiais da Receita Federal, a emissora recorreu a uma engenharia financeira envolvendo uma empresa de nome Empire, no paraíso fiscal das ilhas Virgens Britânicas. A Globo simulou investimento no Exterior para montar a Empire. Em seguida, desmontou a empresa e usou o capital para comprar os direitos da FIFA. Incrivelmente, quando o processo estava em andamento foi fisicamente furtado de uma repartição da Receita no Rio de Janeiro. Apesar de ter sido refeito e de a Globo ter pago a multa, o furto pode ter servido para livrar os irmãos Marinho de processo na área criminal.
12. No escândalo da FIFA, que está sendo investigado pelo FBI nos Estados Unidos, um dos presos é J. Hawilla, dono de emissoras afiliadas da TV Globo. Ele se tornou réu colaborador. Porém, causou grande estranheza o fato de uma juíza de primeira instância do Rio de Janeiro ter proibido o Brasil de trocar informações com autoridades norte-americanas nesta investigação. Ora, se na Lava Jato o Brasil faz isso com os Estados Unidos e a Suiça, por que deixaria de fazê-lo no escândalo da FIFA? A suspeita é de uma ação de cartolas brasileiros para impedir que o FBI chegue à CBF e a todos os seus parceiros, um dos quais é a própria Globo. Por que o Jornal Nacional nunca denunciou esta decisão esdrúxula da Justiça brasileira?
13.  Na Lava Jato, o juiz Sergio Moro autorizou busca e apreensão na sede da empresa Mossack & Fonseca em São Paulo. O objetivo era determinar se o ex-presidente Lula era sócio oculto de uma empresa de fachada dona de um triplex no Guarujá. Mas, em vez de encontrar Lula nos papéis da Mossack, a Polícia Federal encontrou dezenas de donos de empresas offshore da elite brasileira, dentre os quais o genro de João Roberto Marinho, Alexandre Chiappetta Azevedo. Alexandre é dono da empresa Glen/Glem, que por sua vez controla as empresas Vaincre LLC, A Plus Holdings e Juste. No entanto, é o nome da filha de João Roberto Marinho, Paula, que aparece ao lado de anotações de pagamento de taxas de manutenção das offshore à Mossack. A pergunta é: o casal usou as empresas para ocultar patrimônio, para fazer transferências ilegais de dinheiro, prestou serviços a terceiros através das empresas acima mencionadas? A Globo só noticiou este caso enquanto as suspeitas sobre Lula não tinham sido desfeitas. Depois, nunca falou dos arquivos apreendidos na sede da Mossack em São Paulo, nem da aparição do nome da filha de João Roberto Marinho no caso. Por que?
Fiquem com o texto mais recente de David sobre a polêmica:
JOÃO ROBERTO MARINHO ME ATACOU NO GUARDIAN E TENTOU ENGANAR O MUNDO. EIS MINHA RESPOSTA.
O que o mais poderoso homem do Brasil, o herdeiro bilionário do império das organizações Globo, João Roberto Marinho, estava fazendo nos comentários do Guardian? É verdade, seu comentário recebeu um cobiçado tag de ‘recomendado’ pelos editores do Guardian – parabéns, João! – mas ainda assim, não é o lugar onde se espera encontrar o multi-bilionário plutocrata hereditário brasileiro.
Na dia 21 de Abril, publiquei um artigo no Guardian, no qual abordava questões sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e o papel da mídia dominante do Brasil, protagonizado pela Globo.
João respondeu com raiva – e com óbvias mentiras. Os editores do Guardian puseram seu texto na seção de comentários. Vejam só, João critica meu artigo e me chama de mentiroso em alguns trechos de sua resposta.
Olha, João, como quase todos os brasileiros, eu tive que lutar bastante para ganhar meu espaço. Não herdei uma grande empresa e alguns bilhões dos meus pais. As coisas que tive que superar na minha vida foram muito mais duras do que seu esforço para me desqualificar com condescendência, e não é difícil demonstrar que sua resposta está cheia de falsidades.
De fato, a resposta de João merece mais atenção do que um mero comentário porque ela está recheada de propaganda enganosa e de falsidades pró-impeachment – exatamente o que ele tenta negar que a Globo esteja fazendo – e portanto revela uma grande coisa (Hoje, o comentário dele foi atualizado para uma carta).
Antes de entrar naquilo que João realmente fala, vamos começar com algo que ele não menciona: o histórico papel da Globo no Brasil. Sob o comando de seu pai, a Globo saudou e glorificou o golpe civil militar que removeu um governo de esquerda e democraticamente eleito no país. Ainda pior, passaram os 20 anos seguintes como o grande meio de propaganda da brutal ditadura militar que torturou e matou dissidentes e suprimiu toda e qualquer opinião divergente.
Em 1984, a Globo simplesmente mentiu para o país quando descreveu um enorme protesto pró-democracia em São Paulo como uma festa pelo aniversário da cidade. A riqueza e o poder da família Marinho cresceram como resultado direto de sua servidão aos militares ditadores do Brasil.
No momento em que os protestos anti-governo explodiram, em 2013, já havia um amplo consenso entre os brasileiros a respeito do golpe militar, e a história da Globo se tornou um enorme constrangimento corporativo. Então, fizeram o que toda corporação faz uma vez que sua má conduta se volta contra sua marca: finalmente reconheceram o que fizeram e – quase meio século depois – pediram desculpas.
Mas tentaram diluir sua responsabilidade dizendo – acertadamente – que outras organizações de mídia que ainda dominam o Brasil e que têm sido tão apoiadoras do Impeachment quanto a Globo (como Estadão e Abril) também apoiaram o golpe.
Tentavam diminuir o apoio da Globo não só ao golpe mas também aos 20 anos de ditadura que se seguiram. Mas as organizações continuam sob o comando da mesma família, com as mesmas táticas e os mesmos objetivos.
Essa é a infame história da Globo e da família Marinho no Brasil, uma de suas principais fontes de riqueza e poder, e um reflexo do papel que continuam a desempenhar – eles e suas bem pagas personalidades de TV. Essa não é a conduta de uma organização de mídia genuína.
É a conduta de uma família oligárquica usando seus meios de comunicação para moldar e manipular a opinião pública em favor de seus interesses. Passemos agora ao comentário de João:
O artigo do Sr. David Miranda (“A verdadeira razão dos inimigos de Dilma Rousseff quererem cassá-la”, de 21 de abril, publicado pelo The Guardian) pinta uma completamente falsa imagem do que está acontecendo no Brasil hoje. Ele não menciona que tudo começou com uma investigação (chamada Operação Lava-Jato), que por sua vez revelou o maior esquema de suborno e corrupção na história do país, envolvendo os principais membros do Partido dos Trabalhadores (PT), assim como líderes de outros partidos da coalizão do governo, funcionários públicos e magnatas dos negócios.
O que é “completamente falso” é a tentativa de João de levar os leitores a acreditarem que a Lava Jato é o que está por trás do impeachment de Dilma. É verdade que o PT, como a maioria dos grandes partidos, se mostrou repleto de enormes problemas de corrupção, e que muitas de suas figuras estão implicadas na Lava Jato. O caso jurídico para o impeachment não está, no entanto, baseado em nada daquilo, mas em argumentos de que ela manipulou o orçamento público para fazê-lo parecer mais forte do que realmente era.
A enganosa tentativa de João de confundir o público estrangeiro misturando a operação Lava Jato com o impeachment de Dilma exemplifica perfeitamente o tipo de fraude e o viés pró-impeachment que a Globo vem disseminando institucionalmente por mais de um ano.
Além disso, as figuras políticas que a Globo vem cortejando, e que serão aqueles implantados pelo impeachment – incluindo o Vice Presidente Michel Temer e o Presidente da Câmara Eduardo Cunha, ambos do PMDB – são, ao contrário de Dilma, acusados de graves atos de corrupção pessoal, provando que, quando pessoas como João citam a corrupção para justificar o impeachment, esse é um mero pretexto para remover, antidemocraticamente, a líder que eles repudiam e instalar aqueles de sua predileção.
A imprensa brasileira em geral, e o Grupo Globo, em particular, cumpriram o seu dever de informar sobretudo, como teria sido o caso em qualquer outra democracia no mundo. Vamos continuar a fazer o nosso trabalho, não importa quem possa ser afetado pela investigação.
A sugestão de que a Globo é uma organização de notícias neutra e imparcial – ao invés de principal braço de propaganda da oligarquia brasileira – é cômica para qualquer um que já tenha assistido a seus programas. A rigor, a parcialidade da Globo, e em particular de seu principal show noturno de notícias, o Jornal Nacional, tem sido tão escancarada que se tornou uma fonte inesgotável de piadas. Essa é uma razão pela qual os manifestantes pró-democracia escolheram os edifícios das organizações Globo como alvos.
Precisamente para evitar qualquer acusação de incitar manifestações de massa – como o Sr. Miranda agora nos acusa – o Grupo Globo cobriu os protestos sem nunca anunciar ou dar parecer sobre eles em seus canais de notícias antes de acontecerem. Globo tomou medidas iguais sobre comícios para a presidente Dilma Rousseff e contra o impeachment: ela cobriu todos, sem mencioná-los antes deles realmente ocorrem, concedendo-lhes o mesmo espaço que foi dado aos protestos anti-Dilma. Quando o processo de impeachment começou na Câmara “Baixa” do Congresso, alocamos igual tempo e espaço para a defesa e acusação.
Que as corporações de mídia dominantes no Brasil são braços de propaganda de direita dos ricos não está em discussão. O universalmente respeitado grupo Repórteres sem Fronteiras acabou de mostrar o Brasil em 104° lugar no ranking de liberdade de imprensa, explicando que isso se deve, em grande parte, ao fato de que a mídia no país é dominada e controlada por um pequeno número de famílias muito ricas:
De maneira pouco velada, o principal grupo de mídia nacional exortou o público a ajudar na derrubada da Presidenta Dilma Rousseff. Os jornalistas que trabalham para esses grupos de mídia estão claramente sujeitos à influência dos interesses privados e partidários, e esse permanente conflito de interesses ocorre em claro detrimento da qualidade de seu jornalismo.
Jornalistas estrangeiros residentes no Brasil frequentemente apontam para o fato de que as principais organizações de mídia brasileiras são o oposto de neutras e imparciais. Stephanie Nolen, repórter do canadense Globe and Mail baseada no Rio, escreveu no mês passado sobre uma coluna da revista Veja, que classificou como uma ”revista distribuída nacionalmente e que se inclina, como a maioria da mídia brasileira, para a direita.”
Alex Cuadros, jornalista americano há muito tempo residente no Brasil, observou: “os principais meios de comunicação se inclinam politicamente para a direita, e sua cobertura frequentemente reflete isso.” Disse ainda: “Há muito pouca crítica da mídia no Brasil que não seja descaradamente partidária, então as grandes revistas podem distorcer os fatos sem grande medo de censura.”
O colunista da Folha, Celso Rocha de Barros, documentou como a mídia dominante no Brasil tem obsessão por notícias de corrupção relacionadas ao PT enquanto minimizam ou ignoram notícias igualmente chocantes sobre líderes da oposição de sua predileção. A Globo, por exemplo, visivelmente enterrou as notícias sobre a lista da Odebrecht. Um de seus comentaristas, Arnaldo Jabor, chegou a insinuar que se tratava de uma conspiração do governo.
Compare, por exemplo, os 14 minutos melodramaticamente gastos pelo Jornal Nacionalreencenando as ligações de Lula como se fossem uma novela aos 2 minutos e 23 segundos que dedicou à lista da Odebrecht. Em nenhum dos dois casos a ilegalidade estava expressa, como foi a justificativa para a não divulgação da lista da Odebrecht. Em ambos os casos, portanto, a investigação da PF deveria ter sido aguardada – dois pesos, duas medidas.
Por mais de um ano, uma capa atrás da outra, a revista Época usou imagens manipuladoras e detratoras para incitar o público a apoiar o impeachment.
O Twitter das estrelas da Globo – do jornalismo e do entretenimento – estão cheios de propaganda cotidiana a favor do impeachment. Mesmo quando o Jornal Nacional tenta negar que está colocando grande peso a favor dos protestos pelo impeachment, não funciona: glorificam esses protestos e dão a eles muito mais tempo do que os protestos opostos:
Não há nada inerentemente errado com uma mídia partidária e ativista. Todas estas organizações, incluindo Globo, têm jornalistas competentes trabalhando para elas, e fazem boas reportagens, mesmo sobre este sério escândalo de corrupção. Mas o que está errado é enganar o público dizendo a ele o que todos sabem ser falso: que a Globo e outras grandes organizações são neutras e livres de opinião, que são meros observadores dos eventos políticos ao invés de seus privilegiados agentes.
O Grupo Globo não apoiou o impeachment em editoriais. Ele simplesmente declarou que, independentemente do resultado, tudo tinha de ser conduzido de acordo com a Constituição, que na verdade tem sido o caso até agora.
João insiste que a Globo não tem posição editorial a respeito do impeachment, e então – na mesma sentença! – passa a justificar o impeachment como perfeitamente legal e constitucional, um debate que está em acirrada disputa entre juristas.
O Supremo Tribunal Federal – onde oito dos onze juízes foram nomeados pelas administrações do PT presidentes Lula e Dilma – aprovou todo o processo.
De fato, a Suprema Corte ainda não julgou se as acusações contra Dilma justificam ou não o impeachment perante a Constituição, e há muitos peritos que acreditam – contra o que pensa o João – que não. Um ex-membro desse tribunal, que supervisionou a acusação de autoridades do PT pelo escândalo do mensalão, o juiz Joaquim Barbosa, disse na semana passada que “sente um ‘mal estar’ com a fundamentação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e que a alegação ‘é fraca e causa desconforto.’”
Claro, é permitido que João discorde do ex-Ministro Barbosa, mas ele tem que parar de fingir que não está apoiando vigorosamente o impeachment. Tudo o que João escreveu mostra isso.
Por último, a afirmação de que o Grupo Globo pauta a mídia nacional, especialmente vindo de um cidadão brasileiro, só pode ser feita de má fé. A imprensa brasileira é uma paisagem vasta e plural de várias organizações independentes, 784 jornais diários impressos, 4.626 estações de rádio, 5 redes nacionais de transmissão de televisão, 216 canais a cabo pagos e outra infinidade de sites de notícias.
Todo mundo compete com grande zelo pelo o público brasileiro, que por sua vez é livre para fazer suas escolhas. Entre os concorrentes fortes, o que se encontra é a independência, sem qualquer tolerância para ser conduzido.
A única “má fé” é a tentativa de João de negar o domínio de seus próprios meios de comunicação. Em junho de 2014, The Economist publicou um artigo sobre a Globo. A manchete? “Domínio da Globo.” A reportagem mostrava que “não menos de 91 milhões de pessoas, quase a metade da população, sintonizam a TV todos os dias: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, acontece uma vez por ano” – no Super Bowl. Em suma, “a Globo é certamente a empresa mais poderosa do Brasil, dado seu alcance de tantos lares.”
Muitos dos meios citados por João são de propriedade da Globo e sua irmã plutocrática, a Abril.The Economist explicou: “A Globo têm estações de TV paga, revistas, rádios, produção de filmes e jornais como parte de seu império.” Como resultado, “críticas são afastadas pela fatia de publicidade e audiência da empresa. Ela controla tudo, desde o acesso dos brasileiros às notícias até as taxas de mercado para os salários dos jornalistas.”
Como a colunista Vanessa Barbara apontou, no ano passado, no New York Times: “Em todo lugar que vou há uma televisão ligada, em geral na Globo, e todos estão olhando hipnoticamente para ela.” Disse também: “sendo a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer considerável influência em nossa política.”
Que a Globo desempenha um papel dominante na opinião pública está provado pelos dados, mas também pelas ações governamentais. Sob Lula e Dilma, o governo brasileiro despejou bilhões de dólares em dinheiro dos contribuintes para a gigante de mídia.
É verdade que a Globo não detém todos os meios de comunicação influentes. Há uma pequena quantidade de outras famílias bilionárias que são donas de quase todo o resto.
Quando os Repórteres sem Fronteiras publicaram semana passada seu Ranking de Liberdade de Imprensa de 2016, e o Brasil apareceu em 104°lugar, eles destacavam a violência contra jornalistas e também outro fato importante: “A propriedade dos meios de comunicação continua muito concentrada, especialmente nas mãos de grandes famílias ligadas àindústria que são, muitas vezes, próximas da classe política.”
Não é só a propriedade da mídia que carece de diversidade, mas também aqueles que eles contratam para trabalhar. Como a Folha documentou no ano passado, “de 555 colunistas e blogueiros de 8 veículos da imprensa (FolhaO Estado de S. PauloO GloboEpocaVeja, G1, UOL e R7), 6 são negros.
Também por isso o debate sobre racismo ocorre longe da maioria da população a quem, no dia a dia, ele não afeta ou interesse.” É claro que essa enorme disparidade molda a cobertura da mídia de maneira geral.
É verdade que a internet está ameaçando o domínio da Globo. As mídias sociais pormitiram aos brasileiros compartilhar informação por fora do império global, e agora podemos ler artigos e jornais estrangeiros (como o Guardian) que fornecem informação que ultrapassa muito os estreitos limites de opinião permitidos pela Globo, Abril/Veja e Estadão.
É precisamente por isso que João está combatendo artigos como os meus em jornais estrangeiros: porque ele tem medo do que acontecerá se ele perder o controle do fluxo de informação que os brasileiros recebem.
Como a família Marinho sabe desde a década de 90, quando Roberto Marinho conseguiu fazer um tribunal brasileiro barrar a transmissão de um filme extremamente crítico à Globo (“Além do Cidadão Kane”) e o tornou viral, a internet ameaça o monopólio da Globo sobre as notícias e a opinião pública. É por isso que estão furiosos. É também por isso que é tão vital proteger e salvaguardar o livre acesso à internet.
Fotomontagem: Viomundo

A Globo é incompatível com a Democracia

JEAN VOLPATO // http://www.brasil247.com/
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Não é de hoje que os intelectuais brasileiros afirmam essa frase: "A Globo é incompatível com a democracia". Nos próximos anos a esquerda tem que esquecer qualquer disputa no campo da política, sem antes fazer um duro debate na política de comunicação em massa no Brasil.



Logicamente a Globo virou referência de Golpes pela sua militância antidemocrática e por ser a maior empresa de comunicação do país, porém as outras emissoras, associadas ao instituto Millenium não são muito diferentes dela. Em sua grande maioria ganharam a concessão pública no período do regime militar e foram financiadas pelos norte-americanos, com o claro objetivo de defender o "Deus Mercado", seja a qual custo for, inclusive sobre a ruptura democrática.



Em sua grande maioria, as forças progressistas do país e principalmente as suas lideranças desprezaram aquilo que Foucault chamava de formação cultural em massa. Foi justamente durante a Guerra Fria, que os nortes americanos entenderam que além das forças bélicas, era preciso formar as mentes das pessoas. Foi a partir deste momento que os Estado Unidos se tornaram referência mundial no cinema. Os "monstros" eram os integrantes da União Soviética, os comunistas, "forças do mal". Já os "mocinhos" eram os nortes americanos, que lutavam contra a "força do mal" e a "ameaça comunista".



O poder comunicacional do imperialismo se alastrou para todo o mundo, principalmente na América do Sul. Hoje nossos meios de comunicação, nada mais são do que reprodutores do pensamento liberal dos Estados Unidos.



Os últimos governos populares no Brasil, em especial de Lula e Dilma, acreditaram que o simples investimento no consumo das famílias de baixa renda, seria o suficiente para livrar eles da dependência imperialista do mercado, formando uma grande classe trabalhadora de luta. Pois foi justamente o contrário que aconteceu, ao abandonar a ideia de disputar a consciência social, a nova classe média ficou cada vez mais atrelada ao capital e passou a se julgar pequenos burgueses, instigando o pensamento de meritocracia e ascensão econômica pela força individual.



A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner fez um duro enfrentamento aos meios imperialista do poder empresarial de comunicação monopolizada em seu país. O enfrentamento foi tão duro que lhe custou a perda da sua sucessão presidencial. No entanto, o seu primeiro ato após sair da Presidência foi criar uma agência de comunicação. Hoje a esquerda tem grandes chances de voltar ao Governo Argentino, isso porque foi instigado um debate profundo, verdadeiro, sobre o papel da comunicação no país. Os argentinos leem os jornais e sabem que as opiniões de determinados jornalistas não são visões imparciais, tem conteúdo e interesse político.







Espero que após esse choque de realidade, os setores progressistas brasileiro e suas lideranças não caiam na velha lógica da simples disputa pelo poder, mas de fato combatam o monopólio de comunicação no país e apresentem uma agenda nacional e projeto de comunicação plural para o Brasil, que nos livre da escravidão comunicacional imperialista. Caso contrário, mesmo estando no Governo, pouco ou quase nada da nossa agenda progressista poderá ser aprovada. Parafraseio as palavras de Paulo Henrique Amorim, a rede globo e as seis famílias que dominam a comunicação no Brasil são incompatíveis com a democracia.


***

Globo é pega em cheio nos Panama Papers; confira!

 Leonardo Miazzo // http://www.ocafezinho.com/
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Foto: Mídia NINJA
14 empresários de mídia e jornalistas são citados nos Panama Papers
Pelo menos 14 empresários e diretores de empresas de mídia, seus parentes ou jornalistas têm relação com offshores criadas pela firma panamenha de advocacia Mossack Fonseca.






Todos foram procurados e negam irregularidades ou afirmaram estar em processo de regularização das offshores.
Estão citados uma neta de Roberto Marinho (fundador da Globo) e diretores e ex-diretores do Grupo Globo. Aparecem também a dona da TV Verdes Mares, Yolanda Vidal Queiroz; o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, dono da Rede Massa de Televisão; um sócio do grupo Bloch, antigo dono da TV Manchete, Pedro Jack Kapeller; o ex-senador João Tenório, dono da TV Pajuçara, em Alagoas; e o sócio das TVs Studio Vale do Paraíba e Jaú, Antonio Droghetti Neto.
Do Grupo Estado, que publica o jornal “O Estado de S.Paulo”, Ruy Mesquita Filho e o presidente do Conselho de Administração do Grupo Estado, Walter Fontana Filho, tiveram seus nomes ligados a offshores.
Também consta nos papéis da Mossack Fonseca o jornalista que trabalha em revistas da Editora Abril José Roberto Guzzo.
A lei brasileira permite a qualquer cidadão ter uma empresa num paraíso fiscal. É necessário, entretanto, que a operação esteja registrada no Imposto de Renda do proprietário. Quando há envio de recursos para o exterior, é também obrigatório informar ao Banco Central sobre a operação em casos que superem o equivalente a US$ 100 mil.
A série Panama Papers, que começou a ser publicada em 3.abr.2016, é uma iniciativa do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), organização sem fins lucrativos e com sede em Washington, nos EUA. Os dados foram obtidos pelo jornal Süddeutsche Zeitung e compartilhados com o ICIJ. O material está em investigação há cerca de 1 ano. Participam desse trabalho com exclusividade no Brasil o UOL, o jornal “O Estado de S.Paulo” e a RedeTV!.
A produção deste texto exigiu uma extensa checagem manual, na qual foram consideradas 617 empresas e pessoas. Foram verificados nessa varredura os 346 jornalistas listados como finalistas do prêmio “Os + admirados jornalistas brasileiros 2015″ na categoria “nacional”, os acionistas dos 50 maiores jornais de 2014 listados no site ANJ e os diretores e acionistas das principais emissoras de TV e rádio.
O processo de checagem levou em conta o interesse público e a relevância jornalística. Foi semelhante ao usado no caso conhecido como SwissLeaks, que analisou mais de 8.000 contas secretas numa agência do HSBC em Genebra. A reportagem sobre mídia no SwissLeaks está aqui.
A seguir, as citações relacionadas à mídia encontradas nos Panama Papers.
ANTONIO LUIZ DROGHETTI NETO
O empresário Antonio Luiz Droghetti Neto é acionista e membro do conselho de diversas empresas, incluindo as TVs Studios Vale do Paraíba e TV Studios de Jaú, ambas pertencentes ao Grupo Silvio Santos. Ele também exerceu cargo de diretor de planejamento e novos negócios no grupo que controla o SBT.

Ele aparece como procurador da Gertie Services Corp., poder concedido a ele em 2007. A offshore é mais antiga e foi registrada pelo escritório brasileiro da Mossack em nome de outros procuradores antes de Droghetti.
Em 2006, há inclusive registro de que a Gertie foi transferida da Mossack Fonseca para o Morgan & Morgan, outro escritório especializado em gerenciar empresas em paraísos fiscais.
CARLOS SCHRODER
O diretor-geral da Rede Globo, Carlos Schroder, é o único acionista da Denmark Holdings Incorporations. A empresa foi criada em 2010 nas Ilhas Virgens Britânicas.

No registro da criação, Schroder informou como seu endereço a rua Lopes Quintas, 303, no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro. O edifício é justamente o da sede da Rede Globo.
Logo após sua criação, a diretoria foi assumida pelo próprio Schroder e também por Renata Cordeiro Silva Salgado, sua ex-mulher. Renata é psicóloga no Rio de Janeiro e os 2 foram casados até o ano passado.
Na época da criação da Denmark Holdings, Schroder era diretor de Jornalismo e Esportes da emissora. Em 2012, foi promovido à direção geral, cadeira que ocupa atualmente.
A offshore de Carlos Schroder está legalmente declarada. O diretor da Globo apresentou à reportagem as declarações da Denmark Holdings feitas à Receita e ao Banco Central.
HELENA E LUIZ EDUARDO VELHO DA SILVA VASCONCELOS
Helena e Luiz Eduardo Velho da Silva Vasconcelos tiveram ligações com a Rádio Globo S.A., empresa do Grupo Globo. Helena foi acionista minoritária da empresa de 1986 a 2004. Luiz Eduardo ocupou a função de diretor estatutário de 1998 a 2005.

Os 2 assumiram, junto com mais 3 pessoas da família, a diretoria da Veurne Capital Inc., em jun.2002. A offshore é sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e foi negociada por intermédio do escritório uruguaio Posadas, Posadas & Vecino, que detinha a posse da empresa.
Em fev.2006, quase a totalidade das ações da Veurne foram liquidadas e os valores transferidos para outras duas offshores: a Tripoli Holding Venture Limited e a Lucky Seven Venture Inc., que passaram a figurar como diretoras. Em 14.jun.2006, a Veurne foi extinta.
Os empreendimentos foram declarados à Receita Federal.
JOÃO TENÓRIO
O usineiro João Evangelista da Costa Tenório foi senador pelo PSDB de Alagoas de 2003 a 2010. Ele é proprietário da TV Pajuçara, emissora sediada em Maceió e afiliada à Rede Record.

Tenório e seu filho, João Tenório Filho, aparecem nos arquivos como acionistas e beneficiários finais de duas offshores: a West Eight Corp., aberta na Flórida (EUA), e sua controladora, a Brickland Overseas Ltd., aberta nas Ilhas Virgens Britânicas. As duas empresas são controladas por diretores indicados pela Mossack Fonseca.
JOSÉ ROBERTO GUZZO
O jornalista José Roberto Guzzo é colunista da revista Veja e integra o Conselho Editorial do Grupo Abril, responsável pelas publicações.

Nos Panama Papers, ele aparece como beneficiário final da panamenha Henshall Group S.A., ao lado de Roberto Andreoni Guzzo. Os registros datam todos de 2015.
MARLUCE DIAS DA SILVA
Marluce Maria Dias da Silva assumiu a direção-geral da TV Globo em janeiro de 1999 e ocupou o cargo até setembro de 2002. Em 1998, ela comprou a Hopton International Corp. por intermédio do escritório de advocacia Posadas Posadas & Vecino, que fica no Uruguai. Poucos meses depois, em novembro, o escritório solicitou que Marluce fosse nomeada presidente da offshore.

Sediada nas Bahamas, a Hopton foi mantida por Marluce até ser encerrada em dez.2000.
PAULA MARINHO
Uma das netas de Roberto Marinho, fundador do Grupo Globo, Paula Marinho recebeu e pagou faturas relativas a 3 offshores mantidas em paraísos fiscais pela Mossack Fonseca.

As offshores foram criadas em 2005 e reativadas por Alexandre Chiappetta de Azevedo em 2009. Na época, Alexandre de Azevedo era casado com Paula. Os 2 se separaram em out.2015.
Nem Paula Marinho nem Alexandre Azevedo aparecem nos documentos como acionistas ou representantes de offshores.
Em 27.ago.2009, Alexandre enviou e-mail à Mossack Fonseca solicitando o pagamento de débitos e a reativação de 3 offshores: a Vaincre LLC no Estado norte-americano de Nevada; a A Plus Holdings no Panamá; e a Soc. Juste International nas Ilhas Seychelles. Todas aparecem em documentos apreendidos durante a 22ª fase da Operação, em 27.jan.2016 e já tornados públicos.
As mensagens seguintes são trocadas por uma funcionária da Glem Participações, empresa de Alexandre Azevedo, e representantes da Mossack Fonseca. O nome e o endereço de Paula Marinho são designados para receber as faturas dos débitos. Em nov.2009, os comprovantes dos pagamentos em nome de Paula são enviados à firma panamenha.
Dos 4 funcionários da Mossack envolvidos na conversa, Renata Pereira e Ricardo Honório foram presos pela Lava Jato no dia 27.jan.2016. Mercedes Riaño está foragida e o outro não é citado nas investigações.
As 3 offshores foram criadas pela Mossack Fonseca, com acionistas e diretores indicados pela própria empresa. Em 2005, por e-mail, uma funcionária do escritório de advocacia Bechara Jr., que atua como intermediário entre Alexandre Azevedo e a firma panamenha, questiona sobre os trâmites relativos às 3 offshores e à possibilidade de transferir uma 4ª empresa, a Pliwel, do Uruguai para Nevada (EUA).
Segundo a descrição nos documentos, as 3 offshores foram criadas com o objetivo de serem acionistas em empresas brasileiras.
A Vaincre LLC tinha como única acionista a Camille Services S.A., empresa sediada no Panamá que também tem ações em dezenas de outras offshores, inclusive da Murray Holding, dona do tríplex no Guarujá atribuído ao ex-presidente Lula. O petista nega ser o proprietário.
A Juste International foi aberta com ações emitidas ao portador, dispositivo que dispensa o registro do verdadeiro dono. Como diretores foram nomeados duas outras offshores –Shareton Ltd. e Direhold Ltd.– comandadas por pessoas indicadas pela Mossack.
Com o aumento das restrições às ações ao portador, em 2014 ações foram emitidas em nome de Lúcia Cortes Pinto, que também é a representante legal da Vaincre.
No caso da A Plus Holding, as ações também foram emitidas ao portador e os diretores nomeados pela Mossack Fonseca indicaram Jorge Luiz Lamenza como representante legal da empresa. Lamenza ocupou o posto até 2009, quando Alexandre Azevedo requisitou sua substituição por Celso de Campos.
No Brasil, a Vaincre está registrada como sócia de outras duas empresas, a Shiraz Participações e a Agropecuária Veine Patrimonial Ltda., cadastrada no Rio de Janeiro e proprietária de uma casa na Praia Vermelha, próxima a Paraty (RJ). Os outros 2 sócios da Veine são os mesmos Jorge Luiz Lamenza e Celso de Campos, que controlaram a A Plus Holdings.
A mansão da Praia Vermelha é atribuída à família Marinho, tendo sido citada pela 1ª vez em reportagem da Bloomberg de 8.mar.2012. Segundo o texto, a casa foi construída em 2008, de forma irregular, infringindo leis ambientais.
A A Plus Holdings é acionista no Brasil da Central de Campos Participações Ltda., que por sua vez é acionista da Glem Participações e do Consórcio Lagoon, que administra o estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas no RJ. Tanto a Glem, quanto a Lagoon pertencem a Alexandre Azevedo.
Procurada pela reportagem, Paula Marinho respondeu por meio de sua assessoria.
“Paula Marinho informa que não tem nem nunca teve participação em nenhuma dessas empresas. O beneficiário era seu ex-marido Alexandre Chiapeta. Seu endereço foi apenas usado para o envio de faturas de manutenção das mesmas. Quanto à casa mencionada, essa informação [veiculada em parte da mídia] não é verdadeira. A propriedade não pertence à família Marinho”.
PEDRO JACK KAPELLER
Outro empresário de mídia encontrado nos documentos da Mossack Fonseca foi Pedro Jack Kapeller. Conhecido como Jaquito, ele é sobrinho de Adolpho Bloch, fundador das já extintas Revista e TV Manchete.

Sócio do grupo Bloch, Jaquito foi responsável pela venda da emissora, em 1999. No mesmo ano, assumiu junto com 4 parentes os cargos de procuradores da Iado Corporation, offshore criada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Em 2000, os 5 são nomeados procuradores de outra offshore, a Zicon, fundada no mesmo paraíso fiscal. Atualmente as duas companhias estão inativas.
RATINHO
O empresário e apresentador de televisão Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, aparece nos Panama Papers como diretor da offshore Cambara Limited.

A companhia foi criada pela Mossack Fonseca nas Ilhas Virgens Britânicas em novembro de 1999, após solicitação feita pelo Banco HSBC da Suíça. O documento mostra Carlos Massa no cargo de diretor.
As relações dele com o banco já eram conhecidas desde o ano passado, graças às revelações do caso Swissleaks, publicado no Brasil pelo UOL. Ratinho é dono da Rede Massa de Televisão, formada por 5 afiliadas do SBT no Paraná, e de uma rádio FM.
A Cambara Limited ficou inativa em 2001 e 2002 por falta de pagamento à Mossack Fonseca. Reativada mediante pagamento de US$ 1.900, foi novamente desativada em 2004, seu último registro nos documentos.
ROSSANA BERTO
Rossana Fontenele Berto é diretora da Globo Comunicação e Participações S.A., razão social do Grupo Globo. Rossana controla a offshore Howell Finance Ltd. junto com Luiz Rogerio Berto, que é seu marido.

Os 2 aparecem nos documentos da Mossack como procuradores da offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Os diretores da empresa são 2 funcionários indicados pela Mossack, que gerenciam centenas de offshores.
Em jan.2012, Luiz Rogerio Berto pediu a emissão de certificados de ações da Howell em seu nome com data registrada para 31.dez.2009. Até então, as ações eram garantidas “ao portador”, o que esconde o real proprietário da empresa. Na mesma mensagem, pediu para que fossem nomeados procuradores da empresa ele e Rossana Berto. A nomeação foi consumada em 16.fev.2012.
Em 9.set.2015, Luiz Rogerio Berto solicitou o fechamento da offshore e pediu instruções sobre como proceder. As informações foram enviadas pela Mossack em 15.set.2015. Não há documentos ou mensagens posteriores que confirmem o fechamento da empresa. As procurações em nome de Rossana e Luiz Rogerio Berto são válidas até 2018.
A Howell, segundo Rogério, foi criada por ele quando trabalhava no exterior nos anos 1980 e 1990. “Eu sou o beneficiário final e a Rossana está ali apenas para o caso de acontecer algo comigo. Quando eu voltei ao Brasil acabei não declarando a empresa. Agora, estou em processo de fechamento. O último saldo que havia no exterior era de 2014 e vou usar a lei da repatriação para regularizar a situação”, disse Rogério.
RUY MESQUITA FILHO
Ruy Mesquita Filho é bisneto de Julio de Mesquita Filho, que ingressou no Estado de S. Paulo em 1885 e mais tarde tornou-se proprietário do mesmo. Ruy foi diretor do Jornal da Tarde, mas hoje não atua no grupo.

A offshore Chapman Equities S.A. foi fundada em 3.dez.2013, com Ruy Mesquita Filho como procurador. A companhia se destina à administração de bens na Suíça, com ações emitidas ao portador.
Na mesma data de sua criação, a companhia concedeu a Ruy Mesquita Filho o poder para abrir e gerenciar uma conta no Banque Privée Edmond de Rotschild, sediado na Suíça.
WALTER FONTANA FILHO
Além de Ruy Mesquita Filho, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Estado tem uma offshore. Walter Fontana Filho é neto de Attilio Fontana, fundador da Sadia.

Walter Fontana Filho e um primo seu, Romano Ancelmo Fontana, foram integrantes do conselho de administração da Sadia, presidida por Romano até 2004 e Walter até 2008. A atuação Walter no Conselho de Administração do Grupo Estado não implica envolvimento com as atividades jornalísticas de suas publicações.
Nos documentos da Mossack Fonseca, os 2 figuram como diretores e acionistas da Hartley Consulting Corporation, offshore criada em dez.2002 e sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
YOLANDA QUEIROZ
Yolanda Vidal Queiroz é a controladora do grupo cearense Edson Queiroz, que atua em pelo menos 6 diferentes setores. Entre as empresas do conglomerado está a TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo em Fortaleza.

Yolanda aparece nos documentos da Mossack Fonseca como diretora da Engel Blue Corporation função assumida em 1988. Seu nome permanece associado à companhia. As revelações do SwissLeaks mostram que a offshore foi usada para abrir uma conta no HSBC suíço.
Em mensagem de 2006, assinada pela própria Yolanda, ela afirma que é a única diretora da Engel Blue, bem como sua única acionista. Essa condição dura até 2009, quando Yolanda abandona o posto de diretora. A offshore passa a ser administrada por outra empresa chamada Audina Management.
Nos anos seguintes, outras companhias ligadas à Audina assumem a direção da Engle Blue, como a Beta Worldwide Corp. Não há novas menções a Yolanda, o que deixa dúvidas sobre se ela mantém o controle acionário da firma.
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A presença do diretor geral da Globo nos Panama Papers não surpreende. Por Paulo Nogueira




Postado em 07 May 2016


Schroder, diretor geral da Globo, tem a cultura sonegadora da empresa
Schroder, diretor geral da Globo, tem a cultura sonegadora da empresa
Primeiro, vamos deixar clara uma coisa. Criar contas em paraísos fiscais é apenas uma forma legalizada de sonegar. (Legalizada por enquanto, vistos os esforços de múltiplos países para pôr fim a essa mamata que furtadinheiro que construiria escolas, hospitais, portos, estradas e por aí vai.)
Isto quer dizer: ainda que você declare a conta ou as contas, você continuará a sonegar. Em países com largos contingentes de miseráveis como o Brasil, esta sonegação (ainda) legalizada é ainda moralmente pior. Amplia e perpetua a desigualdade social.
Tudo isso posto, não causa surpresa que o diretor-geral da Globo Carlos Schroder apareça entre os brasileiros dos Panama Papers, os documentos que mapeiam os donos de contas no paraíso fiscal panamenho.
Schroder afirma declarar a conta na Receita Federal, mas isso não torna sua sonegação menos sonegação.
Não há surpresa, como eu disse, porque Schroder vive num ambiente – a Globo – inteiramente contaminado pela cultura da sonegação.
A Globo não vive nem sobrevive sem duas coisas: recursos públicos e sonegação.
Em ambos os casos, a Globo recebeu sempre uma tratamento complacente e absurdamente favorável das autoridades brasileiras, incluídas aí as dos governos Lula e Dilma.
É célebre, morbidamente célebre, o caso da fraude e sonegação da Globo na compra dos direitos da Copa de 2002.
Está tudo documentado na Receita. (Aqui, você pode ver um documentário do DCM sobre o escândalo.)
A Globo mentiu ao comprar os direitos. Disse que estava investindo num negócio fora do país. Com isso, deixaria de pagar o imposto relativo à aquisição.
Os fiscais da Receita detectaram o crime. A Globo foi multada numa quantia que, em dinheiro de hoje, supera os 600 milhões de reais. Num episódio simplesmente inacreditável, uma funcionária da Receita foi apanhada tentando fazer desaparecerem os documentos do caso.
Esta é a Globo. E este é o Brasil: nunca nenhuma autoridade da Receita ou do governo se pronunciou sobre a fraude e a sonegação. Lá se vão mais de dez anos.
É dentro deste ambiente que vive Schroder.
Convivi com ele nos anos entre 2006 e 2008 em que fiz parte do Conedit, o conselho editorial da Globo.
É um sujeito afável, bem menos espalhafatoso que Merval e Kamel, os dois integrantes do Conedit que mais se batem por concordar com João Roberto Marinho, coordenador do conselho.
Schroder fala relativamente pouco sobre jornalismo e política, e não por acaso. Ele não é do ramo. Ele cresceu na Globo na área de produção: essencialmente, fazer com que os repórteres tenham as coisas necessárias a sua missão.
Uma das lembranças mais vívidas que tenho dele é, com seu forte acento gaúcho, defendendo a ideia de que nas transmissões esportivas a Globo não deve dar o nome de times como Red Bull. A Red Bull que anuncie na Globo.
Não se conhece um texto seu que mereça citação. Seu cargo de diretor geral era ocupado, antes dele, por pessoas da área comercial. Seu antecessor, Octávio Florisbal, era um vendedor de anúncios.
Schroder não é a única figura da Globo com presença nos Panama Papers. Também Paula Marinho, filha de João Roberto, é citada. No caso dela, por causa do infame “Triplex dos Marinhos”, a mansão em Parati construída à margem da legislação de proteção ambiental.
Paula e  Schoder representam o espírito Globo nos Panama Papers: fugir sempre dos impostos. Do jeito que fo


Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.



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A REDE
Herdeira da Globo, filha de João Roberto Marinho fez pagamentos a Mossack
Panamá Papers confirmam denúncias de relações da Globo com a empresa que atua "a serviço de delatores e traficantes"; em 2009, foram 7 mil dólares para reativar offshore Vaincre LLC
por Luiz Carlos Azenha publicado 08/05/2016 10:49, última modificação 08/05/2016 10:53

O GLOBO / REPRODUÇÃO
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Neta e herdeira da Globo está entre clientes da Mossack, que para atingir Lula foi descrita pelos veículos do grupo de atuar 'a serviço de ditadores, delatores e traficantes'
Publicação do blog de Fernando Rodrigues confirma o que o Viomundo denunciou com exclusividade em 22 de março último: a neta favorita de Roberto Marinho, Paula, filha de João Roberto Marinho, fez pagamentos à Mossack & Fonseca relativos à manutenção de três empresas offshore ligadas aos negócios do marido dela, Alexandre Chiappeta de Azevedo.
Além disso, em outubro de 2009 a filha de João Roberto Marinho participou da regularização da offshore Vaincre LLC em Las Vegas, Nevada, de acordo com e-mail publicado por Fernando Rodrigues.
Nevada tem legislação que favorece especialmente a ocultação dos verdadeiros donos de uma empresa de fachada. É que o estado norte-americano permite que a offshore tenha como agente e gerente locais não pessoas em carne e osso, mas outras empresas.
Num artigo de dezembro de 2014 sobre a Mossack, o jornalista Ken Silverstein reproduziu entrevista de um especialista em lavagem de dinheiro, que explicou o que acontece em Nevada: “São organizações integradas verticalmente até o minuto em que aparece um policial ou investigador. Aí elas se desintegram em uma série de entidades desconectadas e todo mundo jura que não sabe nada sobre qualquer outra pessoa no sistema. É um quebra-cabeças montado, que de repente se desfaz quando alguém começa a investigar”.
"Quando o suspeito era Lula, O Globo denunciou a Mossack e chegou atribuir a propriedade do edifício Solaris ao ex-presidente. Agora, se cala sobre a herdeira de Roberto Marinho", escreve o jornalista e blogueiroLuiz Carlos Azenha.
http://www.brasil247.com/pt/

Em nenhum país do mundo se permite que uma empresa de comunicação constitua um império como o Grupo Globo montou no Brasil. Por uma razão muito simples: a concentração de canais de comunicação é uma ameaça à qualquer democracia.

E o Grupo Globo, em especial a Rede Globo, como principal veículo desse império, vive de desestabilizar e desrespeitar a democracia brasileira, quando governos legitimamente eleitos pela população brasileira representam projetos políticos e econômicos contrários aos interesses da família Marinho.

Por isso, Inglaterra, Estados Unidos, França, Argentina, Portugal possuem legislações que regulamentam o funcionamento da mídia. Já no Brasil toda discussão que se tenta fazer nesse sentido é sufocada pelo Grupo Globo que se articula para impedir esse debate na sociedade.

Todos sabem que o império da família Marinho e especialmente a Rede Globo cresceu às sombras do regime militar e só é o que é por conta da sustentação que deu à ditadura. Em troca, o grupo Globo recebeu inúmeras concessões dos governos militares. Por isso é fundamental discutir a legislação da comunicação brasileira e impedir de fato a propriedade cruzada.

Via FNDC Democratização da Comunicação

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Um ministro de Geisel uma vez disse o seguinte num despacho para seu chefe: “Os jornais não vivem e nem sobrevivem sem o governo”.
Isto, segundo ele, era uma arma poderosíssima que a administração Geisel devia usar em sua relação com a imprensa.
Roberto Marinho, disse ainda o ministro, era mestre em pedir “favores especiais” a Geisel por conta do apoio que dava à ditadura.
Tudo isso está no livro Dossiê Geisel, feito com base em documentos pessoais de Geisel doados à Fundação Getúlio Vargas.
Lembrei dessas coisas todas ao ver a lista dos maiores beneficiários da Lei Rouanet em 2015. Ali não estavam os artistas sempre acusados pelos analfabetos de mamar na Rouanet, como Chico e Zé de Abreu.
Mas a Globo estava, pela Fundação Roberto Marinho.
Abaixo, a lista de quem foi mais favorecido pela Rouanet:
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Mais que uma empresa, a Globo é uma máquina de meter a mão no dinheiro dos contribuintes. Este é sem dúvida seu maior talento. Às fórmulas clássicas — publicidade oficial, financiamentos de bancos como BNDES, vendas de livros e assinaturas de jornais e revistas — a Globo acrescentou novidades, nos últimos anos, como a sonegação de impostos.
E até a Rouanet passou a ser utilizada para transferir recursos do pobre contribuinte brasileiro para os Marinhos.
Não foi dito que projetos da Fundação RM foram financiados pela Rouanet. Mas a pergunta é inevitável: a Globo precisa de mais esta mamata? A família mais rica do Brasil não pode abdicar da Rouanet para que sobre dinheiro para artistas que não tenham a fortuna dos Marinhos?
É sempre assim.
Na era FHC, uma gráfica nova — e ruinosa — da Globo foi bancada pelos contribuintes, pelo BNDES. Não foi um empréstimo: foi uma cusparada na sociedade, autorizada por FHC. Imagine se o Banco da Inglaterra enchesse de dinheiro Murdoch de libras para uma nova gráfica? Thatcher sairia do túmulo.
A inépcia gerencial da Globo — mesmo com tantos privilégios esteve várias vezes insolvente — se explica na voracidade com que se atira a recursos públicos. Você não pode ser bom em tudo. E se você desenvolve excelência em mamar dinheiro público provavelmente não terá tempo para se aprimorar em outras coisas.
E então você vai atrás de cada real público que esteja a seu alcance. Por exemplo, os reais da Rouanet.

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O GLOBO pede fim do ensino superior gratuito



Em editorial publicado neste domingo (24), O Globo pede o fim do ensino superior gratuito no Brasil. Embora não seja surpresa que tal instituição defenda a privatização das universidades públicas, uma vez que ela já demonstrou, em diversas oportunidades, estar sempre na contramão do interesse público, do acesso democrático às instituições e da democracia, em si, como já tivemos oportunidade de escrever neste blog (O Globo saúda Golpe Militar; Globofilmes destrói cinema nacional; Globo manipula dados na cobertura das eleições venezuelanas), o destaque é a maneira cruel e covarde como ela argumenta pela extinção do ensino superior gratuito.

Segundo o texto, o que justificaria o fim do ensino superior gratuito é a sua “injustiça” e o gatilho que está dando oportunidade ao governo golpista de Michel “Fora” Temer privatizá-lo é a crise, como indica o título do editorial. O argumento principal do editorialista é que a maior parte das vagas das universidades públicas é, atualmente, ocupada pelos alunos de renda mais alta, enquanto aos pobres restam apenas pagar pelas universidades privadas. A crueldade e a covardia do editorial está justamente no fato de O Globo usar uma injustiça cometida contra as camadas mais pobres da sociedade, alijadas desde sempre do ensino superior brasileiro, não para reparar a injustiça, mas para mantê-la e fazer retroceder as recentes conquistas que pobres, pretos e índios tiveram dentro do espaço universitário, antes restrito apenas a um grupo social (com raríssimas exceções).

O argumento, evidentemente, não é novo. Frequentemente o vejo na boca da classe média para justificar a privatização e, com isso, o fim das cotas sociais e raciais. Mais e pior que isso, o tenho visto cotidianamente em minha vida institucional universitária dentro da Universidade de São Paulo (que caminha a largos passos para a privatização daquele espaço público de excelência) e, também, na imprensa paulista, sobretudo na Folha de S. Paulo, que dia sim, outro também, publica uma notícia enviesada no intuito de justificar a privatização das universidades públicas.

Não raro, Folha de S. Paulo, Globo, Band e outros veículos de mídia, juntamente com o poder estadual (que há mais de 20 anos tenta encampar a privatização), criaram a imagem de uma universidade pública sucateada que não serve para mais nada além de gastar dinheiro público. Evidentemente, trata-se de uma grande mentira. A verdade é que, apesar dos constantes ataques da mídia e do Estado, que tem, sim, buscado sucatear a universidade pública, justamente para se livrar dela e dos hospitais universitários, tais instituições tem mantido seu padrão de excelência graças aos esforços sobre-humanos de muitos de seus funcionários, professores e alunos. Se hoje, universidades como USP, Unicamp, Unesp, UFF, UFMG, UFOP, UFRGS, UnB e tantas outras conseguem se manter como referências mundiais, nacionais e regionais em diferentes áreas do conhecimento, é por conta dessas pessoas.

Como bem disse o professor Renato Janine Ribeiro, ao comentar o malfadado editorial em sua página de uma rede social:


A USP recebe o mesmo porcentual do ICMS paulista desde a década de 1980, e neste tempo criou novos campi, novas faculdades, aumentou muito o número de alunos, deu saltos de qualidade científica e tudo o mais. Sua pior gestão foi a de um reitor nomeado pelo governador José Serra, contra a vontade da maioria dos votantes na universidade. Não representava as forças vivas da USP.


Em suma, o que O Globo reproduz aqui é justamente o que temos visto em São Paulo há muitos anos. Se no princípio usa a crise como justificativa para agora se realizar o antigo projeto de privatizar o ensino superior, logo abaixo afirma que, mesmo se a economia vier a se recuperar, seria necessário “reformar o Estado” para não recorrer a aumento de impostos (não deixa de ser cômico, se não fosse trágico, a grande sonegadora Globo falando de não querer mais pagar impostos). E é assim, pateticamente reclamando contra o pagamento dos impostos que ela costuma não pagar, que as Organizações Globo introduz seu argumento sem nenhum pudor: “[…] para combater uma crise nunca vista (?) necessita-se de ideias nunca aplicadas. Nesse sentido, porque não aproveitar para acabar com o ensino superior gratuito”.

Quem lê o editorial percebe claramente que a discussão não passa pelo acesso das camadas populares ao ensino de qualidade (seja o superior ou o fundamental e médio, que é justamente onde está o problema), mas sim pela questão fiscal. Desta forma, a injustiça social é mera desculpa à qual a O Globo recorre em seu editorial, a fim de pretensamente colocar-se em defesa dos interesses da população, quando na verdade encampa uma luta contra o uso dos impostos para financiar o acesso das camadas populares à universidade superior de qualidade. A estes, se tiverem interesse, que vão pedir bolsas nas universidades privadas, pois segundo O Globo, trata-se de um sistema que funciona bem ao redor do mundo (sobre o assunto, ver o que o documentário Torre de Marfim, do cineasta estadunidense Andrew Rossi, tem a dizer sobre o sistema educacional dos Estados Unidos da América, epítome de um modelo que os plutocratas brasileiros querem adotar e, segundo o editorialista de O Globo, funciona muito bem).

Novamente lembramos a postagem do professor Janine Ribeiro, para quem:


Cobrar anuidade dos alunos com mais dinheiro parece justo, mas penso que seria bem melhor aumentar o imposto de renda das pessoas que ganham mais dinheiro. Assim, façam ou não (eles e seus filhos) a universidade, pagarão mais. E serão então estimulados a cursar o ensino superior, o que só lhes fará bem, pessoal e profissionalmente. Deve-se tributar a renda, é melhor do que cobrar pela educação (não se cobra aquilo que você quer incentivar!)

Abaixo reproduzimos a postagem que nos chamou atenção a mais esse ataque ao ensino e ao povo brasileiro, perpetrado por defensores de oligopólio, bem como à manutenção da profunda desigualdade social que cliva o Brasil desde seu nascimento até os dias que correm, por uma elite que pouco mudou nas últimas décadas, como bem apontou a historiadora Maria Aparecida de Aquino.

EDITORIAL DO GLOBO PEDE FIM DO ENSINO SUPERIOR GRATUITO NO BRASIL

publicado originalmente na Revista Forum em 24 de julho de 2016


Por Redação (da Revista Fórum)

Em editorial publicado neste domingo (24), o jornal O Globo defende o fim do ensino superior gratuito no Brasil como uma forma de equilibrar as contas públicas.

“Por que não aproveitar para acabar com o ensino superior gratuito, também um mecanismo de injustiça social? Pagará quem puder, receberá bolsa quem não tiver condições para tal. Funciona assim, e bem, no ensino privado. E em países avançados, com muito mais centros de excelência universitária que o Brasil”, diz o texto.

“O momento é oportuno para se debater a sério o ensino superior público pago. Até porque é entre os mecanismos do Estado concentradores de renda que está a universidade pública gratuita. Pois ela favorece apenas os ricos, de melhor formação educacional, donos das primeiras colocações nos vestibulares”, continua.

“Já o pobre, com formação educacional mais frágil, precisa pagar a faculdade privada, onde o ensino, salvo exceções, é de mais baixa qualidade. Assim, completa-se uma gritante injustiça social, nunca denunciada por sindicatos de servidores e centros acadêmicos”, conclui.

Para ler o editorial na íntegra, clique aqui.



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A entrevista de Temer ao Diário Oficial da União, também conhecido como Globo. Por Paulo Nogueira


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Postado em 11 Sep 2016
por : Paulo Nogueira


                                         Os jornalistas do DO e Temer

Como previsto, o Globo retomou rapidamente sua vocação de Diário Oficial da União.

Foi assim ao longo de toda a ditadura militar, e também nos governos civis que vieram depois. Isso só mudou na Era PT.

A lógica é: eu apoio incondicionalmente e você me enche de mamatas, a começar por bilionárias verbas publicitárias. E também não me incomoda com coisas como minhas sonegações.

Bem, o Diário Oficial — simplifiquemos para DO — trouxe neste domingo uma entrevista com Temer. O Pravda dos tempos de Stálin não faria coisa mais jornalisticamente idiota.

Cinco jornalistas — um time de futebol de salão — para fazer perguntas tolas e engolir respostas que nem um estagiário deveria aceitar sem réplica.

Por exemplo: o quinteto mágico do DO perguntou a Temer como ele vê o termo golpista.

Temer consegue dizer que golpista não pegou. Repito: ele disse que a expressão golpista não pegou.

É uma das palavras mais utilizadas nas redes sociais. Temer ou aparece como “Temer golpista” ou na forma de #foraTemer nas redes sociais. Você digita Temer golpista no Google aparecem 1,54 milhão de resultados.

Não pegou?

Fora do ambiente virtual, nos protestos que se multiplicam pelas cidades faixas de “Temer Golpista” são ubíquas.

Golpista não pegou?

Quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington.

E o DO simplesmente seguiu em frente, como se a resposta fosse decente e satisfatória.

Não menos patético foi o trecho relativo às vaias. Temer disse que estava preparadíssimo — o superlativo é dele mesmo — para as vaias da abertura das Olimpíadas.

Ele falou isso num tom triunfal. Só não explicou por que faltou ao fechamento. O DO não lhe perguntou nada. O que veio foi um complemento do próprio Temer. Se entendi bem, ele quis mostrar sua coragem perante vaias ao comparecer à cerimônia de início das Paralimpíadas.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Ninguém do DO lhe perguntou, simplesmente, por que não foi ao encerramento das Olimpíadas. E nem assuntaram sobre se ele pretende ir ao fechamento das Paralimpíadas.

Em vez disso, os repórteres do DO preferiram brincar, cúmplices, bajuladores, sobre o uso de mesóclises por parte de Temer. O pobre leitor não vê, mas você pode imaginar as risadinhas amistosas entre entrevistadores e entrevistado.

Particularmente engraçada foi uma pergunta sobre se Temer está disposto a negar pedidos de aliados. A resposta honesta seria: “Sim, exceto as reivindicações da Globo.”

Muito mais que reivindicações, na verdade, são ordens, exigências. O DO manda em Temer.

Ainda na linha cômica, uma promessa destacada pelo site Os Mentecaptos, também conhecido como O Antagonista. “Vou ser mais presidente”, prometeu. (O Antagonista é aquele site um de cujos editores, quando redator chefe da Veja, mandou um fâmulo escrever um texto ENORME em que comparava o romance que lançara a coisas de Machado de Assis.)

É como aquele perna de pau veterano que um dia acorda,estufa o peito e diz: “Agora vou ser Messi!”


Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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18 DE SETEMBRO DE 2016

COM MEDO DO POVO, GLOBO DIZ QUE ELEIÇÃO É GOLPE



Alvo de constantes protestos por seu apoio aos golpes de 1964 e 2016, a Globo, da família Marinho, publicou um editorial neste domingo digno da novilíngua de George Orwell; para a família Marinho, a conspiração que derrubou Dilma Rousseff foi legítima e a possibilidade de novas eleições representaria um golpe; "De novo: 'Constituinte', só depois de rupturas. Deriva desta mesma visão torta a volta das 'diretas já'. Este, sim, o verdadeiro golpe", dizem os Marinho

247 – Alvo de constantes protestos por seu apoio aos golpes de 1964 e 2016, a Globo, da família Marinho, publicou um editorial neste domingo digno da novilíngua de George Orwell.

Para a família Marinho, a conspiração que derrubou Dilma Rousseff foi legítima e a possibilidade de novas eleições representaria um golpe.

Confira:

Não há via legal para antecipação de eleições

Ao discurso do ‘golpe’ segue-se a ressurreição das ‘diretas já’, uma bandeira política inexequível, a não ser na ruptura institucional de um golpe de estado

Quando a guerra do impeachment começou a ser perdida, o entorno de Dilma e o lulopetismo trataram de lapidar uma versão, ou “narrativa”, política para a derrota, numa tentativa de volta por cima. Construíram a tese do “golpe”, risível, mas que chegou a ser tratada no exterior, junto a simpatizantes petistas no mundo acadêmico e na imprensa, como algo sério.

Não só o impedimento em si da presidente, garantidos todos os direitos de defesa, mas o fato de ela ter participado de longa sessão no Senado, perante o qual proferiu discurso sem interrupção e respondeu a perguntas sem direito a réplica, esvaziaram o balão do “golpe”.

Mas como o PT e aliados se movem voltados para o calendário eleitoral deste ano e de 2018, outras “lutas” ganharam fôlego.

A do plebiscito para a antecipação do pleito presidencial de 2018 não animou sequer Rui Falcão, presidente do partido. Com a cara de Dilma, a ideia era de difícil execução: precisava de aprovação do Congresso, além da própria realização da consulta. Na ponta do lápis, o tempo não compensaria. Melhor, portanto, esperar 2018.

Mas a militância precisa de combustível. Foi, então, exumado o slogan “Diretas já”. Simpático, mas inadequado, por inexequível. Não apenas pelas fundadas diferenças entre os momentos históricos — em 1984, a ditadura militar resistia a permitir o retorno do voto popular, enquanto hoje cumpre-se o que estabelece a Constituição promulgada em 1988 e a Lei 1.079, do impeachment, de 1949, atualizada em 2000 para incorporar preceitos da responsabilidade fiscal, atropelados por Dilma e por isso cassada.

Não há alternativa legal para se antecipar eleições. Até 31 de dezembro, quando vence a primeira metade do mandado presidencial em curso, se Michel Temer sair, assume o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e convoca-se eleição direta. A partir de 1º de janeiro, eleição indireta pelo Congresso.

Não existe na Carta a possibilidade de emenda antecipar o pleito, porque a periodicidade com que se vai às urnas é cláusula pétrea, incluída no artigo 60 da Constituição. Tem, ainda, o mesmo status jurídico o direito adquirido pelo vice de governar, com o impedimento do presidente (artigo 79). Nada disso pode ser mudado, nem pelo quórum exigido para proposta de emenda à Constituição, de três quintos dos votos (60%), em dois turnos de votação, em cada Casa. O projeto petista de “diretas já" só poderia ser realizado num golpe de estado, numa ruptura institucional, algo que os brasileiros pactuaram deixar no passado de vez.

Há por trás dessa obsessão de petistas e aliados em mudar a Carta um aspecto da ideologia bolivariana, absorvida pelo nacional-populismo brasileiro. O chavismo produziu a maior tragédia da história da Venezuela com mudanças feitas na Carta pela manipulação das ruas, estopim de crises institucionais e causa de grande insegurança jurídica, em todo país que adota o ardil.

Veio daí a bandeira lulopetista da “Constituinte exclusiva”, para fazer a reforma política. Não é bom caminho, até porque também é uma ilegalidade. Se o Congresso não consegue formar maiorias de três quintos dos votos de deputados e senadores para executar mudanças pontuais na Carta, é porque a emenda em discussão não deve mesmo ser acolhida. Lógico. De novo: “Constituinte”, só depois de rupturas. Deriva desta mesma visão torta a volta das “diretas já”. Este, sim, o verdadeiro golpe.
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Mais conexões da Globo no Bahamas Leaks


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http://www.ocafezinho.com/
A mídia brasileira até agora não deu atenção nenhuma ao Bahamas Leaks, porque é um desses escândalos cuja narrativa fogem a seu controle.
É um escândalo que não atinge o PT, não interessa ao golpe, então não é notícia.
Em geral, a mídia usa esses vazamentos do ICIJ sobre paraísos fiscais apenas para apimentar a Lava Jato.
A única matéria que eu vi na mídia sobre o Bahamas Leaks é a presença do nome de Leo Pinheiro. Ora, o vazamento traz o nome de diversos brasileiros importantes.
Já mencionei, em post anterior, a presença de José Roberto Marinho no Bahamas Leaks.
Encontramos agora outro nome da família Marinho: Paulo Daudt Marinho, filho de José Roberto Marinho e controlador de várias tvs Brasil a fora.
Daudt Marinho era, inclusive, sócio de J. Hawilla em algumas tvs do interior de São Paulo.
Hawilla foi preso há pouco tempo nos Estados Unidos, acusado de diversos crimes de corrupção.
Segundo o Bahamas Leaks, Paulo Daudt Marinho é dono de uma offshore chamadaCanary Global Ltd, cuja criação foi intermediada, assim como a empresa de José Roberto Marinho, pela Trident Corporate Services.
Encontramos também uma empresa chamada Globo Overseas, que muito provavelmente é mais uma offshore controlada pela Globo, visto que o grupo possui, nas Ilhas Virgens Britânicas, uma empresa chamada Globo Overseas Investments BV.
Essas offshores estão registradas na Receita Federal do Brasil? A imprensa não vai correr atrás dessa informação?
É importante e instrutivo saber se a família que construiu seu império sob o impulso da ditadura militar, através de uma concessão pública, está pagando seus impostos em dia.

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http://jornalggn.com.br/ - SAB, 24/09/2016
Rede Globo & Cia e a perseguição ao Lula, o que está em jogo?
por Alexandre Tambelli
Estamos presenciando um momento de convergência de situações políticas no Brasil. Estas situações convergentes determinam uma radicalização da perseguição ao Lula por parte da velha mídia capitaneada pela Rede Globo, Veja, Folha, Estadão, Band, RBS e algumas poucas famílias mais.
Estas poucas famílias e bilionárias juntas detêm cerca de 90% de toda a cadeia de informação (TV, rádio, jornal, revista, internet, cinema, etc.) sobre o cotidiano do Brasil e do Mundo que o brasileiro pode obter em Língua Portuguesa.
A radicalização da perseguição ao Lula se dá por alguns fatores importantes. Vou elencar aqui alguns deles.
1) A população brasileira em crescente pede um Fora Temer e Lula tem força política e social, respeitabilidade internacional e pode ser um porta-voz do eleitorado Fora Temer;
2) O termo Golpe de Estado, que foi praticado contra Dilma Rousseff e o PT já está sedimentado no seio da população menos afetada pela narrativa da velha mídia e pela comunidade internacional. Precisa-se debilitar ao máximo a reputação de Lula dentro e fora do País;
3) A possibilidade de uma nova Eleição presidencial existe. A população que saiu às ruas em 2015 e 2016 não se manifestou para pedir a posse de Temer, é bom salientar este ponto;  
4) Lula é o candidato mais forte para vencer um possível pleito contra o candidato que a velha mídia apoiar nos dias de hoje e mesmo que a Eleição presidencial só ocorra em outubro de 2018. Lula lidera todas as pesquisas de opinião feitas neste ano;
5) Colocar Lula no centro do debate político atual desvia o foco narrativo principal, ou os focos narrativos principais do Brasil de hoje, e que são três: a) O Fora Temer; b) A possibilidade de uma Diretas Já com Lula candidato; c) A discussão necessária das privatizações do Pré-Sal e Petrobrás e demais empresas públicas e as reformas da Previdência e trabalhista.
6) A temática única da corrupção e centrada em Lula, símbolo máximo da esquerda, hierarquicamente colocada como o tema central a ser debatido no País está, também, ligada às eleições municipais de 2016. A associação do PT e das esquerdas à corrupção como elemento aglutinador do não voto ao PT e seus candidatos e seus atuais aliados dentro das esquerdas.
Foca-se no tema Lula e a Corrupção tendo Lula como o “Comandante” para se escantear o Projeto de País da direita, suas reformas estruturais neoliberais e contra a classe trabalhadora do debate eleitoral.
Importante se pensar no que coloco a seguir.
A todo tempo é preciso hierarquizar o que o povo discute nas ruas e nas redes sociais, eis uma das bandeiras centrais da velha mídia.
Discutirmos com prioridade as acusações contra Lula no Ministério Público, bem neste tempo de definição das eleições de prefeituras e câmaras de vereadores, ao invés dos programas de governo de cada candidato, estranho, não é verdade? Faltam 2 semanas para a Eleição Municipal.  
Em se tornando a corrupção mais importante, no processo de hierarquização da velha mídia, do que qualquer outro tema eu faço a população votar por exclusão, não por seus próprios interesses.
O “menos pior” candidato, que na verdade pode ser o seu carrasco ganha votos anti PT, anti esquerda, e não votos para si, mas tem a legitimidade das urnas, que é o que importa.
O controle da narrativa do País nas mãos da Rede Globo & Cia., defendendo os interesses de seus donos: os irmãos marinho e de outras poucas famílias retira da população o protagonismo de opinar sobre o que é importante ao Brasil e seu povo. Por que afirmo isto?
Porque a opinião pública desviada é para o tema Lula, o tema corrupção e, os problemas reais do Brasil e seu futuro são escanteados.
Ao distrair o brasileiro médio com a temática Lula e a corrupção eu não provoco o debate sobre as reformas da Previdência e da CLT, que o Governo Golpista e os golpistas do Congresso pretendem implementar no Brasil, sobre a idade mínima de aposentadoria em 65 anos ou 70 anos, sobre a jornada de trabalho de 12 horas diárias, sobre a prevalência do acordado sobre o legislado, e assim por diante.
A perseguição ao Lula é uma forma de hierarquizar o que a população brasileira deva discutir, para se conseguir colocar em prática os interesses da Elite Midiática (a velha mídia), de partes da plutocracia brasileira, do mercado financeiro, do Capitalismo Internacional e dos Estados Unidos, todos interesses antinacionais, anti desenvolvimentistas e que favorecem apenas uma parcela ínfima da sociedade brasileira.
Lula como Presidente representa, é símbolo, de um modelo de desenvolvimento soberano, com independência nas ações governamentais diante das outras nações do Mundo, um modelo de sociedade com inclusão social de todos, com empresas nacionais fortes e competitivas internacionalmente, com uma população instruída e tecnicamente capacitada, dentre outras coisas.
A velha mídia representa o oposto, o apequenamento do Brasil diante do Mundo, um País agrário-exportador de comodities, de biodiversidade e de recursos naturais e um paraíso fiscal para os rentistas. E cabe lembrar, para justificar a minha afirmação de que a velha mídia defende um modelo de desenvolvimento do País oposto ao Brasil de Lula, a Rede Globo de Televisão, símbolo máximo da velha mídia, nasceu de um aporte financeiro do Grupo Time-Life Norte-Americano em 1965. Ela sempre defendeu e, ainda, defende interesses do Império Americano em terras brasileiras.
Imaginemos o Poder gigantesco da Vênus Platinada de informar os brasileiros sobre a realidade do Brasil e do Mundo defendendo interesses dos EUA em território brasileiro, é justo?
Enquanto existir o monopólio da narrativa e hierarquização dos temas a serem discutidos pelos brasileiros nas mãos da velha mídia, temas formadores de uma opinião pública monolítica e, geralmente, incapaz de perceber os caminhos necessários, para além do combate à corrupção, para se construir um Brasil desenvolvido, industrializado, soberano e com Justiça Social viveremos neste caos da perseguição política à esquerda, aos defensores dos interesses nacionais e aos desenvolvimentistas, perseguição travestida (disfarçada) de combate à corrupção.
Um futuro Governo de esquerda e/ou desenvolvimentista e defensor dos interesses nacionais precisará mexer neste processo viciado de tudo se resumir ao “combate à corrupção”, decorrente do monopólio das comunicações e pluralizar as mídias brasileiras (TV, rádio, jornal, revista, Internet, etc.), dando voz a todos os segmentos econômicos e sociais existentes no Brasil, gerando a possibilidade do contraditório (o fim da opinião única), gerando a possibilidade de defesa dos atacados pela velha mídia em outros canais com audiência e gerando, ainda, a possibilidade se ter novas narrativas sobre a realidade brasileira para além da velha mídia, criando uma opinião pública mais plural e reflexiva.
A pluralidade de mídias com opiniões diversas e diferentes ideologias vocalizadas impossibilitará de a narrativa da corrupção ser, praticamente, a única no País que deva gerar interesse de discussão no seio da sociedade e, como já frisei antes, perseguindo apenas um conjunto de pessoas e partidos: Lula, Dilma, PT, os desenvolvimentistas, os defensores dos interesses nacionais e as esquerdas.
Vivemos uma realidade, onde, todas as outras pessoas e partidos estão livres para fazer o que bem entender, até praticar a grande corrupção e roubar para valer no exercício de uma função pública, porque não lhe será cobrado na Justiça e nem na velha mídia os atos praticados. Sequer, talvez, noticiada a corrupção praticada.
Eduardo Cunha estar livre, leve e solto, o maior corrupto do País é uma vergonha internacional. Aécio Neves e seu aeroporto particular feito com dinheiro público, dentre outras denúncias (o multi delatado da Lava-Jato) contra si estar tranquilamente exercendo funções políticas não nos deixa mentir sobre a realidade que relatei acima.
O monopólio da informação em poucas mãos acaba por gerar uma realidade perigosa, onde, se você tentar remar contra a maré, querendo fazer a Justiça caminhar dentro das leis e da Constituição você pode ter  sua reputação assassinada, ter sua carreira na magistratura abreviada, por simplesmente buscar a verdade, doa a quem doer.
Sem contar que o monopólio das comunicações gera uma ação entre amigos, onde membros do STF, MP, TSE, PF, etc. são aliados/ cooptados da Rede Globo & Cia., e partidarizam suas ações e investigações conforme a cor da camisa que as pessoas e partidos vestem. Vestiu vermelho pode ser investigado e preso mesmo que sem provas, vestiu azul e amarelo não vem ao caso.
Imaginemos o quanto é midiática uma Operação como a Lava-Jato. Noticiada o tempo todo e valorizado cada um dos agentes desta Operação, agentes que até recebem prêmios, como é o caso do Juiz Sérgio Moro, que ganhou o prêmio de Personalidade do Ano da Rede Globo de televisão em 2015.
Em que País civilizado Juiz é celebridade, igual a um artista de Hollywood?
Você faz e defende os interesses da velha mídia e ela lhe dá os holofotes, a fama e o reconhecimento. Já, quem está do outro lado da ponte, como Lula está fica indefeso, não tem mídias com audiência para defesa de sua reputação e de suas acusações nem Judiciário com segurança para frear a perseguição a ele e sua família, porque quem ousar frear os interesses da velha mídia, como já disse antes, pode passar a ser perseguido e ter sua reputação assassinada, também, idêntico como fazem com Lula e com qualquer pessoa, político que ousar ir contra os interesses antinacionais dos irmãos marinho, dos Civitas, dos frias, dos saads e dos mesquitas, sobrenome dos donos dos canais de comunicação monopolizados da velha mídia.  
Enfim, o que falam de Lula nos microfones e holofotes da velha mídia se torna uma verdade aparentemente incontestável, só existe a verdade que ela quer que a opinião pública aceite, e mesmo sem provas contra Lula e sem ele ter o direito de defesa do que é acusado temos que aceitar como um ato de Justiça e de verdade o que disse um Procurador da Lava-Jato: - Não tenho provas, mas tenho convicção. (Sobre Lula ser o “Comandante” de toda a corrupção que existe, se instalou no Brasil, e, incrível, ela parece ter sido criada em 2003, antes não existia corrupção e nem corruptos e corruptores).
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Em editorial publicado nesta sexta-feira, o jornal O Globo, da família Marinho, dona de uma fortuna de US$ 30 bilhões, combate o "saco sem fundo" das aposentadorias rurais e os benefícios pagos a quem recebe um salário mínimo; Globo critica ainda "o grande equívoco cometido com a Constituição de 88, sustentada na visão míope de que cabe exclusivamente ao Estado patrocinar programas que erradiquem a pobreza"; ao que tudo indica, Globo quer o Brasil de volta ao mapa da fome

http://www.brasil247.com/30 DE SETEMBRO DE 2016


247 – Num editorial surpreendente pelo sincericídio, o jornal O Globo, da família Marinho, combate os programas sociais do governo federal que visam atenuar a pobreza no campo e nas cidades. Confira: 

Tesouro não aguenta peso de pensões e outros benefícios

O foco das discussões sobre o ajuste das contas públicas está muito centrado no teto dos gastos — fundamental para conter a tendência suicida de as despesas crescerem à frente do PIB e da inflação — e na reforma da Previdência, devido aos déficits galopantes, e também por interessar de forma muito direta à população. São mesmo dois pilares na rearrumação estrutural da economia brasileira, mas não esgotam o trabalho a ser feito neste campo dos gastos ditos sociais. Como O GLOBO mostrou ontem, há outras rubricas de despesas sob este amplo e generoso guarda-chuva, em que também o descontrole é gritante e, por isso, não podem deixar de ser revistas.

Uma das causas das despesas crescentes nesse bloco de gastos é o Benefício de Prestação Continuada, incluído na Lei Orgânica de Assistência Social (Loas). Em 2014, última estatística disponível, o Tesouro gastou, com este programa, R$ 35 bilhões, mais que o conhecido Bolsa Família.

É uma pensão a que tem direito toda pessoa com mais de 65 anos que se autodeclare de baixa renda. Passa a receber um salário mínimo mensal. Sem ter feito qualquer contribuição para tal, é claro. Em dez anos, de 2004 a 2014, o gasto foi multiplicado por mais de três. E a quantidade de beneficiários passou de dois milhões para quatro milhões. Dobrou.

Outro saco sem fundo é a aposentadoria rural. Qualquer suposto agricultor que for ao INSS com a declaração de algum sindicato rural, atestando que ele de fato labutou no campo, ganha a aposentadoria. Tenha ou não contribuído para ela.

Há ainda as pensões, responsáveis por um gasto de R$ 104 bilhões no ano passado. E não para de crescer, como todas essas despesas ditas sociais. Quando Joaquim Levy foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, ele tentou no Congresso, sem maior êxito, moralizar a concessão dessas pensões.

Havia, como em outros casos, “jabuticabas”, algo genuinamente brasileiro, nesses benefícios. Por exemplo, pensões integrais independentemente da idade da viúva e do número de dependentes. Sabe-se que no Nordeste homens idosos, segurados do INSS, passaram a ser cortejados por mulheres jovens — candidatas a viúvas pensionistas.

Há, portanto, muito espaço para avançar em reformas mais do que sensatas nesses incontáveis programas sociais. Uma das frentes a atacar — sabe o próprio governo — é acabar com a indexação de vários desses benefícios pelo salário mínimo. O ideal seria acabar em todos.

No pano de fundo desta farra cujo desfecho é a atual crise fiscal, está o grande equívoco cometido com a Constituição de 88, sustentada na visão míope de que cabe exclusivamente ao Estado patrocinar programas que erradiquem a pobreza. Esqueceram-se do custo, e de como financiá-lo. Hoje, está claro que ele é insustentável. E que sem que houvesse um ambiente econômico estimulador dos negócios não haveria renda capaz de financiar esse projeto, na verdade, em si, inviável. É certo que a miséria precisa de ações públicas para ser mitigada. Porém, o melhor caminho para debelação da pobreza é pela educação e pelo emprego.

A crise fiscal, portanto, é também fruto da falência da visão social e estatista da Carta de 88, um marco muito positivo no restabelecimento dos direitos políticos, mas desastroso no campo dos benefícios sociais.

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Ao rebater denúncia, advogado de Lula acusa Globo: montou cartel contra concorrentes no Rio e tem contas e negócios suspeitos no Exterior

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http://www.viomundo.com.br/ 01 de outubro de 2016 
Depois de dar apoio decisivo ao golpe militar, confessar a prática de cartel e praticar outros atentados ao Estado Democrático de Direito, a Globo — junto com a Operação Lava Jato — pretende agora criminalizar a advocacia
De forma ilegal e antidemocrática, em sua edição deste fim de semana (30/9/2016), a revista Época ataca minha reputação e honra na reportagem “Compadre de Lula comandou compra, diz empresário que vendeu nova sede do Instituto Lula” de Daniel Haidar. Publicação das Organizações Globo, a revista ignorou informações sobre a questão tornadas públicas reiteradas vezes por mim, deixando claro ser parte ativa – junto com agentes públicos – do movimento que busca criminalizar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem também presto assessoria jurídica.
Tenho 46 anos ininterruptos de atuação como advogado, já fui eleito em duas oportunidades pelos meus pares para presidir a Subseccional de São Bernardo do Campo da OAB. Não sou “maestro” de nada e jamais participei de “negociata” alguma. Não bastasse a ofensiva inadmissível contra meu cliente, uma tentativa de criminalização sem materialidade, acompanho abismado a busca por “evidências” que me coloquem como artífice de ações espúrias, em conluio. Afastando o circo midiático, o que sobra é apenas má-fé e uma indisfarçável tentativa de fragilizar a defesa de Lula, para interferir no processo eleitoral do País, especialmente nas eleições de 2018.
Reitero os fatos como se deram:
1. Assessorei juridicamente um cliente – que não é o Instituto Lula ou o ex-Presidente Lula – na aquisição de um imóvel na Vila Clementino, em São Paulo (SP). Posteriormente, solucionadas as intrincadas pendências jurídicas, assessorei o mesmo cliente na revenda, com lucro, do referido imóvel para a DAG Construtora Ltda.;
2. Diante da intenção desse cliente de revender o imóvel, houve, nesse interregno, sugestão de aquisição pelo Instituto Cidadania, que viria a ser sucedido pelo Instituto Lula. Porém, após análise, não houve interesse na compra pelo Instituto;
3. Minha atuação em relação ao imóvel ocorreu por conta e ordem de meu cliente, exclusivamente na condição de advogado.
Esclareço, ainda, que:
1. O imóvel em questão integrava o acervo de um inventário com relevantes pendências jurídicas. O trabalho jurídico que realizei superou tais pendências e permitiu que os direitos sobre o imóvel fosse vendidos ao meu cliente. Na sequencia (10/02/2014), o mesmo cliente fez a venda, com lucro, para a DAG Construtora Ltda., também com a minha assessoria jurídica — encerrando, neste momento, minha participação profissional no caso.
2. A análise da matrícula (matrícula nº 188.853, 14º RI de São Paulo) permite verificar que na sequência (30/05/2014) o imóvel foi vendido pela DAG, também com lucro, à Odebrecht Realizações Ltda., que, por seu turno, vendeu o imóvel à Mix Empreendimentos e Participações Ltda em 18/011/2014, também com lucro.
Não há, nesse histórico, como verificar qualquer participação do Instituto Lula ou, ainda, qualquer irregularidade na cadeia dominial do imóvel. Minha atuação profissional ocorreu dentro dos padrões legais e éticos inerentes à profissão.
Todos os documentos relativos à minha atuação profissional no caso foram encaminhados ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, para a defesa de minhas prerrogativas profissionais que vêm sendo atacadas por agentes públicos da Lava Jato que agem em conluio com a Globo em clara investida contra o Estado Democrático de Direito.
É preciso relembrar que não é a primeira vez que a Globo atua contra o Estado Democrático de Direito. Em 1964, o grupo de comunicação prestou relevante apoiou à ditadura militar e levou quase 50 anos para se desculpar perante o povo brasileiro.
A Globo adota o cartel como forma de disseminar suas mentiras, eliminando a participação de concorrentes no mercado de comunicação social. Em agosto de 2013 o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) reconheceu oficialmente a prática de cartel pela Globo (ver abaixo) – mesmo ilícito que é imputado às empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. O grupo confessou a prática perante o CADE ao firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), o qual, claramente, contraria o disposto no art. 220, §5º, da Constituição Federal, segundo o qual “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.
A Globo foi mencionada diversas vezes em investigação internacional de lavagem de dinheiro do banco De Nederlandsche, dentre outros episódios envolvendo contas e negócios suspeitos no exterior, como aqueles relativos à Mossack Fonseca (ver abaixo).
Os integrantes da Lava Jato ou outras autoridades do País não se ocuparam de realizar qualquer investigação, no âmbito criminal, sobre o cartel – confessado pela Globo perante o CADE – ou sobre as suspeitas transações internacionais do grupo. Não houve apuração, muito menos formação de qualquer “convicção”, revelando, uma vez mais, o sistema seletivo que prevalece na persecução penal em alguns órgãos encarregados da persecução penal no País.
Um grupo empresarial com esse nefasto histórico de apoio à ditadura militar, que se utiliza de cartel — que, repita-se, é o mesmo ilícito imputado às empreiteiras no âmbito da Lava Jato — e, ainda, que está envolvido em investigações internacionais de lavagem de dinheiro, não é merecedor de credibilidade. O ataque à minha reputação pessoal e profissional pela Globo, sem qualquer base concreta, faz parte de uma nova investida contra o Estado Democrático de Direito. Tomarei todas as medidas jurídicas cabíveis que o caso requer.
Roberto Teixeira
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Cade determina fim de prática que poderia afetar mercado de jornais impressos
Pelo acordo firmado com o Conselho, Infoglobo também terá de pagar R$ 2 milhões
A Infoglobo Comunicações e Participações S/A terá de adequar a política de descontos oferecidos aos anunciantes que contratam espaço de publicidade nos jornais O GloboExtra e Expresso da Informação, controlados pela empresa.
Como as regras que vinham sendo adotadas poderiam limitar a concorrência no mercado de jornais impressos no Estado do Rio de Janeiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade determinou nesta quarta-feira (28/8) a cessação das práticas com possíveis efeitos anticompetitivos.
A Infoglobo não poderá oferecer descontos relacionados ao montante da verba que o anunciante destina para a contratação de espaços publicitários ofertados nos jornais impressos O GloboExtraExpresso da Informação.
Também fica proibida a concessão de descontos que, na contratação de publicidade nos três jornais da Infoglobo, impliquem valor inferior àquele estipulado para anúncio em apenas um desses veículos.
As obrigações foram firmadas por meio de um Termo de Compromisso de Cessação – TCC. O acordo prevê ainda o pagamento, pela Infoglobo, de R$ 1,94 milhões a título de contribuição pecuniária.
Com o TCC, o objetivo do Cade é cessar imediatamente a conduta investigada no Processo Administrativo 08012.003064/2005-58, que apura suposto abuso de posição dominante por parte da Infoglobo para excluir concorrentes do mercado publicitário em jornais impressos.
O caso teve início em 2005 a partir de denúncia dos veículos Jornal do Brasil e O Dia. Segundo as acusações, a prática anticompetitiva adotada pela Infoglobo consistiria na imposição de exclusividade na compra de espaços para publicação de anúncios publicitários; concessão de descontos condicionados à compra de espaços publicitários em mais de um jornal editado pelo grupo Globo; concessão de condições diferenciadas para divulgação de propaganda em televisão aberta, em decorrência de a Rede Globo de Televisão pertencer ao mesmo grupo econômico da acusada; comercialização do jornal Extra com preço de venda ao leitor abaixo do custo; e fornecimento de espaço de propaganda abaixo do preço de custo no Extra.
Em 2012, a então Secretaria de Direito Econômico – SDE do Ministério da Justiça concluiu que “os descontos relacionados ao percentual da verba publicitária destinada aos jornais da Infoglobo” e “os descontos relacionados à contratação de espaço para anúncio” configuravam infrações à ordem econômica, e recomendou a condenação da empresa.
A SDE concluiu ainda que o mercado afetado pela conduta investigada é altamente instável, entre outras razões, pela pressão competitiva que outros meios de comunicação exercem sobre os jornais impressos. Além disso, as empresas enfrentam dificuldades para manter suas operações, o que pode levar alguns agentes a saírem do mercado, como ocorreu com uma das denunciantes, oJornal do Brasil.
A instrução processual apontou que, por se tratar de um mercado sensível, uma eventual prática anticompetitiva que o afete pode causar efeitos irreversíveis, tornando ainda mais críticas as condições de sobrevivência das empresas nesse segmento.
À época dos fatos narrados, a Infoglobo controlava mais de 70% da circulação de periódicos na cidade do Rio de Janeiro. “Daí se extrai um agravamento do potencial lesivo da conduta investigada, uma vez que, praticada por agente que tem incontestável poder de mercado, tem a capacidade de afetar significantemente as condições de concorrência do setor reforçando, desta forma, a necessidade de os acordos firmados pela Administração assumirem um caráter preventivo para impedir que situações semelhantes sejam evitadas”, concluiu a conselheira relatora do caso, Ana Frazão.
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Operação Lava Jato
As relações entre a Lava Jato, a Globo e a Mossack & Fonseca
O envolvimento da emissora com a lavanderia de dinheiro panamenha explicaria o recuo da força-tarefa em Curitiba?
Atropelada por outros fatos e providencialmente esquecida pela mídia, a 22ª fase da Lava Jato continua um mistério. Por que ela destoa tanto dos padrões de outras ações do juiz Sergio Moro e da força-tarefa?
E por que a missão organizada para ser a cereja do bolo após dois anos de intensas investigações tornou-se uma letra morta, um arquivo incômodo nos escaninhos da Justiça Federal em Curitiba?
A 22ª fase, batizada de Triplo X, referência pouco sutil ao apartamento triplex em um edifício na praia paulista do Guarujá atribuído ao ex-presidente Lula, ganhou as ruas em 27 de janeiro.
Não era, portanto, uma ação qualquer. Investia-se naquele momento contra o alvo mais cobiçado desde o início da Lava Jato. As coisas não saíram, porém, como planejado.
Um dos endereços visitados por agentes da Polícia Federal ficava no Conjunto Nacional, prédio de escritórios e lojas na Avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo.
A busca e apreensão aconteceu mais precisamente na filial brasileira da Mossack & Fonseca, banca de advocacia panamenha internacionalmente conhecida por assessorar traficantes, ditadores, corruptos e sonegadores no ato de esconder dinheiro em paraísos fiscais.
Qual a relação da empresa com o apartamento no Guarujá? Uma offshore aberta pela Mossack & Fonseca, a Murray Holdings LCC, tinha em seu nome outro tríplex no mesmo prédio. Ao esbarrar na firma panamenha durante a fase preliminar da investigação, a força-tarefa acreditou ter encontrado o elo para provar que Lula havia cometido o crime de ocultação de patrimônio.
Em resumo: por meio de laranjas, a empreiteira OAS esconderia os verdadeiros proprietários dos imóveis no Edifício Solaris. Bingo? Longe disso. Logo no primeiro dia, a Triplo X identificou 40 indivíduos e empresas no Brasil que fizeram negócios com a Mossack & Fonseca. E aí começa o mistério.
Ao contrário de outras fases e do padrão de comportamento do juiz Moro, os representantes do escritório panamenho não amargaram longos períodos na cadeia nem tiveram os pedidos de prisões temporárias convertidos em detenções preventivas, cuja suspensão fica a critério da Justiça. Foram soltos em tempo recorde, menos de dez dias após a operação.Entre os libertados perfilava-se o principal representante da companhia no Brasil, Ricardo Honório Neto.
O executivo trabalha na Mossack & Fonseca há ao menos dez anos e é bem relacionado, com contatos na própria Polícia Federal. Em 2007, um e-mail interceptado prova que Honório Neto havia sido informado a respeito de uma operação da PF no escritório da empresa.
Na mensagem, ele avisa da ação e orienta subordinados a destruir e ocultar documentos antes da chegada dos federais. Esconder informações é, aliás, uma prática corriqueira e contínua na companhia. Escutas telefônicas recentemente autorizadas que embasaram a Triplo X flagraram Ademir Auada, um dos presos em 27 de janeiro e logo liberado, a confessar a destruição de papéis do escritório.
A eclosão do escândalo internacional que envolve diretamente a empresa panamenha, a partir do megavazamento de 11,5 milhões de documentos sobre as offshore pertencentes a políticos, ditadores, celebridades e afins, todas criadas com o intuito de no mínimo sonegar impostos, causou constrangimentos na força-tarefa da Lava Jato.
Os investigadores sabem que serão cobrados por causa do “desinteresse” em relação às atividades da Mossack & Fonseca. O juiz Moro não atendeu aos pedidos de explicação de CartaCapital. Teria sido apenas desatenção ou algum interesse específico explicaria o comportamento incomum da turma de Curitiba no episódio?
Raciocinemos: Moro já afirmou mais de uma vez que o apoio dos meios de comunicação é essencial na cruzada contra a corrupção. A parceria mídia-Justiça, entende o magistrado, serve para impedir o sistema político de barrar as investigações. Mas e se um dos aliados na imprensa cair por acaso na rede de apuração? O que fazer?
Não se sabe. Fato é que entre os documentos apreendidos durante a Triplo X aparecem os registros de offshore ligadas a Alexandre Chiapetta de Azevedo. O empresário foi casado até recentemente com Paula Marinho Azevedo, filha de João Roberto Marinho, um dos herdeiros da Globo, que apoia de forma acrítica a Lava Jato e até concedeu um prêmio ao juiz Moro. Na lista encontrada na sede da Mossack & Fonseca desponta a Vaincre LLC.
A offshore integra uma complexa estrutura patrimonial: é sócia da Agropecuária Veine Patrimonial, que por sua vez é dona de uma imponente e moderna casa em uma praia exclusiva de Paraty, litoral do Rio de Janeiro, que pertenceria à família Marinho.
A propriedade é alvo de uma ação do Ministério Púbico Federal por crime ambiental. Os Marinho, assim como o ex-presidente Lula no caso do triplex no Guarujá, negam ser os donos do imóvel.
Diferentemente do que acontece no caso de Lula, as relações dos herdeiros da Globo com a casa em Paraty se avolumam. Na mesma lista apreendida no escritório da Mossack & Fonseca, ao lado do registro a respeito da Vaincre LLC aparece o nome de outra empresa, a Glem Participações, que detém um contrato com o governo estadual do Rio de Janeiro para a exploração do parque de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Segundo o blog Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a Glem pertence a Azevedo, ex-marido de Paula Marinho. A neta de Roberto Marinho aparece ainda como fiadora do contrato entre o governo fluminense e a Glem.
Outro documento revela que a Agropecuária Veine é dona de uma cota de um helicóptero do modelo Augusta A-109, matrícula PT-SDA, utilizado pela família Marinho. O endereço para entrega de correspondências no contrato de importação do helicóptero é o mesmo da empresa de Azevedo.
Só para esclarecer: a empresa dona do triplex em Paraty recebe suas correspondências no escritório do ex-marido de uma das herdeiras da Rede Globo.
As Organizações Globo enviaram nota a CartaCapital explicando a situação das offshore, do helicóptero e do triplex em Paraty. Diz a nota que ninguém da família é proprietário da empresa que administra o sítio. Diz também que Paula Marinho não é dona da offshore Vaincre, mas pela primeira vez confirma que a empresa é de propriedade do ex-marido.
Ou seja, o triplex serviu, sim, à família, uma vez que a offshore é uma das sócias da propriedade em Paraty. A emissora afirma também que Paula não tem ligação nenhuma com a Glem Participações e diz que o helicóptero pertenceu ao ex-genro, tendo sido fiadora da aeronave a pedido de Alexandre.
O ex-genro global foi procurado pela revista, mas não se manifestou sobre o assunto.
A história da casa em Paraty não é a única relação dos Marinho com a Mossack & Fonseca e os Panama Papers.

Segundo o jornal holandês deVerdieping Trouw, com base em documentos vazados, a emissora brasileira teria usado empresas de fachada para pagar intermediários na compra de direitos de transmissão da Copa Libertadores da América.
O diário argentino La Nación trouxe outras revelações: “Por razões fiscais, em 2012, a T&T transferiu os seus direitos à empresa Torneios&Traffic Sports Marketing BV, com sede nos Países Baixos. Por trás dessa offshore holandesa, a Mossack & Fonseca criou a Medak Holding Ltd., registrada em Chipre, que, por sua vez, era controlada pela uruguaia Henlets Grupo”.
A reportagem prossegue: “A empresa holandesa, com licença de televisão concedida pela T&T, intermediava a venda dos direitos. A offshore negociou aportes milionários com a TV Globo do Brasil, que eram depositados no ING Bank, em Amsterdã.
A empresa holandesa e a TV Globo tiveram contratos negociados de 2004 a 2019, a uma quantia estimada de 10 milhões de dólares”.
Não à toa, a Globo registrou timidamente o escândalo internacional que monopolizou a atenção da mídia estrangeira nos últimos dias. Na segunda-feira 4, por exemplo, o Jornal Nacional tratou do assunto em meros 40 segundos. Sem imagens, o texto basicamente informava que a Procuradoria-Geral da República investigaria os donos brasileiros de offshore abertas pela Mossack & Fonseca. E ponto.
Há outros ilustres nativos, vários envolvidos em crimes de corrupção, no rol de clientes do escritório panamenho. Robson Marinho, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e acusado de receber propina durante sua passagem pelo governo do tucano Mário Covas, é dono da Higgins Finance.
Segundo o Ministério Público, Marinho embolsou 2,7 milhões de dólares em troca de contratos fraudulentos assinados com a multinacional francesa Alstom. A propina teria ainda abastecido o caixa 2 de campanhas eleitorais do PSDB paulista.
Além dos Marinho globais e do Marinho tucano, os proprietários de offshore até agora flagrados na enorme pilha de documentos incluem políticos brasileiros de sete partidos: PSDB, PDT, PMDB, PP, PSB, PSD e PTB.
Constam da lista, entre outros, o indefectível Eduardo Cunha, presidente da Câmara, o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso, o ex-ministro Edison Lobão, o falecido tucano Sérgio Guerra, acusado por um dos delatores da Lava Jato de ter recebido 10 milhões de reais para abafar uma CPI, e o ex-deputado federal João Lyra.
Fora do Brasil, a “lista negra”, conforme definição de parte da mídia estrangeira, também inclui nomes para todos os gostos, de amigos do presidente russo Vladimir Putin ao cunhado do presidente chinês Xi Jinping.
O primeiro-ministro islandês, Sigmundur Gunnlaugsson, viu-se obrigado a renunciar após a descoberta de que mantinha uma offshore em sociedade com a mulher.
Depois de uma entrevista desastrada a um canal de tevê, na qual emudeceu diante das perguntas dos repórteres e encerrou a conversa sem maiores explicações, Gunnlaugsson foi pressionado pelo partido e por protestos de eleitores.
Na América Latina, o nome de maior destaque é o do presidente da Argentina, Mauricio Macri. Dono de duas offshore abertas nos anos 1980, Macri afirma que as operações foram legais e tratavam de uma sociedade com o pai.
Embora os 11,5 milhões de documentos vazados possibilitem a todos entender melhor como funciona o esquema de lavagem de dinheiro no mundo, a atuação da Mossack & Fonseca não é propriamente uma novidade.
O escritório, fundado em 1977 pelo alemão Jurgen Mossack e o panamenho Ramón Fonseca, à época vice-presidente do país, estendeu seus serviços por mais de 40 países.
Em 2014, o jornalista norte-americano Ken Silverstein reconstruiu a história da Mossack & Fonseca e suas relações com ditadores, traficantes e criminosos diversos.
Rami Makhlouf, o homem mais rico da Síria, descreve Silverstein, valeu-se da empresa panamenha para esconder dinheiro sujo do ditador Bashar al-Assad. Muammar Kaddafi, que dominava a Líbia com mão de ferro, e Robert Mugabe, do Zimbábue, também foram clientes.
Os Panama Papers, pelo que se viu até o momento, tendem a se tornar um escândalo de maior proporção do que o vazamento das contas da filial suíça do banco britânico HSBC. Mas, no Brasil atual, como diria o juiz Moro, “não vem ao caso”.
A rede criminosa da Mossack é grande e em outros momentos, curiosamente, chegou a ser alvo de interesse da Lava Jato. Foi quando identificou que a lavanderia panamenha foi responsável pela abertura das offshore em nome do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o lobista Mário Góes.
Todos foram presos e cumprem ou cumpriram longas prisões preventivas até delatar tudo o que sabiam ou até desconheciam.
Caberá ao Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal, se provocados, se manifestarem sobre tais “peculiaridades” judiciais de Curitiba.
Outro lado: a resposta do Grupo Globo
1- Existe alguma relação entre os proprietários do Grupo Globo e a empresa Agropecuaria Veine Patrimonial?

R: Não. Os proprietários do Grupo Globo não são donos dessa empresa.
2 – Existe alguma relação entre a offshore Vaincre LCC e Paula Marinho Azevedo?
R: Paula Marinho não é proprietária dessa empresa, direta ou indiretamente. O responsável por essa empresa é o ex-marido de Paula Marinho.

3 – Existe alguma relação entre a Glem Participações e Paula Marinho Azevedo?
R: Paula Marinho não é e nunca foi proprietária dessa empresa. A empresa é de propriedade da família do ex-marido de Paula Marinho.

4 – Um contrato do helicóptero Agusta A-109, matrícula PT-DAS, tem como endereço de correspondência a Glem Participações. Paula foi fiadora do termo entre o Estado do Rio e a Glem Participações para a concessão do estádio de remo na Lagoa Rodrigues de Freitas. Qual a relação dela com o helicóptero e com a empresa?
R: O helicóptero que teve as documentações expostas não pertence e nem é utilizado pela família ou pelo Grupo Globo. Quanto à fiança, se operou na época em que esteve casada, a pedido do então marido.

5 – Um heliponto em Paraty foi registrado em nome da Agricultura Veine com o direito de uso de tal aeronave acima mencionada. O ex-marido dela fez ou faz uso da aeronave? Qual a relação de Paula com este heliponto?
R: O Grupo Globo não tem relações com essa empresa nem com o heliponto. O possuidor da aeronave é o ex-marido de Paula.

6 – Tal heliponto fica em uma praia e presta serviço a uma residência a beira mar. Qual a relação da propriedade com a empresária?
R: O Grupo Globo informa que a citada casa não pertence e nunca pertenceu a qualquer membro da família Marinho.

7 -Segundo o jornal holandês deVerdieping Trouw, documentos revelam que a emissora teria usado empresas de fechada para pagar intermediários em direitos de transmissão da Libertadores da América. Qual o posicionamento da empresa?
R: A Globo adquiriu os direitos de transmissão da Copa Libertadores da América da empresa detentora e autorizada a cedê-los. Toda a movimentação financeira foi registrada e realizada via Banco Central e todos os impostos recolhidos conforme a regulação vigente.

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amianto mata e globo

Mauro Menezes: Jornal da Globo usa termo não usual para designar o cancerígeno amianto, privando público da noção do perigo

30 de setembro de 2016
por Conceição Lemes // http://www.viomundo.com.br/ 
Uma das matérias do Jornal da Globo dessa quinta-feira (29/09/2016) foi sobre o acidente de trem em Nova Jersey, nos EUA, que matou a brasileira Fabíola Bittar de Kroon e deixou dezenas de feridos. Ela estava parada na plataforma, quando foi atingida pelos destroços.
A reportagem durou 2 minutos. A partir de 1min45s, o correspondente Jorge Pontual (o vídeo está aqui; negrito é nosso), de Nova York, afirma :
A investigação das causas vai ser demorada, porque a estação destruída foi construída em 1907 e os destroços estão contaminados por asbesto que pode provocar doenças graves nos pulmões. Primeiro, será necessário descontaminar toda área.
 Aqui, do estúdio, o apresentador Willian Waack não fez comentário.
“Consternado com o trágico acidente, infelizmente, assisti, em meio à narrativa jornalística de uma rede brasileira de televisão, transmitindo em português, usar a palavra ‘asbesto’ para designar o cancerígeno amianto”, critica  Mauro Menezes, advogado da Associação Brasileira das Vítimas de Amianto (Abrea).
Mauro Menezes-001
Asbesto e amianto são sinônimos, sim. Porém, no Brasil, usa-se amianto.

A própria indústria se refere ao seu produto, por vezes dissimulado com o qualificativo “crisotila”. É uma variedade, que não afasta o caráter carcinogênico do mineral, como assegurou a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010.
“Teria sido mais adequado utilizar o termo consagrado em nosso país – amianto”, frisa. “Só assim os telespectadores teriam noção da proximidade que mantêm com esse perigo.”
Preciosismo? Não!
Primeiro: o amianto não é apenas questão de saúde ocupacional; é problema de saúde pública.
Segundo: a fibra assassina, como é chamada, causa asbestose (doença provoca endurecimento do pulmão, a pessoa morre por asfixia), câncer do pulmão e mesotelioma, tumor maligno que pode aparecer até 50 anos após o primeiro contato com o amianto.
O mesotelioma  atinge pleura (membrana que reveste o pulmão), pericárdio (membrana que recobre o coração) e peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal). É extremamente agressivo, incurável e fatal.
Ou seja:
* Ao não dizer expressamente que os destroços da estação de Nova Jersey estão contaminados por amianto, que causa câncer, o Jornal da Globo de certa forma minimizou aos olhos do público brasileiro o risco.
* Ao mesmo tempo, privou o telespectador de perceber a diferença brutal entre Brasil e os EUA  no que diz respeito à herança maldita de construções e resíduos contendo amianto.
“Lá, a prévia e delicada descontaminação dos destroços contendo amianto é algo protocolar, rigorosamente obedecido”, explica Menezes.
“Já aqui, nos encontramos na vergonhosa condição de país produtor e exportador de amianto, além de consumidor desenfreado e irresponsável, mercê das manipulações constantes da sombria e lucrativa indústria do setor”, denuncia.
“Enquanto nos EUA há consciência plena do risco assassino do amianto, aqui convivemos com a sua livre e perversa utilização”, arremata o advogado da Abrea.
Considerando que boa parte dos telespectadores não sabe que asbesto é amianto, por que, pelo menos, daqui William Waack não fez o reparo?
Por que falar para o umbigo? Seria para não relembrar que o amianto causa câncer?
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globo-golpista

Trem da alegria 2: Verba pública para revista Época cresce 900%, para Jornal O Globo, 230%

http://www.ocafezinho.com/ // 



Por Miguel do Rosário

Realmente, o discurso de austeridade fiscal do governo vale apenas quando se trata de cortar investimentos em educação, saúde e aposentadoria do pobre; não para as mamatas da Globo, Folha, Estadão e Abril, os quatro cavaleiros do golpe.

O trem da alegria começou a rodar a todo vapor!

Os pixulecos federais para os apoiadores do golpe estão brotando como maná dos céus!

Ao mesmo tempo em que a arrecadação fiscal do governo sofre uma das maiores quedas em décadas, os repasses federais para a Editora Globo, que edita a revista Época, dispararam 586%, na comparação de janeiro/agosto de 2016 com o ano inteiro de 2015.

Na média mensal, o crescimento foi de mais de 900%.

Os repasses ao Infoglobo, responsável pelo jornal O Globo, cresceram 120% este ano; na média mensal, o crescimento foi de 230%.

Após o sucesso do post anterior, o Cafezinho fez um outro estudo estatístico com os números da Secom para publicidade federal. (Qualquer um pode fazê-lo, basta acessareste link).

No post anterior, usamos o período de 4 meses, de maio a agosto de 2016, para checar o comportamento do governo já sob o comando de Michel Temer, comparando-o com o mesmo período de 2015.

Uma novidade desse post é que a gente agora discriminou os repasses para as diferentes empresas dos grupos Globo e Folha.

Desta vez, eu peguei os oito primeiros meses de 2016, e os comparei aos 12 meses de 2015. Dei uma colher de chá para a mídia.

Observe que são períodos diferentes: 12 meses de 2015 contra 8 meses de 2016; e mesmo assim encontramos um crescimento indecente no repasse federal a alguns meios de comunicação.

A editora Caras, uma espécie de laranja da Abril, recebeu R$ 1,55 milhão da Secom nos oito primeiros meses de 2016, um crescimento de 2.473% sobre os valores recebidos no ano inteiro de 2015.

Poderia-se alegar que isso se dá pelo fato da Caras ter herdado algumas revistas da Abril. Não. Isso não tem sentido, porque os títulos que a Abril repassou à Caras são decadentes, fracos, com pouca representatividade. E além do mais, os repasses para a Abril também cresceram vertiginosamente nos últimos meses, com sua média mensal disparando quase 50%.

Os donos da Abril, a família Civita, são também sócios da Caras.

Reitere-se que estamos comparando períodos diferentes. Se formos considerar a média mensal dos repasses à Caras, o aumento seria muito maior, de 3.760%!

O aumento do desemprego, que já atinge 12 milhões de pessoas, não tem impedido o governo de retribuir os amigos da mídia pelo apoio que deram às conspirações que levaram ao golpe.

A TV Globo deve ser premiada mais para o fim do ano. Mas a Editora Globo, que edita a revista Época e o Infoglobo, que edita o jornal O Globo, já estão sendo regiamente pagos pelo apoio à derrubada da presidenta Dilma Rousseff.

Os recursos apenas para a Folha (sem contar o UOL) cresceram 20% este ano, na comparação de jan/ago de 2016 com todo o ano de 2015. Na média mensal, o aumento foi de 80%.

Somando Folha e UOL, a média mensal dos repasses federais cresceu 41% este ano.

O Yahoo!, que emprega blogueiros de ultra-direita, como Claudio Tognoli, também recebeu repasses federais recordes, de R$ 690,5 mil em jan/ago de 2016, um aumento de 24% sobre todo o ano de 2015. Na média mensal, um aumento de quase 90%.





Abaixo, a tabela indexada por ordem de valor, com os principais recebedores da Secom nos últimos 2 anos.

Eu incluí uma coluna de média mensal, para corrigir a distorção da diferença dos períodos. Repare que os líderes do golpe são os que experimentaram maior crescimento da publicidade federal: Abril/Caras, Globo, Folha, Estadão, RBS.
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Como a Rede Globo manipulou o impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff

Estudo mostra como o jornal O Globo e o Jornal Nacional demonizaram e deslegitimaram de maneira sistemática a então presidente Dilma Rousseff.

Teun A. van Dijk - Universidade Pompeu Fabra, Barcelona
http://cartamaior.com.br/ - 19/12/2016

Resumo
O presente artigo tem como objetivo demonstrar que o impeachment da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ocorrido em 2016, resultou de um golpe orquestrado pela elite oligárquica e conservadora contra o Partido dos Trabalhadores, que estava no poder desde 2002, no qual a imprensa de direita brasileira desempenhou um papel determinante ao manipular a opinião pública, além dos políticos que votaram contra Dilma. Destaca-se o envolvimento do poderoso conglomerado midiático Organizações Globo que, utilizando-se de seus veículos de comunicação, como o jornal O Globo e o noticiário televisivo de mais alta audiência no país, o Jornal Nacional, demonizou e deslegitimou de maneira sistemática a então presidente Dilma, o ex-presidente Lula e o PT em suas reportagens e editoriais ao seletivamente associá-los à corrupção disseminada e culpá-los pela séria recessão econômica. Após um resumo desse contexto sociopolítico, e uma breve definição de manipulação, serão analisadas algumas das estratégias de manipulação empregadas pelos editoriais do jornal O Globo, no período que compreende março e abril de 2016.

Introdução

Em 31 de agosto de 2016, o Senado brasileiro votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, pois ela teria feito ajustes no orçamento nacional por meio de operações financeiras “ilegais”. Tal fato ocorreu após meses de debate nacional acirrado, travado na grande imprensa, na internet e na Câmara dos Deputados. Após os bem-sucedidos oito anos de governo de seu mundialmente famoso antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), e quatro anos de seu primeiro mandato, Dilma foi re-eleita em 2014, com uma vitória apertada, mas uma taxa de aprovação geral de 60%.

Como explicar que, em 2016, sua taxa de aprovação caiu drasticamente e mais de dois-terços da Câmara e do Senado decidiram acusá-la e condená-la por uma prática financeira comum entre seus antecessores?

Neste artigo, mostro que esse impeachment foi resultado de uma enorme manipulação feita pelas Organizações Globo, o maior conglomerado midiático do país, voz da classe-média conservadora e, de maneira mais geral, representante da elite oligárquica conservadora brasileira.

Juntamente com outros jornais e revistas, o jornal O Globo e, especialmente, a Rede Globo, com seu Jornal Nacional, o noticiário televisivo mais assistido no país, aumentaram de maneira acentuada, desde 2012, seus ataques a Lula, Dilma eu seu partido, o Partido dos Trabalhadores (ver Souza, 2011). A imprensa seletivamente os culpou pela pior crise econômica enfrentada pelo país em décadas, além de acusá-los de corrupção, como ocorreu no caso da Petrobrás.

A campanha midiática, exacerbando o descontentamento geral com relação à corrupção política disseminada e o ressentimento da direita contra a coalizão de esquerda liderada pelo PT, instigou, em março de 2016, enormes protestos feitos pela classe média conservadora. Nesse contexto sociopolítico, o parlamento usou as operações financeiras realizadas por Dilma Rousseff como pretexto para por fim em 13 anos de governo petista. 

Apesar de não ser nada surpreendente o fato de uma imprensa conservadora criticar um governo e uma presidente de esquerda, uma análise sistemática dos editoriais do jornal O Globo, publicados entre março e abril de 2016, mostra que a opinião pública, os protestos, e a subsequente decisão política tomada foram manipuladas por uma cobertura parcial e deturpada. Tratarei deste assunto com mais detalhe após um apresentar um resumo da teoria da manipulação, dentro do arcabouço da nossa abordagem multidisciplinar e sociocognitiva dos Estudos Críticos do Discurso.

Limitações

Há muitos elementos que, infelizmente, não são apresentados neste artigo. Em primeiro lugar, apenas ofereço um resumo de algumas propriedades teóricas da manipulação, e não uma nova teoria ou resenha de pesquisas anteriores sobre o tema – o que demandaria um estudo muito mais volumoso, um livro. Em segundo lugar, para entender os editoriais de O Globo, seria necessária uma seção dedicada ao contexto sociopolítico brasileiro, à grande imprensa brasileira e, especialmente, às Organizações Globo.

O contexto sociopolítico no Brasil

O impeachment da ex-presidente Rousseff (comumente chamada somente pelo primeiro nome, Dilma, conforme o costume brasileiro – refere-se a políticos e outros famosos da mesma maneira) deve ser analisado dentro de um contexto sociopolítico complexo de polarização entre a esquerda, liderada pelo PT, e a direita, liderada pelo PSDB (um dos partidos da oposição na época), cujo candidato, José Serra, perdeu as eleições de 2010 para Dilma (para análise a respeito do recente contexto sociopolítico do impeachment, ver, p.ex. Jinkings, Doria & Cleto, 2016; Souza, 2016; para um histórico político mais geral, ver, p.ex., Power, 2000; Hunter, 2010).

Desde a eleição do ex-presidente Lula em 2002, sua re-eleição em 2006 até os dias de hoje, a direita brasileira, em geral, e a imprensa, em particular, buscam deslegitimar tanto a ele quanto ao PT, apesar do sucesso espetacular e internacionalmente reconhecido que obtiveram na luta contra a pobreza, com as políticas do Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida – destinadas à população de baixa renda. Essa oposição se tornou mais evidente com a eleição de sua sucessora Dilma Rousseff, em 2010 e, especialmente, após sua re-eleição em 2014, quando ela ganhou (por pouco) do candidato da oposição Aécio Neves, do PSDB.

As políticas progressistas do PT e partidos aliados contribuíram para tirar milhões de brasileiros da pobreza e para aumentar a fama de Lula – motivos suficientes para gerar ressentimento entre partidos, políticos e mídia conservadores e neoliberais (ver Hunter, 2010). Além disso, em 2005, o PT – entre outros partidos – esteve envolvido no escândalo do Mensalão, um esquema de corrupção para compra de votos favorecendo propostas do governo. Apesar do envolvimento de outros partidos no escândalo do mensalão, a mídia seletivamente colocou seu foco no PT e nos políticos do PT, além do próprio Lula.

A intensidade dos editoriais e a parcialidade das reportagens do jornal O Globo em 2016 não devem ser explicadas apenas em termos da oposição ideológica, ou partidária, entre a direita e a esquerda. De diferentes maneiras, o discurso da direita e o da mídia demonstra um profundo ódio contra Lula, não apenas porque ele era a pessoa-símbolo do PT enquanto inimigo político, por causa de sua fama internacional e do sucesso de seus programas sociais, ou mesmo da corrupção da qual o PT participou, assim como os demais partidos. Conforme também mostrarei em nossa análise do discurso, há também uma questão de profundo ressentimento de classe, em um país com uma profunda e resiliente desigualdade social (e racial). Lula sempre foi visto pela elite (branca) conservadora como o metalúrgico pobre que conseguiu ganhas as eleições de 2002, finalmente derrotando o PSDB – o último presidente eleito pelo partido foi Fernando Henrique Cardoso (FHC), um conhecido professor de sociologia da Universidade de São Paulo. Em 2014, o candidato tucano Aécio Neves, ex-governador do estado de Minas Gerais, perdeu as eleições para Dilma.

Durante a presidência de Dilma Rousseff, a história se repetiu em um escândalo de corrupção muito maior (às vezes chamado de “Petrolão”) na estatal petrolífera Petrobras, além de outras grandes empresas, como a empreiteira Odebrecht, acusada de pagar propinas a políticos e partidos. A investigação desse escândalo de corrupção, chamada Operação Lava-Jato, foi (e ainda é) uma operação enorme que levou diversos empresários conhecidos, além de políticos de diversos partidos (ver verbete da Wikipedia sobre a Lava-Jato) a serem processados (e muitos! condenados). Mais uma vez, tanto a acusação, principalmente o juiz Sérgio Moro, da cidade de Curitiba, localizada no sul do país e centro da Operação Lava-Jato, e a mídia, voltaram mais sua atenção ao PT e a Lula do que a outros políticos e partidos. A própria Dilma, que já havia sido ex-diretora da Petrobras, nunca foi formalmente acusada de corrupção; mesmo assim, a mídia rotineiramente a associava ao escândalo, além de ter acusado a ela (e a Lula) repetidas vezes de obstruir as investigações da Operação. 

Principalmente por conta da intensa cobertura midiática dedicada a esses grandes escândalos, a opinião pública já tinha uma visão muito negativa da corrupção generalizada no Brasil, principalmente em relação aos políticos e, mais especificamente, ao PT, apesar da contínua popularidade de Lula e de Dilma entre milhões de brasileiros. Simultaneamente, em 2015, a crise financeira internacional também chegou ao Brasil, e a situação econômica do país se deteriorou rapidamente, contribuindo ainda mais para uma atmosfera geral de crise, afetando boa parte da população.

É nesse cenário complexo que a direita e sua mídia viram, em 2015 e 2016, uma oportunidade para finalmente acabar com o PT no poder e promover o impeachment de Dilma Rousseff, sob o pretexto das pedaladas fiscais, de esquemas financeiros (como empréstimos “ilegais” do Banco Central) para financiar programas sociais, a despeito do baixo orçamento nacional. Apesar de governos anteriores terem lançado mão de esquemas financeiros semelhantes, nesse caso a maioria dos políticos aproveitou a oportunidade para acusar a presidente de “crime de responsabilidade”, uma das condições formais para o impeachment no Brasil – uma democracia presidencialista.

Quando, em março de 2016, seu parceiro de coalizão, o PMDB e seu vice-presidente, Michel Temer (PMDB), deixaram o governo, tornou-se possível angariar votos para o início do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. O poderoso e manipulador presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), ele próprio acusado de corrupção e lavagem de dinheiro (e atualmente preso), tornou- se o principal inimigo da presidente, pois o PT não impediu que Cunha fosse investigado na Comissão de Ética da Câmara.

Uma das principais estratégias midiáticas, que pode ser observada nos editoriais de O Globo, é a de repetidamente enfatizar a legitimidade e constitucionalidade do impeachment – uma repetição que acaba por sugerir que poderia haver dúvidas sobre sua legitimidade, já muito questionada por juristas brasileiros renomados (ver também Carta Capital, /Intervozes, 16 de abril de 2016).

Enquanto isso, em meados de abril de 2016, principalmente por conta da influente manipulação feita pela mídia, manifestações enormes (cujos participantes, em sua grande maioria, da classe-média conservadora) contra o PT e contra Dilma foram realizadas em todo o país, obviamente infladas pela mesma mídia e usadas como argumento populista para persuadir parlamentares a votar contra a ex-presidente. Ocorreram também manifestações menores a favor de Dilma, mas foram minimizadas pela mídia. 

Um importante antecedente dessas manifestações, por exemplo, foram os protestos locais ocorridos em 2013 contra o aumento das tarifas de ônibus, cujos participantes foram muitas vezes descritos pela mídia como vândalos (ver também Silva & Marcondes, 2014). Isso significa que em 2016 já havia um potencial generalizado de ocorrência de protestos, que logo a mídia estendeu para todo o país, só que desta vez os participantes não eram “vândalos”, mas todo o povo Brasileiro. Obviamente, conforme discutirei mais adiante, os protagonistas dos protestos a favor de Dilma foram apenas descritos como militantes e não como parte do povo. É interessante notar que, já nas manifestações antiDilma de março de 2015, pedia-se o impeachment da ex-presidente (ver também Catozzo & Barcellos, 2016).

Por fim, após a aprovação na Câmara, presidida por Eduardo Cunha, e sem o impedimento da Suprema Corte (que deixou o parlamento decidir – ver também, Feres, 2016), era tarefa constitucional do Senado julgar a presidente e, com mais do que a necessária maioria de dois-terços, em 31 de agosto de 2016, o voto pelo impeachment venceu.

Apesar das grandes e constantes manifestações contra ele, e apesar não ser admirado ou amado por ninguém, o vice-presidente Michel Temer se tornou automaticamente presidente. Pela esquerda, era visto como um traidor do governo Dilma e também a figura do que foi, de maneira geral, visto como um golpe contra ela. Todos os opositores ao impeachment de Dilma chamaram-no de ‘golpista’, assim como seu governo, o conglomerado Globo, além de outros veículos midiáticos e políticos envolvidos no golpe.

Como se para contrabalancear o impeachment anterior contra Dilma, no dia 12 de setembro de 2016, a Câmara finalmente cassou o mandato parlamentar do poderoso, porém, odiado Eduardo Cunha (ele já havia sido suspenso do posto de presidente da Câmara), o que o fez perder foro privilegiado por prerrogativa de função. É óbvio que, após o processo de impeachment, ele deixou de ser útil e se tornou motivo de vergonha para a direita por conta de seus conhecidos atos de corrupção e lavagem de dinheiro, além de (ter mentido sobre) suas contas na Suíça.

O conglomerado Globo e mídia brasileira

A mídia brasileira é dominada por poucas (umas quatro ou cinco) famílias ricas e conservadoras cujas empresas detêm o monopólio dos jornais impressos, programas televisivos e outros serviços. Além do jornal O Globo, há a influente Folha de São Paulo, lida principalmente pela elite intelectual e empresarial, e o Estado de São Paulo (chamado de Estadão) que, juntamente com as Organizações Globo, apoiou a ditadura militar em 1964 – contudo, a Globo reconheceu que seu apoio à ditadura foi um “erro” (ver Costa, 2015; Magnolo & Pereira, 2016). Por conta de seu papel no impeachment de Dilma Rousseff, esses jornais foram, de maneira geral, chamados de ‘golpistas’ nos diversos protestos contra o impeachment. A venda desses jornais relativamente é baixa (entre cerca de 160.000, como O Globo, e 350,000 cópias, como a Folha) para um país tão grande com mais de 200 milhões de habitantes.

Além desses grandes jornais, existem as revistas semanais, como a Época, das Organizações Globo, a Isto É e, principalmente, a Veja (cuja venda é superior a 1 milhão de cópias) e todas participaram da demonização midiática generalizada de Dilma, Lula e do PT (ver, p.ex., Matos, 2008; Porto, 2012).

É impressionante o fato de um país tão vasto como o Brasil, e com uma forte tradição de esquerda, não ter um único jornal progressista, como é o caso da Argentina (Página 12) ou do México (La Jornada), e apenas uma revista semanal progressista, a Carta Capital, lida pela elite de esquerda (mas cujas vendas não ultrapassam cerca de 75,000 cópias). Contudo, muitos brasileiros (principalmente os jovens), têm acesso à internet e leem notícias e opiniões publicadas por veículos alternativos (em 2014, 55% dos brasileiros tinham acesso à internet e 45% usavam as redes sociais).   

A poderosa mídia conservadora brasileira é, às vezes, chamada de Partido da Imprensa Golpista (PIG) – ver página informativa da Wikipedia – por conta de suas ações políticas e influência nos processos de tomada de decisão do país. Seu principal objetivo era “não deixar o PT ganhar” (Mauricio Dias, in Carta Capital 19/05/2010). O mesmo texto crítico da Wikipedia, além de listar muitos exemplos de desinformação e abuso de poder por parte da mídia, cita a opinião de José Antonio Camargo, presidente do Sindicato Profissional dos Jornalistas do Estado de São Paulo, e secretário-geral da Federação Nacional dos Jornalistas:

Distorcer, selecionar, divulgar opiniões como se fossem fatos não é exercer o jornalismo, mas, sim, manipular o noticiário cotidiano segundo interesses outros que não os de informar com veracidade. Se esses recursos são usados para influenciar ou determinar o resultado de uma eleição configura-se golpe com o objetivo de interferir na vontade popular. Não se trata aqui do uso da força, mas sim de técnicas de manipulação da opinião pública. Neste contexto, o uso do conceito “golpe midiático” é perfeitamente compreensível.

A frase acima resume perfeitamente algumas das conclusões a que cheguei após analisar os editoriais publicados pelo jornal O Globo

Grupo Globo

De todos os conglomerados midiáticos conservadores, a Organizações Globo, além de ser o maior do Brasil, está entre os quatro maiores da América Latina. Mais relevante ao contexto deste estudo não é apenas o jornal O Globo e seus ataques contínuos a Lula, Dilma e o PT (ver, p.ex., Almeida & Lima, 2016), mas principalmente o noticiário diário Jornal Nacional (JN), que é transmitido pela televisão todas as noites por volta das 20.30, entre duas novelas de grande audiência. Apesar de sua audiência ter caído em cerca de 30%, ele permanece o noticiário televisivo mais influente, assistido por milhões de brasileiros – para muitos dos quais o JN é a única fonte de informação sobre o que ocorre no país em geral, e sobre o governo, corrupção e o processo de impeachment (ver, p.ex., Becker & Alves, 2015). Não há dúvidas de que a diminuição do apoio popular a Lula e a Dilma se deve, em boa parte, à demonização diária feita pelo Jornal Nacional.

Como será visto adiante, uma das características interessantes dos editoriais do jornal O Globo em 2016 foi sua reação à cobertura crítica ao impeachment feita pela imprensa internacional de qualidade, principalmente pelo jornal The Guardian, que chegou a usar o tempo golpe (ver os blogs Carta CapitalIntervozes, 28/4/2016; Comunidade PT, 12/5/2016).

Em 21 de abril de 2016, o The Guardian publicou um artigo de opinião do jornalista David Miranda, intitulado “The real reason Dilma Rousseff’s enemies want her impeached” [O verdadeiro motivo pelo qual os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment], no qual ele informa o público internacional a respeito do poder das Organizações Globo e de outros veículos midiáticos, de seus donos ricos e de como eles manipulam a opinião pública contra Dilma. O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, imediatamente reagiu com uma carta ao The Guardian, afirmando que a mídia brasileira é independente e diversa, que a Globo não é um monopólio midiático, que não incitava os protestos contra Dilma e o PT. O próprio David Miranda fez uma análise irônica dos argumentos em um longo artigo de opinião publicado no website The Intercept(25 de abril de 2016), no qual ele detalha ainda mais o papel do Grupo na política nacional enquanto “o maior agente propagandista da oligarquia brasileira”. Ele lembrou que os Repórteres sem Fronteiras, em seu último ranking internacional sobre liberdade de imprensa, colocou a mídia brasileira na escandalosa baixa posição de número 104. Também mencionou uma matéria do The Economist, publicada em junho de 2014 e intitulada “Globo Domination” [A dominação da Globo], segundo a qual metade da população brasileira assiste ao Jornal Nacional diariamente. Talvez a estimativa seja muito alta, mas isso não quer dizer que o Jornal Nacional não domine e que não seja extremamente influente no Brasil.

Arcabouço Teórico: Manipulação

Como este estudo não tem como principal objetivo contribuir para a teoria da manipulação, fará apenas um breve resumo do arcabouço teórico aplicado a este artigo, com base em meu trabalho anterior sobre manipulação e discurso (Van Dijk, 2006), e em outros trabalhos aos quais fiz referência, mas não comentários, a seguir.

1) A manipulação é um fenômeno complexo que requer um arcabouço multidisciplinar (ver também De Saussure & Schultz, 2005), que inclui:
 
(a) um estudo filosófico da manipulação enquanto algo antiético ou ilegítimo, majoritariamente utilizado como termo crítico para descrever a conduta de outros, e dificilmente a nossa própria;
 
(b) um estudo sociológico da manipulação como forma de interação social e como forma de abuso de poder e, portanto, um objeto relevante aos Estudos Críticos do Discurso;
 
(c) um estudo político da manipulação por políticos ou governantes;
 
(d) um estudo comunicacional da manipulação pela grande mídia;
 
(e) um estudo analítico-discursivo da manipulação na forma de texto ou fala;
 
(f) um estudo cognitivo dos processos e representações mentais envolvidos na manipulação.
 
2) A manipulação pode ser interpessoal, quando indivíduos manipulam uns aos outros, ou social, quando organizações ou instituições poderosas manipulam coletivos de pessoas (como leitores de um jornal, eleitores ou a opinião pública de maneira geral). Neste estudo, eu apenas abordo a manipulação social, apesar de tal manipulação poder ser implantada localmente, ou exercida na interação diária entre membros de grupos ou instituições.
 
3) A maior parte dos estudos psicológicos da manipulação é experimental e com foco nas várias formas de engano interpessoal na interação e no discurso que, no entanto, não é o mesmo que manipulação. Tal engano pode ser descrito conforme as várias formas de violação do Princípio Cooperativo de Grice (1979), ex. por meio de implicações ocultas (ver, p.ex. McCornack, 1992; e uma versão atualizada em McCornack, Morrison, Paik, Wisner, & Zhu, 2014; ver também Jacobs, Dawson & Brashers, 1996; Van Swol, Braun & Malhotra, 2012).
 
4) A manipulação social, como forma de dominação ou abuso de poder, envolve organizações ou instituições enquanto agentes manipuladores se utilizando de recursos de poder, como acesso a, controle sobre conhecimento ou discurso público (ver, p.ex., Goodin, 1980; Kedar, 1987; Riker, 1986; Stuhr & Cochran, 1990). Os alvos da manipulação são normalmente caracterizados como tendo menos recursos (conhecimento, por exemplo) para resistir a tal dominação.
 
5) Corporações e outras organizações poderosas, assim como Estados, podem organizar seu poder comunicativo de várias maneiras, com departamentos de RP, coletivas de imprensa, notas à imprensa, entrevistas, campanhas, publicidade, propaganda etc. – todas voltadas para comunicar informações que geralmente interessam à organização, incluindo formas de autorrepresentação positiva (ver Adams, 2006; Day, 1999; Key, 1989; MacKenzie, 1984).
 
6) O primeiro objetivo cognitivo da manipulação é o controle da mente, ou seja, ter influênciar sobre o que elas acreditam, como, por exemplo, seus modelos mentais (incluindo a emoção) em relação a acontecimentos específicos ou seu conhecimento mais genérico, atitudes ou ideologias, em geral a respeito de questões sociais importantes. O objetivo secundário, indireto é controle da ação: fazer as pessoas agirem (votarem, comprarem, marcharem, lutarem etc.) a partir de tais crenças e emoções (ver também Hart, 2013; Van Dijk, 1998).
 
7) Mais especificamente, a manipulação discursiva não raro envolve a comunicação da definição preferida da situação, que é descrita como a formação ou mudança dos modelos de situação mental, como as identidades e os papéis dos participantes envolvidos em um acontecimento, além de qual ação ou acontecimento está ocorrendo e quais suas causas e consequências (Johnson-Laird, 1983; Van Dijk & Kintsch, 1983).
 
Por exemplo, o discurso manipulador pode esconder, obscurecer ou permanecer vago a respeito da identidade de agentes ou organizações de elite responsáveis. As frases na voz passiva ou nominações podem deixar implícito quem é responsável por uma ação (por exemplo, a palavra discriminação não expressa quem discrimina e quem sofre discriminação). (ver p.ex., Fowler, Hodge, Kress & Trew, 1979; Van Dijk, 2008). Da mesma maneira, ações ou acontecimentos negativos podem ser descritos com o uso de termos eufemísticos (ex. insatisfação popular em vez de racismo, ver Van Dijk, 1993). Essa análise cognitiva do papel dos modelos mentais na manipulação é muito diferente dos estudos populares a respeito de “controle da mente” (ver também Jones & Flaxman, 2015).
 
8) Diferentemente de formas legítimas de controle da mente e da ação, como educação ou persuasão, a manipulação geralmente se dá conforme os interesses do manipulador e não os do manipulado. É típico da manipulação que as motivações, as razões, os objetivos ou interesses do manipulador fiquem mais ou menos encobertos (ver, p.ex., Adams, 2006; Day, 1999; Key, 1989; Mackenzie, 1984).
 
9) Uma das características cruciais da manipulação discursiva, de acordo com o contexto comunicativo, é, por exemplo, o tipo e as características (identidade, papel, relações) dos participantes, os objetivos ou intenções do discurso ou interação, além de seus recursos sociais e cognitivos (Van Dijk, 2008,2009). Os estudos pragmáticos da manipulação têm como foco esses aspectos do contexto. Assim, Billig & Marinho (2005) fazem uma distinção entre a manipulação de informação e os atos de manipulação de pessoas (ver também De Saussure & Schulz; Vázquez Orta & Aldea Gimeno, 1991).
 
Manipulação e Discurso
 
Conforme vimos em alguns dos exemplos/afirmações(?) acima, o discurso manipulador pode, de diversas maneiras, influenciar ou controlar os modelos mentais dos receptores ao, por exemplo, esconder a identidade ou reponsabilidade de ações negativas, a natureza de ações ou acontecimentos, suas causas e consequências ou, ainda, por outro lado, atribuir ações negativas a opositores ou ‘grupos externos’ [outgroups].
 
Conforme veremos mais detalhadamente, há muitas estruturas e estratégias discursivas que podem ser usadas para controlar os modelos mentais desejados para além da estrutura gramatical das frases, como
 
. Itens lexicais parciais (ex. depreciativos) (ver, p.ex., Cheng & Lam, 2012; Li, 2010);
 
. Implicações e implicaturas (ver, p.ex., Jacobs, Dawson & Brashers, 1996);
 
. Generalizações (Bilmes, 2008; Van Dijk, 1984,1986);
 
. Formas de descrições de agentes (Van Leeuwen, 1996);
 
. Granularidade e outros modos de descrição de eventos que podem ser mais ou menos precisos ou completos, detalhados ou vagos, próximos ou distantes etc. (Bhatia, 2005; Van Dijk, 2014; Zhang, 2015);
 
. Storytelling [narração de histórias] (ver, p.ex., Auvinem, Lamsa, Sintonen & Takala, 2013; Van Dijk, 1984);
 
. Argumentação (Boix, 2007; Ilatov, 1993; Kienpointer, 2005; Nettel & Roque, 2012).
 
. Categorias superestruturais (esquemáticas), como manchetes em artigos jornalísticos (Van Dijk, 1988a, 1988b);
 
. Polarização ideológica geral entre ‘grupos internos’ [ingroups] (Nós) e ‘grupos externos’ (Eles) (Van Dijk, 1988).
 
Corpus
 
Meu corpus consiste em 18 editoriais sobre Dilma, Lula, o PT e o impeachment publicados no jornalO Globo, nos meses de março e abril de 2016, que estrategicamente precedem a decisão da Câmara dos Deputados de dar início ao processo de impeachment contra a presidente. Os editoriais acompanham milhares de matérias, tanto no O Globo quanto em outras mídias conservadoras, apresentando uma sistemática e grotesca desinformação parcial a respeito de Dilma, Lula e do PT. Os editoriais foram escolhidos para esta pesquisa porque formulam explicitamente as opiniões do jornal. Também farei uma breve análise das manchetes correspondentes às matérias de capa a respeito deles, pois essa informação é frequentemente presumida nos editoriais (uma análise completa da Epistêmica da informação presumida em editoriais seria um tema interessante a ser estudado).
 
Os editoriais, tradicionalmente publicados próximos do final (página 18) da primeira seção do jornal (onde ficam as notícias nacionais), têm, em geral, de 500 a 1000 palavras, quatro colunas, o marcador de gênero ‘Opinião’ acima do título e um breve resumo entre as colunas.
 
O gênero editorial
 
Enquanto gênero textual, os editoriais seguem um esquema canônico (superestrutura), que consiste em categorias, como: Resumo dos Acontecimentos, Comentários/Opinião sobre os Acontecimentos e Conclusão/Recomendação. Essas categorias, por sua vez, pode ser/são(?) organizadas em estruturas argumentativas ou (outros) marcadores do discurso de persuasão. Seu estilo é a relativamente formal linguagem jornalística (ver, p.ex., Bagnall, 1993; Simon-Vandenberg, 1985; Van Dijk, 1988b). Opiniões são expressas em vários tipos de avaliações (ex. julgamentos sobre Lula, Dilma, o PT ou o impeachment) (Martin & White, 2005). Uma análise mais aprofundada de um grande número de editoriais de O Globo pode revelar estruturas mais específicas relativas ao gênero ‘editorial’ em jornais brasileiros, e seria necessária pesquisa de campo para saber mais sobre o contexto comunicacional, como, por exemplo, quem os escreve.
 
Métodos
 
Uma análise sistemática do discurso global e local dos editoriais se concentrará principalmente nas propriedades que podem ter influência sobre os modelos mentais e as atitudes dos leitores de maneira não explícita e que, portanto, podem ser chamadas de manipuladoras. Tal influência pode consistir na formação dos modelos mentais preferidos dos acontecimentos, a formação ou confirmação de atitudes, que os leitores de O Globo já podem ter – e com as quais eles podem muito bem concordar. Neste caso, a influência também é crucial, pois opiniões negativas sobre a presidente ou sobre o PT podem ser legitimadas por esse ou aquele jornal, ou pelo conhecimento de opiniões e atitudes de outros leitores ou brasileiros, conforme veiculadas pelo jornal.
 
Desta forma, primeiro me concentrarei nas macroestruturas semânticas (temas) das manchetes de capa e, em seguida, nas dos editoriais para, depois, prosseguir à análise de estruturas locais, especialmente as semânticas, como a identificação e descrição dos agentes, além de várias estratégias de argumentação e legitimação. Editoriais consistem em um gênero persuasivo, então, é claro que nos concentraremos nas propriedades destinadas à manipulação de opinião.
 
Análise das Estratégias e Estruturas de Manipulação de O Globo
 
Manchetes
 
Para melhor entendimento dos editoriais, é necessária uma breve análise dos principais acontecimentos ocorridos nas semanas que antecederam o processo de impeachment, principalmente porque os editoriais não raro pressupõem conhecimento de tais acontecimentos e comentam sobre deles. No entanto, tal conhecimento pode derivar não apenas das notícias a respeito dos principais acontecimentos do dia, mas também, de maneira mais geral, da cobertura dos mesmos ou de fatos relacionados a eles nas últimas semanas, ou até meses. Tais notícias foram veiculadas em milhares de matérias, e também em colunas, reportagens, entrevistas, e outros gêneros – e, portanto, iriam requerer uma vasta análise epistêmica que vai muito além da abrangência do presente artigo. Portanto, limitarei minha análise a uma breve descrição das manchetes de todas as principais matérias de capa publicadas entre os meses de março a abril de 2016, conforme indicado pelo tamanho e posição da manchete. Por definição, uma das principais funções das manchetes é exprimir as mais elevadas macroestruturas semânticas da matéria jornalística, ou seja, seu tema principal (Van Dijk, 1988b). Porém, manchetes também têm a função de chamar a atenção e podem ser ideologicamente parciais. Por exemplo, se Lula é acusado de algum ato criminoso, tal fato pode ser colocado em evidência na manchete mesmo não se tratando do assunto principal. Isso se dá por conta da orientação ideológica de O Globo, que irá enfatizar os aspectos negativos de seu inimigo ou do ‘grupo externo’ em geral (o PT ou a esquerda etc.).
 
Quarenta e cinco das 60 principais manchetes publicadas de março e abril de 2016 tinham como tema Dilma, Lula, PT ou o impeachment de Dilma ou seu governo (um número impressionante). Apenas no final desse período, após o início do processo de impeachment na Câmara, algumas das principais manchetes de capa voltaram atenção para Temer (enquanto presidente interino) e seu governo. Com frequência, mais de uma matéria de capa tratam de Dilma ou Lula. Mesmo quando nenhum acontecimento importante relacionado a eles tenha ocorrido, eles podem ser mencionados em manchetes de matérias de capa menores. Dependendo da interpretação dada a elas (para a qual uma análise avaliadora detalhada do discurso seria necessária), a maior parte das manchetes explicitamente acusa ou associa Dilma e/ou Lula a atividades criminosas, geralmente por meio de acusações da Operação Lava-Jato ou de muitos delatores que assinaram acordo com a Operação. A seguir, alguns exemplos característicos (MdC significa Manchete de Capa).
 
MdC01 Delação de Delcídio põe Dilma no centro da Lava-Jato. Presidente é acusada de interferir em investigação. Lula mandou silêncio de Cerveró. (04/03/2016)
MdC02 Lava-Jato força Lula a depor e petista apela à militância. (05/03/2016)
MdC03 Lava-Jato desmente versão de Lula sobre tríplex. (06/03/2016)
MdC04 MP de São Paulo denuncia Lula por lavagem e falsidade. (10/03/2016)
MdC05 MP pede prisão de Lula. (11/03/2016)
MdC06 Brasil vai às ruas contra Lula e Dilma e a favor de Moto. Protesto pacífico reuniu 3,4 milhões de pessoas em 329 cidades de todos os estados e no Distrito Federal. (14/03/2016)
 
MdC07 Dilma pode dar a Lula superpoderes no governo. (15/03/2016)
MdC08 Diálogo ameaça Dilma. (17/03/2016)
MdC09 Aliados de Dilma e Lula fazem atos em todos os estados. (19/03/2016)
          PT reúne 275 mil. 7% do público das manifestações pelo impeachment. 
MdC10 Defesa de Lula pede ao STF que pare Moro. (21/03/2016)
MdC11 Supremo investiga se Dilma tentou obstruir Justiça. (24/03/2016)
MdC12 Dilma usará Bolsa Família contra impeachment. (04/04/2016)
MdC13 Procurador acusa Dilma de tentar obstruir a justiça. (08/04/2016)
MdC14 Comissão aprova relatório pelo impeachment de Dilma. (12/04/2016)
MdC15 Por 337 votos, 25 a mais do que o necessário, Câmara aprova autorização para processo de impeachment da presidente Dilma.
PERTO DO FIM (18/04/2016)
MdC16 Ministros do STF: Dilma ofende instituições ao falar em golpe. (21/04/2016)
 
Uma primeira análise mostra que a maioria das manchetes correspondentes às (principais) notícias publicadas em O Globo durante as duas semanas cruciais antecedentes à votação na Câmara apresenta Dilma e/ou Lula como participantes ativos ou passivos de acontecimentos ou atividades ligadas a questões legais ou penais. Ambos são representados como sendo ativamente envolvidos em algum crime, ou na Operação Lava-Jato ou, ainda, são acusados de crimes por terceiros. Nas manchetes publicadas mais tarde, o foco está nos acontecimentos ocorridos na Câmara, até 18 de abril, quando, detalhadamente, com precisão numérica, os votos da Câmara são noticiados e seguidos de uma enorme manchete que vai de ponta a ponta da página: PERTO DO FIM. Outras manchetes de capa, também contendo números, aparecem em 14 de abril, quando os enormes protestos contra Dilma foram noticiados. Nesse caso, contudo, as principais notícias da manifestação não ficam limitadas à primeira página; em vez disso, continuam por nove páginas inteiras, em muitas outras matérias, colunas e fotos. Comentarei a respeito dessas matérias na análise dos editoriais. Em 19 de março, os manifestantes a favor de Dilma também estão na capa, juntamente com números, mas nesse caso em uma comparação negativa com o número de manifestantes contra Dilma para minimizar a relevância dos pró-Dilma e enfatizar sua menor quantidade de apoiadores. Uma análise funcional da organização do tópico-comentário e das manchetes, em geral, coloca a Lava-Jato, delatores, a Polícia Federal (PF) ou o Supremo Tribunal Federal (STF) na posição de primeiro tema enquanto agentes (em sua maioria) acusadores que colocam Dilma e Lula em posição focal e de paciente semântico da acusação. Apenas em algumas manchetes, Dilma ocupa posição focal e de agente, como em situações em que ela é diretamente acusada de algum ato (negativo) – ex. quando ela possivelmente nomeará Lula e lhe dará poderes especiais, ou quando ela (ameaça) acabar com o Bolsa Família.
 
Durante essas semanas (e muitas semanas anteriores, desde 2014), todas as manchetes transmitiam de maneira geral a informação (repetida, portanto, como a principal informação no modelo mental do evento na memória dos leitores) de que: (a) Dilma e Lula (são acusados) de atividades criminosas e (b) que (portanto) Dilma tem de sofrer impeachment. Também crucial é a ênfase que se dá às repetidas informações negativas sobre Lula – o que condiz com a atitude de O Globo em relação a ele. A principal intenção de tal retrato é deslegitimá-lo perante os milhões de brasileiros que costumavam amá-lo ou adorá-lo. E o elemento mais relevante politicamente é a condenação de Lula por corrupção (uma empresa supostamente teria pagado uma reforma em seu apartamento), algo que o impossibilitaria de ser candidato à presidência em 2018 – o que seria uma ameaça à direita, por que Lula, pelo menos até então, permanecia sendo o político mais querido/popular(?) do país.
 
Os Editoriais
 
Principais temas e parcialidades
 
Os temas gerais dos editoriais são, como esperado, semelhantes àqueles das principais matérias do dia ou do dia anterior, como acusações contra Lula, Dilma ou o PT. A seguir, os principais tópicos dos 18 editoriais (ver Tabela 1): 


Data

Manchete

Temas principais

03/03/2016

PT descontente é promessa de mais pressão sobre Dilma

PT pressiona Dilma para mudar o Ministro da Justiça, mas resiste em limitar a autonomia da Polícia Federal.

05/03/2016

Uma reafirmação de princípios republicanos

Delatores acusam Lula de corrupção. Acusações também atingem Dilma. Operação Lava-Jato é independente.

06/03/2016

Em 13 anos de escândalos

Treze anos de desastres econômicos e escândalos de corrupção devido ao governo do PT.

15/03/2016

Um ‘basta’ das ruas a Dilma, Lula e PT

Milhões de manifestantes contra Lula, Dilma e o PT, e a favor do juiz Moro da Operação Lava-Jato. Processo de impeachment iniciado.

17/03/2016

Lula e Dilma apostam tudo para sobreviver

Dilma quer nomear lula como ministro para protegê-lo de acusação.

18/03/2016

Vale-tudo empurra Dilma e Lula à ilegalidade

Conversa telefônica mostra que Dilma e Lula estão obstruindo a justiça.

19/03/2016

O impeachment é uma saída institucional para a crise

As instituições, o parlamento, devem começar o processo de impeachment imediatamente.

22/03/2016

A preocupante ofensiva do governo contra a Lava-Jato

Dilma nomeia novo ministro da Justiça, que quer paralisar a Operação Lava-Jato. As instituições funcionam: a comissão de impeachment iniciou os trabalhos.

24/03/2016

Dilma radicaliza e fala de um país imaginário

Dilma compara o impeachment com o golpe militar de 1964 e quer apenas agitar os fãs.

30/03/2016

A farsa do ‘golpe’ construída pelo lulopetismo.

O PT manipula as pessoas com acusação absurda de ‘golpe’.

31/03/2016

Tentativa desesperada com o velho fisiologismo

Depois de o PMDB deixar governo, Dilma marca reuniões para angariar votos contra o impeachment.

06/04/2016

Tempo no impeachment corr


Créditos da foto: Roberto Stuckert Filho

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