“Na nossa época havia drogas mas não drogados, porque a gente era viciado em utopia”

"As pessoas também estão sendo privatizadas, no sentido de cada um se voltar para seu pequeno universo e não estabelecer laços sociais", diz Frei Betto em entrevista a Drauzio Varella. Assista

Reprodução/Youtube

Jornal GGN – O que diferencia a geração de jovens de 1964 da geração atual, que vai às ruas, em massa, negar “tudo que está aí”, mas sem saber o que por no lugar?

A pergunta é de Drauzio Varella a Frei Betto, que enfrentou o pior da Ditadura Militar, sendo preso 2 vezes pelo regime de opressão.

Frei Betto responde: “Na nossa época havia drogas e não havia drogados, porque a gente era viciado em utopia, a gente injetava utopia na veia. E estou convencido de que quanto menos utopia, mais drogas. Quanto mais utopia, menos drogas. O que não dá é esperar que a juventude viva sem sonhos. E se o sonho não é social, não é político, não é solidário, ele tem que ser químico. Não dá para viver sem sonhos.”

“A DIFERENÇA É ISSO: NÓS SOMOS DE UMA GERAÇÃO QUE NÃO QUERIA MUDAR SÓ O CABELO, A GENTE QUERIA MUDAR O MUNDO. LITERALMENTE A GENTE SE ARRISCOU PARA ISSO”, COMPLEMENTA FREI BETTO.

Na visão dele, o Brasil e sua juventude, hoje, sofrem de falta de visão histórica. E essa visão foi esvaziada aos poucos. “Essa pressão que existe hoje – de Fukuyama, ‘a história não existe’, à Margaret Thatcher, ‘a sociedade se resume ao Estado e à família’, passando uma borracha em todas as instituições intermediárias – tudo isso leva as pessoas a prestarem atenção no próprio umbigo.”

“As pessoas também estão sendo privatizadas, no sentido de cada um se voltar para seu pequeno universo e não estabelecer laços sociais.”
Segundo Frei Betto, a juventude atual também experimenta a “ociosidade ontológica”. Busca em festas, drogas, atividades sociais superficiais, um significado, um objetivo de vida que se perdeu por falta de utopia.

DEMOCRACIA

Frei Betto avaliou que a democracia está consolidada mesmo com a eleição de Jair Bolsonaro e o crescimento da extrema-direita. Não corremos o risco de ver um golpe como em 1964 porque, em sua visão, os militares não teriam coragem de repetir a história.

Assista abaixo:

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