E para os tempos duros de fundamentação religiosa na política nacional, fanatismo e censura, Chico como um profeta nada messiânico explica: "Pai, afasta de mim esse cálice"
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Chico no Festival #LulaLivre - Foto UOL
Chico explica, por Janderson Lacerda
Esqueça o velho jargão, “Freud explica” utilizado para explicitação de fatos da mente, do comportamento humano, da cultura e da vida social. Com todo respeito ao pai da psicanálise, mas a expressão correta deveria ser: Chico explica!
Vejamos a letra da música, Atrás da Porta: “Quando olhaste/bem nos olhos meus/E o teu olhar era de adeus/Juro que não acreditei/Eu te estranhei/Me debrucei/Sobre teu corpo e duvidei/E me arrastei e te arranhei/E me agarrei nos teus cabelos/Dei pra maldizer o nosso lar/pra sujar teu nome, te humilhar/E me vingar a qualquer preço/te adorando pelo avesso/Pra mostrar que inda sou tua/Só pra provar que inda sou tua” (…).
“Te adorar pelo avesso pra mostrar que ainda sou tua”? Nada mais enigmático do que o amor. Chico explica que a existência do amor está condicionada a um terreno fértil de ira e ódio e na sepultura, Lacan o aplaude!
Chico, também, explica a vida cotidiana do trabalhador rural e o seu respeito ao Cio da Terra: “Debulhar o trigo/Recolher cada bago do trigo/Forjar no trigo o milagre do pão/E se fartar de pão(…) Afagar a terra/Conhecer os desejos da terra/Cio da terra, a propícia estação/E fecundar o chão”.
A educação e a formação humana são explicadas em Meu Guri, por exemplo: “Quando, seu moço, nasceu meu rebento/Não era o momento dele rebentar/Já foi nascendo com cara de fome/E eu não tinha nem nome pra lhe dar/Como fui levando, não sei lhe explicar/Fui assim, levando, ele a me levar/E na sua meninice/Ele um dia me disse que chegava lá” (…). E sem políticas públicas sociais e educacionais o guri chegou: “Chega suado e veloz do batente/Traz sempre um presente pra me encabular/Tanta corrente de ouro, seu moço/Que haja pescoço pra enfiar/Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro/Chave, caderneta, terço e patuá/Um lenço e uma penca de documentos/Pra finalmente eu me identificar, olha aí!”(…)
E para responder a clássica pergunta quem sou eu? Chico explica, “Paratodos”, ”O meu pai era paulista/Meu avô, pernambucano/O meu bisavô, mineiro/Meu tataravô, baiano/Meu maestro soberano/Foi Antonio Brasileiro” (…).
E para os tempos duros de fundamentação religiosa na política nacional, fanatismo e censura, Chico como um profeta nada messiânico explica: “Pai, afasta de mim esse cálice/Pai, afasta de mim esse cálice/Pai, afasta de mim esse cálice/De vinho tinto de sangue” (…).

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