Membros do Judiciário avaliam tentativa de manipular instituições e temem que epísodio aumente o radicalismo de Bolsonaro contra imprensa e Ministério Público
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Élcio Vieira de Queiroz (ex-policial militar) e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Facebook
Jornal GGN – Deputados do Estado do Rio de Janeiro, tanto da esquerda quanto da direita, desconfiam que o relato do porteiro, que liga Bolsonaro aos suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, pode ter sido criado por grupos para atrapalhar a apuração dos assassinatos. A informação é da coluna Painel, na Folha de S.Paulo.
Na terça-feira (29), o Jornal Nacional noticiou que o porteiro do mesmo condomínio onde mora o presidente Jair Bolsonaro é um dos suspeitos da morte de Marielle, Ronnie Lessa, disse que, horas antes de a vereadora ser assassinada, um segundo suspeito do crime, Élcio de Queiroz, entrou no condomínio dizendo que iria para a casa do então deputado federal Jair Bolsonaro.
Na quarta-feira (30), o procurador-geral da República, Augusto Aras, contou que o MPF e o Supremo Tribunal Federal já haviam arquivado uma notícia sobre o fato, enviada semanas antes para a corte pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Ainda ontem, a promotora Simone Sibilio, do MP do Rio, disse em entrevista que as informações prestadas pelo porteiro do condomínio Vivendas da Barra eram falsas.
No depoimento à Polícia Federal, o porteiro disse que, do outro lado da linha, quem atendeu o interfone autorizando a entrada de Élcio foi um homem com a voz de Bolsonaro.
Mas, segundo Sibilio, as gravações do interfone mostram que o porteiro interfonou para a casa 65, residência de Ronnie Lessa, para liberar a entrada de Élcio. “Todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas”, reforçou procuradora.
“A suspeita de que houve tentativa de forjar acusação que envolvesse Jair Bolsonaro na investigação do assassinato de Marielle Franco ultrapassa as fronteiras do Planalto e da PGR. A avaliação de integrantes do Judiciário é a de que buscaram manipular diversas instituições, inclusive o STF”, afirma ainda a coluna Painel.
“Integrantes da corte dizem que as informações sobre o depoimento do porteiro que mencionara Bolsonaro foram enviadas ao Supremo a conta-gotas e com contradições aparentes, o que causou desconfiança”, completa.
Ainda segundo a coluna, ministros do Supremo chamaram os membros do Ministério Público e polícias de “irresponsáveis” por vazarem o fato para a imprensa.
Reportagem do The Intercept Brasil, divulgada nesta quinta-feira (31), mostra que uma das promotoras do Ministério Público do Rio, que cuida do caso Marielle, Carmen Eliza Bastos de Carvalho, tem diversas manifestações nas redes sociais em apoio ao presidente Bolsonaro.

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