De pastagens degradadas a celeiros verdes: empresas chinesas ajudam o coração agrícola do Brasil a avançar no desenvolvimento sustentável.

Gabriel Mora, coordenador de sustentabilidade do Grupo Syngenta, segura amostras de solo, mostrando ao repórter o "solo saudável", solto e fértil, restaurado por meio de esforços de recuperação. (Fotos: Chen Yiming/People's Daily)

Por Chen Yiming

Mato Grosso, Brasil ( Diário do Povo ) – Ao meio-dia, sob o sol brilhante do Mato Grosso, principal estado agrícola do Brasil, Gabriel Mora, coordenador de sustentabilidade do Grupo Syngenta, subsidiária da Sinochem Holdings, segura duas amostras de solo. Uma é solta e fértil, recuperada após anos de reabilitação. A outra é compactada e sem vida, coletada em uma pastagem degradada. O contraste marcante conta a história de uma terra em transformação.

Uma revolução verde, apoiada por empresas chinesas, está se desenrolando silenciosamente nas vastas áreas agrícolas do Brasil. Em novembro, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) será realizada em Belém, no Brasil, onde a agricultura sustentável e a recuperação de terras serão temas centrais.

"Estamos comprometidos em melhorar a produtividade nas terras agrícolas existentes por meio da inovação tecnológica, em vez de expandir para novas áreas", disse Saswato Das, diretor de comunicação do Grupo Syngenta. "Essa abordagem aumenta a produtividade e, ao mesmo tempo, protege o meio ambiente."

"Restaurar a terra é um processo sistemático", explicou Mora. "Primeiro neutralizamos a acidez do solo com calcário e, em seguida, restauramos gradualmente a fertilidade por meio da rotação de culturas e fertilizantes orgânicos." Enquanto demonstrava o "teste da gota d'água", a água penetrava rapidamente no solo restaurado, mas se acumulava no solo degradado. "O solo saudável age como uma esponja", disse Mora. "É a base da agricultura sustentável."

Por meio do Programa de Restauração de Terras Reverte da Syngenta, pastagens antes degradadas foram transformadas em campos altamente produtivos com rotação de soja, milho e algodão. A iniciativa impulsionou a produtividade, reduziu o desmatamento e proporcionou ganhos econômicos tangíveis para os agricultores.

Utilizando máquinas agrícolas inteligentes, a JCN Farm realiza operações precisas de semeadura, fertilização e controle de pragas com maior eficiência e menor impacto ambiental.

Lançado em 2019 pelo Grupo Syngenta, Banco Itaú BBA e The Nature Conservancy (TNC), o projeto Reverte visa reabilitar pastagens degradadas. Inicialmente focado no bioma Cerrado, expandiu-se desde então por todo o Brasil, com o objetivo de restaurar um milhão de hectares de terras degradadas até 2030 e transformá-las em terras agrícolas produtivas.

Ao fornecer conhecimento especializado em agronomia e financiamento a longo prazo, o programa ajuda os agricultores a tornar a restauração sustentável e rentável, incentivando-os a revitalizar terras existentes em vez de desmatar novas áreas. Até outubro deste ano, a Syngenta restaurou 279.000 hectares em 11 estados e três biomas, com um financiamento total superior a 378 milhões de dólares.

Ao lado de uma plantação de soja viçosa, Elson Esteves, diretor agrícola da JCN Farm, compartilhou suas impressões. "A maior parte da nossa produção é exportada para a China. Hoje, os consumidores chineses estão cada vez mais atentos às práticas agrícolas sustentáveis ​​e essa demanda está remodelando o futuro da agricultura brasileira", afirmou.

Na visão de Esteves, o crescente mercado chinês de produtos agrícolas sustentáveis ​​oferece ao Brasil uma oportunidade crucial de transformação. Como ponte de cooperação entre a China e o Brasil, o Grupo Syngenta da Sinochem está traduzindo essa demanda em inovação tecnológica e modernização industrial. "A agricultura precisa caminhar integralmente rumo à sustentabilidade", enfatizou Esteves. "Precisamos proteger esta terra para as futuras gerações."

Na sala de controle da fazenda, fluxos de dados piscam em grandes telas. "Este é o nosso sistema Perfect Flight", explicou o técnico Albertino, apontando para as trajetórias das aeronaves exibidas. "O GPS de alta precisão garante que os aviões de pulverização apliquem pesticidas apenas nas áreas selecionadas."

Em outra tela, o sistema Protector atualiza mapas de calor de pragas em tempo real, permitindo o manejo direcionado das pragas. "Com base nesses dados, precisamos tratar apenas 25 hectares afetados por pragas, evitando o uso desnecessário de pesticidas nos 270 hectares restantes", disse Albertino. "Esse manejo de precisão não só reduz custos, como também minimiza o impacto ambiental."

A JCN Farm introduziu um modelo inovador de "integração lavoura-pecuária", permitindo que o gado pastoreie nos campos durante os períodos de pousio, para que o esterco retorne naturalmente ao solo, reduzindo o uso de fertilizantes em mais de 60% nas áreas correspondentes.

O modelo de "integração lavoura-pecuária" da fazenda é igualmente inovador. "Pastoreamos dez cabeças de gado por hectare durante cerca de 90 dias, produzindo o equivalente a 80 a 100 quilos de fertilizante nitrogenado por hectare", disse o gerente da fazenda. Durante o período de pousio, o gado pasta nos campos e seu esterco nutre o solo naturalmente. "Isso nos permite reduzir o uso de fertilizantes em mais de 60%, um verdadeiro ganha-ganha para o meio ambiente e para a economia."

Na área do viveiro, o administrador Ronielson cuida com esmero de milhares de mudas nativas. "Essas árvores serão usadas para restaurar a vegetação ao longo de 46 córregos locais", disse ele. O viveiro cultiva 35.000 mudas anualmente, ajudando a proteger as fontes de água e a estabelecer corredores ecológicos.

Enquanto isso, no laboratório SEEDCARE da Syngenta, os técnicos estão aplicando um "escudo inteligente" nas sementes, um revestimento especial que aumenta a resistência a doenças e impulsiona a eficiência do crescimento.

Banhados pelo sol poente, os campos estendem-se vibrantes até onde a vista alcança. "O que estamos restaurando aqui não é apenas a terra", disse Esteves, "mas também uma forma de os seres humanos e a natureza coexistirem em harmonia."

Das fazendas brasileiras às mesas de jantar chinesas, uma cadeia de suprimentos agrícolas mais verde e sustentável está se consolidando de forma constante, um testemunho da busca compartilhada pelo desenvolvimento sustentável pelas duas maiores nações agrícolas do mundo.



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