
Em 2022 os Correios informam atendimento em 5.553 dos 5.570 municípios e 9.409 distritos com “efetiva distribuição” postal.
Por Luis Nassif
Resumo da notícia
2. Correios têm obrigações constitucionais, como universalização do serviço postal e manutenção em todos os municípios. Em 2022, atenderam 5.553 municípios e 9.409 distritos.3. Receitas dos Correios em 2023: R$ 19,9 bi, com destaque para segmento de encomendas. Privatização levanta questões sobre cumprimento de obrigações e compromissos da empresa.
É impressionante a dificuldade do pensamento ultraliberal de entender as características de uma empresa pública e de uma empresa privada. Não conseguem trabalhar com o conceito de empresa estratégica, nem entender a lógica de uma empresa estatal.
É o caso dos comentários da economista Zeina Latif, analista séria mas presa aos bordões neoliberais.
Qual a lógica dela? Em vez de tentar salvar os Correios, o governo deveria acelerar a digitalização do país, para acabar de vez com a necessidade de enviar cartas. Como se a missão dos Correios fosse exclusivamente levar cartas a todo território nacional.
Se a nova vida é digital, de que maneira Zeina pretende que brasileiros de regiões afastadas dos grandes centros tenham acesso aos bens de consumo das grandes plataformas. Mercado Livre, Magalu, portais chineses estariam dispostos a enviar produtos para o país todo? E atender às necessidades do Estado brasileiro, que distribuir atestados, certificados, recolhe provas do Enem;
Vamos entender melhor o jogo.
Obrigações dos Correios
Os Correios são, por Constituição, o Serviço Postal Universal. Tem 5 obrigações-núcleo:
1. Universalizar o serviço postal (chegar a 100% do país).
2. Garantir continuidade e acessibilidade (sem interrupção).
3. Cumprir o monopólio postal (cartas, malotes).
4. Dar suporte logístico ao Estado (eleições, ENEM, emergências).
5. Manter transparência e integridade operacional como empresa pública.
Não é pouco.
Correios não podem interromper o serviço postal (exceto força maior), mesmo em regiões remotas, inseguras ou deficitárias. Ter agência física ou ponto de atendimento em todos os municípios brasileiros. (Atualmente, 5.568 municípios atendidos.)
Em 2022 os Correios informam atendimento em 5.553 dos 5.570 municípios e 9.409 distritos com “efetiva distribuição” postal.
Legalmente, os Correios prometem universalização. Na prática, o que existe é uma malha de 9,4 mil distritos atendidos com diferentes modalidades de entrega – diária para encomendas, alternada para cartas simples, e, em áreas críticas, nem isso, com retirada em agência ou ponto comunitário.
Para dar conta desses compromissos, ela precisa atuar, também, nos mercados lucrativos. Ele atua em 4 mercados:
1. Correspondências / Mensagem
- Cartas, e-Carta, telegrama, impressos, malote corporativo, marketing direto (mala direta, impresso).
2. Encomendas e Logística
- SEDEX, PAC e congêneres, logística integrada, soluções para e-commerce.
3. Internacional
- Encomendas e cartas internacionais, EMS, LC/AO, Prime etc.
4. Conveniência / serviços financeiros
- Vale Postal, alguns serviços de balcão, serviços de terceiros.
No relatório de administração de 2023, as receitas foram separadas:
Receita bruta total (2023): R$ 19,9 biEncomenda: R$ 9,52 biMensagem (cartas, telegramas etc.): R$ 4,64 biInternacional: R$ 4,43 biLogística: R$ 0,51 biMarketing direto: R$ 0,33 biMalote: R$ 0,24 biConveniência: R$ 0,19 biOutros: R$ 0,05 bi
- Em 2025, comunicado oficial dos Correios mostra que, só no 1º semestre, o segmento de encomendas respondeu por R$ 4,7 bi de R$ 8,9 bi de receita de vendas – de novo, mais da metade de tudo.
- O que significaria a privatização dos Correios, segundo a ótica de Zeina? Será que a tecnologia permitiria o teletransporte, hoje existentes só nos filmes de ficção? Quem vai garantir todos esses compromissos?
Os programas de gestão
Não se trata de passar pano para os Correios.
O primeiro passo é entender seu caráter de empresa estratégica. O segundo, é o governo tratá-la como empresa estratégica.
1. Não pode mais ser objeto de barganhas políticas.
2. Tem que fechar compromissos com o Ministério da Gestão, com indicadores claros e palpáveis.
3. Tem que recuperar os planos de aposentadoria e criar um plano de cargos e salários capazes de atrair quadros técnicos, em condições de disputar mercado com as plataformas privadas.
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