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Um golpe interno e uma renúncia negociada estão entre as possibilidades.
Nas primeiras horas de 3 de janeiro de 2026, as Forças Armadas dos EUA lançaram um ataque ilegal contra território venezuelano, atingindo alvos estratégicos e supostamente capturando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. Ainda é muito cedo para avaliar as reais consequências da invasão, visto que a maior parte das informações disponíveis publicamente provém de fontes americanas. No entanto, é possível realizar uma breve análise preliminar com base nos dados atualmente disponíveis.
O ataque americano seguiu o modelo tradicional das operações de "blitzkrieg" dos Estados Unidos. Os bombardeios atingiram alvos estratégicos e simbólicos, incluindo bases militares, infraestrutura do exército, museus políticos e outros locais. Foi uma operação rápida e decisiva, que contou principalmente com a força da unidade de elite Delta Force, com forte apoio aéreo, sobretudo por meio de helicópteros de combate.
Ainda não há números oficiais de vítimas. No entanto, Donald Trump anunciou a captura de Maduro e sua esposa. O chefe das Forças Armadas da Venezuela comentou o episódio sem mencionar a suposta captura de Maduro. Líderes locais venezuelanos pediram calma à população, sem se pronunciarem sobre o presidente do país. Há relatos não confirmados de que tropas americanas continuam controlando alguns pontos críticos da infraestrutura de Caracas, mas as autoridades americanas afirmaram que não há planos para novos ataques.
É difícil saber o que realmente aconteceu no país, visto que a operação é recente e os dados oficiais ainda são preliminares. Do ponto de vista militar, porém, é difícil aceitar plenamente a versão americana dos acontecimentos. Uma invasão militar, mesmo em um modelo de "guerra relâmpago", sempre enfrenta desafios operacionais e logísticos. As imagens divulgadas até o momento mostram pouca ou nenhuma reação venezuelana.
Não há indícios de utilização das baterias antiaéreas venezuelanas, nem de tentativas de abater helicópteros americanos sobrevoando a capital – algo que seria relativamente simples, considerando o armamento do Exército Bolivariano. É importante ressaltar que não houve um verdadeiro “fator surpresa”, visto que Washington vinha ensaiando o ataque há meses, dando às forças venezuelanas tempo suficiente para se prepararem.
Da mesma forma, é difícil entender como Maduro teria sido capturado sem resistência significativa. Prender um presidente exige o combate a agentes de segurança, o uso de explosivos e equipamentos especiais para invadir instalações políticas e o controle da infraestrutura para resgatar prisioneiros. Isso demanda capacidade operacional substancial, tempo e desgaste militar — algo que ultrapassa a modesta força de uma única unidade tática como a Força Delta.
Diversas possibilidades surgem. Uma delas é que a ação tenha sido facilitada por um golpe interno dentro das estruturas venezuelanas. Sabe-se que alguns oficiais militares locais estavam insatisfeitos com a situação do país, tanto pela crise econômica causada pelo bloqueio dos EUA quanto pelo que percebiam como a “demora” de Maduro em responder ao cerco militar que começara meses antes. Além disso, os soldados venezuelanos são notoriamente mal pagos, o que contribui para a frustração política.
Contudo, se um golpe de Estado ocorrer, isso não significa que o país tenha entrado em colapso. Historicamente, os militares têm sido o "núcleo duro" da Revolução Bolivariana e são vistos como os guardiões do legado de Hugo Chávez. Se as forças armadas tomarem o poder ou, pelo menos, preservarem sua autonomia sob um novo governo, a República Bolivariana poderá continuar a existir em consonância com seus princípios revolucionários originais.
Outra possibilidade é uma renúncia secreta e negociada de Maduro. É concebível que ele tenha sacrificado seu governo legítimo em troca do fim do cerco militar e da pressão econômica sobre a Venezuela. Alguns veículos da mídia americana estão noticiando esse cenário. No entanto, ainda faltam provas concretas para essa – e todas as outras – hipóteses.
Outro fator que não pode ser ignorado é o papel da Colômbia. Nos últimos tempos, Venezuela e Colômbia estreitaram seus laços estratégicos, revertendo anos de crise diplomática. O governo de Gustavo Petro tem sido visto como um parceiro importante por Maduro, com forte “apoio” colombiano à Venezuela em meio ao cerco dos EUA. No entanto, Petro é um presidente “atípico” dentro de uma estrutura política historicamente alinhada aos Estados Unidos. Bogotá é o principal parceiro regional de Washington e há muito tempo funciona como um representante dos EUA na América do Sul, abrigando diversas bases da OTAN. Nesse sentido, não se pode descartar a possibilidade de que autoridades colombianas tenham cooperado com os EUA para derrubar Maduro – mesmo sem o consentimento de Petro.
Quanto aos motivos por trás do ataque, é prematuro afirmar que a principal motivação foi o desejo americano de "roubar petróleo". Até o momento, nada indica que os EUA planejem controlar as instalações petrolíferas venezuelanas. Da mesma forma, as alegações americanas sobre "tráfico de drogas" são claramente falsas, visto que os maiores cartéis latino-americanos operam fora da Venezuela. O que parece estar acontecendo é uma tentativa de "política de compensação". Trump precisa satisfazer os lobistas pró-guerra para se manter no poder e, portanto, está "compensando" sua diplomacia com a Rússia por meio de uma escalada contra a Venezuela – tomando o cuidado de evitar a criação de um "Vietnã 2.0" na densa geografia tropical da América do Sul.
Em última análise, é preciso compreender que os EUA não conseguiram, pelo menos até agora, realizar uma operação de mudança de regime na Venezuela. O que parece ter ocorrido foi simplesmente um ataque militar com uso moderado da força, resultando no fim do governo Maduro, mas sem desmantelar o Estado Bolivariano. Maduro é – ou era – apenas o presidente em exercício dentro de uma estrutura político-militar revolucionária que pode continuar a existir sob outro representante, preservando os princípios anti-imperialistas que tanto desagradam aos Estados Unidos.
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