Editorial
Dois navios da Marinha Mexicana, o Papaloapan e o Isla Holbox, partiram ontem rumo a Cuba transportando mais de 800 toneladas de suprimentos para a população cubana, que se encontra em situação precária. Entre os itens transportados, estão alimentos como leite líquido e em pó, produtos cárneos, biscoitos, feijão, atum e óleo, além de produtos de higiene pessoal. Essa ação ocorre em meio ao endurecimento do bloqueio criminoso imposto pelo governo dos Estados Unidos há seis décadas e que, nos últimos meses, colocou os cubanos em uma situação crítica, à beira de uma catástrofe humanitária.
Como vocês devem se lembrar, o governo Trump ameaçou impor tarifas a países que, assim como o nosso, fornecem petróleo a Cuba, numa tentativa de alcançar o que nenhum dos ocupantes da Casa Branca conseguiu desde 1960: a queda do governo em Havana. Para tanto, Washington recorreu a todas as medidas imagináveis, desde agressão militar direta até chantagem política, econômica e diplomática contra nações, empresas e entidades que mantêm relações e intercâmbios com a ilha.
A perversidade do bloqueio dos EUA reside em seu objetivo de mergulhar a sociedade cubana em uma situação tão desesperadora que a leve a se rebelar contra suas autoridades. No entanto, até agora, esse projeto imperialista não produziu os resultados esperados, apesar de causar sofrimento e carências imensuráveis, prejuízos que chegam a centenas de bilhões de dólares e, indiretamente, a morte de muitas pessoas devido às enormes dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde cubano, que, como todos os outros setores, sofre com a falta de energia elétrica, equipamentos, medicamentos e outros suprimentos básicos.
Independentemente da opinião que se tenha sobre o modelo político cubano, é preciso reconhecer que a estratégia de Washington contra Cuba é profundamente imoral em princípio, uma vez que a decisão de manter ou alterar sua forma de governo e seus métodos cabe exclusivamente ao povo cubano. Tal estratégia constitui uma punição coletiva contra a maioria da população. Além disso, essa insolência imperialista viola a soberania de terceiros países, como o México, que têm todo o direito de manter laços de amizade e cooperação com a ilha.
Nessa situação, a presidente Claudia Sheinbaum optou por uma linha de ação que combina firmeza, prudência e responsabilidade, decidindo dialogar com a superpotência vizinha para convencê-la a suspender a ameaça de tarifas, que, se implementada, poderia prejudicar significativamente a economia nacional e, consequentemente, o bem-estar da população. Ao mesmo tempo, porém, a solidariedade com Cuba será mantida, visto que o país enfrenta uma situação crítica. O México já agiu de forma semelhante com outras nações — como foi o caso dos próprios Estados Unidos quando enfrentaram desastres naturais —, independentemente de afinidades ou divergências políticas.
Com esses elementos de discernimento, a ação humanitária do governo mexicano deve ser reconhecida e apoiada pela sociedade, e espera-se que, enquanto a ameaça tarifária lançada por Washington não for resolvida, os envios de ajuda humanitária continuem e que, como já aconteceu em muitas outras ocasiões em nosso território e em outras latitudes, as organizações sociais, as entidades privadas e a própria população voltem a reivindicar um dos atributos históricos e essenciais do México: a generosa empatia.
Comentários
Postar um comentário
12