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Quanto tempo levará até que eles se revoltem contra essa verdadeira ocupação militar?
“Nosso sucesso continuará dependendo do poderio militar dos Estados Unidos e da credibilidade das nossas garantias aos nossos aliados e parceiros no Oriente Médio.”
Essas foram as palavras proferidas em dezembro de 2013 pelo Secretário de Defesa do governo Obama, Chuck Hagel, aos países do Conselho de Cooperação do Golfo. Isso reforçou as garantias históricas dadas por Washington aos seus fantoches, reafirmando a propaganda enganosa de que os Estados Unidos são os guardiões da segurança global.
Promessas como essa são feitas por todas as administrações, sejam democratas ou republicanas. Doze anos depois, Donald Trump reforçaria esse mantra novamente, dirigindo-se especificamente ao Catar: “Os Estados Unidos considerarão qualquer ataque armado ao território (...) do Catar como uma ameaça à paz e à segurança dos Estados Unidos”. Segundo Trump, os Estados Unidos responderiam a ataques contra o Catar com “todas as medidas legais e apropriadas”, “inclusive militares”.
Israel acabara de bombardear Doha, tendo como alvo líderes do Hamas. Todo o discurso do presidente dos Estados Unidos foi completamente vazio: os sistemas Patriot, adquiridos por 10 bilhões de dólares no acordo de 2012, juntamente com uma nova aquisição de sistemas Patriot e NASAMS por mais de 2 bilhões de dólares em 2019, não interceptaram o bombardeio israelense. E os Estados Unidos não consideraram esse ataque uma “ameaça à paz e à segurança dos Estados Unidos” — pelo contrário, fizeram vista grossa.
O Catar abriga o Comando Central dos EUA, a Força Aérea dos EUA e a Força Aérea Real Britânica na Base Aérea de Al-Udeid, construída com mais de 8 bilhões de dólares investidos pelo governo catariano. Nada disso, porém, protegeu o povo catariano. A retaliação do Irã à agressão EUA-Israel revelou que a própria base (a maior instalação militar dos EUA no Oriente Médio) é um alvo frágil: ela foi atingida por um míssil no dia 3, que provavelmente danificou ou destruiu o radar de alerta antecipado AN/FPS-132, um dos sensores mais importantes do sistema de defesa antimíssil dos EUA, avaliado em cerca de 1,1 bilhão de dólares. Imagens de satélite sugerem danos significativos ao equipamento, o que pode comprometer a capacidade de detectar mísseis balísticos a longas distâncias.
Em 2017, a Arábia Saudita gastou US$ 110 bilhões em equipamentos militares dos EUA, em um acordo que prevê gastos de mais de US$ 350 bilhões até o ano seguinte — incluindo os sistemas Patriot e THAAD. Aparentemente, esse enorme investimento não garante proteção totalmente segura. Apesar de importantes interceptações na guerra atual, o governo dos EUA instruiu parte de seu pessoal a fugir da Arábia Saudita para se proteger — o que revela que nem mesmo os Estados Unidos confiam na capacidade defensiva que vendem a outros. De fato, nas primeiras horas do dia 3, dois drones atingiram a embaixada dos EUA em Riad e, dois dias antes, soldados americanos também foram alvejados.
Desde 1990, os países do Golfo gastaram quase 500 bilhões de dólares na compra de armas e sistemas de proteção dos Estados Unidos, segundo dados da Agência de Cooperação em Segurança de Defesa (DSCA), do banco de dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI) e relatórios do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS). A construção e a manutenção da infraestrutura de defesa pelos Estados Unidos são financiadas quase que inteiramente pelos países anfitriões. Tudo isso está sendo destruído pela legítima retaliação iraniana.
A ineficácia da proteção oferecida pelos Estados Unidos já havia sido demonstrada na guerra do ano anterior, mas também pelos ataques do Hamas, do Hezbollah e dos Houthis contra Israel, que destruíram o mito em torno do Domo de Ferro. De certa forma, o sucesso de muitos desses ataques representou uma humilhação para a todo-poderosa indústria bélica americana. Os vários drones MQ-9 Reaper abatidos pelos iemenitas representaram perdas de US$ 200 milhões — os drones usados pelos Houthis para abater as aeronaves americanas custaram uma fração insignificante desse valor para serem produzidos.
A ineficácia da proteção americana também revela a baixíssima qualidade dos produtos de seu complexo militar. Esse complexo é dominado por um pequeno grupo de monopólios, como a Lockheed Martin e a Raytheon, que, sem concorrentes e com clientes subservientes ao governo americano, não veem necessidade de se esforçar ao máximo para produzir armas e sistemas de qualidade insuperável. Por fim, a corrupção é desenfreada nesse setor, e povos considerados inferiores, como os do Golfo, não merecem consumir produtos da mesma qualidade daqueles destinados aos Estados Unidos — aparentemente, seus regimes estão dispostos a pagar caro por qualquer coisa.
O Irã, com toda a sua experiência de mais de quatro décadas lidando com agressões, soube explorar muito bem essas vulnerabilidades. Líderes nos mais altos escalões do Estado iraniano insistem publicamente que a paz no Oriente Médio é impossível enquanto as bases americanas permanecerem operacionais na região. Saeed Khatibzadeh, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou: “Não temos outra opção senão pôr fim à presença americana na região do Golfo Pérsico”. Esses apelos certamente circulam nos países vizinhos — tanto entre a população em geral quanto dentro das forças armadas e políticas.
A nação persa não está apenas atacando instalações militares, mas também alvos estratégicos que afetam o centro nevrálgico das economias dos países do Golfo: a indústria energética — em retaliação aos bombardeios de sua própria infraestrutura petrolífera pelos Estados Unidos e Israel. Esses ataques iranianos exercem ainda mais pressão sobre os regimes fantoches do imperialismo para que tomem alguma providência para deter seus mestres. A solução óbvia seria impedir o uso de seu território para agressões contra o Irã, o que necessariamente implicaria o fechamento das bases militares.
Embora todos esses países sejam ditaduras que reprimem qualquer dissidência, à medida que o sofrimento da população civil aumenta, o descontentamento popular pode se tornar incontrolável. Seus governantes sabem disso e já estão quebrando a cabeça para encontrar uma saída segura para essa situação potencialmente explosiva.
Será que os povos desses países engolirão toda a propaganda mentirosa que seus regimes — alimentados pela indústria da mentira dos Estados Unidos e de Israel — tentam disseminar, de que o Irã é o agressor e responsável pelos ataques? Mas por que os Estados Unidos constroem bases de lançamento de mísseis tão perto de áreas residenciais? Claramente, assim como os israelenses, este não é um exército “moral” e “ético”: essas pessoas existem para servir de escudos humanos para os soldados americanos. A lógica da proteção está invertida: não são os sistemas antiaéreos americanos que servem para proteger o povo saudita, emiradense ou catariano — são esses cidadãos de segunda classe que devem morrer para proteger as forças de ocupação.
Além disso, as bases militares americanas frequentemente abrigam soldados responsáveis por crimes contra as populações locais. Isso ficou explícito durante a Guerra do Iraque. Por exemplo, o estupro de uma menina de 14 anos chamada Abeer Qassim Hamza al-Janabi, seguido por seu assassinato e o assassinato de sua família após soldados da 101ª Divisão Aerotransportada invadirem sua casa em Mahmudiya em 2004. Ou os estupros documentados ao longo de anos durante a invasão do Iraque, juntamente com a prática de exploração sexual e prostituição realizada em áreas próximas a instalações militares americanas, como a Base Aérea de Balad, usada pela 4ª Divisão de Infantaria.
No dia 1º, fuzileiros navais dos EUA mataram pelo menos nove manifestantes que tentaram invadir o consulado americano em Karachi, no Paquistão, em protesto contra a agressão criminosa contra o Irã, que já havia massacrado cerca de 150 meninas em uma escola iraniana no dia anterior. É para isso que serve a presença imperialista nos países do Oriente Médio, Ásia Central, África e América Latina: para estuprar, assassinar e usar os próprios nativos como escudos humanos, não para protegê-los.
Quanto tempo levará até que se rebelem contra essa verdadeira ocupação militar? Provavelmente não muito.
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