La Jornada
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De qualquer perspectiva, a agressão conjunta lançada pelos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu contra o Irã coloca o mundo em uma situação muito mais sinistra e perigosa do que existia até o último fim de semana. Para a nação atacada, a destruição humana e material causada em apenas 48 horas de guerra imposta é devastadora: centenas de civis mortos por bombas lançadas por aeronaves americanas e israelenses, a cúpula do governo eliminada e danos difíceis de quantificar, com a triste certeza de que esses números continuarão a aumentar nos próximos dias.
Nenhum dos possíveis desfechos desta incursão ilegal e criminosa pode ser positivo para a nação persa, seja a rendição após grande devastação e a aceitação de um novo ciclo de submissão a Washington – como o liderado entre 1953 e 1979 pelo Xá Mohammad Reza Pahlavi –, seja a disseminação da ingovernabilidade em território iraniano – como está acontecendo na Líbia e na Síria após as intervenções ocidentais nesses países – ou seja a capacidade, por meio de contra-ataques com seu arsenal de mísseis, de forçar Trump a abandonar a agressão e declarar mais uma de suas vitórias fictícias.
O panorama não é mais animador para os países da região que abrigam bases militares da superpotência, muitos dos quais já sofreram ataques retaliatórios da República Islâmica. Além disso, é praticamente impossível para Washington limitar suas baixas àquelas já sofridas nesses ataques, e isso também se aplica às potências europeias que decidirem se tornar cúmplices dos Estados Unidos nessa nova aventura de destruição de um país dentro da esfera islâmica.
Os efeitos da guerra na economia global foram sentidos desde o início: no domingo, os preços do petróleo nos mercados internacionais subiram quase 10%, e dependendo da disposição e capacidade de Teerã de reduzir ou interromper o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, esse aumento poderá chegar a 30% ou mais. Também se espera um aumento substancial nos fretes, o que, combinado com o impacto da extorsão tarifária global praticada pelo governo Trump, levará à escassez e a preços elevados para uma ampla gama de produtos.
Mas, para a comunidade internacional, a consequência mais indesejável da agressão contra o Irã é a crescente normalização da lei da selva no mundo — ou seja, a capacidade de países militarmente poderosos imporem sua vontade a nações mais fracas ou menos poderosas, independentemente dos princípios básicos do direito internacional. Da mesma forma, existe a preocupação de que o estilo de exercício de poder de Trump se espalhe para outras nações, um estilo que evoca o despotismo, a irracionalidade, a arbitrariedade e a corrupção que caracterizaram o monarca iraniano deposto pela Revolução Islâmica de 1979, cujo regime foi magistralmente retratado pelo jornalista Ryszard Kapuściński em seu livro " O Xá ou o Excesso de Poder".
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