
O que esse grupo defende é o voto familiar. Ou seja, um voto por domicílio. Mas, é claro, esse voto pertenceria ao marido e não à esposa porque, segundo eles, os homens detêm a autoridade máxima dentro da família. A razão por trás de todo esse movimento pode estar no fato de que os homens são mais propensos a votar pela direita do que as mulheres.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, é seguidor de um pastor nacionalista cristão que defende que as mulheres não deveriam ter o direito ao voto. Essa não é uma afiliação superficial; Hegseth chegou a compartilhar um vídeo em suas redes sociais no ano passado, no qual o pastor defendia abertamente essa ideia. O secretário de Defesa, é claro, não é o único apoiador de Trump a sugerir que o voto deveria ser restrito a pessoas qualificadas — ou seja, homens. John McEntee, conselheiro sênior do Projeto 2025 e ex-diretor do Escritório Presidencial de Pessoal na Casa Branca de Trump, também o fez. E Paul Ingrassia, indicado por Trump para chefiar o Escritório do Conselheiro Especial, sugeriu a revogação do sufrágio feminino em um podcast.
O que esse grupo defende é o voto familiar. Ou seja, um voto por domicílio. Mas, é claro, esse voto pertenceria ao marido e não à esposa porque, segundo eles, os homens detêm a autoridade máxima dentro da família. A razão por trás de todo esse movimento pode estar no fato de que os homens são mais propensos a votar pela direita do que as mulheres. Há também aqueles que sustentam essa convicção por razões religiosas, uma espécie de mandamento bíblico. Mas também existem os influenciadores e podcasters da ala ultraconservadora do establishment americano que vêm normalizando a ideia de revogar a Décima Nona Emenda há meses, por pura misoginia. Sem rodeios, essas são pessoas que odeiam e desprezam as mulheres, nos retratam como parasitas e acreditam e esperam que voltemos a ser submissas a eles.
“Por que excluir as mulheres? Porque sua delicadeza as torna inadequadas para a experiência prática nos grandes assuntos da vida, nas árduas empreitadas da guerra e nas exigentes responsabilidades do Estado. Além disso, sua atenção está tão voltada para a criação dos filhos que a natureza as dotou de uma maior aptidão para as tarefas domésticas. E as crianças não têm discernimento nem vontade própria…” Foi o que John Adams escreveu a James Sullivan em 26 de maio de 1776. Duzentos e cinquenta anos depois, retornamos a isso, àquele ideal de mulheres submissas e delicadas, esposas tradicionais, donas de casa dedicadas, sem voz nem voto.
Nem precisa ser implementado; o simples fato de essa ideia estar circulando novamente é assustador. Mesmo que esse cenário não se concretize (legislativamente seria bastante complexo), a convicção já está no ar e o direito de voto das mulheres já está sendo questionado.
O sufrágio universal é inegociável sem que se esvazie a própria ideia de democracia. Mas é isso que essas pessoas — que, aliás, têm a audácia de andar por aí dando lições ao mundo — entendem por democracia: um sistema em que o voto lhes pertence. As ideias mais repugnantes dos misóginos mais extremistas da internet estão sendo disseminadas diante dos nossos olhos, vindas de gabinetes na Casa Branca, por outros misóginos. Estamos a um passo de deixar Margaret Atwood sem ficção.
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