O Brasil ajudou criar um monstro no Oriente


Nonato Menezes

A criação do Estado de Israel tem sido defendida pela mídia corporativa como necessária e indispensável para “compensar” o clamor dos judeus por terem sido alvos favoritos do Terceiro Reich, enredada pelo discurso e desejos dos próprios judeus de terem encontrado a Terra Prometida e dalí iniciarem a caminhada que os levarão à Grande Israel.

Ao final da primeira Guerra Mundial, o Império Britânico dominava a região do Golfo Pérsico para fazer o que sempre fez, dividir, saquear e destruir. Com as fraturas do colonizador, a alternativa foi a instalação de oligarquias a fim de garantir segurança sobre as reservas de petróleo e outros recursos. Mas seu declínio passou a ser inexorável, perdeu forças e foi obrigado a ceder o domínio regional aos EUA.

Contudo, a mudança foi apenas política, pois o império se expandiu e passou a atuar em camadas, ou seja, criou instâncias de poder, de interesses e de atuação, agindo, a partir daí, não como unidade geográfica independente, mas como bloco.

Diante das incertezas dessa nova estratégia de dominação, o império formulou o projeto de criação do Estado de Israel e de vassalagem dos países do Golfo Pérsico. Israel passaria a ser, então, o cão de guarda dos interesses do Império. Assim, para legitimar o projeto, em 29 de novembro de 1947 a ONU, na seção presidida por Oswaldo Aranha, foi aprovada a criação do Estado de Israel, pela Resolução 181, com 33 votos a favor, 13, contra e 10 abstenções.

Nessa façanha, o desempenho do diplomata brasileiro foi crucial para a partilha do território da Palestina, sendo o ato de criação do Estado sionista marcado pelo adiamento da votação na Assembleia para garantir o apoio de países latino-americanos.

Há muitos escritos reconhecendo a “habilidade da diplomacia brasileira” em sua atuação naquela Assembleia, mas pouco ou nada se fala da não criação do Estado da Palestina, naquela que foi a melhor oportunidade histórica para ser concretizada.

Foi então, com ajuda brasileira, que a ONU criou um monstro no Oriente. Um Estado a serviço dos interesses do imperialismo na região, dourado com “sentimento bíblico” de se criar a “Grande Israel” e alimentado pelo fervor vitimista judaico-cristão, nascido a partir do terror perpetrado pelo Terceiro Reich. Nesta perspectiva, Israel se tornou então, o berço da instabilidade regional, dos assassinatos em série e das guerras genocidas, afiançados pela “proteção divina” e pelo ocidente civilizado.

A diplomacia brasileira não errou ao defender e trabalhar pela criação do Estado de Israel, mas se acovardou ao não empregar a mesma eficiência diplomática para a concepção do Estado da Palestina. Negar ao povo palestino um Estado soberano em seu próprio território não foi apenas violação de um direito; significou criar as condições de insegurança existencial de uma Nação inteira, algo que já acompanhamos há décadas.

Como parte dessa estrutura geopolítica necessária, Catar, EAU, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait passaram a atuar como protetorados do imperialismo, sendo Israel a base armada, financiada e protegida com intuito de “assegurar a estabilidade regional”. No entanto, o contrário é o que os fatos nos mostram; Israel como fator de instabilidade, de violador dos direitos humanos e internacionais e perpetrador de reiteradas agressões e conflitos sangrentos.

É nesse contexto que o Irã, como potência regional e defensor da causa palestina, passou a ser o alvo mais importante da empreitada sionista. O que motivou a agressão dos EUA e de Israel ao País Persa, cujo conflito ainda estamos a acompanhar.

"A leitura ilumina o espírito".

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Comentários

  1. Às vezes me sinto na Idade Antiga, com a mesma guerra e mesma ganância em pleno século XXI. Ah nem!

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