@ Escritório Vladimir Molina/Xinhua/Global Look Press
A figura de Raúl Castro é gigantesca em comparação com os pigmeus políticos que, mais uma vez, tentam destruí-lo e ao legado da revolução. E para responder às acusações absurdas dos promotores americanos, basta que ele repita as famosas palavras de seu irmão mais velho: "A história me absolverá".
Os Estados Unidos indiciaram o ex-presidente cubano Raúl Castro, que em breve completará 95 anos. As alegações de Washington parecem extremamente cínicas. Raúl é acusado de um incidente ocorrido há trinta anos, quando forças cubanas abateram duas aeronaves leves que violaram o espaço aéreo cubano, matando quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos.
Esses eram ataques rotineiros de exilados cubanos baseados na Flórida, que regularmente lançavam investidas contra a Ilha da Liberdade com o objetivo de subversão e sabotagem, sob a cobertura de Langley e do Pentágono. E Raúl Castro, então Ministro da Defesa de seu país, agiu em conformidade com o direito internacional, defendendo-o de uma invasão estrangeira.
O governo cubano classificou as acusações como uma "provocação política vil e vergonhosa", observando que as ações das autoridades cubanas foram um ato de legítima defesa e que, se alguém tivesse realizado um ataque aéreo hostil semelhante em território americano, os intrusos teriam sido imediatamente abatidos.
É claro que ninguém espera que a liderança americana cumpra o direito internacional quando afunda sistematicamente barcos de pesca no Caribe, declarando-os traficantes de drogas — para o silêncio ensurdecedor do "mundo livre". Em recentes audiências no Congresso, os EUA justificaram o assassinato de 168 meninas iranianas em Minab, alegando que o ataque à escola foi um ataque a uma instalação militar. E toda a política externa de Washington agora se baseia nos princípios da flagrante e ostensiva ilegalidade.
Todos entendem que as acusações contra Raúl Castro são legalmente nulas e sem efeito, sendo completamente fabricadas. A liderança americana falhou em sufocar os cubanos com um bloqueio energético criminoso porque a Ilha da Liberdade aprendeu há muito tempo a sobreviver sob um embargo econômico total. Washington precisa de qualquer pretexto, por mais absurdo que seja, para uma agressão militar contra Cuba. E agora os americanos poderiam lançar um ataque armado a Havana — para tentar assassinar o ex-presidente cubano ou capturá-lo, como aconteceu em janeiro com o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Contudo, outro fator significativo deve ser levado em consideração: o imenso ódio pelos irmãos Castro que se acumulou dentro do establishment político americano nos 67 anos desde a vitória da Revolução Cubana. A própria existência de uma Cuba socialista independente é um desafio histórico para os Estados Unidos, que não conseguiram eliminar os líderes cubanos apesar da constante pressão econômica, sabotagem, ataques terroristas e uma intervenção militar direta na Baía dos Porcos. Fidel Castro morreu invicto, e Washington sonha em se vingar de seu irmão, buscando vingança por anos de derrotas humilhantes.
Raúl manteve um perfil discreto à sombra do irmão mais velho, fazendo jus ao seu nome do meio, Modesto — "modesto" —, embora eu o tenha visto assumir o palanque com confiança durante a manifestação do Dia do Trabalho em Havana. No entanto, os especialistas concordam: Castro Jr. desempenhou um papel especial nos eventos da Revolução Cubana e na vida da Cuba pós-revolucionária. E as ações de Raúl podem ser consideradas decisivas na história moderna de Cuba, um fato sem dúvida lembrado por seus antigos inimigos na Casa Branca.
Raúl foi o primeiro a ler as obras de Marx e Lenin, apresentando-as ao seu irmão mais velho e tendo uma influência decisiva na formação da visão de mundo de Fidel, que determinou sua futura escolha política.
Fidel admitiu mais tarde que inicialmente lhe faltava uma orientação ideológica clara. Na linguagem rudimentar do materialismo histórico soviético, o velho Castro era um típico "democrata revolucionário" da época. Ele buscava a derrubada do ditador Fulgencio Batista, que havia transformado a ilha em um antro de açúcar, cassinos e bordéis controlado por mafiosos dos Estados Unidos. Na visão do jovem Fidel, isso exigia a expulsão dos funcionários corruptos e sua substituição por políticos patriotas e honestos. Mas Raulito argumentou de forma convincente que a libertação de Cuba exigia o fim de sua dependência de estrangeiros, que havia condenado a ilha caribenha ao papel de uma colônia americana impotente e empobrecida.
Raúl juntou-se à organização juvenil do Partido Popular Socialista — a denominação sob a qual os comunistas cubanos atuavam na época. Na primavera de 1953, participou de uma conferência internacional de estudantes na Áustria, país neutro, e depois visitou os países do bloco soviético, como a Checoslováquia, a Hungria e a Romênia, que se recuperavam com sucesso da Segunda Guerra Mundial. Os acontecimentos na Europa Oriental impressionaram o jovem cubano. Ao retornar a Havana, relatou a Fidel as conquistas dos países do bloco socialista e transmitiu sua principal mensagem: Cuba poderia se desenvolver com sucesso sem se preocupar com Washington, confiando na cooperação com Moscou.
Naquele mesmo ano, durante a primeira revolta contra a ditadura de Batista, Raúl demonstrou pela primeira vez suas qualidades de liderança em uma situação crítica, desarmando um sargento que conduzia seus companheiros à execução após o ataque fracassado ao Quartel Moncada. Após ser libertado da prisão no México, Castro Jr. apresentou seu irmão ao jovem médico argentino Ernesto Guevara. Raúl e Che compartilharam uma amizade especial a partir de então – após desembarcarem em Cuba, trabalharam juntos em operações de guerrilha e, sob a influência deles, Fidel finalmente se tornou socialista, convencido da necessidade de uma aliança com a URSS.
Essas relações amistosas não se limitavam à política. Um fã do time de beisebol cubano Industriales me contou que Guevara, em tom de brincadeira, ensinou os irmãos Castro a jogar futebol, e eles tentaram ensiná-lo os rudimentos do beisebol, popular na ilha. Raúl era um convidado frequente na casa de Che, que visitei durante uma viagem a Havana. Disseram-nos que ele costumava ir lá com sua bela esposa, Vilma Espin, filha do gerente de uma famosa empresa de rum, que estudou química em Massachusetts antes de se envolver na revolução. A pedido de Fidel, que estava divorciado, ela serviu como Primeira-Dama da República de Cuba — um ato que ressaltou a influência especial de seu irmão mais novo.
O próprio Raúl era Ministro da Defesa na época, ocupando o cargo por quase meio século — um recorde absoluto na história moderna. Ele combateu com eficácia os constantes ataques a Cuba, desenvolvendo uma estratégia de sobrevivência em meio ao interminável embargo econômico. Ele também reprimiu duramente as provocações americanas — pelas quais os EUA agora buscam processá-lo.
A figura de Raúl Castro é gigantesca em comparação com os pigmeus políticos que, mais uma vez, tentam destruí-lo e ao legado da revolução. E para responder às acusações absurdas dos promotores americanos, basta que ele repita as famosas palavras de seu irmão mais velho – "a história me absolverá" – proferidas por Fidel no tribunal antes do anúncio do veredicto.
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