
MICHAEL HUDSON
counterpunch.org/
Há sessenta anos, a oposição à guerra dos Estados Unidos no Vietnã teve como principal ataque as críticas aos custos do desvio de recursos americanos de gastos sociais para o setor militar, o que ficou conhecido como "Armas e Manteiga".
Eu era o membro mais jovem do triunvirato da Universidade Columbia, liderado por Seymour Melman e Terence McCarthy. Ministrávamos palestras com frequência, escrevíamos para revistas como a Ramparts e para jornais. O New York Tribune ainda existia como uma alternativa ao The New York Times e publicava regularmente nossas críticas em suas entrevistas e editoriais.
Aqueles meados da década de 1960 foram tempos incríveis! O movimento contra a guerra tinha força suficiente para derrubar Robert McNamara e Lyndon Johnson em 1968!
Infelizmente, essa época parece ter ficado para trás. Há pouca esperança de que a mudança de partido no poder altere muita coisa. Nenhum dos lados sente muita pressão para pôr fim à estratégia de guerra de longo prazo contra a Rússia, a China e o Irã.
Não vi nenhuma crítica na mídia, por exemplo, à declaração do Secretário do Tesouro, Bessent, ao Congresso na terça-feira, 28 de abril, de que a guerra dos Estados Unidos no Irã custou até agora US$ 25 bilhões. Alguns críticos comentaram que esse parece ser um número grande. Mas é apenas o equivalente a 50 ou 60 salões de baile da Casa Branca, como Donald Trump propôs. É um valor insignificante em comparação com o orçamento militar americano de US$ 1,5 trilhão. É um número enganosamente pequeno, destinado a desviar a atenção dos custos reais da guerra dos Estados Unidos no Irã.
A guerra do Iraque, por exemplo, foi calculada em US$ 3 trilhões, segundo Joe Stiglitz em 2008. Sua estimativa levou em consideração o fato de que a guerra do Iraque foi responsável pela maior parte do déficit orçamentário dos EUA, financiado por títulos com juros a taxas crescentes. Também foram considerados os custos incorridos pela Administração de Veteranos com os soldados americanos feridos e os pagamentos aos familiares sobreviventes daqueles que morreram.
Em vez de levar em consideração esses custos de longo prazo, o valor de US$ 25 bilhões proposto pelo Secretário Bessent cita apenas os custos diretos da guerra com o Irã. Não há nenhum cálculo do custo real para substituir o enorme estoque de mísseis, aeronaves, armas e outros armamentos americanos que foram consumidos nas guerras dos EUA contra a Rússia na Ucrânia e contra o Irã.
Onde está o debate público atual sobre quanto a economia dos EUA terá que pagar para reconstruir um complexo militar-industrial ainda maior, a fim de reabastecer os mísseis que Trump esgotou? Não tenho certeza se há muita intenção de financiar o Complexo Militar-Industrial com armas que falharam na prática. Mas, sem dúvida, será necessário investir em novas pesquisas sobre que tipo de armamento será eficaz contra a guerra prometida contra a China daqui a alguns anos. Matérias-primas e mão de obra para esse novo armamento serão muito mais caras agora. Tudo isso será adicionado ao PIB dos EUA, mas não representará produção "real" para a economia em geral.
O militarismo keynesiano tornou-se um fardo para a economia, em vez de uma forma de aumentar a produção industrial e a prosperidade, como se afirmava na década de 1960. Quanto mais a economia dos EUA terá que pagar pela energia aos altos preços de crise que o fechamento do Estreito de Ormuz por Trump gerou? Quanto custará o déficit de US$ 1,5 trilhão por ano, digamos, a uma taxa de juros de 4%? A resposta provisória é de US$ 60 bilhões por ano – ano após ano. E isso considerando apenas o orçamento militar deste ano.
Esse custo para a economia mundial chega a trilhões de dólares, e a economia está sendo empurrada para o que ameaça ser uma grande depressão. Os danos incluem os custos com falências, insolvências, um colapso nos preços das ações e títulos americanos e a destruição das importações estrangeiras dos Estados Unidos, com exceção do petróleo e do GNL.
Se quisermos mobilizar eleitores, políticos e seus financiadores de campanha para acabar com esses gastos de guerra, precisamos de uma nova discussão semelhante àquela que gerou tanta oposição pública na década de 1960. Como eu disse, aqueles eram outros tempos!
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