UE contra Cuba: provocação incessante


Editorial

Segundo registros do sistema de monitoramento aéreo FlightRadar24, o governo dos Estados Unidos aumentou significativamente os voos de inteligência militar com aeronaves e drones ao redor de Cuba, particularmente perto de Havana e Santiago. Isso ocorre em meio às recentes ameaças de Donald Trump contra a ilha e ao pacote de novas sanções econômicas imposto na semana passada pela Casa Branca, que criminaliza toda cooperação internacional com o governo cubano.

O regime dos EUA embarcou, portanto, numa ofensiva de quatro frentes contra Cuba: econômica, militar, midiática e psicológica, na qual alterna ameaças, endurecimento do bloqueio e mentiras descaradas, como a proferida há alguns dias pelo Secretário de Estado Marco Rubio sobre uma suposta “ajuda humanitária” de 100 milhões de dólares à ilha, que teria sido rejeitada por Havana.

A preocupação com uma possível agressão armada dos EUA nas Grandes Antilhas é bem fundamentada, considerando que Trump está desesperadamente buscando algo para desviar a atenção do desastre estratégico para o qual levou seu país ao atacar o Irã, da queda abrupta em sua popularidade — mesmo entre seus próprios apoiadores e aliados —, do fraco desempenho da economia americana, do crescente descontentamento político e das dúvidas cada vez maiores sobre sua saúde física e mental e sua capacidade de permanecer no cargo; tudo isso a poucos meses de uma eleição de meio de mandato que se prevê ser catastrófica para ele e seu partido, o Republicano.

Por outro lado, é preciso considerar que uma incursão militar contra a ilha teria poucas chances de sucesso a curto prazo e uma alta probabilidade de se tornar um novo atoleiro para o governo Trump. Na última sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou que, se concretizadas, as ameaças beligerantes contra seu país, vindas da Casa Branca, poderiam levar a “uma catástrofe humanitária, um genocídio, a perda de vidas cubanas e de jovens americanos” e “um banho de sangue” na ilha.

Deve-se notar também que os planos militares dos Estados Unidos contra Cuba, que nunca foram superados, perderam apoio na sociedade em geral, e até mesmo na comunidade cubano-americana, onde a antiquada fobia anticomunista perdeu hegemonia e vem cedendo lugar a novas posições que, por um senso humanitário básico ou mero pragmatismo, se opõem a tais fantasias de agressão.

Por outro lado, o bloqueio econômico sádico que teve origem há mais de seis décadas e se intensificou durante os dois governos Trump não só degrada as condições de vida da população cubana a níveis inimagináveis, como também constitui uma afronta à soberania de outros governos – incluindo o do México – e aos interesses dos agentes econômicos que são impedidos de fazer negócios na ilha.

Assim, apesar das renovadas ameaças de agressão militar direta de Washington contra Cuba, não será fácil para o grupo que detém o poder na Casa Branca concretizá-las. Nesse contexto, a opinião pública nos Estados Unidos e internacionalmente deve se mobilizar para impedir que o trumpismo perpetre o que seria mais um de seus crimes.


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