
Fontes: Rebellion [Imagem: A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente dos EUA, Donald Trump, apertam as mãos durante uma reunião no Trump Turnberry Golf Club em 27 de julho de 2025 em Turnberry, Escócia. (Foto: Andrew Harnik/Getty Images)]
A subordinação a Washington, reforçada na última década pelos líderes milionários da Europa Ocidental com o objetivo de enfraquecer a Rússia, custou a essas nações uma ampla deterioração econômica, política e militar, além do descrédito no cenário internacional.
O jornal britânico Financial Times calculou recentemente que as numerosas “sanções” anti-Rússia aplicadas pela União Europeia (UE) e pela Grã-Bretanha a pedido da Casa Branca causaram prejuízos superiores a 100 bilhões de euros para empresas com negócios na Rússia, especificamente aquelas do setor de petróleo e gás, bem como empresas financeiras, seguradoras, bancos, concessionárias de serviços públicos e da indústria automotiva.
Ao seguir os Estados Unidos em suas tentativas de enfraquecer a Rússia, primeiro durante o governo de Joe Biden e depois sob Donald Trump, a Europa Ocidental foi forçada a pagar grandes somas de dinheiro por combustíveis mais caros de Washington e, ao mesmo tempo, a romper importantes acordos e transações com o gigante euroasiático.
Um relatório publicado pela agência Eurostat indica que o volume de petróleo russo importado pelos países da UE diminuiu de 29,2% (em 2021) para 1,4% (em 2025), e o de gás, de 38,5% para 7,9%, no mesmo período.
O preço para "romper com a dependência" do combustível russo, conforme exigido por Washington desde o início, gira em torno de um trilhão de euros, o que se revelou um acordo desastroso.
O diretor do Departamento de Cooperação Econômica do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Dmitri Birichevski, durante um discurso no recente Fórum de São Petersburgo, relatou que os países da União Europeia perderam até um trilhão de dólares após abandonarem as matérias-primas e os hidrocarbonetos russos devido ao aumento dos preços e ao fato de agora comprarem a preços mais altos de outros fornecedores.
A Casa Branca forçou a UE a não adquirir hidrocarbonetos russos e a comprá-los nos Estados Unidos a um preço mais alto, sob a "justificativa" de que esses países não deveriam estar economicamente vinculados a Moscou.
Nessas circunstâncias, os gasodutos Yamal-Europa, o segundo ramal que atravessava a Ucrânia, foram fechados e os gasodutos Nord Stream 1 e 2 foram destruídos, ações que o Kremlin classificou como atos terroristas.
No entanto, segundo a Rússia, aqueles que renunciaram a esses recursos continuam comprando petróleo e gás russos por meio de intermediários a preços mais altos.
Lembremos que, no ano passado, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinou um acordo comercial desproporcional e totalmente desequilibrado com o Presidente Trump, o que constituiu mais um ato de humilhação para a Europa.
Segundo este acordo, os produtos da UE que entram nos Estados Unidos pagarão uma tarifa de 15%, enquanto os membros da UE não cobrarão nada pelos produtos americanos que entram em seus países. É simples assim: um duplo padrão.
Além disso, a União Europeia concordou em comprar US$ 750 bilhões em produtos energéticos dos EUA, principalmente gás natural liquefeito e energia nuclear, rejeitar aqueles adquiridos a preços muito mais baixos da Rússia, investir US$ 600 bilhões na economia dos EUA e obter grandes quantidades de equipamentos militares do país norte-americano.
No final de junho de 2025, sob intensa pressão de Trump, os membros da OTAN concordaram, na cúpula de Haia, em destinar 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos com segurança e militares até 2035, o que representa uma perda de € 500 bilhões anuais para esses países. Além disso, Washington continuará sendo o principal exportador de armas para a Europa Ocidental.
Segundo Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro da Itália, "a União está afundando em recessão e o futuro de sua economia tem perspectivas sombrias".
Como resultado desses eventos, os Estados Unidos conseguiram estagnar a União Europeia como concorrente econômico e político, mas, por outro lado, não conseguiram enfraquecer a Rússia, que continua sendo uma das principais potências mundiais.
Hedelberto López Blanch, jornalista, escritor e pesquisador cubano, especialista em política internacional.
"A leitura ilumina o espírito".
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