Ritual, Poder e a Arena do Fim de Semana

Trump se reúne com lutadores do UFC no Salão Oval, em 6 de maio de 2026. Foto oficial da Casa Branca por Molly Riley.


Em um artigo publicado em março de 2026 na revista Science Advances, que se concentrou na variabilidade da governança ao longo do eixo autocrático-democrático, meus coautores e eu descobrimos que uma das associações mais fortes para as 40 observações de casos, que fizeram parte de nosso estudo, foi entre a natureza dos rituais e a concentração de poder.

Para esta amostra global, as sociedades organizadas autocraticamente caracterizavam-se por espetáculos que fomentavam medo e admiração, enquanto os rituais participativos predominavam em contextos organizados de forma mais democrática. Por exemplo, na região onde estudo (Oaxaca, México), quando a governança era tipificada por relações de poder distribuídas, o jogo de bola de borracha pré-hispânico era praticado em uma grande quadra adjacente a uma ampla praça plana e aberta, a Praça Principal de Monte Albán, um espaço que podia acomodar muitos dos habitantes do assentamento. Mais tarde, porém, à medida que o poder político se tornou mais concentrado, o tamanho das quadras de jogo de bola foi reduzido, o acesso a elas tornou-se mais restrito e algumas foram até mesmo construídas imediatamente adjacentes às casas ou palácios das famílias governantes.

Cientistas sociais reconhecem há muito tempo que rituais comunitários são uma experiência humana universal que une as pessoas de diversas maneiras. Espetáculos, muitas vezes repletos de ruídos desorientadores, choque e admiração, tendem a cativar os observadores por meio das figuras poderosas no centro do espetáculo, que inspiram medo e espanto, reforçando cultos autoritários à personalidade. Em contraste, rituais participativos como dança, canto ou cânticos comunitários tendem a incutir camaradagem entre os participantes, solidariedade e confiança entre os envolvidos. Como estudante de história e fã de esportes, os reflexos do passado oferecem uma perspectiva analítica sobre o último jogo dos Knicks em 13 de junho, um evento esportivo que não pode ser ignorado.

Durante os playoffs da NBA de 2026 entre o New York Knicks e o San Antonio Spurs, o Madison Square Garden, a lendária casa dos Knicks, tornou-se novamente um espaço público essencial após 53 anos sem títulos. A competitividade dos Knicks durante os playoffs elevou o local de um mero espaço de entretenimento a uma arena ritualística participativa. A torcida não assistia passivamente; cantava, se levantava, gemia, antecipava e, coletivamente, criava um momento de entusiasmo. Bastava olhar para os rostos nas arquibancadas — torcedores com ingressos de temporada e novatos, celebridades e passageiros do metrô — para perceber que a cena se aproximava do que poderia ser considerado um ritual integrativo: um ritual em que o significado não é imposto de cima, mas gerado, muitas vezes espontaneamente, entre os participantes.

O basquete, por definição, é um esporte coletivo, mas isso se exemplifica perfeitamente no jogo praticado atualmente pelos Knicks. Não se trata de um domínio constante por uma figura central. Mesmo o jogador mais celebrado, Jalen Brunson, depende da coordenação, do timing e da confiança em seus companheiros de equipe. O drama se desenrola coletivamente, e seu resultado depende de quem converte os lances livres e quem pega os rebotes. A participação importa — não apenas simbolicamente, mas também na prática. A arena amplifica a ideia, ainda que imperfeitamente colocada em prática, de que o engajamento coletivo molda os resultados. E esses resultados transcenderam as arenas onde os jogos dos Knicks eram disputados, estimulando alegria e ações coletivas, e unindo as pessoas no desejo por um objetivo comum.

Em contraste, o espetáculo de um evento do Ultimate Fighting Championship, realizado em uma ostentosa jaula de aço nos jardins da Casa Branca em 14 de junho, operava com uma lógica ritual fundamentalmente diferente. Não foi concebido para participação mútua, mas para o espetáculo: com a atenção concentrada em um centro cênico, onde o conflito individual e a violência são destilados em domínio físico e submissão simbólica. O papel do público não é participar, mas testemunhar — ficar impressionado, ver sangue e ouvir dor, sentir-se perturbado e, por fim, orientar-se em relação às figuras que comandam o palco e supervisionam o evento.

A escolha do local não foi acidental. A Casa Branca há muito funciona como um espaço de rituais de Estado. Mas, tradicionalmente, esses rituais — coletivas de imprensa, cerimônias públicas, até mesmo protestos acalorados do lado de fora de seus portões — estão atrelados, pelo menos em teoria, a normas de decoro, responsabilidade e participação pública. Introduzir um espetáculo de combate coreografado nesse espaço altera seu significado simbólico. Transforma um centro de governança em uma arena de performance, onde a estética da dominação e da autopromoção, por parte de uma pequena rede de apadrinhados, ofusca qualquer perspectiva ética de levar a uma participação mais ampla.

É precisamente essa distinção que nosso trabalho comparativo sobre governança e ritual ajuda a elucidar. Quando o poder é amplamente distribuído, os rituais tendem a ser inclusivos, iterativos e coconstruídos. Eles exigem que os participantes se vejam como colaboradores em um processo compartilhado, mesmo quando há competição envolvida. Em contraste, quando o poder é fortemente concentrado, os rituais muitas vezes se tornam espetáculos — experiências encenadas que reforçam a hierarquia, canalizam as emoções para um ponto focal e reduzem o público a meros espectadores em vez de atores. O Knicks, apesar de todo o comercialismo dos esportes modernos, ainda se inclina para o primeiro modelo. Seus jogos de playoff convidavam à identificação não com um proprietário, mas com um coletivo — por mais abstrato que seja — chamado de time, cidade, torcida. A vitória era amplamente compartilhada por toda uma área metropolitana, de forma comunitária. O ritual une lateralmente, de pessoa para pessoa.

Um espetáculo do UFC, encenado na órbita do poder político, aponta na direção oposta. Ele une verticalmente. A energia emocional da multidão é atraída para cima e para dentro, em direção a um centro isolado da participação. A imprevisibilidade do esporte é substituída por um espetáculo orquestrado; até mesmo a violência, aparentemente bruta, é enquadrada e contida para produzir o máximo efeito simbólico. Nada disso sugere que uma forma de ritual seja totalmente virtuosa e a outra inteiramente maligna. O espetáculo sempre fez parte das sociedades humanas, e rituais participativos podem excluir tanto quanto podem incluir. O Madison Square Garden não é imune à hierarquia, nem o acesso dos fãs é igualitário. Mas o contraste permanece tão gritante quanto instrutivo, porque revela não apenas diferentes formas de entretenimento, mas também diferentes modelos de como as pessoas se relacionam com o poder — e umas com as outras.

O que está em jogo é mais do que a programação recreativa desta temporada. Os rituais, sejam eles antigos jogos de bola na Mesoamérica ou eventos esportivos modernos em Nova York, não são periféricos à vida política; eles a constituem. Moldam a forma como os indivíduos vivenciam o pertencimento, a autoridade e a capacidade de agir. Codificam pressupostos sobre quem age e quem deve observar. O evento na Casa Branca reforça valores como "a força faz o direito" e a vida é um "jogo de soma zero".

Por outro lado, numa era em que as práticas democráticas muitas vezes parecem enfraquecidas, os espaços onde a participação ainda se manifesta — mesmo que imperfeitamente — adquirem um significado ainda maior, fomentando objetivos comuns e enfatizando os potenciais resultados vantajosos para todos que a interdependência e a ação colaborativa podem gerar. O clamor de uma multidão que acredita que sua voz coletiva importa contrasta silenciosamente com os espetáculos que exigem apenas atenção, passividade e lealdade.

Faríamos bem em reconhecer a diferença.

Este artigo foi produzido pela Human Bridges, um projeto do Independent Media Institute.

Gary M. Feinman é curador da Cátedra MacArthur de Antropologia no Museu Field de História Natural em Chicago, Illinois.

"A leitura ilumina o espírito".

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