
A família corre o risco de perder as eleições de outubro, e possivelmente algo mais grave, escreve o editor-chefe da AQ.
O resultado disso tudo: Lula passou de estar dois pontos atrás de Flávio em abril para estar sete pontos à frente em um hipotético segundo turno, segundo nova pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto Quaest. O presidente de 80 anos também foi beneficiado pela melhora no otimismo em relação à economia brasileira — embora o crescimento seja baixo e as taxas de juros reais permaneçam em torno de 10%, uma série de programas governamentais em ano eleitoral, incluindo o perdão de dívidas de consumidores, fez com que alguns eleitores se sentissem mais tranquilos em relação ao seu orçamento, pelo menos por enquanto.
Será que outro desafiante de direita, menos comprometido, conseguiria ultrapassar Flávio e chegar ao segundo turno? Parece improvável. O candidato preferido do establishment, o governador Ronaldo Caiado, é um político da velha guarda que mal chega a 5% nas pesquisas. Ele divide os votos dos conservadores não-Bolsonaro com Renan Santos, um outsider. Nenhum dos dois teve ainda um momento de destaque. Em uma viagem ao Brasil neste mês, fiquei impressionado com a evidente falta de entusiasmo do público por qualquer um dos candidatos, um contraste com o ambiente mais polarizado e engajado das campanhas de 2018 e 2022. O clima predominante era de resignação, em parte porque desta vez a importância da eleição não parece ser a mesma.
Ainda é cedo demais para declarar um vencedor nas eleições. As pesquisas no Brasil, assim como em outros lugares, têm consistentemente subestimado o apoio da direita. Lula enfrenta inúmeros desafios , incluindo sua idade e a percepção de fragilidade no combate ao crime. Mas, a pouco mais de 10 semanas das eleições, os Bolsonaro correm o risco de perder mais do que apenas a eleição. Outro sentimento palpável durante minha visita foi a raiva entre os conservadores no Congresso e no meio empresarial, furiosos com o fato de os Bolsonaro parecerem estar desperdiçando uma oportunidade de ouro para derrotar Lula. "É um circo sem fim", disse-me um ex-apoiador proeminente. "Eles só pensam neles mesmos." Essas não são queixas novas sobre os Bolsonaro. Mas, a menos que a família consiga rapidamente uma reviravolta, seu reinado no topo do movimento de direita brasileiro também pode estar chegando ao fim.

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