Paulo Nogueira - Diário do Centro do Mundo
Bem, final de ano é tempo de retrospectiva.
O DCM acompanhou a mídia com atenção, e então vai montar sua
seleção de jornalistas do ano, o Time dos Sonhos do atraso e do reacionarismo,
o TS, o melhor do pior que existiu na manipulação das notícias.
A cartolagem é parte integrante e essencial do TS: Marinhos,
Frias, Civitas, Mesquitas etc.
À escalação:
No gol, Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo. Devemos
a ele coisas como a magnífica cobertura da meia tonelada de cocaína encontrada
no famoso Helicóptero do Pó, pertencente à família Perrella.
Kamel é também notável pela sagaz tese de que não existe
racismo no Brasil.
Na ala direita, dois jogadores, porque pela esquerda ninguém
atua. Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes são os selecionados. Os blogueiros da
Veja são entrosados, e pô-los juntos facilita o trabalho de treinamento do TS.
Azevedo se notabilizou, em 2013, por ser comparado por
diferentes mulheres a diferentes animais, de pato a rottweiler.
Nunes brilhou por lances de genialidade e inteligência – e
total ausência de preconceito — como
chamar Evo Morales de “índio de franja” e classificar Lula de “presidente retirante”.
Uma disputa interessante entre Nunes e Azevedo é ver quem
utilizou mais a palavra “mensaleiros”. Gênios.
Na zaga, uma inovação: duas mulheres. Temos a cota feminina
no TS do DCM. Eliane Cantanhede, colunista da Folha, e Raquel Scherazade, a
versão feminina de Jabor.
Ambas defenderam valentemente o país dos males do
lulopetismo, e fizeram a merecida apologia de varões de Plutarco da estatura de
Joaquim Barbosa, o magistrado do apartamento de Miami.
No meio de campo, três jogadores de visão: Jabor, Merval e
Míriam Leitão. Sim, a cota feminina subiu durante a montagem do TS.
Jabor se celebrizou em 2013 pela rapidez com que passou da
condenação absoluta à louvação incondicional das jornadas de junho quando seus
superiores na Globo lhe deram ordem para mudar o tom.
Merval entrará para a história pelo abraço fraternal em
Ayres de Britto, registrado pelas câmaras. Merval conseguiu desmontar a tese
centenária e mundialmente reverenciada de Pulitzer de que jornalista não tem
amigo.
E Míriam Leitão antecipou todas as calamidades econômicas
que têm assaltado o país, a começar pela redução da desigualdade e pelo nível
de emprego recorde.
Numa frase espetacular em 2013, Míriam disse que só escreve
o que pensa. Aprendemos então que ela é tão igual aos patrões que poderia ser o
quarto Marinho, a irmãzinha de Roberto Irineu, João Roberto e Zé Roberto.
No ataque, dois Ricardos, também para facilitar o
entrosamento. Ricardo Setti e Ricardo Noblat. Setti foi uma revelação, em 2013,
no combate ao dilmismo, ao lulismo, ao bolivarianismo, ao comunismo ateu e à
varíola. Noblat já é um jogador provado, e dispensa apresentações. Foi o
primeiro blogueiro a abraçar a honrosa causa do 1% no Brasil.
Para completar o trio ofensivo, Eurípides Alcântara, diretor
da Veja. Aos que temiam que a Veja pudesse se modernizar mentalmente depois da
morte de Roberto Civita, Eurípides provou que sempre se pode ir mais adiante.
Suas últimas contratações são discípulos de Olavo de
Carvalho, o astrólogo que enxerga em Obama um perigoso socialista. Graças a
Eurípides, em todas as plataformas da Veja, o leitor está lendo na verdade a
cabeça privilegiada de Olavo.
Na reserva do TS, e abrindo espaço para colunistas que não
sejam necessariamente jornalistas, dois selecionados.
O primeiro é Lobão, novo colunista da Veja e novo olavete
também. No Roda Viva, Lobão defendeu sua reputação de rebelde ao fugir
magistralmente de uma pergunta sobre o aborto.
O outro é o professor Marco Antônio Villa, que conseguiu
passar o ano sem acertar nenhuma previsão e mesmo assim tem cadeira cativa em
todas as mídias nacionais.
O patrono do TS é ele, e só poderia ser ele: José Serra.
Mas Joaquim Barbosa pode obrigar Serra a cedê-la a ele, JB,
nosso Batman, nosso menino pobre que mudou o Brasil e, nas horas vagas, arrumou
um emprego para o júnior na Globo.
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