Investigadores da Operação Zelotes deveriam dar uma
batida na vice-presidência de Relações Institucionais da Globo, pois existem
também coincidências interessantes por lá
por Helena Sthephanowitz, para a RBA // http://www.redebrasilatual.com.br/
A busca e apreensão na empresa de Luís Cláudio da
Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, tentando associar a prorrogação
de uma medida provisória de 2009 com um negócio da empresa – de 2014 –, dada a
fundamentação frágil que a justifica, parece pretexto para se fazer uma devassa
na empresa, na expectativa de se encontrar qualquer coisa que renda manchetes
aos portais e jornais.
Lembra outro episódio mais ou menos recente, quando
a promotora Márcia Milhomens Corrêa, do Ministério Público do Distrito Federal,
pediu uma devassa sobre telefonemas de um certo local dando apenas as suas
coordenadas geográficas. A alegação era investigar uma informação que, logo
depois, mostrou ser mais um factoide lançado pela imprensa: o suposto uso de
telefone celular pelo ex-ministro José Dirceu, quando estava preso em regime
fechado. O problema é que a promotora “esqueceu” de mencionar que as
coordenadas geográficas eram do Palácio do Planalto. Ou seja, na prática, a
ação possibilitaria bisbilhotar todo e qualquer telefonema na sede da
Presidência da República.
Se for para fazer busca e apreensão com bases tão
frágeis, os investigadores da Operação Zelotes teriam de dar uma batida na
vice-presidência de Relações Institucionais da Globo, pois existem também
coincidências interessantes por lá.
“Vice-presidente de Relações Institucionais” é o
nome comumente dado no mundo das grandes empresas ao executivo encarregado de
fazer lobby junto a autoridades governamentais, parlamentares e, pelo visto
recentemente, até nos tribunais e Ministério Público. Quem ocupa o cargo no
grupo Globo, desde 2011, é Paulo Tonet Camargo. Uma busca na agenda pública de
autoridades do Ministério das Comunicações mostra que Tonet é assíduo
frequentador dos gabinetes do ministério. Seu papel é defender interesses das
Organizações Globo junto ao governo.
Mas o que chama atenção é o currículo anterior de
Tonet. Largou a carreira no Ministério Público do Rio Grande do Sul e, após
passar pelo Ministério da Justiça como diretor do Departamento Penitenciário
Nacional, de 1995 a 1997, no governo FHC, foi trabalhar na RBS (afiliada da TV
Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina), onde foi diretor-geral em
Brasília e vice-presidente jurídico e institucional, de 1998 a 2011, quando foi
promovido para a matriz da Globo.
O cargo na RBS já foi ocupado anteriormente por
Augusto Nardes, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), também
implicado pelos investigadores na Operação Zelotes da Polícia Federal.
A RBS é uma das empresas investigadas. Documentos
apontam pagamento de propina de R$ 11,7 milhões a um conselheiro do Conselho Administrativo
de Recursos Fiscais (Carf) para anular ou reduzir uma vultosa dívida tributária
da empresa com a Receita Federal. Pelo cargo de vice-presidente jurídico e
institucional que ocupava na RBS, estaria dentro de suas atribuições lidar com
esse assunto, a autuação milionária da Receita, além de fazer gestões junto a
órgãos públicos no interesse da empresa.
Não fosse um diretor da Globo, esse conjunto de
fatos seria prato cheio para repórteres inescrupulosos fazerem ilações e
pressão para a Polícia Federal fazer uma devassa em seus endereços e sigilos
fiscais, telefônicos e bancários. Mas o fato é que, sem uma evidência mais
clara da participação da pessoa na autoria do ilícito, não há base que
justifique buscas e quebras de sigilo apenas por cargos que ocupou e
negociações de que participou, da mesma forma que se Luís Cláudio não fosse
filho de Lula seria preciso algo bem mais concreto do que ilações sobre uma
medida provisória necessária para o Brasil, de quatro anos antes, para
justificar medidas judiciais invasivas.
Mas Tonet é da Globo. E Luís Cláudio Lula da Silva
nem sequer é propriamente o alvo da ação política. O alvo é o pai. Parodiando
frase de 1950 de Carlos Lacerda sobre Getúlio Vargas, a perseguição política em
curso visa primeiro a que Lula não seja candidato à Presidência em 2018. Se for
candidato, que não seja eleito. Se eleito, que não tome posse. Empossado, que
seja derrubado.

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