Nonato Menezes
No Brasil há dois tipos de militantes de esquerda, os que militam em defesa de princípios e aqueles que se dizem de esquerda, mas são submissos à conveniência.
Florestan Fernandes dizia que “ser democrático é ser radical em defesa de princípios”.
Tomo esta expressão para afirmar que “ser de esquerda é ser radical em defesa de princípios”. Mas que princípios? Alguns abordarei a seguir.
Esquerda de Princípio é aquela que não milita por dinheiro, mas por causas. Ela quer o poder de Estado, mas não para fazer negócios para si. É idealista, carrega bandeiras bem definidas e muitas vezes faz de suas causas estilo de vida. Valoriza a Cultura, defende a Economia, mas distribuída. É defensora intransigente da pluralidade. Não tergiversa sobre a importância do Estado.
A Esquerda de Princípio não teme o sacrifício, pois não muda de lado quando perde uma eleição, porque valoriza a ação política mais do que “qualquer vitória”. Respeita as regras previamente definidas e defende o debate público, franco e aberto.
A Esquerda de Conveniência faz o mesmo discurso da esquerda de princípios, defende as mesmas causas, mas se diferencia na ação. Ela não faz a disputa política focada no debate e no convencimento, porque não admite o sacrifício da derrota, por isso tem como prática recorrer a manobras. O que importa a ela é a “vitória”, não a ação política como motor da História, como avanço pessoal, social e institucional.
A dois passos de nós há instituições dominadas por pessoas da Esquerda de Conveniência que conseguem, “democraticamente”, se perpetuar no poder, às vezes, por décadas, com “vitórias”, quase sempre, conseguidas à base de manobras.
A Esquerda de Conveniência não nega o debate franco e aberto, mas o rejeita por não aceitar a crítica. Sua rejeição costuma ser sutil, feita através da crítica ao debate aberto por ser, segundo ela, de tom professoral, de querer ensinar, sobretudo, quando o debate tende a ser qualificado.
Eis alguns exemplos de pessoas públicas que apontam para o que aqui está proposto.
Marilena Chauí, com toda sua grandeza intelectual e firmeza de propósitos, foi a voz mais forte e das poucas que se levantaram contra a Lava-Jato, ao afirmar, sem demonstrar insegurança, que havia interferência e interesse do governo dos EUA naquela operação. José Genoíno e José Dirceu sofreram na armadilha do Mensalão. Foram sacaneados ao limite, mas não renunciaram aos princípios que os identificam como de esquerda. Há mais exemplos, claro. Estes são exemplos evidentes de Esquerda de PRINCÍPIOS.
Aldo Rebelo, "comunista" combativo do PCdoB, ex-ministro do governo Lula e da presidenta Dilma. Numa entrevista recente, Aldo negou a tentativa de golpe por Bolsonaro, afirmando que o roteiro dos eventos de 08 de janeiro de 2023 não faz parte do “manual de golpe de Estado”. E fechou com a máxima: “às vezes, tenho apreço por Bolsonaro”.
Fernando Gabeira, de guerrilheiro inimigo da Ditadura civil/militar a comentarista da Rede Globo, maior conglomerado de mídia do Brasil, sucursal do império e golpista por natureza, faz parte dessa “corrente. Há milhares, também.
Posso estar enganado, mas se há algo que contribui para atrapalhar o avanço das esquerdas no Brasil, é a ESQUERDA DE CONVENIÊNCIA.

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