Trump e Netanyahu tiveram uma ideia terrível: reprimir as exportações de petróleo iraniano para a China.
Trump se reúne com Netanyahu na Casa Branca. (Conta X de Netanyahu)
Os Estados Unidos e Israel conspiraram para pressionar o Irã e até mesmo querem estender sua influência à China.
Em 14 de fevereiro, o Axios, citando duas fontes americanas bem informadas, noticiou que, no início da semana, o presidente dos EUA, Trump, se reuniu com o primeiro-ministro israelense, Netanyahu, na Casa Branca. Os dois concordaram em intensificar a "pressão máxima" sobre o Irã, incluindo o endurecimento das restrições às exportações de petróleo do país para a China, a fim de forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear.
Segundo um alto funcionário americano familiarizado com o assunto, Trump e Netanyahu declararam: "Concordamos em exercer a máxima pressão sobre o Irã, por exemplo, em relação às vendas de petróleo iranianas para a China."
O Irã é considerado um grande exportador de petróleo, com aproximadamente 80% de suas exportações destinadas à China. Isso levou os Estados Unidos e Israel a acreditarem que restringir o comércio de petróleo entre os dois países aumentaria "significativamente" a pressão econômica sobre Teerã.
Dados do Ministério das Relações Exteriores da China mostram que a indústria petrolífera é um pilar da economia iraniana e uma de suas principais fontes de divisas, representando mais da metade de sua receita cambial. Nos últimos anos, fatores como as sanções dos EUA impactaram significativamente o crescimento econômico do Irã. Segundo estatísticas do Banco Mundial, o PIB do Irã em 2024 foi de aproximadamente US$ 436,9 bilhões, com um PIB per capita de US$ 4.771.
Segundo o Axios, as campanhas de pressão dos EUA e de Israel contra o Irã prosseguirão simultaneamente às negociações entre EUA e Irã. Na próxima semana, delegações americanas e iranianas darão continuidade a uma nova rodada de conversas em Genebra, na Suíça, mas a data exata ainda não foi definida.
Um funcionário americano afirmou que os EUA acreditam que "não há nenhuma chance" de os EUA e o Irã chegarem a um acordo.
Outro funcionário americano bem informado afirmou algo semelhante: "Mantemos uma postura sóbria e realista em relação aos iranianos. A decisão está nas mãos deles. Mas não aceitaremos nada que não seja um acordo genuíno."
Além disso, os Estados Unidos e Israel também têm divergências sobre a questão nuclear iraniana.
Foi revelado que Netanyahu, durante seu encontro com Trump, afirmou duvidar que Teerã cumpriria qualquer acordo, classificando um pacto com o Irã como "impossível". Trump teria respondido: "Veremos se é possível. Vamos tentar."
Witkov (ao centro) e Kushner em Omã, Ministério das Relações Exteriores de Omã
Relatos também indicam que o enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkov, e o genro de Trump, Jared Kushner, disseram a Trump que os iranianos "disseram a coisa certa" nas negociações e que "continuarão a negociar e a adotar uma postura firme".
Um funcionário americano disse que, se o Irã concordar com as exigências dos EUA, o enviado especial apresentará opções a Trump "para que ele possa decidir se aceita ou não".
A Axios também citou uma reportagem recente de um jornalista iraniano. A reportagem afirmava que a proposta de Witkov incluía uma suspensão de três a cinco anos das atividades de enriquecimento do Irã, após a qual o país teria permissão para enriquecer urânio a "níveis muito baixos". A proposta também estipulava a "remoção dos 450 quilos de urânio altamente enriquecido atualmente em poder do Irã" e sua transferência para um terceiro país. Segundo relatos da mídia iraniana, Teerã rejeitou a proposta.
No entanto, um funcionário americano negou ao Axios que Washington tenha alguma vez feito tal proposta.
No dia 14, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que participava da Conferência de Segurança de Munique, também abordou a questão do Irã em uma entrevista à Bloomberg. Ele afirmou que, se o Líder Supremo iraniano, Khamenei, quisesse se encontrar com Trump, Trump concordaria.
Rubio reiterou a posição dos EUA sobre o Irã: primeiro, o Irã jamais terá permissão para possuir armas nucleares; segundo, os EUA claramente desejam manter uma presença militar na região, "porque o Irã demonstrou a disposição e a capacidade de atacar e bombardear a presença americana na região". Ele acrescentou que Trump prefere resolver disputas por meio de acordos.
No mês passado, Trump ameaçou impor uma tarifa de 25% a qualquer país que faça negócios com o Irã.
Muitos veículos de comunicação internacionais têm concentrado sua atenção na China, o maior parceiro comercial do Irã. A Reuters noticiou que a ameaça de Trump poderia reacender antigas tensões entre os EUA e a China em relação ao Irã. Outros temem que isso possa prejudicar o acordo de "trégua" comercial firmado entre os dois países.
Analistas apontam que Trump gosta de intimidar os mais fracos, mas ele deveria se conter e evitar que a situação se transforme em um confronto direto com a China. Wu Xinbo, diretor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Fudan, acredita que a China perceberá a farsa de Trump. "Trump não tem coragem de impor uma tarifa adicional de 25% sobre a China; se o fizer, a China retaliará e ele pagará o preço."
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