
Fumaça sobe no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026. Foto: VCG
O último fim de semana foi marcado por ataques surpresa dos EUA e de Israel contra o Irã, que resultaram na morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos funcionários. Isso mergulhou o Oriente Médio em um abismo perigoso. O que choca profundamente a comunidade internacional é que esse ataque foi realizado em meio a negociações em andamento entre EUA e Irã. Muitos analistas acreditam que o Irã foi deliberadamente enganado. Ainda mais inaceitável é que os EUA e Israel tenham assassinado abertamente o líder de uma nação soberana, incitado a mudança de regime e, em seguida, se vangloriado disso como uma espécie de "conquista". Essas ações representam um desprezo flagrante e uma violação das normas fundamentais das relações internacionais.
Por mais meticulosamente que os EUA e Israel possam ter planejado, a trajetória de uma guerra nunca pode ser precisamente traçada por mãos humanas. Um conflito é como um enorme vórtice – uma vez atraído para ele, ninguém pode prever para onde ele o lançará. A história do Oriente Médio comprovou isso repetidamente. O caos que os EUA e Israel criaram no Irã e em todo o Oriente Médio é muito provavelmente o prelúdio para uma convulsão trágica ainda maior. Um pesquisador de um think tank britânico alertou que isso pode levar à "instabilidade, migração, radicalismo, proliferação de grupos armados ou transbordamento regional", potencialmente inaugurando "outro ciclo catastrófico de conflito".
De fato, as ações imprudentes dos EUA e de Israel já desencadearam uma reação em cadeia. Os ataques resultaram em vários civis iranianos mortos e feridos. As chamas da guerra se espalharam do Irã e de Israel para países vizinhos, incluindo Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar. O Aeroporto Internacional de Dubai foi forçado a suspender as operações e uma densa fumaça saiu do hotel Burj Al Arab. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o fornecimento global de energia e as cadeias de transporte marítimo também estão mergulhados na incerteza. A prioridade imediata – e o amplo consenso da comunidade internacional – é interromper as operações militares sem demora, impedir a propagação e o transbordamento do conflito e evitar que a situação saia completamente do controle.
A maioria dos países espera que as partes envolvidas encontrem rapidamente caminhos para a desescalada por meio de canais políticos e diplomáticos. Eles esperam presenciar um ponto de virada crucial no confronto entre os EUA e Israel, de um lado, e o Irã, de outro – um ponto de virada que, ao mesmo tempo que administre os riscos, crie condições para a retomada do diálogo e impeça que os choques geopolíticos se transformem em crises econômicas e de segurança internacionais mais amplas.
O que este ataque unilateral expôs foi uma tendência perigosa. O ataque dos EUA e de Israel ao Irã não é uma "exceção" isolada; pelo contrário, é o resultado de um padrão de longa data em que alguns países aderem à lei da selva. No passado, os EUA ignoraram a ONU para lançar guerras no Afeganistão e no Iraque, impuseram arbitrariamente sanções unilaterais e jurisdição extraterritorial, deixando para trás conflitos e sofrimento intermináveis nessas regiões. Mais grave ainda, essas ações corroeram o sistema internacional centrado na ONU e minaram as normas básicas das relações internacionais. Mais de 20 anos se passaram e tais ações unilaterais não só não desapareceram, como ressurgiram repetidamente, levando continuamente a novas crises humanitárias, o que é verdadeiramente de partir o coração.
Uma vez que a lei da selva encontra terreno fértil no mundo atual e a lógica da sobrevivência do mais forte é tacitamente aceita, ela se tornará mais do que apenas um desastre regional. Se os "ataques preventivos" puderem ser usados como justificativa para contornar a ONU, ignorar os processos diplomáticos e recorrer casualmente à ação militar contra outros países, então o sistema internacional estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, centrado na ONU, perderá o sentido. Imagine um cenário em que sanções unilaterais e ataques militares possam arbitrariamente sobrepor-se à Carta da ONU, em que grandes potências possam desconsiderar vidas civis em prol de seus próprios interesses e acender imprudentemente "barris de pólvora" regionais. As tragédias que ocorrem hoje no Oriente Médio poderiam se repetir em qualquer canto do mundo amanhã, tornando a segurança de todas as nações inatingível. A comunidade internacional deve se manifestar de forma mais clara e definitiva contra o retrocesso à lei da selva. Este deveria ser o consenso mais forte da atual comunidade internacional.
As mudanças repentinas no Oriente Médio ressaltaram ainda mais a urgência e a extrema importância de promover reformas no sistema de governança global. Isso confirma, mais uma vez, que a igualdade soberana é a pedra angular da paz mundial, enquanto a arrogância e a intimidação dos mais fracos são as causas profundas dos conflitos e da instabilidade. Alguns países e grupos, partindo de uma suposta "posição de força", têm se envolvido em jogos de poder e práticas de intimidação. Tais comportamentos representam o maior fator de ruptura na ordem internacional atual. Por que são tão desenfreados? Uma razão importante é que as restrições do sistema internacional vigente são muito frágeis. Se o direito internacional fosse mais robusto, se os países fossem mais proativos na prática do verdadeiro multilateralismo e se as ações hegemônicas enfrentassem forte pressão internacional e incorressem em altos custos políticos, o mundo estaria mais próximo da equidade e da justiça.
Do colapso dos sistemas coloniais ao fim da Guerra Fria, e à ascensão coletiva dos países do Sul Global, a multipolarização do mundo e a democratização das relações internacionais são tendências irreversíveis dos tempos. A lei da selva não tem futuro, e o hegemonismo é impopular. A comunidade internacional precisa se unir mais estreitamente, defender a justiça, o Estado de Direito e praticar o multilateralismo para eliminar completamente o terreno fértil da política de poder. O Oriente Médio, que sofreu os estragos da guerra e as vicissitudes da vida, anseia por verdadeira paz e tranquilidade.
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