
26.03.2026 - Presidente da. República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro, no Auditório Caminho Niemeyer. Niterói - RJ.
Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)
O único candidato a presidente do Brasil, do Brasil soberano e democrático, do Brasil em primeiro lugar, é Lula
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As eleições presidenciais de 2026 no Brasil serão disputadas basicamente por dois candidatos: Lula e Trump.
Trump?
Sim, Trump.
Ou, melhor dizendo, o candidato brasileiro que representará os interesses de Donald Trump, das Big Techs estadunidenses e da extrema direita dos EUA.
Tudo indica que esse candidato será Flávio Bolsonaro. Mas isso é irrelevante. Poderia ser outro da direita brasileira. A natureza da candidatura não mudaria.
Não é exagero.
Como todos sabem, a diretriz principal da nova Estratégia de Segurança Nacional de Trump preconiza, como essencial para a segurança dos EUA, a aplicação estrita do “direito” inconteste estadunidense de controlar diretamente, pela força e por quaisquer meios necessários, a América Latina, o Caribe, além do próprio Canadá e da Groenlândia.
Trata-se de um aggiornamento geopolítico da antiga Doutrina Monroe, de 1823, e, mais precisamente, do seu corolário, tal como expressado originalmente pelo presidente Theodore Roosevelt, em 1904, e, agora, de novo, por Donald Trump.
O nosso “Hemisfério” voltou a ser encarado como zona de influência exclusiva dos EUA. Um “quintal” que tem de estar inteiramente à disposição dos interesses de Washington e da extrema-direita estadunidense.
Nessa visão neocolonial, não há espaço para autonomia geopolítica dos países, ainda que relativa.
É imprescindível que os governos da região sejam submissos e inteiramente alinhados às necessidades e interesses do Império trumpista, com sua nova e implacável hegemonia predatória, ou mafiosa, como prefiro definir.
Para atingir essa finalidade, além da pressão política, comercial e econômica direta, as Big Techs estadunidenses, com seu amplo domínio da internet e das redes sociais desreguladas ou mal reguladas, desempenham papel muito relevante.
Especialmente em períodos eleitorais, elas são muito úteis e eficazes, com seu uso abusivo e extenso da inteligência artificial, para desgastar governos “não cooperativos” e promover as candidaturas de prepostos do Império. O Brasil, nesse ponto, está muito desprotegido e tem grandes lacunas jurídicas que podem ser agilmente exploradas.
Tal estratégia imperial já obteve êxito em El Salvador, no Equador, no Peru, no Paraguai, no Panamá, na Argentina, no Chile e na própria Venezuela, que sofreu uma breve, mas brutal intervenção militar.
Não obstante, para que a estratégia da hegemonia absoluta dos EUA sobre o “Hemisfério” funcione a contento, é imprescindível que o Brasil, o grande país da América Latina, também tenha um governo submisso a Trump e ao MAGA.
Um governo como o de Jair Bolsonaro, que foi eleito com grande apoio da extrema-direita estadunidense, e que fazia questão de bater continência à bandeira dos EUA e de manifestar patéticas e vergonhosas declarações de amor a Trump.
O bolsonarismo, lembre-se, é parte da extrema-direita liderada por Trump. Todos se recordam, notadamente na época do chanceler pré-iluminista, Ernesto Araújo, que praticávamos uma política externa que ensaiava uma perigosa ruptura com a ordem mundial multilateralista e suas instituições. Algo que, inclusive, retardou a compra de vacinas durante a pandemia e dificultou uma franca cooperação com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Chegou-se mesmo a se afirmar que a condição de “pária internacional” do Brasil da época era algo desejável, condição da qual deveríamos nos orgulhar.
Pois bem, um governo de Flávio Bolsonaro seria uma repetição piorada daquele governo. Piorada porque hoje as demandas e exigências de submissão do Império são mais rígidas e amplas, como todos podem observar mundo afora.
Trump, em seu terceiro governo, exige submissão; não simples cooperação. Quer bajuladores caninos. Não se contenta com meros aliados. Exige vassalos servis.
Quer acesso irrestrito e exclusivo aos recursos naturais de outros países. Quer até mesmo se apropriar de territórios de nações aliadas. Ou incorporar países inteiros, como o Canadá. Exige tarifas de proteção altíssimas para proteger o mercado interno dos EUA, ao mesmo tempo que impõe abertura dos mercados dos outros países para produtos Made in USA.
Jogou fora todas as regras que os próprios EUA criaram para controlar o planeta e pôs no lugar uma distópica anomia hobbesiana, baseada no uso exclusivo da força. Corroeu o multilateralismo e todas as suas instituições e “bilateralizou” as relações internacionais, impondo “negociações” fortemente assimétricas com outras nações, especialmente com as mais fracas e desprotegidas.
Vê as relações entre os países como um jogo de soma zero. Para que os EUA ganhem, é preciso que os outros, inclusive os antigos aliados, percam. Simples assim. A lógica tosca e primitiva de um representante das máfias imobiliárias de Nova Iorque se estendeu ao planeta.
Por isso, quer um “Hemisfério” sem a presença de “rivais”, como China e Rússia.
O bolsonarismo e a família Bolsonaro estão em inteira sintonia com essa proposta distópica, que agride fortemente nossa democracia e nossa soberania.
Eduardo Bolsonaro se esforçou para que Trump impusesse sanções comerciais contra o Brasil, sua economia, seus empregos.
Agora, Flávio Bolsonaro, em demonstração explícita e pública de servilismo, foi aos EUA pedir “pressão diplomática” para que as eleições brasileiras se façam dentro dos “valores americanos”, isto é, deixando as Big Techs atuarem livremente, sem limites jurídicos ou éticos, de modo a favorecê-lo. Também prometeu acesso irrestrito às nossas reservas de minerais críticos.
Ao que parece, já colocou o Brasil à venda. E não são apenas os recursos naturais. Colocou no leilão geopolítico também nossa democracia, nossa soberania, nossos valores.
Fará, evidentemente, o que Trump exigir.
Trump exigirá, sem dúvida, que o Brasil se afaste da China, da Rússia e de outros parceiros não alinhados com os EUA. Provavelmente, demandará que o Brasil abandone o BRICS. Deverá exigir que o Brasil e o Mercosul concedam aos EUA a mesma abertura de mercado que foi concedida à União Europeia. Só que sem contrapartidas efetivas dos EUA. Demandará também o desinvestimento na integração regional.
Não sabemos ao certo o que mais poderia vir. Porém, é seguro que a conta geopolítica e geoeconômica será muito alta. Alta o bastante para nos inviabilizar como país soberano e democrático. Elevada o suficiente para nos converter, na prática, em uma espécie de protetorado. Um grande Porto Rico.
E o pior é que a grande imprensa e boa parte das nossas oligarquias estão embarcando nessa aposta. Uma aposta que as destruirá. Que nos destruirá.
Afinal, a candidatura de Flávio Bolsonaro é a candidatura do “America First, Brazil Last”.
Não tem estratégia alguma para o Brasil. Sua estratégia é simplesmente “seguir o líder”.
É um simples preposto de Trump e do MAGA. Um vácuo de patriotismo e de ideias próprias e viáveis.
O verdadeiro candidato desse campo obsoleto, arcaico, inviável e distópico é o próprio Trump. Candidato a Imperador do Brasil e do “Hemisfério”
O único candidato a presidente do Brasil, do Brasil soberano e democrático, do Brasil em primeiro lugar, é outro.
Chama-se Lula. E só bate continência para a bandeira do Brasil.
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