O governo libanês está entregando o país a Israel e aos Estados Unidos.

© Foto: Domínio público

A participação contínua do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, devido à ofensiva de forças reacionárias contra ele, em aliança com Israel.

O atual governo do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam está trabalhando ativamente para entregar a soberania do Líbano aos maiores inimigos do povo libanês: o regime sionista de Israel e o imperialismo americano.

Desde o início da agressão criminosa de Tel Aviv e Washington contra o Irã, no início de março, que se estendeu ao sul do Líbano, o governo libanês tem promovido uma série de medidas legais para impedir a resistência popular contra a invasão de seu próprio país pelo exército israelense.

Em 2 de março, o Hezbollah atacou Israel não apenas em retaliação à agressão contra o povo irmão do Irã, mas também em resposta às repetidas violações do cessar-fogo por parte de Israel. Os dois lados haviam estabelecido um cessar-fogo em novembro de 2024, após a invasão israelense do sul do Líbano como parte do genocídio em Gaza. No entanto, Israel realizou mais de 10.000 violações do espaço aéreo libanês e mais de 1.400 incursões terrestres até o início deste ano, de acordo com a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). O número de violações compilado por especialistas da ONU é ainda mais impressionante: mais de 2.000 apenas nos últimos três meses de 2025.

Qual foi a ação do governo libanês? Não, ele não mobilizou um único soldado para proteger a integridade territorial do país diante das milhares de incursões militares israelenses. Pelo contrário: condenou as operações do Hezbollah em defesa do território libanês e as proibiu, declarando-as “ilegais”.

Além disso, Nawaf Salam classificou a defesa da soberania libanesa pelo Hezbollah como "atos irresponsáveis", enquanto Aoun acusou o partido de "arrastar o país para a guerra" — como se o Líbano já não estivesse em guerra há mais de dois anos, uma guerra contra a invasão militar israelense, na qual a única força que luta contra os invasores é justamente o Hezbollah.

Por sua vez, o Ministro das Relações Exteriores, Youssef Raggi, já havia declarado que “Israel tem o direito de continuar seus ataques enquanto o Hezbollah permanecer armado”. Como se pode ver, salvaguardar a soberania e a proteção contra ameaças externas está longe de ser o objetivo do ministro.

Mas isso deixa de ser surpreendente quando se descobre que Raggi pertence ao partido de extrema-direita Forças Libanesas. O partido foi fundado por Bashir Gemayel — o notório agente da CIA e do Mossad que se tornou presidente do Líbano e cuja Falange, sob seu comando, juntamente com o exército israelense, realizou o infame Massacre de Sabra e Shatila contra palestinos poucos dias após sua morte.

Conforme revelado pelo renomado jornalista investigativo americano Bob Woodward em seu livro de 1987, VEIL – As Guerras Secretas da CIA 1981-1987 , Gemayel foi recrutado e começou a receber pagamentos regulares da CIA na década de 1970. Quando se tornou presidente do Líbano, passou a receber assistência paramilitar clandestina de Israel, e Ariel Sharon pressionou Ronald Reagan para que lhe enviasse mais dez milhões de dólares. "Bashir manteve relações estreitas com Sharon e com o Mossad israelense", escreveu Woodward em sua obra reveladora.

Dado esse histórico, não seria surpreendente se fosse revelado que o governo de Raggi, Salam e Aoun é um órgão representativo do Mossad e da CIA. Não faltam indícios disso, como estamos constatando. Ainda mais depois que Aoun acusou o Hezbollah de agir “em nome do Irã”, sem levar em conta “os interesses do Líbano e a vida de seu povo”.

Repito: a única organização que defende a soberania, os interesses e as vidas do povo libanês é precisamente o Hezbollah. E esta é uma tradição libanesa: tem sido assim desde a fundação do partido, no início da ocupação israelense, que só terminou com a expulsão das forças invasoras pelo próprio Hezbollah. Foi assim novamente em 2006. E é assim agora. Enquanto isso, os sucessivos governos libaneses têm sido abertamente colaborativos ou, no mínimo, cúmplices dos crimes cometidos pela entidade sionista contra o seu próprio povo.

Desde o ano passado, as autoridades do governo libanês vêm implementando uma tentativa de cercar o Hezbollah para desarmá-lo sob o pretexto de pacificar o país. Mas o partido nunca concordou com essa decisão unilateral, tomada após pressão dos governos dos Estados Unidos e de Israel. Em setembro, o enviado especial de Washington, Tom Barrack, afirmou explicitamente que o Pentágono está armando o exército libanês para combater o Hezbollah: “Contra quem mais eles lutariam? Estamos armando-os para lutar contra Israel? Acho que não”, disse ele à National News.

Em outras palavras, enquanto o Líbano está sendo invadido pelos maiores inimigos dos árabes e dos povos de todo o mundo, o exército e o Estado libaneses estão tentando desarmar a população — afinal, o braço armado do Hezbollah é um verdadeiro exército do povo — para deixá-la indefesa diante dos invasores.

No início de março, as forças armadas libanesas prenderam dezenas de pessoas por posse de armas e munições, após a decisão do governo de proibir as atividades militares do Hezbollah.

Entretanto, a atual agressão israelense contra o Líbano já matou mais de 1.000 pessoas e feriu 3.000 libaneses. Esses números se somam aos mais de 3.500 civis mortos na invasão de outubro-novembro de 2024 e aos aproximadamente 500 mortos durante o cessar-fogo, de novembro de 2024 até o final de fevereiro de 2026. No total, portanto, cerca de 5.000 civis libaneses foram mortos por Israel no último ano e meio — sem mencionar o uso de fósforo branco pelo exército israelense contra civis, documentado por organizações internacionais.

O Hezbollah é uma organização popular de luta e resistência com potencial revolucionário. É por isso que a frágil burguesia libanesa, intrinsecamente ligada e dependente do imperialismo, assim como outros setores latifundiários, clericais e militares atrelados à minoria governante, lançaram uma ofensiva para aniquilar o Hezbollah.

O Oriente Médio, um verdadeiro barril de pólvora, atravessa um período revolucionário desencadeado pela Operação Inundação de Al-Aqsa e continuado pela guerra do Irã contra os Estados Unidos e Israel. O castelo de cartas que constitui os regimes monárquicos, militares e burocráticos “liberais” — como o do Líbano — começa a ruir. O Hezbollah representa os interesses da nação libanesa e da nação árabe dentro do Líbano, os interesses dos povos oprimidos. Sua existência é uma ameaça para os exploradores do povo libanês, aliados dos exploradores de todos os povos da região.

A questão para o Hezbollah, nesse cenário, é a seguinte: o Líbano é sustentado por um governo de coalizão do qual o Hezbollah participa graças à autoridade popular conquistada com a expulsão militar dos sionistas nas duas guerras do início do século. De certa forma, desde que o Hezbollah emergiu como o principal partido libanês — um partido das massas mais oprimidas — o Líbano convive com uma espécie de dualidade de poder. De um lado, as forças tradicionais da ordem, a burguesia, o imperialismo e o sionismo, atualmente representados por Salam e Aoun. Do outro lado, o Hezbollah e seu aliado, o Movimento Amal — mas sobretudo os serviços sociais do Hezbollah, em áreas como saúde, educação, construção civil e até mesmo fornecimento de energia e água, que auxiliam centenas de milhares de pessoas excluídas dos serviços governamentais libaneses.

Agora, essa conciliação de classes está mais tensa do que nunca. A guerra de agressão israelense contra o Líbano representa um novo ponto de virada: a classe dominante, anti-Hezbollah, prefere entregar o país a Israel e aniquilar a principal organização do povo libanês a formar uma frente unida com o Hezbollah para expulsar o invasor; o Hezbollah resiste com armas em punho e contra-ataca o inimigo estrangeiro, defendendo a soberania do Líbano.

A participação contínua do Hezbollah no governo de coalizão pode estar com os dias contados, devido à ofensiva das forças reacionárias contra o grupo, em aliança com Israel. As massas populares que acreditam no Hezbollah, assim como seus militantes e líderes, podem começar a perceber de uma vez por todas que a política de aliança e conciliação com a grande burguesia e a burocracia libanesas se esgotou e que, daqui para frente, só será prejudicial à luta pela independência definitiva do Líbano.

O Hezbollah é o partido do povo libanês e o exército do povo libanês. Não precisa de aliança com aqueles que repetidamente provaram estar a serviço de Israel e dos Estados Unidos contra o povo libanês. A aliança do Hezbollah, como já demonstrado pela luta, é com o Eixo da Resistência e com as organizações libanesas que realmente lutam pela expulsão dos invasores. É a única aliança que garantirá a vitória completa e definitiva do povo libanês: a vitória contra seus opressores externos e internos.

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