O Ocidente, contra os direitos e as liberdades.


Editorial

Na semana passada, um tribunal de Frankfurt confirmou o brutal regime de pena de morte civil imposto pela União Europeia ao jornalista turco-alemão Hüseyin Doğru, congelando suas contas bancárias e proibindo-o de exercer qualquer atividade remunerada ou trabalhar de forma independente, bem como de viajar dentro do Espaço Schengen. Além disso, nos últimos dias, as autoridades alemãs estenderam o congelamento das contas à esposa do jornalista, que, entre outras coisas, tem documentado a crescente adesão de Berlim ao autoritarismo de direita prevalente em grande parte do mundo, o trabalho de organizações de solidariedade à Palestina e a violência policial empregada para reprimi-las. As autoridades o acusam de "semear discórdia étnica, política e religiosa" e de contribuir para "atividades desestabilizadoras da Rússia", sem qualquer fundamento além dos tweets de denúncia de Doğru e de sua colaboração anterior com o veículo de comunicação Russia Today (RT). A proibição de acesso aos seus próprios recursos financeiros se estende a qualquer pessoa que tente lhe fornecer dinheiro, o que pode resultar em acusações criminais. Com três filhos pequenos, o jornalista só consegue fazer saques de 506 euros por mês (um pouco mais de 10.000 pesos mexicanos à taxa de câmbio atual), uma quantia totalmente insuficiente para as despesas de uma família em Berlim, agravada pelo fato de não poder usar esse dinheiro para pagar o aluguel ou contratar serviços essenciais.

Muito mais conhecido é o caso de Francesca Albanese, Relatora Especial das Nações Unidas para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados por Israel. O governo Trump impôs a ela uma lista negra financeira global por suas denúncias do genocídio perpetrado pelo regime de Tel Aviv nesses territórios. A perseguição a essa autoridade internacional chegou ao ponto em que os ministérios das Relações Exteriores da França, Alemanha, República Tcheca e sua Itália natal pediram sua destituição, atribuindo a ela supostas declarações de que Israel é um “inimigo da humanidade”, uma afirmação que ela nega. A acusação é tão flagrantemente falsa que a Anistia Internacional exigiu, no mês passado, que os governos desses países se retratassem, com base em “um vídeo deliberadamente editado para distorcer e deturpar seriamente suas mensagens, o que fica evidente ao assistir ao seu discurso original na íntegra”.

Outro exemplo da guinada repressiva e persecutória em que governantes de direita mergulharam o velho continente é o do diplomata libanês Mohamad Safa, promotor de ajuda humanitária e defensor dos direitos humanos, da justiça social e da ação climática. Até este mês, ele era o diretor executivo e representante na ONU da organização não governamental Visão Patriótica (PVA), que detém status consultivo especial junto ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC), o órgão máximo da ONU. Impedido de usar o sistema bancário nos últimos dois anos por denunciar crimes de guerra perpetrados por Israel, Safa foi recentemente forçado a renunciar a ambos os cargos depois que o banco Sparkasse encerrou a conta de sua esposa.

Um quarto caso é o do rapper catalão Pablo Hasél, que, apesar das campanhas internacionais exigindo sua libertação, está preso na Espanha há mais de cinco anos por "glorificar o terrorismo, insultar a coroa e difamar as instituições do Estado".

Os exemplos mencionados não são os únicos, mas são alguns dos mais representativos da erosão das liberdades fundamentais no que insiste em se autodenominar “mundo livre”, composto por países supostamente democráticos que, por um lado, reagem com conivência aos crimes contra a humanidade perpetrados por Israel e pelos Estados Unidos e, por outro, rotulam nações como o Irã e Cuba como “ditaduras”, enquanto simultaneamente suprimem os direitos básicos de seus próprios cidadãos por meio de falsificações, distorções e manobras legais. Nesse contexto, seria um erro supor que uma ditadura esteja sendo construída apenas nos Estados Unidos; a situação não é menos preocupante nas nações europeias que se dizem promotoras dos direitos humanos.

"A leitura ilumina o espírito".

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