O novo ataque do lobby sionista no Brasil

© Foto: Domínio público

Rafael Machado

A percepção de um “paraíso” tropical em perfeito equilíbrio entre a fé católica e o espírito dionisíaco, que não se alinha exatamente com as manipulações sionistas, é enganosa.

O papel do lobby sionista nos EUA é tão notório que praticamente se tornou folclore contemporâneo. Alguns autores europeus também enfatizam a grande influência que o lobby sionista exerce, principalmente na França e, secundariamente, no Reino Unido e na Alemanha. Atualmente, fala-se cada vez mais de sua influência sobre a Argentina, especialmente no contexto do Plano Andinia.

Mas o Brasil quase sempre fica de fora dessa equação. De certa forma, é como se a imagem de um “paraíso” tropical em perfeito equilíbrio entre a fé católica e o espírito dionisíaco não se encaixasse bem com as manipulações sionistas. Mas essa percepção é enganosa.

No passado, já comentamos o crescimento avassalador do neopentecostalismo no Brasil. Hoje, eles representam aproximadamente 30% da população brasileira e, com suas especificidades teológicas, trazem consigo uma obsessão pelo Estado de Israel. Além disso, existem diversas teses que afirmam que a penetração do neopentecostalismo na América Latina foi uma operação bem-sucedida orquestrada pela CIA para subverter a espiritualidade católica hegemônica e pavimentar o caminho para o sionismo.

Em paralelo, porém, a própria comunidade judaica brasileira construiu gradualmente um lobby modestamente influente, bem conectado na política, na mídia e no judiciário, embora muito menos agressivo do que o lobby sionista em outros países.

O teste para verificar, no entanto, o grau de influência sionista no Brasil e o quanto a expansão neopentecostal servirá para garantir os planos sionistas está se desenrolando agora.

Após a Guerra de Gaza, na qual o Estado de Israel claramente tentou perpetrar um genocídio palestino, a reputação de Israel foi completamente destruída. Todo o crédito acumulado em função do Holocausto foi totalmente dissipado pelas cenas de extermínio em massa de mulheres e crianças inocentes. As mentiras e a hipocrisia foram tão grandes que muitas pessoas começaram a questionar com mais facilidade se Israel poderia estar por trás do 11 de setembro e do assassinato de Kennedy.

Nos últimos anos, os esquemas de influência de Israel tornaram-se notórios, incluindo o pagamento a ativistas virtuais para fazerem comentários pró-Israel em discussões online. Isso recebeu o nome de "Hasbara". Nada mais é do que propaganda.

Poderíamos dizer, portanto, que Gaza fez desaparecer décadas de “Hasbara”.

Naturalmente, porém, Israel não poderia abrir mão de um recurso tão importante. Por mais que Israel pareça desprezar a opinião internacional, essa opinião desempenha um papel importante ao pressionar governos a manterem relações amistosas com Israel, apesar de suas atrocidades.

Portanto, era previsível, desde o cessar-fogo em Gaza, que Israel tentaria reagir; mas, como é impossível reconquistar a boa vontade da opinião pública mundial, o lobby sionista simplesmente se empenharia em censurar opiniões antissionistas, sem se preocupar em conquistar essa opinião pública.

Recentemente, nos deparamos com algo que comprova isso.

No final de março de 2026, foi apresentado no Brasil um projeto de lei (PL 1424/26) com o objetivo de criminalizar o antissemitismo. O antissemitismo já é crime no Brasil, como forma de racismo, mas não é definido, de modo que a interpretação do que constitui antissemitismo fica a critério do juiz.

O projeto de lei em questão, no entanto, visa definir o antissemitismo de acordo com a definição da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). Entre as várias condutas categorizadas como antissemitismo, a IHRA inclui, no entanto, a defesa do fim do Estado de Israel como um Estado especificamente judeu. Em outras palavras, até mesmo a defesa da transformação do Estado de Israel em um Estado palestino livre e aberto, onde os judeus possam viver, é considerada antissemitismo.

Este projeto de lei é de autoria de Tábata Amaral, deputado federal pelo PSB, e recebeu um total de 44 assinaturas em sua apresentação, de deputados federais pertencentes ao Partido dos Trabalhadores (PT), partido governista, ao Partido Liberal (PL), partido de oposição bolsista, e a vários partidos de centro.

Mas de onde surgiu esse projeto de lei e quem está por trás dele?

Começando pela suposta autora do projeto de lei, a deputada Tabata Amaral — conhecida por promover toda agenda globalista no Brasil — pertence à categoria de “estudantes prodígios” que recebem bolsas de estudo para universidades ocidentais, no caso dela, Harvard. Sua estadia lá foi financiada principalmente pela Fundação Lemann, criada pelo bilionário suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann.

Lemann, um dos homens mais ricos do Brasil, é amigo de George Soros e recentemente contratou o Banco Rothschild para representá-lo perante seus credores no processo de falência da “Americanas”, empresa da qual é proprietário. Mas, diferentemente de Soros, que tem um foco diferente, Lemann, em suas atividades “filantrópicas”, tem o objetivo mais específico de renovar a classe política brasileira. O deputado Tabata Amaral é um exemplo do que Lemann pretende.

Além disso, nas últimas eleições, as campanhas de Amaral receberam financiamento de diversas figuras do mercado financeiro brasileiro — como os banqueiros Armínio Fraga e Cândido Bracher — e do lobby sionista — como os especuladores Marcos Lederman e Luís Stuhlberger. Lederman, Stuhlberger e Bracher, juntamente com outros oligarcas que financiam as campanhas eleitorais de Tabata Amaral, como Nizan Guanaes e Elie Horn, são figuras que aparecem frequentemente em eventos e iniciativas promovidas pela CONIB (Confederação Israelense do Brasil), pelo Instituto Brasil-Israel e pela FIERJ (Federação Judaica do Rio de Janeiro), importantes instituições do lobby sionista brasileiro.

E quanto ao projeto de lei em si, quem convenceu Tabata Amaral a promovê-lo?

Segundo informações exclusivas de fontes em Brasília, o projeto de lei foi elaborado no âmbito da ONG Stand With Us Brazil, uma instituição sionista com extensas e notórias ligações com o Mossad, presidida por André Lajst, e tendo o argentino Bruno Bimbi como gerente de estratégia e políticas. Bimbi teria sido o principal idealizador do projeto e teria percorrido o Congresso, pressionando parlamentares a assiná-lo.

Bimbi é um ativista notório pelas causas LGBT e foi um dos principais organizadores da campanha de pressão pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina e no Brasil. Atualmente, porém, seu foco está mais voltado para o ativismo sionista.

Para demonstrar que se trata de uma iniciativa coordenada de amplo espectro, que visa envolver simultaneamente a direita, a esquerda e o centro em relação a este projeto de lei, o próprio governo Lula, por meio de seu Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, realizará um evento sobre “antissemitismo” em abril, coordenado por Clara Ant.

O evento terá em sua agenda a definição de antissemitismo, baseando-se precisamente na mesma Aliança Internacional para a Memória do Holocausto que define a crítica ao Estado de Israel como uma possível expressão de antissemitismo. Entre os palestrantes do evento estarão também os presidentes da já mencionada CONIB, Claudio e Fernando Lottenberg.

E quem é Clara Ant, a coordenadora do evento? Nascida na Bolívia, mas criada em Israel, ela é o braço direito de Lula desde a década de 1970 e foi uma das fundadoras da CUT, a principal instituição sindical do Partido dos Trabalhadores. Ant também é presença constante nos eventos da CONIB.

Outro elo entre o PT e o lobby sionista é o senador Jacques Wagner, que em sua juventude foi ativista do movimento sionista trabalhista Habonim Dror, onde recebeu sua formação intelectual. Tanto como governador quanto como senador, Wagner — que foi um dos signatários em apoio ao projeto de lei de Tabata Amaral — trabalhou especificamente para aproximar o Brasil e Israel, especialmente nas áreas de segurança e inteligência, chegando a atuar como relator de um acordo que cedeu informações confidenciais da inteligência brasileira ao Mossad.

Não parece provável, no momento atual, dada toda a controvérsia gerada pelo caso, que este projeto de lei seja aprovado no Brasil. Contudo, o caso serve para exemplificar o caráter tentacular e multifacetado das atividades do lobby sionista no Brasil.

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