Em Taipei, no dia 4 de maio de 2026, um painel exibe os preços das ações na Bolsa de Valores de Taiwan. Foto: AFP.
Para marcar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, a revista The Economist convidou Joseph Stiglitz, renomado economista, atualmente professor da Universidade Columbia e ganhador do Prêmio Nobel em 2001, para escrever um artigo.
O argumento começa com o advento do capitalismo no século XIX e, com ele, as profundas flutuações econômicas que o caracterizam; as duas mais abrangentes sendo: a Grande Depressão da década de 1930 e a Grande Recessão que começou em 2008.
Primeiramente, ele se refere às políticas do presidente Franklin Roosevelt (que governou de 1933 a 1945) e à sua intervenção na crise com medidas conhecidas como New Deal, que operou em três fases: assistência, recuperação e reforma. Isso, escreve Stiglitz, ocorreu em um contexto em que a taxa de desemprego atingiu quase 25% e contrariando os argumentos da maioria dos economistas e líderes empresariais, que defendiam que as forças de mercado deveriam ser deixadas operar e, eventualmente, corrigir a situação por si mesmas.
Nesse ponto, o argumento do artigo se ancora diretamente em uma referência às teorias keynesianas sobre o papel do Estado no enfrentamento de períodos de crise. Mesmo que tais forças atuem para levar a economia de volta ao pleno emprego, como Keynes previa, elas o fazem gradualmente diante da adversidade. As medidas de política econômica deveriam, em vez disso, ser direcionadas para o aumento dos gastos governamentais a fim de estimular a demanda agregada e impulsionar o nível de atividade econômica. Stiglitz conclui o argumento observando que Keynes acreditava na economia de mercado e que o tipo de intervenção que ele propôs salvaria a situação.
Uma questão política e ideológica relevante é levantada por Stiglitz e permanece válida no cenário político daquele país. Keynes forneceu uma justificativa para a existência de um governo forte, embora muitos preferissem deixar a depressão seguir seu curso natural em vez de recorrer à intervenção pública, que poderia levar, por exemplo, a aumentos de impostos e outras medidas que restringiriam a iniciativa privada.
Em retrospectiva, diz Stiglitz, o pragmatismo de Roosevelt e as ideias keynesianas "salvaram o capitalismo dos capitalistas" e preservaram o ambiente democrático. As políticas de estilo keynesiano prevaleceram até o início da década de 1980, quando Ronald Reagan se tornou presidente e a ênfase mudou para as políticas de oferta. A ideia era que, se os impostos fossem reduzidos e as regulamentações simplificadas, o mercado tenderia ao crescimento e ao pleno emprego; isso não aconteceu.
O argumento conclui que as políticas keynesianas provaram ser mais eficazes no enfrentamento de crises, como parece ser o caso na gestão do colapso financeiro de 2008.
Essas questões certamente apresentam muitas nuances técnicas, administrativas e políticas que, obviamente, não deveriam ser abordadas na nota de Stiglitz, mas que ao menos poderiam ter sido mencionadas.
A dinâmica do capitalismo contemporâneo, predominantemente financeiro, forma uma dialética repleta de contradições, como seria de se esperar. A oportuna observação de Stiglitz sobre a necessidade periódica de salvar o capitalismo de si mesmo teria justificado uma conclusão apropriada, dadas as atuais condições de excessos e distorções nos mercados de dívida.
Em 2008, ficou evidente o que isso representa como fragilidade sistêmica. Naquela ocasião, foi necessária uma intervenção profunda e atípica do Tesouro e do Federal Reserve para salvar o capitalismo dos capitalistas, que estavam envolvidos em especulação e vivenciando uma expansão descontrolada da dívida baseada em instrumentos conhecidos como derivativos. Essa intervenção não apenas alterou a estrutura do sistema financeiro, mas também modificou as formas de intervenção pública do banco central e a gestão da dívida pública pelo Tesouro, além de mudar o padrão de condução da política monetária.
Vale a pena rever o filme de 2015, *A Grande Aposta*, baseado no livro de Michael Lewis de 2010. Isso é particularmente relevante porque os excessos especulativos continuam sendo a essência das transações em larga escala nos mercados de dívida, como é o caso atualmente na indústria de inteligência artificial e no mercado de empréstimos diretos.
2008 não será a última vez que o governo terá que salvar o capitalismo dos capitalistas. Marx previu isso claramente quando afirmou que: “o limite do capital é o próprio capital”; a necessidade incontrolável de acumular capital, sustentada pelo lucro e pela recorrência de crises.
"A leitura ilumina o espírito".
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