Foto de Maria Luisa Severiano
O principal elo entre a sociedade e o mercado é o emprego. Quando a economia gera os empregos necessários, bons e bem remunerados que a população exige, a existência material é estável e segura; mas quando a precariedade e a informalidade prevalecem, como acontece hoje no México, as relações sociais são rompidas e enfraquecidas.
Entre nós, a prevalência da informalidade e do emprego precário é um dos sinais visíveis da nossa falta de crescimento; anos e gerações passam, e o tão alardeado "dividendo demográfico" (ter uma população em idade ativa maior) perde valor e envelhece. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Ocupação e Emprego, referentes a março de 2026, a população em idade ativa (pessoas empregadas ou que buscam ativamente emprego) totalizou 61,6 milhões — 558 mil a mais do que em março do ano anterior — e o número de indivíduos empregados totalizou 422 mil.
Cabe ressaltar também que as disparidades de gênero persistem: 419.000 vagas de emprego foram preenchidas por homens e apenas 2.546 por mulheres. A informalidade nacional aumentou meio ponto percentual (chegando a 54,8%) e 1,7 ponto percentual entre as mulheres (56,5%).
Por outro lado, tanto o setor manufatureiro quanto o setor público (setores que tendem a concentrar empregos formais e mais bem remunerados) perderam 149.000 e 125.000 empregos, respectivamente.
Vale ressaltar que, em inúmeros casos, a categoria de informalidade é, sobretudo, um eufemismo: sob esse rótulo vivem e sobrevivem aqueles que não têm acesso à saúde pública, não possuem contrato de trabalho e, geralmente, são os que têm a menor renda fixa. Essa informalidade se transforma, assim, em puro desamparo. Seu modo de vida é de sobrevivência, assim como seus modos de interação social e política. Os Filhos de Sánchez , um grande livro do antropólogo Oscar Lewis, publicado em 1964 pelo Fondo de Cultura Económica (FCE), clama por uma segunda e drástica reinterpretação.
Numerosos estudiosos demonstraram que a informalidade está diretamente ligada ao baixo crescimento econômico; em outras palavras: se o investimento não cresce, a atividade econômica também não cresce, especialmente não nas taxas socialmente necessárias. Assim, essa falta de investimento significa que não há criação suficiente de empregos formais, seguros e, em certa medida, estáveis e com melhores salários. Em resumo: o bem-estar é incompatível com a prevalência da informalidade e do emprego precário. E a informalidade e a precariedade são os fatores que dominam o mundo do trabalho.
O fato de os desafios externos serem complexos e avassaladores (tensões geopolíticas, fragmentação da precária ordem global, restrições financeiras, aumento da inflação global, ameaças de tarifas) não significa que nosso destino esteja fatalmente atrelado à estagnação e à incapacidade de gerar os empregos necessários à população. É essencial que o investimento — tanto público quanto privado — se recupere; que seja implementada uma política industrial que considere — e integre — as diversas regiões do nosso território, dada uma população ainda majoritariamente jovem. Esse investimento e essa política devem ser bem concebidos e executados, inseridos em processos explícitos de planejamento de gastos públicos e em aberta coordenação com as decisões e visões dos investidores privados.
Lembremos da querida professora Ifigenia Martínez: “(…) o México avançou por meio dos gastos (…) a contribuição que a política tributária pode dar à equidade social é muito importante (…) aqueles que têm mais participam mais do financiamento dos gastos do que aqueles que têm menos.
“Durante meu período no Ministério da Fazenda”, acrescentou a professora, “dizia-se que o México gastava de forma moderna e arrecadava impostos de forma antiga (...) eles estavam absolutamente certos. O equilíbrio das finanças públicas visava contribuir para a estabilidade, mas também, e muito importante, para a equidade (...)” (Esthela Gutiérrez Garza, entrevista com Ifigenia Martínez, revista Trayectorias , UANL, 2006).
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