O que é a extrema direita?

Imagem: Etienne Girardet


Por STATHIS KOUVELAKIS*

Embora frequentemente rotulada como fascista, a atual força reacionária é um subproduto autoritário do próprio neoliberalismo, cujo avanço só pode ser detido por um bloco popular que abandone o falso conforto do centro

Forças reacionárias estão agravando as tendências autoritárias do neoliberalismo e minando a democracia ao redor do mundo. Para derrotar o seu projeto, é necessário entender a sua natureza.

Há uma tendência crescente de rotular a extrema-direita atual, de Donald Trump a Giulia Meloni e Javier Milei, como “fascista”, citando seu racismo, seu recurso à repressão, sua centralização do poder e seu desrespeito pelas normas legais – algo que se intensificou nos últimos anos.

O rótulo é usado por esquerdistas que querem se apresentar como sucessores dignos dos heróis antifascistas do passado, mas também por liberais que querem minimizar o fato de que a sua política levou à ascensão da extrema-direita. Em ambos os casos, porém, esse recurso retórico esconde mais do que revela sobre a natureza do nacionalismo reacionário atual; ademais, diz pouco sobre sua visão ideológica, seus compromissos programáticos e o perigo real que representa. A hipérbole abafa a boa análise.

E, ainda assim, seria igualmente imprudente rejeitar tais analogias históricas e insistir em uma abordagem focada exclusivamente no contemporâneo. Há, pois, muito a ser ganho com uma comparação entre o período entre guerras e o nosso tempo: as trajetórias da crise capitalista, antes e agora, assim como as possíveis respostas socialistas que porventura abram. Não é necessário assimilar a extrema direita à categoria de fascismo para afirmar que ela deve ser combatida pelos meios necessários. Mas aquele mais eficaz em pôr resistência só pode ser desenvolvido lendo o presente à luz do passado.

Convergência

O núcleo racional da analogia é que, em situações de crise, a ordem capitalista produz – ou pelo menos é perfeitamente compatível com – regimes políticos extremistas: bonapartismo, ditaduras militares, fascismo e outros “estados de exceção”, todos eles qualitativamente distintos da democracia liberal. O fascismo entre guerras foi um movimento de massa que surgiu em sociedades brutalizadas pela “guerra total” e diante da possibilidade de uma revolução social.

Os seus componentes essenciais eram o nacionalismo étnico, o anticomunismo, a ação violenta nas ruas e a vontade de derrubar regimes parlamentares e substituí-los por uma forma total de Estado: uma sociedade militarizada orientada para a guerra e para a expansão imperial. O racismo e mais especificamente o antissemitismo desempenharam um papel central no nazismo, mas foram menos decisivos para a ascensão do fascismo italiano e foram apenas uma característica secundária dos outros regimes “fascistas” daquele período: Hungria, Romênia, Espanha, Portugal e Grécia.

Hoje, em contraste, a “direita radical” aparece principalmente como um fenômeno eleitoral, com fraca presença nas ruas. Praticamente todas as suas manifestações são caracterizadas por racismo virulento, o qual tem sido apresentado como se fosse uma posição defensiva, para proteger a “nação” ou “civilização ocidental” de várias ameaças fantasmas, como a de imigrantes ou de muçulmanos.

A sua promessa “social” às classes populares consiste numa espécie de redistribuição racializada de renda, por meio da qual os “verdadeiros nacionais” supostamente serão favorecidos em relação aos de fora no acesso aos serviços públicos e ao mercado de trabalho. Diferente do período entre guerras, os belicistas na Europa de agora são mais numerosos no campo centrista – incluindo partidos nominalmente social-democratas e verdes – do que na extrema direita.

Há também um nível muito maior de consenso entre a classe política atual do que havia na época do fascismo histórico. Nenhuma grande força política no Ocidente sustenta uma visão política de rompimento com as instituições parlamentares. Os discursos anti-imigrantista e islamofóbicos, assim como as políticas que os acompanham, são onipresentes, de Viktor Orbán a Emmanuelle Macron. Isso está alinhado com uma defesa cínica dos “direitos das minorias”.

Tanto o centro neoliberal quanto as forças mais agressivas da extrema-direita apresentam os de fora de modo racializado como um risco para mulheres, pessoas LGBT, comunidades judaicas e assim por diante. Líderes como Marine Le Pen e Giulia Meloni usam um nacionalismo “feminista” para se posicionarem de acordo com os requisitos da “modernidade”, enquanto outros como Alice Weidel e Heinz-Christian Strache invocam a própria homossexualidade para afirmar que são protetores de grupos vulneráveis – não agressores.

A convergência entre neoliberalismo e extrema direita não é coincidência. Este último ganhou força em parte como resultado da virada autoritária nas sociedades ocidentais que começou nos anos 1970, com a crise terminal do engajamento social keynesiano. A sua ascensão, por sua vez, acelerou esse processo e levou à sua radicalização progressiva. O sucesso da direita demonstra que as duas dimensões da dominação burguesa, consentimento e repressão, não são mutuamente exclusivas.

É possível ver prosperar tanto mais repressão quanto mais consentimento para essa repressão. Embora essa coerção tenha vindo de cima – da tentativa do Estado neoliberal de desmontar o que restou do acordo pós-guerra –, ela também alimentou pânicos morais que se espalharam “entre os de baixo”: as preocupações com o crime e a imigração crescem quando a vida cotidiana se degrada e o declínio econômico se torna evidente, e quando a esquerda não consegue oferecer uma contranarrativa convincente.

Situação e estrutura

Para entender melhor as razões de sua força, precisamos combinar dois níveis de análise: um conjuntural e outro mais estrutural ou pelo menos de longo prazo. Após a crise financeira de 2008, houve uma corrida entre a esquerda radical e a direita radical para ver quem poderia oferecer uma alternativa crível. No entanto, essas duas forças começaram de pontos muito diferentes.

No virar do milênio, a direita radical já estava bem estabelecida na França, Itália, Áustria, Holanda e Escandinávia; nos Estados Unidos, ela podia contar com a influência tradicional dos nacionalistas cristãos dentro do Partido Republicano.

Sem uma base equivalente, a esquerda antineoliberal tentou aproveitar a energia dos protestos em massa que eclodiram em ambos os lados do Atlântico em 2011. Mas quando o Syriza capitulou para a Troika em 2015 – uma traição acompanhada pelo Podemos e por outras forças políticas semelhantes – esse ciclo de resistência terminou.

Assim, a direita pôde entrar em cena e aproveitar o descontentamento popular, ajudada pela constante radicalização das políticas racistas e xenófobas aplicadas por todos os governos de centro-extremo e institucionalizadas pela UE, com suas políticas de “externalização das fronteiras”. A gestão de cima para baixo da crise da Covid só agravou essa tendência, já que a esquerda mais uma vez não conseguiu desenvolver uma posição firme ou diferenciada.

Essa é a situação atual. Para uma perspectiva estrutural, teríamos que voltar quatro décadas atrás, quando a ofensiva neoliberal começou a esvaziar os partidos políticos e as organizações de massa de conteúdo. Verificou-se, então, um aumento da taxa de abstenção a níveis sem precedentes, assim como uma gradual erosão da autoridade moral e intelectual do establishment.

Tudo isso gerou o que Antonio Gramsci chamaria de “crise hegemônica”: uma ruptura nas relações existentes entre grupos sociais e classes e suas formas usuais de expressão política. “Quando tais crises ocorrem”, escreveu Gramsci, “a situação imediata se torna delicada e perigosa, porque o terreno está aberto a soluções violentas, às atividades de forças desconhecidas, representadas por “sujeitos” carismáticos, “homens predestinados”.

Nesse contexto, o discurso racista e pretensamente antissistêmico da direita radical mostrou-se bem capaz de conquistar o apoio de amplos setores das classes trabalhadora e populares abandonados pela esquerda. Por quê? Porque a esquerda, com poucas exceções, se refugiou em uma zona de conforto político-eleitoral, sem querer ir muito além.

O núcleo de sua base social remanescente é composto pelas classes médias educadas e pelas gerações mais jovens de graduados que sofrem com o declínio social. A presença das classes trabalhadora e popular é escassa entre seu eleitorado e ainda mais entre seus membros e quadros. Enquanto essa configuração persistir, a esquerda não conseguirá igualar a força da extrema-direita como uma força capaz tanto de questionar o status quo quanto de articular uma visão alternativa de “ordem” em meio a uma crise hegemônica em andamento.

Assimilação à direita

O resultado dessas tendências – o sucesso eleitoral da direita e a aceleração das tendências autoritárias existentes – é gritante: a democracia, por qualquer definição, está em recuo ao redor do mundo. O tipo de democracia liberal há muito associada aos países do núcleo capitalista está desmoronando.

Está-se, agora, diante de um estágio avançado do que Nicos Poulantzas chamou de “estatismo autoritário”: um processo de transformação estrutural que começou nos primeiros dias do neoliberalismo, no qual os níveis superiores da burocracia estatal assumiam um papel mais diretamente político; o poder executivo foi fortalecido às custas das instituições representativas; as formas estabelecidas de mediação política foram enfraquecidas; a mídia de massa preencheu cada vez mais o vazio deixado pelos partidos políticos tradicionais; e as novas tecnologias de vigilância e repressão reforçaram seu controle sobre a sociedade.

O neoliberalismo, nesse sentido, nunca significou “menos Estado”, mas sim a desdemocratização do Estado e sua subordinação mais direta às necessidades da acumulação. A recente radicalização da direita pode ser vista tanto como uma reação quanto como uma adaptação a essa tendência autoritária-estatista. Trata-se de uma reação que visa expressar o descontentamento das classes populares e médias mais pobres que foram excluídas desse acordo neoliberal.

Trata-se, também, de uma adaptação no sentido de que o apoio deles à direita não é uma tentativa de derrubar esse acordo, mas simplesmente alcançar a inclusão nele. A direita radical abraçou plenamente as políticas do extremo centro e defendeu uma versão ainda mais autoritária delas, ao mesmo tempo em que afirma que o custo deve ser pago pelos “invasores” ou “encrenqueiros”, enquanto grupos privilegiados serão mais protegidos.

É uma estratégia poderosa porque captura e remodela o “senso comum” de amplos setores sociais e contribui para fornecer ao Estado autoritário neoliberal dando-lhe a base de massas que até agora lhe faltava. No entanto, também é frágil, pois medo, ressentimento e a promoção de identidades reacionárias são meios limitados de construir consenso e um bloco social coeso.

Fundamentalmente, as promessas sociais da direita carecem de conteúdo real: elas simplesmente piorarão a vida de alguns sem melhorar a vida dos demais. Nessa frente, as forças reacionárias permanecem vulneráveis. O que é necessário é que a esquerda saia de sua zona de conforto e aproveite essa vulnerabilidade.

Uma forma de fazer isso é montar uma defesa ousada da democracia. Essa demanda deveria estar no topo da agenda da esquerda. Historicamente, a tradição da Terceira Internacional (com exceção de Antonio Gramsci) tendia a menosprezar a “democracia liberal”, não reconhecendo que os elementos genuinamente democráticos dos regimes burgueses – direitos e liberdades – não eram simplesmente formas de enganar ou manipular o proletariado, mas o resultado de lutas populares bem-sucedidas, cujas vitórias foram conquistadas a um preço alto. Esse erro teve um efeito devastador no movimento comunista do século XX, e devemos ter cuidado para não o repetir hoje.

No entanto, a defesa da democracia também deve envolver mais do que a mera defesa dos direitos e liberdades, por mais crucial que essa batalha institucional e legal possa ser. Para a esquerda anticapitalista, esse combate deveria significar lutar também pela autonomia das classes subalternas: atacar tudo que as reduz a um estado de passividade, afrouxar o controle do capital sobre a vida social. Essa é a única forma de construir uma contra-hegemonia e lançar as bases para a democracia socialista. Posto isso, é preciso ir em frente para mostrar como essa proposta pode ser traduzida em prática: quais forças teriam que se unir, em quais configurações, para tornar que ela se torne realidade.

Três estratégias

Se nossa situação atual não pode ser entendida como uma repetição, ou mesmo uma variante, daquilo que ocorreu nas décadas de 1920 e 1930, então precisamos repensar a estratégia. Novamente, porém, a melhor forma de fazer isso é por meio de uma compreensão autocrítica do passado: os métodos anteriores de luta socialista e como eles podem ou não ser aplicados hoje.

Se olharmos para o período entre guerras, as três estratégias propostas então apresentadas foram, de forma muito esquemática, a do “terceiro período”, a da “frente unida” e a da “frente popular”.

A estratégia do “terceiro período” foi aquela da linha ultra-sectária adotada pela Comintern em 1928, na qual se presumia que haveria uma crise terminal iminente do capitalismo. E que, ela seria seguida por uma revolta revolucionária dos trabalhadores. Frente a essa visão, portanto, não era inaceitável formar alianças com qualquer força política que pudesse ser classificada como um obstáculo à revolução. A social-democracia era equiparada ao fascismo e qualquer tipo de unidade da esquerda era descartada. Isso levou a um desastre imenso: a ascensão do nazismo ao poder e a total esmagação do movimento operário mais poderoso da Europa.

As outras duas estratégias não podem ser descartadas tão facilmente. A estratégia da “frente unida”, entendida de forma ampla, foi uma tentativa de construir um movimento que abraçasse toda a atividade autônoma das classes subordinadas, não apenas aquela do partido revolucionário dos trabalhadores. Essa ampliação do movimento continua sendo parte indispensável de qualquer estratégia de esquerda interessada em conquistar vitórias significativas.

Contudo, já no momento de sua criação na década de 1920 havia uma certa ambiguidade quanto ao seu escopo. Seria essa uma tentativa de criar uma estratégia revolucionária distinta do “cenário de outubro de 1917”? Postulava a existência de uma lacuna entre Oriente e Ocidente, exigindo assim uma estratégia alternativa para alcançar o poder tal como fora alçado na Rússia. Ou seria simplesmente uma posição tática e temporária que seria mantida enquanto os socialistas estivessem na defensiva, para depois ser substituída por uma linha mais ofensiva que reafirmaria o papel de liderança do partido revolucionário?

Para Leon Trotsky, a linha correta era essa última: quando a revolução se aproximasse, os sovietes se tornariam “a forma mais combativa da frente unida” e a aliança entre comunistas e sociais-democratas daria lugar a algo mais parecido com a sequência do caminho bolchevique.

A estratégia da “frente popular” surgiu a partir de 1934, quando a Comintern começou a defender amplas alianças que incluíam não apenas diferentes setores do movimento trabalhista, mas também setores do que era considerado a esquerda pequeno-burguesa e até mesmo burguesa. Como o núcleo dessa aliança era composto por partidos comunistas e socialistas fortes, conseguiu desencadear uma mobilização de massa genuína contra o fascismo.

Na França, as vitórias eleitorais da Frente Popular deram enorme confiança às massas e desencadearam a onda de greves de junho de 1936, o primeiro grande movimento da classe trabalhadora industrial desse país. Os comunistas reconheceram a dimensão emancipatória da tradição democrática francesa, que remontava à Grande Revolução e ao momento jacobino, e se apresentaram tanto como uma força nacional-popular quanto como o partido da classe trabalhadora: o único ator capaz de liderar um amplo bloco social para a mudança.

Mas as dimensões emancipadoras da Frente Popular entraram em conflito com sua estratégia política. Para construir alianças com as forças burguesas, os comunistas abandonaram posições anticolonialistas e adotaram uma perspectiva rígida, dita “etapista”, que adiou o socialismo para um futuro distante.

Nesse sentido, eles rejeitaram a ideia de integrar demandas democráticas imediatas em um programa transitório mais radical. À medida que a polarização de classes se aprofundava, eles se viram trabalhando para atenuar contradições em vez de acentuá-las. A prioridade de manter a “unidade antifascista” levou a um reformismo inviável. A Frente Popular não conquistou o favor das classes dominantes, já que estava baseada na política de massas, nem avançou a causa da revolução.

O resultado previsível foi uma derrota generalizada que encontrou o fascismo no fim do caminho. A aliança francesa desmoronou quando a ala burguesa mudou de lado, abrindo caminho para a contraofensiva de uma classe capitalista traumatizada pelas greves de 1936. Na Espanha ocorreu algo muito pior, pois, ao contrário da França, um processo revolucionário já estava se desenvolvendo antes mesmo do sucesso eleitoral da Frente Popular.

Lá, os comunistas se aliaram à ala moderada da Frente. Em nome de manter um antifascismo estreito e defender a República burguesa, eles reprimiram violentamente outras forças mais radicais. Logo, eles próprios foram marginalizados por seus aliados burgueses, que buscavam chegar a um compromisso com os fascistas e acabaram dispostos a capitular.

Lições para o presente

Uma dupla lição pode ser tirada dessa experiência. Por um lado, os socialistas devem evitar as armadilhas do sectarismo e do ultraesquerdismo, derrotismos que comprometeram a estratégia do “terceiro período”. Devem fazê-lo mesmo se hoje esse risco seja apenas marginal, dado o estado atual da luta de classes nos países do núcleo capitalista. Por outro lado, eles devem se recusar a se tornar uma força subalterna dentro de um bloco neoliberal em declínio.

A tentação de desempenhar o papel de força auxiliar ao mainstream liberal sempre se difunde entre alguns setores da esquerda, que justificam essa posição como o imperativo do “antifascismo”. Mas está claro para onde esse pastiche da Frente Popular histórica levará: à derrota certa tanto para a esquerda quanto para os liberais, sem criar nada remotamente comparável às dinâmicas políticas de massas dos anos 1930.

Essa forma de “antifascismo” contemporâneo, movida pelo pânico, perde o ponto crucial sobre a direita radical do presente: que ela não é uma repetição do fascismo, mas sim o resultado da transformação do campo político moldada pelo consenso neoliberal das décadas anteriores. Note-se que esse consenso sempre incluiu o racismo, o militarismo, as intervenções imperialistas e a cumplicidade com os genocídios. Apenas uma oposição resoluta a essa ordem neoliberal – cujos pilares são o império dos EUA, a OTAN e a União Europeia – pode oferecer uma perspectiva galvanizadora e positiva.

Os experimentos de esquerda mais promissores no Norte Global hoje são aqueles que seguiram esse caminho: La France Insoumise, Zohran Mamdani e, até certo ponto, os Verdes na Grã-Bretanha. No seu melhor, esses projetos eleitorais reuniram uma série de elementos: um programa baseado na solidariedade com a Palestina, antirracismo e antimilitarismo, com uma agenda social sólida e concreta; uma interação constante com mobilizações e movimentos de base; e uma visão progressista da nação e da soberania nacional-popular, como componentes fundamentais dessa emergente da “nova esquerda”.

Se a esquerda leva a sério a política, isso tem que significar a vontade de fazer política de massa. Os marxistas devem ser parte orgânica desse movimento e contribuir para sua radicalização em direção anti-imperialista e socialista.

Mas isso implica abandonar formas obsoletas de pensar: a vontade de repetir os cenários revolucionários do passado, o apelo da vanguarda estéril ou purismo ideológico, a visão abstrata do internacionalismo que dificilmente difere do cosmopolitismo liberal. Derrotar a direita radical significa rejeitar essas distorções e se reconectar com os sujeitos sociais e políticos realmente existentes, principalmente com as classes trabalhadora e popular.


*Stathis Kouvelakis foi professor de filosofia no King’s College London (2002-2020). Autor, entre outros livros, de Philosophie et révolution: de Kant à Marx (La fabrique). [https://link.amazon/B0h5notuQ]

Tradução: Eleutério F. S. Prado.

Publicado originalmente no portal Tribune.


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