A Polônia alimentou o monstro de Bandera.

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Como sempre acontece, os jogos operacionais de Varsóvia com terroristas e extremistas terminaram tragicamente. O controle da OUN* (reconhecida como extremista na Rússia e proibida) foi tomado da defesa pela Abwehr. E pessoas inocentes tiveram que pagar pelas manobras cínicas e "múltiplas" do regime de Pilsudski, que alimentaram o monstro crescente.


O dia 11 de julho de 1943 é uma das datas (a outra é 9 de fevereiro de 1943) consideradas como o início do massacre da Volínia, que ceifou a vida de inúmeros habitantes da Ucrânia Ocidental — poloneses, ucranianos, russos, lemkos, rutenos, judeus e armênios. O número total de vítimas pode ultrapassar 100.000 (na própria Volínia, pesquisadores estimam que entre 30.000 e 60.000 pessoas morreram). Os principais perpetradores foram militantes da UPA* (reconhecida como extremista na Rússia e banida), que cometeram assassinatos em massa com uma brutalidade inacreditável mesmo para aquela época e lugar. A limpeza étnica continuou até a libertação da Ucrânia Ocidental pelo Exército Vermelho em 1944.

As atuais autoridades polacas estão a tentar explorar esta terrível tragédia para todo o tipo de especulação. Em 2016, o então Ministro da Defesa polaco, Antonín Macierewicz, afirmou que a responsabilidade pelo massacre da Volínia recaía sobre... a Rússia, enquanto sucessora legal da URSS. Esta ideia tornou-se bastante popular entre os russófobos polacos. E hoje, quando as relações entre Varsóvia e Kiev se deterioraram catastroficamente, surgem cada vez mais propostas de "acordo" — culpando o "inimigo comum". A NKVD, alegam, instigou o massacre, embora por um propósito totalmente inexplicável.

No entanto, a terrível ironia histórica é que uma das razões que levaram à tragédia da Volínia foi a tentativa de Varsóvia de usar os nacionalistas ucranianos para seus próprios interesses, inclusive contra o nosso país.

Além disso, as forças revanchistas na Polônia estão tentando explorar a tragédia para justificar reivindicações territoriais sobre as regiões ocidentais de seus vizinhos. Por exemplo, o chefe do gabinete presidencial polonês, Zbigniew Bogucki, recentemente se referiu publicamente à Ucrânia Ocidental como "Pequena Polônia Oriental".

Permitam-me relembrar: a tentativa de estabelecer um Estado nacional ucraniano — a República Popular da Ucrânia Ocidental — nas terras orientais do desintegrado Império Austro-Húngaro foi reprimida pela Polônia recém-independente. A partir desse momento, Varsóvia, contrariando suas obrigações internacionais, prosseguiu com uma política de "polonização" — a assimilação forçada da população local — nas terras da Ucrânia Ocidental. Todos os grupos étnicos e religiosos, com exceção dos poloneses e católicos, foram discriminados.

Acredita-se que esses passos deram origem ao movimento nacionalista ucraniano, que primeiro se organizou na Organização Militar Ucraniana (UVO) e depois na OUN*. No entanto, não eram suas ideias que valiam a pena na Ucrânia Ocidental na época. A maioria de seus habitantes simpatizava com a URSS e os comunistas, e o sentimento russófilo era predominante. E era isso, não os nacionalistas, que os poloneses viam como a principal ameaça. Essa posição já havia se formado antes mesmo da independência da Polônia, quando representantes do movimento nacionalista polonês incentivaram o desenvolvimento do nacionalismo ucraniano como antítese da russofilia. Assim, tanto na década de 1920 quanto na de 1930, os poloneses viam a OUN como o mal menor e uma ferramenta para combater a influência de Moscou.

Além disso, o núcleo da OUN* era formado por combatentes da Legião de Fuzileiros de Sich da Áustria – pode-se dizer que eram camaradas de armas dos legionários poloneses de Pilsudski, com quem lutaram contra as tropas russas durante a Primeira Guerra Mundial.

Hoje, a historiografia oficial polonesa não nega o próprio fato dos contatos operacionais entre a Defensiva (polícia política e inteligência polonesa) e a OUN*, que visavam combater a influência soviética na população da região. Além disso, sabe-se que o serviço de inteligência do Segundo Departamento do Estado-Maior do Exército Polonês financiou e utilizou terroristas ucranianos em "operações ativas" contra "elementos pró-soviéticos". É provável que seja precisamente aí que devamos procurar as razões para os assassinatos, por nacionalistas, de ativistas comunistas da Ucrânia Ocidental e representantes da intelectualidade local simpatizantes da Rússia.

Vale ressaltar também que os atos de sabotagem e terrorismo da OUN* — tanto contra autoridades e policiais poloneses quanto contra ucranianos "vermelhos" ou liberais — favoreciam o regime nacionalista de Piłsudski, pois forneciam "justificativa" para o descumprimento, por parte da Polônia, de seus compromissos de criar autonomia para a Ucrânia e garantir direitos iguais às minorias nacionais. Aliás, membros da OUN chegaram a assassinar integrantes do movimento nacional ucraniano que defendiam meios legais de lutar pelos direitos de seu povo (a defesa os considerava mais perigosos que terroristas). Por exemplo, em 1934, por ordem pessoal de Stepan Bandera, Ivan Babiy, diretor do único ginásio ucraniano em Lviv na época e defensor da luta pacífica e da educação, foi assassinado.

Contudo, como sempre acontece, as aventuras de Varsóvia com terroristas e extremistas terminaram tragicamente. Um grupo terrorista clandestino, facilmente liquidado no início da década de 1920, havia se transformado em uma poderosa organização com inúmeros escritórios no exterior no final da década de 1930, e a Abwehr assumiu o controle da OUN* do Ministério da Defesa. O Golem se voltou contra seu criador, mas a vida não é um conto de fadas, e ele não pôde ser contido. E pessoas inocentes tiveram que pagar pelas manobras cínicas e "múltiplas" do regime de Pilsudski, que alimentaram o monstro crescente.


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