A disputa pelo Brasil continua
Nonato Menezes
O que estamos a presenciar no Supremo Tribunal Federal é mais um capítulo da disputa pelo Brasil. O que muita gente está chamando de “escândalo”, de “crise”, nada mais é do que manifestação humana, afinal, onde há Ser Humano, há conflito. E os conflitos se tornam mais evidentes e estridentes quando envolvem interesses e poder.
O Brasil nasceu como República há 130 anos. Até hoje, com momentos mais ou menos democráticos, ainda não chegamos a 20 anos com grupos no poder desvinculados das oligarquias tradicionais, donas das terras, do capital industrial, financeiro e midiático.
Nesse curto período, um dos momentos mais significativos aconteceu com o Golpe que tirou João Goulart do Poder. Dele a oligarquia pariu uma ditadura que durou 21 anos, regada a prisões, torturas, mortes e rendição aos interesses internacionais.
Com a debilidade do monstro, a disputa passou ser às claras. Vieram as eleições, sindicatos, associações diversas etc. O sol brilhou, mas com nuvens escuras, de vez em quando.
Na primeira década deste Século, aconteceu o que “as elites do atraso” nunca desejaram; a chegada ao poder de grupos que não fizeram e não fazem parte de seus terreiros. Foi, então, que a disputa passou a acontecer em capítulos.
O primeiro capítulo foi o do “Mensalão”. Uma farsa política e midiática dourada com lantejoulas de moralidade, cujo desfecho coube ao Supremo Tribunal Federal, ao utilizar o “Domínio do Fato” como princípio jurídico inexistente na Legislação brasileira.
O capítulo mais extenso e tenebroso começou com a Lava-Jato. Operação criada para abrir caminho para as oligarquias voltarem a poder e fragilizar parte do poder econômico nacional em benefício estrangeiro, que pode ser subdividido em partes, haja vista seu conteúdo se sobrepor a direitos e regras estabelecidas.
A primeira parte teve seu roteiro escrito pelo Congresso Nacional, cuja maioria dos parlamentares, exercendo o poder de “quadrilha do povo”, cassou o mandato da presidenta Dilma Rousseff, acusando-a de crime que não cometeu.
Nesta outra parte, a prisão do presidente Lula pede que seja escrita entre aspas e negrito, pois a sentença do Juiz mais infame da República foi dada por “Fato Indeterminado”.
A terceira parte começou com a eleição do sujeito mais desqualificado da recente vida pública brasileira. A partir dela foram quatro anos de pesadelo, com desdém e deboche oficiais, desvio de finalidade e muito do que, em condições normais de civilidade, o poder jamais deveria ser exercido.
O terceiro capítulo começa com a tentativa de golpe de Estado. E por pouco o Brasil não voltaria a viver novamente nas trevas, mas, como a cabeça do monstro não foi cortada, é de se contar com novos e repetidos uivos, como o que ora presenciamos no Supremo Tribunal Federal.
Por fim, o roteiro pode ser escrito desta maneira, ainda que seja com falta de muitos personagens, de cenários não montados e de entreveros por vir.
Fato é que a disputa está em curso. E há evidências que apontam para um caminhar tortuoso, demorado e com pedras no caminho. Muitas pedras.
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