O alinhamento entre Israel e os Estados Unidos foi reforçado pela cooperação das administrações Netanyahu e Trump na atual guerra com o Irã. (Chip Somodevilla/Getty Images)
TRADUÇÃO: CÉSAR AYALA
John Mearsheimer e Stephen Walt culparam Israel pelos fracassos dos Estados Unidos no Oriente Médio. Mas, do Iraque ao Irã, Washington teve seus próprios motivos para a guerra no Golfo.
É sempre a mesma história. Os Estados Unidos mergulham de cabeça num atoleiro no Oriente Médio e, como um relógio, começam a surgir vozes culpando Israel por tudo. Os dois exemplos mais notórios desse fenômeno ocorreram por volta da invasão do Iraque em 2003, liderada pelo governo de George W. Bush, e da ofensiva conjunta EUA-Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2016, liderada pelo segundo mandato de Trump.
A controvérsia mais conhecida do tipo "culpe Israel" continua sendo aquela iniciada por John Mearsheimer e Stephen Walt. Tudo começou com um artigo publicado por eles na London Review of Books em 2006, que se transformou, no ano seguinte, em um livro volumoso de quase quinhentas páginas, intitulado "The Israel Lobby and US Foreign Policy" (O Lobby de Israel e a Política Externa dos EUA). Os dois autores começaram este trabalho em um momento em que o fiasco do governo Bush no Iraque se tornara tão evidente que o Congresso dos EUA teve que intervir e nomear uma comissão bipartidária — o Grupo de Estudos do Iraque, também conhecido como Comissão Baker-Hamilton — encarregada de encontrar uma saída para o que se tornara um atoleiro devastador.
Só esse fato levanta uma questão: por que os dois autores não reagiram da mesma forma à devastadora guerra anterior travada contra o Iraque pelos Estados Unidos, a ofensiva original de 1991 liderada pelo governo de George H.W. Bush? Afinal, o interesse de Israel em destruir tanto as forças armadas iraquianas quanto a infraestrutura do país naquela época era, sem dúvida, maior do que qualquer interesse que pudesse ter tido em ter tropas americanas ocupando o país em 2003, especialmente porque essas tropas trouxeram consigo, do exílio, aliados iraquianos do Irã, o arqui-inimigo regional de Israel, e os incorporaram à Autoridade Provisória da Coalizão após a invasão.
Antes da ofensiva de 1991, o Iraque de Saddam Hussein havia emergido de sua guerra de oito anos contra o Irã com um exército superdimensionado e uma dívida enorme. Invadiu o Emirado do Kuwait, rico em petróleo, em agosto de 1990, numa tentativa de resolver seus problemas econômicos e financiar a manutenção e o desenvolvimento de suas forças armadas. Israel obviamente tinha um enorme interesse na destruição daquele Estado iraquiano, e teria sido fácil construir um argumento convincente demonstrando como tanto o governo israelense quanto o lobby israelense intervieram de forma intensa e decisiva ao lado da ala belicista do establishment americano.
Não é nenhum grande mistério o porquê de Mearsheimer e Walt terem omitido essa história: ambos apoiaram aquela guerra, que provavelmente consideravam servir ao interesse nacional dos Estados Unidos (um conceito que se refere ao interesse de um Estado a partir de uma perspectiva "realista" tradicional, sem levar em conta os interesses sociais específicos que o Estado representa). O realismo conservador desses dois acadêmicos interpreta, portanto, o mundo como dividido entre potências cujos interesses legítimos derivam de sua posição geopolítica e de seu desejo de alcançar a hegemonia regional ou global.
Como realistas, Mearsheimer e Walt estavam muito em sintonia com o realismo do governo Bush, que convergia com a visão dos aliados árabes de Washington de que, na ausência de uma alternativa crível que desafiasse a hegemonia americana, a derrubada do regime de Saddam Hussein deveria ser evitada. Por isso, a ofensiva de 1991 não avançou até Bagdá, uma posição que provocou duras recriminações de alguns neoconservadores e seus aliados iraquianos, que a viram como uma traição à sua aspiração de mudança de regime. Trump, posteriormente, descartaria abertamente a ambição de mudança de regime após seu fracasso, endossando plenamente a chamada abordagem realista.
O contraste entre a guerra de 1991 e a invasão de 2003 era evidente, não apenas porque o governo Bush, repleto de neoconservadores, buscava a mudança de regime — para grande desgosto das monarquias árabes produtoras de petróleo, que temiam, com razão, que o verdadeiro beneficiário fosse seu nêmesis, o Irã — mas também na justificativa da guerra do ponto de vista do interesse nacional americano, conforme percebido por Mearsheimer e Walt.
Consideraram a decisão de derrubar Saddam Hussein "difícil de entender". Hussein era, admitiram, "um tirano brutal com ambições preocupantes — entre elas, o desejo de adquirir armas de destruição em massa — mas sua própria incompetência havia colocado esses objetivos perigosos fora de seu alcance". Seu exército havia sido derrotado na Guerra do Golfo de 1991 e ainda mais enfraquecido por uma década de sanções da ONU, deixando o poderio militar do Iraque "nunca impressionante, exceto no papel" e "fácil de derrotar em 2003", sem armas de destruição em massa.
No entanto, após os ataques de 11 de setembro, quando se poderia esperar que os Estados Unidos se concentrassem com precisão cirúrgica na Al Qaeda, o governo Bush optou por invadir um país em declínio que nada tinha a ver com os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono e que, na prática, já estava sob controle.
Para Mearsheimer e Walt, foi "uma decisão profundamente perturbadora".
A pior chave possível para esse enigma é, na verdade, Israel, pela razão óbvia de que os fatores mencionados determinaram as prioridades do próprio Estado sionista ainda mais do que as dos Estados Unidos. Por que diabos o governo israelense se interessaria em incitar os Estados Unidos a invadir o Iraque quando esse país já havia sido debilitado pela destruição devastadora de seu poderio militar, juntamente com sua infraestrutura civil, em 1991, seguida por doze anos de estrangulamento imposto pelos EUA? Alguém acreditaria que Israel estava menos preocupado do que as monarquias petrolíferas árabes do Golfo com a possibilidade de o Irã assumir o controle do Iraque? E, no entanto, essas considerações óbvias não impediram Mearsheimer e Walt de culpar o lobby israelense, enquanto agrupavam indiscriminadamente instituições americanas especificamente pró-Israel — a mais notória das quais era o Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano (AIPAC) — e neoconservadores, particularmente aqueles que fizeram lobby pela invasão do Iraque como membros do Projeto para o Novo Século Americano (PNAC).
Os dois acadêmicos fizeram um bom trabalho ao expor a influência perniciosa do lobby israelense na política dos EUA em relação ao Oriente Médio em geral. Por isso, foram injustamente acusados de antissemitismo, acusação que Israel e seus apoiadores fazem contra a maioria dos críticos. Mas eles também forneceram munição para a estratégia de "culpar Israel", à qual aderiram completamente.
Seu argumento baseava-se em inúmeras citações de fontes israelenses — políticos e veículos de comunicação — para demonstrar que Israel havia exercido intensa pressão a favor da invasão do Iraque em 2003, que foi realizada contra o “interesse nacional” dos Estados Unidos. Não há dúvida, é claro, de que muitos políticos israelenses apoiaram a campanha do governo George W. Bush para ocupar o Iraque. O mais entusiasta deles foi Benjamin Netanyahu, exceto que — durante o período crucial de debate nos Estados Unidos, no qual participou prestando depoimento sob juramento em sua capacidade privada perante uma comissão da Câmara — ele estava simultaneamente ocupado manobrando contra seu rival Ariel Sharon, que era então primeiro-ministro de Israel e líder do partido Likud.
O caso referente à pressão de Sharon em favor da invasão do Iraque em 2003 é muito mais frágil. É claro que o primeiro-ministro israelense dificilmente poderia ter expressado abertamente suas reservas (e as da comunidade de inteligência israelense) sobre o projeto emblemático de uma administração americana apoiada por muitos dos aliados de Israel dentro do establishment americano. Mas, quando a tese de Mearsheimer e Walt se tornou tema de intenso debate, já haviam surgido evidências significativas apontando para essas reservas e sua expressão por meio de canais discretos. Um exemplo notório disso é Lawrence Wilkerson, chefe de gabinete do Secretário de Estado Colin Powell, que afirmou em uma entrevista de 2007 que Israel havia alertado os Estados Unidos contra a invasão do Iraque.
O debate se resume a isto: a invasão do Iraque foi realizada sob pressão de Israel e seus apoiadores, contra o interesse nacional americano, ou foi realizada em defesa desse interesse nacional, conforme entendido pelo governo de George W. Bush?
Consideremos a diferença entre o AIPAC e o PNAC (uma diferença refletida em seus respectivos nomes). É inegável que o PNAC desempenhou um papel incomparavelmente maior na decisão do governo de invadir o Iraque do que qualquer componente específico do lobby israelense. Os três membros mais influentes do governo — Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz, que também eram os três mais profundamente envolvidos na aventura iraquiana — estavam entre os 25 fundadores do PNAC, assim como Zalmay Khalilzad, embaixador de Bush no Iraque.
Contudo, ao contrário do AIPAC, a razão de ser do PNAC não era o apoio a Israel, mas sim a busca por um "novo século americano", como o próprio nome indicava: em outras palavras, a promoção e consolidação da hegemonia imperial dos EUA sobre o resto do mundo. Na carta do PNAC a Bill Clinton, de janeiro de 1998, na qual o instavam a invadir o Iraque, os dezoito signatários mencionaram Israel apenas uma vez e no mesmo nível que os aliados árabes dos Estados Unidos: "A segurança das tropas americanas na região, de nossos amigos e aliados, como Israel e os estados árabes moderados, e de uma parcela significativa do fornecimento mundial de petróleo estará em risco."
A carta expressa a visão mais amplamente compartilhada nos círculos da elite sobre o que constituía o interesse nacional americano. Em vez de se concentrarem em um debate sobre essa visão, Mearsheimer e Walt — eles próprios dois membros do establishment da política externa americana — optaram por culpar o lobby israelense, uma manobra que lhes permitiu justificar o fiasco do Iraque sem um debate franco e aberto (e mais difícil) sobre os interesses imperialistas dos EUA, também conhecidos como interesse nacional.
Isso não é sabedoria retrospectiva. Muitos críticos do imperialismo americano explicaram por que a crença de que Israel ditava a política dos EUA no Oriente Médio era, na verdade, um caso de "o rabo abanando o cachorro". Para entender isso, uma perspectiva histórica é necessária. No início da década de 1960, o nacionalismo árabe cada vez mais radical forçou Washington a abandonar sua presença militar direta na região: os EUA abandonaram a base aérea de Dhahran, no coração dos campos de petróleo da Arábia Saudita, justamente quando os interesses que essa base deveria proteger estavam ameaçados. Incapazes de intervir abertamente sem inflamar ainda mais a hostilidade árabe, os Estados Unidos encontraram em Israel um recurso estratégico inestimável. Como escrevi em 2003 : "Por um lado, Israel desempenhava um papel militar como guardião dos interesses imperialistas na região. Por outro lado, Washington obtinha benefícios políticos aos olhos dos países árabes ao demonstrar que controlava esse guardião."
Dessa perspectiva, as somas que os Estados Unidos destinam a Israel representam um dos investimentos mais rentáveis que já fizeram para consolidar sua hegemonia. Comparemos os mais de US$ 300 bilhões (ajustados pela inflação) em ajuda econômica e militar total que Washington forneceu a Israel entre 1946 e 2024 com os US$ 1,5 trilhão que o governo Trump está solicitando para o Pentágono apenas para o próximo ano fiscal. É evidente que o que os economistas chamam de "utilidade marginal por dólar gasto" em Israel é muito maior do que a do mesmo dólar adicionado ao gigantesco orçamento militar dos EUA.
Essa perspectiva permite uma compreensão muito melhor do que estava em jogo no projeto de invasão de 2003 e do que foi revelado, um ano depois, sobre os debates que ele desencadeou, não apenas dentro do governo Bush, mas também entre Washington e seus aliados árabes (e, nos bastidores, Israel). Eu já discuti esses debates em maio de 2004, muito antes da controvérsia entre Mearsheimer e Walt, em um artigo intitulado “A Caminhada de Bush para o Atolamento Iraquiano ”.
Mearsheimer e Walt não reconhecem que a razão fundamental que guia a política dos EUA no Oriente Médio é a importância estratégica do Golfo para os interesses imperiais americanos (um fato que é de conhecimento geral desde 1945). Tampouco reconhecem que essa mesma importância é a principal razão para a própria aliança EUA-Israel. Assim, juntam-se à recusa em reconhecer o que Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve de 1987 a 2006, reconheceu em suas memórias de 2007: que "a Guerra do Iraque é em grande parte sobre petróleo". Greenspan, que não era um radical, descreveu a instabilidade no Oriente Médio como o "gorila de 360 quilos" capaz de paralisar o crescimento econômico global, um fator, observou ele, que nenhuma previsão energética sensata pode ignorar.
Hoje, o controle dos EUA sobre o fluxo de petróleo do Golfo importa menos para seu próprio abastecimento do que como forma de pressionar outros países: particularmente a China, um país dependente dessas importações e seu único concorrente real, e seus próprios aliados dependentes de energia na Europa e no Leste Asiático. E o prêmio não é apenas o petróleo, mas o dinheiro do petróleo: os petrodólares que Greenspan não mencionou. Os fundos soberanos das seis monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) administram coletivamente quase US$ 6 trilhões, mais de 40% do total global. Esses mesmos países são clientes cruciais do complexo militar-industrial dos EUA: de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), três deles — Arábia Saudita, Kuwait e Catar — estavam entre os dez maiores importadores de armas do mundo no período de 2020 a 2024, com os Estados Unidos fornecendo 74% das importações sauditas, 63% das do Kuwait e 48% das do Catar.
Se somarmos a isso os conhecidos interesses comerciais que as famílias Trump, Kushner e Witkoff têm nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), bem como a influência cada vez mais decisiva da oligarquia tecnológica, a enorme gama de interesses americanos no Oriente Médio torna-se evidente. Esses fatores superaram quaisquer outros — incluindo a incitação de Netanyahu — na decisão de Trump de se juntar aos ataques de Israel contra o Irã em junho de 2025 e, posteriormente, em 28 de fevereiro, de travar uma guerra conjunta com aquele país. Imaginar que Trump lançou uma expedição militar dessa magnitude principalmente para agradar Netanyahu é compreender mal o presidente "América Primeiro", assim como a noção, popular antes de sua segunda posse e nos meses que se seguiram, de que ele era um pacifista e um homem contra a guerra.
O único argumento que poderia defender a ideia de que atacar o programa nuclear iraniano não servia aos interesses nacionais dos EUA foi apresentado, quase preventivamente, por Mearsheimer e Walt em seu artigo original de 2006. As ambições nucleares do Irã, admitiram eles, davam a Washington seus próprios motivos de preocupação; mas, continuaram, essas ambições não representavam uma ameaça direta: "Se Washington podia conviver com uma União Soviética nuclear, uma China nuclear ou mesmo uma Coreia do Norte nuclear, pode conviver com um Irã nuclear."
Esta é mais uma flagrante subestimação da importância estratégica da região do Golfo para os interesses imperiais dos EUA. Os Estados Unidos não tiveram escolha senão adaptar sua estratégia nuclear aos crescentes arsenais da China e da URSS. As armas nucleares da Coreia do Norte, um país adjacente à China e sob sua proteção, tinham importância estratégica limitada para Washington: elas não alteravam substancialmente o equilíbrio de poder no Leste Asiático. O mesmo se aplica às armas nucleares da Índia e do Paquistão e à sua dissuasão mútua. Um Irã nuclear, no entanto, seria uma história muito diferente. Colocaria em risco a hegemonia dos EUA na região do Golfo, demonstrando uma grave falha em seu compromisso de proteger seus estados vassalos. Também desencadearia uma corrida armamentista nuclear na região, comprometendo seriamente a segurança desta área estrategicamente vital do mundo, muito além do papel já significativo do Irã em ameaçá-la por meio de seus aliados e representantes.
Portanto, é altamente plausível que, por trás da linha oficial saudita de apaziguamento do Irã, Riad tenha se unido a Israel para encorajar Trump a entrar em guerra, como o Washington Post noticiou desde o primeiro dia. De qualquer forma, Trump não teria entrado em guerra sem antes consultar seus aliados locais, principalmente os sauditas e os emiratis. É altamente improvável que ele tivesse entrado em guerra se tivesse encontrado oposição genuína desses dois importantes aliados regionais. A única reserva plausível e significativa contra a guerra foi provavelmente expressa pelo Emirado do Catar, que sempre se protegeu de riscos cultivando amizades com todos (desde abrigar a principal base militar e centro de comando regional dos EUA até estreitar laços com Teerã e seus aliados), um cenário que seria severamente prejudicado por uma guerra, como de fato foi. Mas a influência do Catar sobre Trump é muito menor do que a do reino saudita e dos Emirados Árabes Unidos, apesar da tentativa de aumentá-la presenteando Trump com um luxuoso avião Boeing de sua própria frota principesca.
Nada disso altera o fato de que Trump e seu governo lançaram o que eu chamei de “a mais desastrosa de todas as guerras imperialistas dos EUA”. E levou muito tempo para que todos percebessem que, em comparação com a expedição imperialista contra a Venezuela, Washington enfrenta um desafio muito maior no Irã, com o risco de ter que escolher entre intensificar a guerra sem uma estratégia de saída ou abandoná-la sem atingir seus objetivos declarados. Foi precisamente então que vozes começaram a se levantar de todos os lados, da extrema direita, no estilo de Tucker Carlson, passando por figuras do movimento MAGA, e até mesmo alguns na esquerda que acreditam que o antissionismo exige abraçar a posição do lobby israelense.
Além daqueles que fantasiam com um Israel todo-poderoso, minimizando assim os enormes interesses imperialistas dos próprios Estados Unidos, a maioria dos que recorreram à estratégia de "culpar Israel", seja consciente ou instintivamente, desviaram a atenção desses mesmos interesses imperialistas, que eles apoiam veementemente por corresponderem claramente ao chamado interesse nacional americano.
É inegável que Netanyahu e seu governo de extrema-direita, assim como toda a elite do poder israelense, eram totalmente a favor da guerra contra o Irã. Mas a ideia de que eles são responsáveis pelo envolvimento e pela gestão desastrosa de Trump e sua equipe nessa guerra simplesmente não se sustenta. Aliás, poderíamos argumentar o oposto: que Netanyahu é um "lacaio" de Trump, como se dizia de Tony Blair durante a invasão do Iraque, a julgar pela forma como o presidente americano trata o primeiro-ministro israelense. Netanyahu agora é acusado pela oposição israelense de ser um "fantoche" e de transformar Israel em um "estado vassalo". A verdade inescapável é que, independentemente de qualquer conselho que Netanyahu possa ter dado a Trump, a responsabilidade fundamental pela guerra em curso recai sobre o presidente americano, juntamente com os membros de sua administração que compartilham suas ilusões de grandeza.
GILBERT ACHCAR
Ele é professor de Estudos de Desenvolvimento e Relações Internacionais na SOAS, Universidade de Londres.
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