É apenas uma leitura ligeira, de quem sobrevoa o cenário, identifica certas evidências, mas sem os dados necessários exigidos para uma análise criteriosa do tema. O objetivo aqui é uma leitura simples do movimento que deu ao Brasil cinco eixos de desenvolvimento nos pouco mais de quinhentos anos de sua História. Sendo ele um processo que podemos chamar, se seguirmos apenas a cronologia, de linear, ainda que tenha períodos mais ou menos longos de cada ciclo.
O primeiro ciclo foi tecido com a exploração da madeira nativa, especialmente do Pau Brasil, seguido pelo da cultura canavieira, regada a sangue e suor dos africanos para produzir açúcar para exportação. Esse foi o fenômeno que construiu e legitimou o logro colonial, o qual cunhou as bases da sociedade brasileira.
O segundo ciclo, intenso e efêmero ao mesmo tempo, fincou-se no centro do país, especialmente em Minas Gerais, na segunda metade do Século XVIII, urdido na exploração mineral, sobretudo, do ouro. Período com atividade de forte fluxo de dinheiro e acumulação de riqueza, que criou as condições necessárias para o terceiro ciclo de desenvolvimento que veio em seguida.
Inaugurando esse ciclo, a exaustão extrativista em Minas Gerais expulsou o desenvolvimento para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo e forneceu os elementos necessários para o surgimento do novo eixo econômico e político ancorado na cultura do café, desenvolvida no Vale do Paraíba, seguindo depois para toda Região Sudeste. Processo esse que cobrou a substituição da mão- de-obra escrava pelo trabalho assalariado.
Com tempo, espaço e capital acumulado, somados a outros fatores, nasce a fase de forte migração, sobretudo da Região Nordeste, como fator de fornecimento de mão-de-obra barata. É o contexto que deu nova fisionomia ao Brasil, marcada pelo crescimento econômico urbano-industrial acelerado, desigualdade social típica do capitalismo e pelo consequente aprofundamento das diferenças regionais. Tal fase transforma, principalmente a Região Nordeste, na âncora para a produção de bens e serviços e na principal fornecedora de mão-de-obra por décadas a fio.
Esse processo de desenvolvimento teve como principais características a longevidade e o ‘desenvolvimento linear’, começando no Nordeste chegou ao centro do país e se instalou no Sudeste, onde teve vigor suficiente para influenciar a Região Sul. Vale lembrar que uma de suas mais importantes consequências foi sua atuação como chamariz de contingentes importantes de imigrantes, principalmente europeus.
Esse modelo, embora pujante, tem apresentado inerentes contradições e vem, há anos, expondo seus limites e sinalizando um certo grau de esgotamento, o que abre novos horizontes para o país, desta vez voltados para a Região Nordeste, origem geográfica do desenvolvimento do Brasil independente.
Como apontam alguns indicadores, o Nordeste está deixando sua condição de fornecedor de mão-de-obra para o capital e abrindo um caminho novo como eixo do desenvolvimento econômico nacional, dessa vez, sustentado pelo desenvolvimento agrícola, industrial, turístico e serviços em geral, mostrando uma melhoria exponencial de todos os seus indicadores sociais.
O certo é que depois de séculos de descaso e uso planejado de sua população para gerar riqueza em outras regiões do país, o Nordeste reaparece, desde a primeira década deste século, como região altamente promissora para o progresso do país. Basta observar o volume de grandes investimentos que recebe para realizar grandes obras de infraestrutura como a transposição do Rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina, o estaleiro Enseada-BA, os portos de Suape-PE e Pecem-CE e os milhares de outras obras de médio e pequeno porte. Um outro fator que merece destaque é a migração de grandes empresas industriais e comerciais das áreas automotiva, eletrônica, energia, alimentação e vestuário, comércio de bens e serviços etc.
Há, porém, uma
diferença singular nesse processo em relação aos anteriores. O desenvolvimento
está acontecendo, basicamente, com mão-de-obra da própria região, sem carência
primordial de migrantes e ou imigrantes para sustentá-lo. Talvez seja este o
momento de parte da sociedade brasileira, sobretudo, das elites, perceberem que
o Nordeste é hoje, como sempre foi, uma região com potencial extraordinário
para ajudar o Brasil se tornar maior do que já é, tanto do ponto de vista humano,
quanto do desenvolvimento econômico, social e cultural.

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