UE: O verdadeiro narcoestado?


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O Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA está investigando a Administração de Combate às Drogas (DEA) por uma tática policial controversa que permitiu que quantidades alarmantes de fentanil, uma droga letal, chegassem às ruas, enquanto as autoridades federais buscavam consolidar casos de tráfico de drogas mais amplos. De acordo com fontes internas da DEA entrevistadas por autoridades do Novo México — estado considerado o epicentro da crise do fentanil — seus superiores ordenaram que se mantivessem à margem em vez de apreender centenas de milhares de comprimidos de fentanil, o que poderia violar regulamentos do Departamento de Justiça destinados a proteger as comunidades.

Há dois meses, a Associated Press revelou que, entre 2023 e 2025, em meio à epidemia de drogas mais letal da história dos EUA, agentes da DEA permitiram que mais de 3 milhões de comprimidos de fentanil chegassem às ruas, supostamente para reforçar casos criminais. Em Albuquerque, a cidade mais populosa do Novo México, agentes da DEA observavam de helicópteros e veículos de vigilância enquanto traficantes entravam em hotéis com mochilas que se acredita conterem até 100 mil comprimidos de fentanil. Segundo a própria agência, sete em cada dez comprimidos contêm quantidade suficiente da droga para causar a morte de um adulto médio por overdose — o que significa que, para cada mochila que deixaram passar, foram cúmplices de 70 mil homicídios. É claro que é absurdo presumir que cada dose resulta em morte, mas a DEA e a Casa Branca usam essa métrica quando se referem a "terroristas" do narcotráfico.

O público americano pode se surpreender ao saber das táticas questionáveis ​​empregadas por suas agências de segurança pública, mas no México e na América Latina, os padrões duplos de Washington são bem conhecidos. Deste lado do Rio Grande, a sociedade se lembra da Operação Fast and Furious , o esquema perverso pelo qual, entre 2009 e 2011, o Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA (ATF) permitiu deliberadamente a venda e o tráfico ilegal de mais de 2.000 armas de fogo para o México, sabendo que os compradores eram grupos do crime organizado e que essas armas seriam usadas contra policiais e civis mexicanos. Essa hipocrisia se estende ao setor financeiro: há um ano, o Departamento do Tesouro dos EUA forçou o fechamento de dois bancos mexicanos e uma corretora por "facilitarem o envenenamento de inúmeros americanos movimentando dinheiro para os cartéis". Segundo as alegações, as entidades movimentaram coletivamente menos de US$ 17 milhões de origem ilícita. Em contrapartida, o Tesouro impôs uma multa irrisória de 125 milhões de dólares e permitiu que a UBS Financial Services continuasse operando, mesmo que essa subsidiária do grupo financeiro suíço tenha realizado transferências internacionais de mais de 10 bilhões de dólares sem monitorar a possível origem ilícita dos fundos.

Esse padrão de comportamento confirma que Washington não está interessado em combater o crime organizado dentro de suas fronteiras ou em impedir que as drogas cheguem aos seus cidadãos, mas sim em usar o tráfico de drogas como pretexto para interferir em outros países. Na realidade, existe uma proteção sistemática e bipartidária do comércio de drogas, que movimenta bilhões de dólares.

Desde a organização do tráfico de cocaína para financiar a guerra contra o governo nicaraguense na década de 1980, até o aumento do cultivo de papoula durante a ocupação do Afeganistão; do indulto concedido ao narcotraficante e ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, ao programa de recompensas para as chamadas testemunhas protegidas, é inegável que, durante o último meio século, os Estados Unidos têm sido um verdadeiro narcoestado.

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