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O imperialismo norte-americano (com o apoio dos governos do
Reino Unido e da França) está na ofensiva em duas frentes. Obrigado pela Rússia
a recuar na Síria ataca na Ucrânia e na Venezuela.
Na Ucrânia, o apoio de Washington às forças empenhadas em
derrubar o presidente Iakunovitch foi ostensivo (ver artigo de Paul Craig
Roberts ]. .
Na Venezuela, a estratégia dos EUA é mais subtil. Nela a
Embaixada em Caracas e a CIA têm desempenhado um importante papel.
O projeto inicial de implantar no país uma situação caótica
fracassou. Os apelos à violência de Leopoldo Lopez que assumiram caracter
insurreccional na jornada de 12 de Fevereiro tiveram a resposta que mereciam
das Forças Armadas e das massas populares solidarias com a revolução
bolivariana. Os crimes cometidos pelos grupos de extrema-direita suscitaram
tamanha repulsa popular que até Capriles Radonski – o candidato derrotado à
Presidência da Republica - optou por se distanciar de Lopez e sua gente, mas
convoca novas manifestações "pacíficas". Inviabilizada a tentativa de
golpe com recurso à força, o esforço para desestabilizar o país prosseguiu, mas
o projeto de tomada do poder foi alterado. O governo define-o agora como
"um golpe de estado suave".
Uma campanha de desinformação, que envolve os grandes media
dos EUA e da União Europeia, transmite diariamente a imagem de uma Venezuela
onde a violência se tornou endémica, manifestações pacíficas seriam reprimidas,
a escassez de produtos essenciais aumenta, a inflação disparou e a crise
económica se aprofunda.
Ocultam a realidade. Quem promove a violência é a
extrema-direita, quem incendiou lojas da Mision Mercal que vende ao povo
mercadorias a preços reduzidos, quem saqueia supermercados é essa oposição
neofascista que se apresenta como "democrática", é ela que sabota a
economia e organiza o açambarcamento de produtos essenciais.
No Estado de Táchira, grupos terroristas paramilitares
vindos da Colômbia semeiam o terror, forçando o presidente Maduro a decretar
ali o estado de exceção.
É significativo que o embaixador da Venezuela em Lisboa,
general Lucas Rincón Romero, tenha sentido a necessidade de emitir um
comunicado para esclarecer que os media internacionais publicam quase
exclusivamente declarações da oposição que deturpam grosseiramente os
acontecimentos do seu pais. A Revolução Bolivariana enfrenta hoje uma guerra
económica – a expressão é de Maduro – que é simultaneamente uma guerra psicológica,
política e social.
Nesse contexto, o Presidente da Venezuela ao alertar o seu
povo para a cumplicidade de Washington na montagem de "um golpe de
estado" denunciou o envolvimento em atividades conspirativas da oposição
de três funcionários consulares dos Estados Unidos, e ordenou a sua imediata
expulsão. Reagindo também à campanha anti-venezuelana da CNN, acusou aquele
canal de TV de uma "programação de guerra".
Como reage Barack Obama? Com hipocrisia e arrogância. Não
citou o episódio da expulsão dos diplomatas, mas pediu a Maduro que liberte os
dirigentes da oposição presos. Como nele é habitual invocou no seu apelo
retórico princípios humanitários, o respeito pelos direitos humanos, o diálogo
democrático, enfim, aquilo os EUA violam com a sua política de terrorismo de
estado.
Somente faltou mencionar explicitamente Leopoldo Lopez, o
líder das jornadas de violência que provocaram mortes e destruições em Caracas
e noutras cidades.
O senador republicano John McCain, ex candidato à Casa
Branca, foi mais longe do que Obama. Numa entrevista à BBC sugeriu com despudor
uma intervenção militar direta na Venezuela para "estabelecer a paz e a
democracia".
A escalada golpista assumiu tais proporções que desencadeou
a nível mundial um poderoso movimento de apoio à Revolução Bolivariana,
ameaçada pelo imperialismo e o fascismo caseiro.
Um manifesto de solidariedade ao governo de Maduro, iniciado
na Argentina, já foi assinado em muitos países por milhares de intelectuais,
artistas, dirigentes políticos, parlamentares e sindicalistas.
A solidariedade com o povo de Bolívar corre mundo como
torrente caudalosa.
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