Progressistas do DF, mexam-se!



O que falta aos progressistas para ocuparem o espaço político no Distrito Federal?

Nonato Menezes

O Distrito Federal é singular em sua condição geográfica. Desenvolveu características específicas, comparada às demais unidades da federação. Seu território é pequeno, com saneamento básico quase completo, sistema viário acima da média do Brasil e uma população com renda acima da média nacional.

No conjunto, o Distrito Federal oferece boas ou ótimas condições para a Ação Política institucional e dos movimentos sociais, melhores que qualquer outra unidade da federação.

Assim, o Distrito Federal oferece meios físicos e humanos mais que favoráveis à Ação Política do campo progressista que é quem mais faz mover a ideia de luta, de conquista, de melhoria da vida da população.

Mas o que estão fazendo as instituições e os movimentos sociais progressistas do Distrito Federal, com essas condições tão favoráveis?

À primeira vista, nada. Estão a ver navios. Estão na janela da política, contemplando o avanço, em todas as áreas, dos setores conservadores e reacionários.

Se exemplo ajuda para aprofundar essa leitura, basta observar o que ocorre na Escola Pública. “Escola sem Partido”, “Escola militarizada”, uma pedagogia que teima em se manter no atraso, com alto índice de reprovação, baixo desempenho e politização progressista quase zero. O que parece não ser motivo de preocupação, de debates, de perguntas e questionamentos, que justifique a mais genuína luta política, quando sabemos que a Escola tem sido um espaço, historicamente, visado pelo Fascismo.

Fora da escola a vida política não parece diferente. Os partidos estão paralisados, não criam mecanismos que provoquem o debate, não procuram envolver a sociedade, ou parte dela, pelo menos com um dos temas que emerge com agressividade, como o Fascismo que ilude muitos com o discurso sobre Deus, Família e Propriedade.

Os sindicatos de trabalhadores ainda não morreram, mas os conservadores e reacionários estão à espreita. Estes já perceberam que a inércia, a falta de argumentos, e pior, a ausência quase completa do ímpeto para a mudança são as facilidades que parecem ter caídos do céu.

As condições geográficas, sociais e materiais estão postas, mas a Ação Política dos setores progressistas é míope.

Por exemplo.

Tem sido inaceitável, até o presente momento, sindicatos de trabalhadores, movimentos sociais como o CEPAFRE, por exemplo, os partidos políticos, as federações e confederações não controlarem um veículo de comunicação de massa. Não terem uma Rádio Comunitária ou comercial, uma TV Comunitária, um veículo de mídia digital que fale a língua progressista, com debates, produção escrita de qualidade, participação direta dos usuários e interessados etc.

Não creio que a falta de tudo isso ou de um deles seja o caixa vazio. É muita ingenuidade pensar que o PT, o Sinpro-DF, a CUT local e nacional, entre outras instituições de interesse dos trabalhadores estejam a chafurdar na miséria. Dinheiro, certamente, existe. Faltam, talvez, ideias, coragem e disposição para o enfrentamento. Falta compreensão sobre o verdadeiro papel dos setores progressistas, que é de abrir caminhos, construir e lutar para evitar o desastre, antes que ele ocorra, e não agir apenas para tentar corrigir o estrago.

O Distrito Federal não está pronto e acabado. Falta muito para que parte da sociedade local entenda que não é crível escolher alguém para legislar que tenha encontrado Jesus Cristo trepado numa goiabeira. Que não é aceitável repetir a escolha de um governador que desde os primeiros dias de gestão mostrou que governar é dispor aos amigos o que é de direito público. E sequer é respeitoso escolher uma criatura para presidir o país que “não estupraria alguém porque ela, na visão dele, era feia”. Repetir o voto em alguém que zombou da vida humana, quando alguém, em estado de desespero, suplicou por ar para respirar.  

O Distrito Federal é um bom exemplo, mas há, Brasil a fora, milhões de pessoas que rezam para um pneu no meio do asfalto. Muita gente que alimenta a esperança de que os extraterrestes venham um dia ajuda-los a dar um golpe de estado. Além de outras patologias que devem fazer coração palpitar.

Sabemos que os setores progressistas não podem, nem devem primar por corrigir essas anomalias, mas cabe provocarem uma discussão séria, não sobre esse problema em si, como sendo genuinamente político, mas por ser esse uma questão de saúde pública, afinal, se continuamos a sofrer com a miséria material, com a insegurança pública, falta de saneamento e tantos outros problemas de envergadura, não é menor atentar para a enfermidade política que acomete tanta gente no Distrito Federal e no Brasil, sem que haja a menor intervenção responsável.

Por fim, há, também, o que o Distrito Federal projeta. Que não seja apenas um Centrão a roubar a esperança de seus eleitores quando troca a função obrigatória de legislar por negócios criminosos, quando saqueia a Nação por meio das Emendas Parlamentares. Governador que “compra” bezerro de ouro com dinheiro público. Outro, preso por corrupção, mas em movimento para ocupar função pública novamente, talvez por saber que muitos eleitores estão à sua espera. Ainda há aquele que usa o banco público local para práticas flagrantemente mafiosas ao disponibilizar o dinheiro da população para operações fraudulentas com amigos e milicianos.

Mas o Distrito Federal tem condições de projetar ações políticas de vanguarda, basta que os setores progressistas desistam da inércia, que não tenham medo do debate e da cobrança e ofereça à população meios para sair desse atoleiro.

Progressistas do Distrito Federal, mexam-se!  


"A leitura ilumina o espírito".

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Comentários

  1. Omar dos Santos. Como diz a máxima:.Pior que a derrota é não ter a coragem de lutar.

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