O que falta aos progressistas para ocuparem o espaço político no Distrito Federal?
No conjunto, o Distrito Federal
oferece boas ou ótimas condições para a Ação Política institucional e dos
movimentos sociais, melhores que qualquer outra unidade da federação.
Assim, o Distrito Federal oferece
meios físicos e humanos mais que favoráveis à Ação Política do campo
progressista que é quem mais faz mover a ideia de luta, de conquista, de
melhoria da vida da população.
Mas o que estão fazendo as
instituições e os movimentos sociais progressistas do Distrito Federal, com
essas condições tão favoráveis?
À primeira vista, nada. Estão a
ver navios. Estão na janela da política, contemplando o avanço, em todas as
áreas, dos setores conservadores e reacionários.
Se exemplo ajuda para aprofundar
essa leitura, basta observar o que ocorre na Escola Pública. “Escola sem
Partido”, “Escola militarizada”, uma pedagogia que teima em se manter no
atraso, com alto índice de reprovação, baixo desempenho e politização
progressista quase zero. O que parece não ser motivo de preocupação, de
debates, de perguntas e questionamentos, que justifique a mais genuína luta
política, quando sabemos que a Escola tem sido um espaço, historicamente,
visado pelo Fascismo.
Fora da escola a vida política
não parece diferente. Os partidos estão paralisados, não criam mecanismos que
provoquem o debate, não procuram envolver a sociedade, ou parte dela, pelo
menos com um dos temas que emerge com agressividade, como o Fascismo que ilude
muitos com o discurso sobre Deus, Família e Propriedade.
Os sindicatos de trabalhadores
ainda não morreram, mas os conservadores e reacionários estão à espreita. Estes
já perceberam que a inércia, a falta de argumentos, e pior, a ausência quase
completa do ímpeto para a mudança são as facilidades que parecem ter caídos do
céu.
As condições geográficas, sociais
e materiais estão postas, mas a Ação Política dos setores progressistas é
míope.
Por exemplo.
Tem sido inaceitável, até o
presente momento, sindicatos de trabalhadores, movimentos sociais como o CEPAFRE,
por exemplo, os partidos políticos, as federações e confederações não
controlarem um veículo de comunicação de massa. Não terem uma Rádio Comunitária
ou comercial, uma TV Comunitária, um veículo de mídia digital que fale a língua
progressista, com debates, produção escrita de qualidade, participação direta
dos usuários e interessados etc.
Não creio que a falta de tudo
isso ou de um deles seja o caixa vazio. É muita ingenuidade pensar que o PT, o
Sinpro-DF, a CUT local e nacional, entre outras instituições de interesse dos
trabalhadores estejam a chafurdar na miséria. Dinheiro, certamente, existe.
Faltam, talvez, ideias, coragem e disposição para o enfrentamento. Falta
compreensão sobre o verdadeiro papel dos setores progressistas, que é de abrir
caminhos, construir e lutar para evitar o desastre, antes que ele ocorra, e não
agir apenas para tentar corrigir o estrago.
O Distrito Federal não está
pronto e acabado. Falta muito para que parte da sociedade local entenda que não
é crível escolher alguém para legislar que tenha encontrado Jesus Cristo
trepado numa goiabeira. Que não é aceitável repetir a escolha de um governador
que desde os primeiros dias de gestão mostrou que governar é dispor aos amigos
o que é de direito público. E sequer é respeitoso escolher uma criatura para
presidir o país que “não estupraria alguém porque ela, na visão dele, era
feia”. Repetir o voto em alguém que zombou da vida humana, quando alguém, em
estado de desespero, suplicou por ar para respirar.
O Distrito Federal é um bom
exemplo, mas há, Brasil a fora, milhões de pessoas que rezam para um pneu no
meio do asfalto. Muita gente que alimenta a esperança de que os extraterrestes
venham um dia ajuda-los a dar um golpe de estado. Além de outras patologias que
devem fazer coração palpitar.
Sabemos que os setores progressistas
não podem, nem devem primar por corrigir essas anomalias, mas cabe provocarem
uma discussão séria, não sobre esse problema em si, como sendo genuinamente
político, mas por ser esse uma questão de saúde pública, afinal, se continuamos
a sofrer com a miséria material, com a insegurança pública, falta de saneamento
e tantos outros problemas de envergadura, não é menor atentar para a
enfermidade política que acomete tanta gente no Distrito Federal e no Brasil,
sem que haja a menor intervenção responsável.
Por fim, há, também, o que o
Distrito Federal projeta. Que não seja apenas um Centrão a roubar a esperança
de seus eleitores quando troca a função obrigatória de legislar por negócios
criminosos, quando saqueia a Nação por meio das Emendas Parlamentares. Governador
que “compra” bezerro de ouro com dinheiro público. Outro, preso por corrupção, mas
em movimento para ocupar função pública novamente, talvez por saber que muitos
eleitores estão à sua espera. Ainda há aquele que usa o banco público local
para práticas flagrantemente mafiosas ao disponibilizar o dinheiro da população
para operações fraudulentas com amigos e milicianos.
Mas o Distrito Federal tem
condições de projetar ações políticas de vanguarda, basta que os setores
progressistas desistam da inércia, que não tenham medo do debate e da cobrança
e ofereça à população meios para sair desse atoleiro.
Progressistas do Distrito
Federal, mexam-se!

Omar dos Santos. Como diz a máxima:.Pior que a derrota é não ter a coragem de lutar.
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