
Ilustração: Chen Xia/GT
Há quatro anos, em 24 de fevereiro, um conflito em larga escala eclodiu no continente europeu, desferindo um golpe sem precedentes na ordem de segurança estabelecida após a Guerra Fria. Em retrospectiva, o conflito entre Rússia e Ucrânia transcende meros ganhos e perdas no campo de batalha; ele desafia a forma como o mundo interpreta o futuro da segurança, do poder e da paz.
As recentes negociações tripartidas entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, em Genebra, terminaram sem avanços significativos em questões cruciais, enquanto disparos de artilharia continuam a ecoar por diversas regiões. "É improvável que a situação do conflito entre Rússia e Ucrânia sofra mudanças fundamentais em curto prazo", afirmou Tian Dewen, pesquisador do Instituto de Estudos Russos, do Leste Europeu e da Ásia Central da Academia Chinesa de Ciências Sociais. Apesar das múltiplas rodadas de negociações mediadas pelos Estados Unidos, ambos os lados permanecem inflexíveis em pontos-chave, como território e garantias de segurança, aumentando o risco de o conflito entrar em uma fase prolongada de desgaste.
Quatro anos após o início do conflito, a dinâmica remodelou significativamente as relações estratégicas entre as principais potências, incluindo Estados Unidos, Europa e Rússia, impulsionando o sistema internacional para uma nova fase estrutural. Os EUA aproveitaram o conflito para fortalecer sua influência sobre a Europa, reforçando o papel da OTAN por meio de narrativas de ameaças à segurança. Isso tornou a Europa cada vez mais dependente de Washington para segurança e a obrigou a reestruturar seu fornecimento de energia, aprofundando sua dependência dos EUA.
Ao mesmo tempo, a busca da Europa por autonomia estratégica sofreu graves reveses. A crise energética, o aumento dos gastos militares e as divisões políticas internas dificultaram a capacidade da Europa de agir como uma entidade estratégica independente, diminuindo significativamente seu papel na competição entre as grandes potências. Enquanto isso, a Rússia, sob amplas sanções ocidentais, acelerou sua aproximação com o Oriente, intensificando a cooperação com nações não ocidentais.
Os últimos quatro anos de conflito trouxeram lições profundas para o mundo. Primeiro, a guerra ressalta que a confiança na lógica hegemônica não pode gerar segurança real. Independentemente de quem ocupe a Casa Branca, a prioridade estratégica de Washington permanece a mesma: consolidar sua influência global por meio de conflitos externos. Essa abordagem orientada por interesses dificulta os esforços para resolver o conflito.
Em segundo lugar, a atual situação de segurança que a Europa enfrenta evidencia que a dependência de potências externas é insuficiente para uma segurança genuína. As crescentes pressões obrigaram muitos líderes europeus a reavaliar as suas estratégias, levando muitas nações a trabalhar no desenvolvimento de capacidades militares e industriais independentes. Diplomaticamente, a Europa está a tornar-se cada vez mais pragmática.
Em terceiro lugar, os efeitos colaterais do conflito merecem atenção especial. A participação da Coreia do Sul na iniciativa "PURL" da OTAN, que destina fundos para a Ucrânia comprar armas, apenas adia as perspectivas de resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia, afirmou no sábado a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acrescentando que a Rússia, em resposta, será forçada a exercer seu direito de retaliação. "A postura da Coreia do Sul é inevitavelmente influenciada pela estratégia dos EUA. Isso também demonstra que os EUA não se opõem a envolver o Nordeste Asiático no conflito para obter vantagens adicionais nas negociações, o que é extremamente perigoso para a segurança regional", disse Tian.
Em quarto lugar, o conflito expôs as deficiências das atuais estruturas de segurança internacional. Instituições multilaterais como as Nações Unidas têm desempenhado um papel limitado, evidenciando a necessidade urgente de uma governança de segurança global aprimorada. Nesse contexto, a relevância da Iniciativa de Segurança Global e da Iniciativa de Governança Global, propostas pela China, torna-se cada vez mais evidente. A gestão eficaz de crises exigirá a facilitação da colaboração entre a Europa e os países do Sul Global, integrando mecanismos multilaterais à coordenação entre as grandes potências.
Embora a China não seja parte envolvida na crise ucraniana, tem se empenhado ativamente na busca por uma solução. A China divulgou um documento expondo sua posição sobre a solução política da crise na Ucrânia, apresentando um roteiro abrangente e viável para uma solução política. Em 13 de fevereiro, Wang Yi, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês e Ministro das Relações Exteriores, reuniu-se com o Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarando que a posição da China tem sido consistente, sempre tomando como diretriz fundamental os quatro pontos propostos pelo líder chinês sobre o que deve ser feito.
Quatro anos após o início da crise na Ucrânia, o mundo se lembra de forma contundente: hegemonismo, política de blocos e alianças conflituosas só levam à guerra, e conflitos não produzem vencedores. O diálogo continua sendo o único caminho viável para a resolução de crises. Enquanto a fumaça da guerra persiste, o mundo deve refletir não sobre quem prevalece na batalha, mas sobre como a paz pode ser alcançada.
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