
Como superar os desafios estruturais que um programa desenvolvimentista enfrenta no Brasil contemporâneo? Minha contribuição aqui busca articular duas dimensões desse desafio: primeiro, as restrições domésticas impostas pelo arcabouço fiscal à execução de uma política econômica desenvolvimentista; segundo, as oportunidades abertas pela reconfiguração geopolítica global, particularmente a rivalidade sino-americana, que criam condições históricas para uma estratégia de autonomia tecnológica e reindustrialização. Meu argumento central é que essas duas dimensões estão intrinsecamente conectadas: sem reformar as amarras fiscais que inviabilizam investimentos públicos estratégicos, o Brasil permanecerá incapaz de aproveitar a janela geopolítica que se abre. Nas eleições de 2026, a esquerda não pode prometer “menos do mesmo”: precisa demonstrar sua capacidade de propor mais e melhores políticas públicas que dialoguem inclusive com os grupos sociais resistentes ao governo Lula.
I. A armadilha da austeridade permanente
O chamado “arcabouço fiscal” ou “regime fiscal sustentável” representa a continuidade, sob nova roupagem, da lógica da austeridade que domina a política econômica brasileira pelo menos desde 2015. Embora apresentado como mais flexível que o teto de gastos de Temer, o novo regime mantém o essencial: a subordinação da política fiscal a metas de resultado primário e a limitação do crescimento das despesas primárias a um teto móvel vinculado a 70% do crescimento da receita, com crescimento real máximo de 2,5% ao ano.
As consequências dessa arquitetura institucional são evidentes (BASTOS, 2023a, b). Primeiro, ela perpetua a compressão dos investimentos da União. Entre 2010 e 2014, o investimento do governo central rodou a 0,68% do PIB. Na média de 2023 e 2024, ficou em 0,305%, subindo pouco em relação à média do período 2019-2022, 0,29% (PIRES, 2025). O investimento do setor público como um todo caiu menos – de 3,46% do PIB entre 2010 e 2014 para 2,83% no biênio 2023-4 –, mas isso não é consolo, por causa de carências que só podem ser supridas pela União. Segundo, o arcabouço fiscal impõe uma contenção permanente dos gastos sociais justamente quando o país deveria expandir sua rede de proteção e seus serviços públicos. Afinal, itens de gastos como educação, saúde e previdência social que têm vinculações orçamentárias constitucionais e que tendem a crescer mais do que o limite geral autorizado pelo arcabouço (2,5%) são incompatíveis com ele. Terceiro, e crucialmente para o argumento que desenvolvo aqui, inviabiliza a capitalização de empresas estatais e os investimentos em infraestrutura necessários para viabilizar um projeto desenvolvimentista.
O problema não é meramente técnico ou contábil. Trata-se de uma escolha política que prioriza a rentabilidade dos títulos públicos e a tranquilidade dos mercados financeiros em detrimento da capacidade do Estado de induzir o desenvolvimento econômico. É uma escolha política de um refém que, como tal, tem pouco apelo além da base agradecida por políticas já executadas. Como demonstrei em análises anteriores, essa escolha reflete a posição defensiva perante um condomínio hegemônico entre o capital estrangeiro e o grande capital financeiro doméstico que se consolidou após o golpe de 2016 e que resiste a qualquer projeto que ameace suas estratégias de acumulação que integram a economia brasileira de modo cada vez mais dependente no capitalismo mundial, com grande influência sobre os poderes legislativo e judiciário. A recuperação do gasto público, seja na infraestrutura social seja na econômica, ao contrário, é fundamental para ativar um modelo de crescimento econômico que combine apoio popular e investimentos públicos e privados orientados para atendimento das necessidades da população brasileira, inclusive mirando deliberadamente em políticas que beneficiam grupos sociais resistentes ao governo Lula sem prejudicar os já apoiadores (como faz o arcabouço fiscal em uma soma-zero)
II. Reforma fiscal estratégica: exclusões necessárias
Diante desse impasse, o ideal seria propormos a superação do arcabouço fiscal. Se não tivermos força política para tanto, pelo menos devemos obter duas exclusões fundamentais do cálculo dos gastos limitados pelo arcabouço.
Primeira: exclusão dos gastos em saúde, educação, ciência e tecnologia. A racionalidade dessa proposta é evidente. Saúde, educação, ciência e tecnologia são investimentos de longo prazo na capacidade produtiva da nação, não gastos de consumo. Tratá-los como despesas ordinárias que devem ser contidas é condenar o país ao subdesenvolvimento permanente. Mais ainda, em um momento histórico em que a competição econômica global se desloca crescentemente para setores intensivos em conhecimento — inteligência artificial, biotecnologia, transição energética, entre outros —, comprimir investimentos em educação, ciência e tecnologia é renunciar antecipadamente a qualquer possibilidade de inserção soberana na economia mundial, e de ascensão social sustentada dos menos favorecidos de modo a também favorecer camadas médias
Segunda: exclusão dos gastos com capitalização de empresas estatais e investimentos em infraestrutura realizados pela administração direta e unidades federadas. Esta exclusão é crucial para o argumento que desenvolvo aqui. Sem capacidade de capitalizar empresas como Petrobras, Eletrobras (onde o Estado ainda mantém participação minoritária), BNDES e outros bancos públicos, o Estado brasileiro fica desarmado para implementar políticas industriais substantivas e, consequentemente, para sustentar a geração de empregos de maior produtividade e remuneração. Contudo, tal capitalização, incluída no teto do arcabouço fiscal, é financeiramente inviável. Limitado na capacidade de investir em infraestrutura logística, energética e digital fora do teto de gastos, o país permanece prisioneiro de gargalos estruturais que inviabilizam planejar qualquer estratégia de desenvolvimento.
Um pequeno sinal disso é que, em 05/12, a LDO de 2026 aprovada pelo Congresso Nacional retirou algo como R$ 10 bilhões do teto do arcabouço para auxiliar na recuperação financeira dos Correios, viabilizando a continuidade de um serviço essencial para integrar a nação. Meritória em si, a exclusão deste gasto do teto do arcabouço e da meta fiscal levanta uma pergunta óbvia: por que só atender a necessidades urgentes de investimento público — como os Correios ou a reconstrução de infraestruturas destruídas por desastres climáticos — ao invés de viabilizar a expansão planejada do investimento público orientado para restaurar o desenvolvimento econômico e social?
Essas exclusões não representam irresponsabilidade fiscal, mas sim uma compreensão mais sofisticada do que significa “sustentabilidade” em política econômica. Sustentável não é aquilo que agrada aos mercados financeiros no curto prazo, mas sim aquilo que constrói capacidades produtivas de longo prazo. Países desenvolvidos jamais impuseram a si mesmos as amarras que o Brasil se autoinflige.
III. A janela geopolítica sino-americana
Enquanto o Brasil se paralisa em debates sobre décimos de ponto percentual no resultado primário, o mundo passa por uma reconfiguração geopolítica de magnitude histórica. A ascensão da China como potência tecnológica e industrial, e a resposta estadunidense, primeiro na forma de contenção e “desacoplamento”, agora na forma do imperialismo nu e cru, criam oportunidades sem precedentes para países de desenvolvimento intermediário que souberem aproveitar as contradições dessa nova guerra fria.
Os dados são eloquentes. A participação da China no comércio exterior brasileiro saltou de menos de 2% entre 1997 e 2000 para 28,7% em 2025, sendo nosso principal parceiro comercial. Simultaneamente, a participação dos Estados Unidos caiu de 23,9% para 10,8% no mesmo período. Essa reorientação comercial não é mero acidente estatístico, mas expressão de uma transformação estrutural na economia mundial.
Mais significativo ainda: essa transformação não se limita ao comércio. Empresas chinesas tornaram-se protagonistas em setores estratégicos da infraestrutura brasileira. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC, 2025), 45% de todo o estoque de investimento chinês no Brasil desde 2007 concentra-se no setor de eletricidade, somando US$ 35 bilhões. A State Grid controla a CPFL Energia, com cerca de 15% do mercado nacional de distribuição e presença relevante em transmissão de alta tensão; a China Three Gorges (CTG) acumula 8,3 GW de capacidade instalada em geração hídrica; e a SPIC opera aproximadamente 4 GW em renováveis. Somente em 2024, o setor elétrico concentrou 34% do total investido pela China no país, somando US$ 1,43 bilhão. Em telecomunicações, a Huawei consolidou-se como fornecedora fundamental, apesar das pressões estadunidenses para sua exclusão das redes 5G.
O segundo governo Trump, com sua ênfase em unilateralismo e protecionismo, tende a aprofundar essa tendência. Enquanto Washington impõe tarifas, restrições tecnológicas e exige subordinação geopolítica de seus parceiros, Beijing oferece financiamento, transferência tecnológica e parcerias sem condicionalidades políticas explícitas.
Esta é a janela histórica que se abre: aproveitar a competição sino-americana para negociar transferências tecnológicas substantivas e construir capacidades produtivas autônomas. Mas — e aqui retorno ao primeiro argumento — essa janela só pode ser aproveitada se o Estado brasileiro tiver capacidade fiscal e institucional para ser um parceiro relevante, não um mero receptor passivo de investimentos.
IV. Parcerias estratégicas: transição energética, IA e semicondutores
Proponho três eixos concretos de parcerias estratégicas com a China, todos mais ou menos dependentes da reforma fiscal que defendo. Tais eixos não dependem tanto da cooperação chinesa quanto da vontade política nacional, mas podem ser muito apoiados por ela. O objetivo não é apenas atrair investimentos, mas assegurar transferência de tecnologia, através de licenciamento apoiados pelos dois governos e, eventualmente, com formação de empreendimentos conjuntos (joint ventures) que incluam cláusulas explícitas de transferência tecnológica e produção local de componentes de alta intensidade tecnológica. A China possui tanto o interesse estratégico (diversificar cadeias produtivas diante de pressões ocidentais) quanto a capacidade tecnológica para viabilizar esse tipo de parceria. Isso exige contrapartida brasileira: capacidade de co-investimento via capitalização de estatais, algo impossível sob o atual arcabouço fiscal, ou financiamento de longo prazo de empresas privadas alinhando-o com finalidades estratégicas via empréstimos do BNDES e/ou participação do BNDESPAR.
Primeiro eixo: transição energética. O Brasil possui vantagens comparativas evidentes em energia renovável — hidrelétrica, eólica, solar, biomassa — e já conta com um ecossistema de geração renovável robusto (EPE, 2025), com empresas privadas como Engie Brasil, Neoenergia, CPFL, Omega Green (ex-Omega Energia), Elera Renováveis e Auren Energia (ex-AES Brasil), além de estatais como Eletrobras e Petrobras. A WEG, maior empresa de equipamentos elétricos da América Latina, já atua em sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e forneceu infraestrutura para a planta pioneira de hidrogênio verde de Furnas em Itumbiara/MG, em parceria com Unicamp, Unesp e Senai (WEG, 2021). Contudo, há lacunas críticas na cadeia produtiva: na fabricação de painéis fotovoltaicos de alta eficiência, oito dos dez maiores fabricantes mundiais são chineses, enquanto a participação de módulos nacionais em nosso mercado caiu de 35% para 1% entre 2020 e 2024 (BNDES SETORIAL, 2025); a WEG encerrou a produção de turbinas eólicas em 2024, em contexto já descrito como a maior crise da indústria de energia eólica e solar no Brasil (BLOOMBERG LÍNEA, 2025); e o mercado de baterias de escala e eletrolisadores para hidrogênio verde ainda é incipiente no país (ABSOLAR, 2024). A proposta, portanto, não é necessariamente criar novas estatais ou joint ventures para cada segmento, mas combinar o fortalecimento das capacidades industriais existentes — via capitalização pela BNDESPar, financiamento da Finep e encomendas tecnológicas — com aporte tecnológico chinês nas lacunas onde o Brasil não possui base industrial. Esse aporte pode se dar por múltiplas vias: licenciamento de tecnologias, acordos de P&D conjunto entre empresas brasileiras e chinesas, participações cruzadas ou, onde necessário, joint ventures com cláusulas explícitas de transferência tecnológica e produção local de componentes.
Ampliar investimentos para expandir capacidade produtiva e obter capacitação tecnológica, contudo, só será possível caso sejam resolvidos outros dois problemas que afligem o setor de energia renovável: 1) a carência de redes de transmissão para levar a energia gerada no Nordeste ou nos telhados de áreas metropolitanas até áreas carentes de energia e 2) as limitações técnicas e a escassez de capacidade de armazenamento, em baterias, da energia gerada de dia para uso à noite ou em períodos de seca, concorrendo com o poderoso lobby das usinas termoelétricas.[1] Resolver essas outras questões envolve embate político, planejamento complexo e capacidade de investimento da Eletrobrás, o que por sua vez se choca com o arcabouço fiscal e com os limites políticos à ampliação da participação da União na governança da estatal depois da privatização parcial realizada no governo Bolsonaro. Ampliar investimentos e empregos no setor elétrico, reduzir custos de energia elétrica e, ao mesmo tempo, caminhar para reduzir emissões de gases de efeito estufa é bandeira que mobiliza amplos grupos sociais.
Segundo eixo: inteligência artificial e economia digital. A corrida pela supremacia em IA é um front central da competição tecnológica global. O Brasil não tem capacidade de competir globalmente com Estados Unidos ou China nesse campo, mas já possui iniciativas relevantes de aplicação de IA a especificidades nacionais — iniciativas que operam, contudo, de forma fragmentada, subfinanciada e com alcance limitado. Vou dar exemplo de três domínios em que uma política nacional coordenada pode escalar essas iniciativas, garantindo financiamento estável e as integrando a parcerias internacionais de transferência tecnológica.[2] Todas essas iniciativas dialogam com grupos sociais resistentes ao governo Lula, na agricultura de pequenos e médios proprietários e seus assalariados, na oferta de serviços médicos, na indústria de transformação. Uma quarta possibilidade será discutida com mais vagar adiante, dialogando diretamente com a categoria de motoristas e entregadores que se consideram autônomos na sua relação com plataformas monopólicas de aplicativos digitais e que resistem à perda de autonomia associada à “intervenção” estatal.
2.1) Agricultura de precisão tropical. O Brasil é o maior exportador mundial de soja, café, açúcar, suco de laranja e proteína animal, mas opera com produtividade média por hectare inferior à dos concorrentes em culturas como milho e trigo (CONAB, 2024; USDA, 2024). A aplicação de IA à agricultura de precisão tropical já é realidade no país: startups como Agrosmart, Solinftec e BrainAgro aplicam IA em monitoramento climático, automação de maquinário e gestão de lavouras de café, cana e soja; e a Embrapa coordena uma Rede de Agricultura de Precisão que, em mais de uma década, produziu resultados expressivos — economia de até 30% em fertilizantes, aumento de produtividade de 15% a 20% (EMBRAPA, 2024) e acurácia de 97% no mapeamento de uso do solo no Cerrado com algoritmos de IA (BOLFE et al., 2023). Modelos de IA treinados com dados de sensoriamento remoto e imagens de satélite e drones já demonstraram capacidade de identificar pragas, deficiências nutricionais e estresse hídrico específicos de cultivares tropicais, por meio de índices espectrais como NDVI e NDWI (MELO et al., 2021), e algoritmos de aprendizado de máquina alimentados por dados meteorológicos regionalizados conseguem prever safras com meses de antecedência (SHARMA et al., 2021).
Embora convênios internacionais possam contribuir para resolver o problema, o gargalo principal não é tecnológico, mas de acesso e escala: mais da metade das propriedades rurais brasileiras ainda não possui conectividade adequada, e o custo inicial permanece proibitivo para pequenos produtores. O que se pode propor é uma política pública que financie a expansão da conectividade rural e subsidie o acesso de pequenos e médios produtores a essas tecnologias, liderada pela Embrapa em parceria com universidades públicas — especialmente as faculdades de agronomia, computação e engenharia agrícola das regiões produtoras —, desenvolvendo modelos abertos calibrados para condições tropicais e subtropicais, um ativo tecnológico ainda insuficiente nos grandes provedores globais de IA. É claro que as redes de conectividade criadas para esses fins também contribuem para levar acesso à internet a populações afastadas dos grandes centros urbanos e aos equipamentos urbanos das pequenas cidades e vilas.
2.2) Gestão de biomas complexos e bioeconomia. A Amazônia e o Cerrado são biomas de biodiversidade e complexidade ecológica sem paralelo, cuja gestão exige monitoramento contínuo em escala continental. Neste domínio, o Brasil já é referência mundial. O INPE opera os sistemas PRODES e DETER há décadas, e em setembro de 2025 lançou o Deter Não Floresta (Deter NF), que utiliza inteligência artificial para identificar degradação em formações não florestais da Amazônia, ampliando o monitoramento diário para todo o bioma (INPE, 2025). O programa BiomasBR já integra sensoriamento remoto, IA e Big Data para gerar dados de desmatamento em todos os biomas brasileiros. Em 2025, pesquisadores da PUC-Rio desenvolveram, em parceria com INPE, Ibama e MMA, um modelo de IA capaz de prever com até 15 dias de antecedência as áreas com maior risco de desmatamento na Amazônia Legal, já em operação na plataforma TerraBrasilis e disponibilizado a 67 municípios amazônicos (FEITOSA et al., 2025). Essas capacidades, contudo, dependem de financiamento contínuo e proteção institucional do INPE contra cortes orçamentários. O que se pode propor é garantir recursos estáveis para a expansão desses sistemas a todos os biomas — a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pampa ainda não têm cobertura diária — e para o desenvolvimento de modelos de IA de próxima geração, por consórcios entre o INPE, universidades amazônicas (UFPA, UFAM, UEA, INPA etc.) e centros de computação avançada (LNCC, UNICAMP, USP, PUC etc.), com transferência tecnológica de parceiros internacionais. Ademais, tal política deve conectar-se com incentivos à bioeconomia ou à economia circular nos biomas, com manejo sustentável de culturas florestais e incentivos à agregação de valor e à criação de marcas associadas à refinação dos produtos das florestas e matas, se possível mobilizando cooperativas de produtores (BASTOS, 2023c).
2.3) Saúde pública em escala continental. O SUS atende 215 milhões de pessoas em um território de dimensões continentais, com desigualdades regionais extremas de acesso. A IA já demonstrou capacidade de transformar três gargalos críticos da saúde pública brasileira: em triagem e diagnóstico remoto, pesquisadores da USP e do Institut Pasteur desenvolveram ferramentas que utilizam dados de buscas na internet e mobilidade humana para antecipar surtos de dengue, COVID-19 e outras epidemias em estados brasileiros (NAKAYA et al., 2024); em vigilância epidemiológica, a Fiocruz criou ferramenta que cruza dados climáticos e epidemiológicos para gerar mapas de risco preditivo de dengue, e a Unioeste desenvolveu sensores com IA que identificam espécies de mosquitos em tempo real pelo som, já testados em campo (PARANÁ, 2025); segundo especialistas consultados informalmente, a rapidez no avanço na análise de imagens médicas é muito significativa.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028 (BRASIL, 2024) prevê R$ 23 bilhões em investimentos e menciona explicitamente o uso de IA para vigilância epidemiológica preditiva e diagnóstico em regiões remotas. Contudo, a implementação em escala no SUS permanece incipiente. A Fiocruz, em articulação com as faculdades de medicina e computação das universidades públicas, pode coordenar o escalamento desses pilotos, garantindo que os modelos sejam treinados com dados representativos da população brasileira — e não com dados de populações europeias ou estadunidenses, como ocorre com a maioria dos sistemas comerciais de IA em saúde.
Em todos essas três tecnologias sociais, as universidades públicas brasileiras desempenham papel insubstituível: são elas que possuem os pesquisadores capazes de compreender simultaneamente as especificidades do problema (agrícola, ambiental, sanitário, educacional) e as possibilidades técnicas da IA. A estratégia de parcerias internacionais — com empresas chinesas de IA que enfrentam crescente fechamento de mercados ocidentais — deve, portanto, ter as universidades como nó articulador: elas garantem que a transferência tecnológica se traduza em capacidade endógena de pesquisa e formação de quadros, não em mera dependência de soluções importadas. O Brasil pode oferecer não apenas um mercado de 215 milhões de habitantes, mas também dados e problemas únicos que enriqueceriam o desenvolvimento dessas tecnologias. Em contrapartida, exigimos transferência tecnológica, para apoiar nossos investimentos em formação de quadros brasileiros e desenvolvimento de capacidades computacionais nacionais — data centers soberanos, processamento em território nacional, segurança de dados.
Nesse campo, avanços recentes são promissores, mas insuficientes. O projeto SoberanIA (dez. 2025) reúne o Governo do Piauí, o MCTI, a Telebras e as empresas Modular e Scala Data Centers para permitir o acesso a modelos e datasets nacionais por meio de uma nuvem soberana, com arquitetura distribuída: Fábrica de IA (Piauí), Cofre de Dados (Brasília, Tier IV em área militar) e Distrito Soberano no Sul para processamento de GPUs (MATRONE, 2025). O Regime Especial de Tributação para Data Centers (REDATA, MP 1.318/2025) prevê R$ 5,2 bilhões no orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos. Contudo, cerca de 60% das cargas digitais brasileiras ainda dependem de serviços prestados no exterior, gerando déficit de aproximadamente US$ 40 bilhões em produtos elétricos e eletrônicos em 2024 (MIN. FAZENDA, 2025). O Brasil ocupa a 12ª posição no ranking global de data centers e lidera a América Latina, com cerca de 200 instalações e previsão de R$ 60 a R$ 100 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos (MIN. COMUNICAÇÕES, 2026). Microsoft (R$ 14,7 bilhões), Amazon (R$ 10,1 bilhões) e BNDES (linha de R$ 2 bilhões) já anunciaram aportes.
O problema é que, apesar do rótulo de “Nuvem Soberana”, o arranjo comercial atual conecta sistemas implementados a servidores estrangeiros, colocando dados críticos sob legislação de outros países (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2025). A soberania computacional real exige não apenas data centers em território nacional, mas controle efetivo sobre a infraestrutura de processamento e os dados nela armazenados. Mesmo se acumularmos força e construirmos vontade política coletiva para isso, tal projeto é incompatível com os cortes futuros do investimento público federal (que raramente poupam a ciência e a tecnologia) e/ou do orçamento da educação e da saúde determinados pelo arcabouço fiscal no futuro próximo.[3]
Terceiro eixo: semicondutores e autonomia tecnológica. A dependência brasileira de semicondutores importados é quase absoluta — mais de 85% dos chips utilizados no país são importados (BRASIL, 2025) —, tornando o país vulnerável tanto a choques de oferta (como vimos na pandemia) quanto a pressões geopolíticas. A China investiu centenas de bilhões de dólares na última década para reduzir sua própria dependência de chips ocidentais, especialmente diante das restrições impostas pelos EUA.
Proponho negociar com grupos chineses do setor a instalação no Brasil de plantas de fabricação de semicondutores de gerações anteriores (não necessariamente os chips mais avançados de 3 ou 5 nanômetros, mas chips de 28nm ou superiores que atendem mais de 70% das aplicações industriais, automotivas e de infraestrutura (ABISEMI, 2025). Em troca, oferecemos mercado garantido via compras públicas, incentivos fiscais e, crucialmente, uma localização geográfica que oferece alguma proteção contra pressões geopolíticas estadunidenses.
Esses três eixos, por sua vez, devem estar conectados a projetos coordenados pelo Estado de expansão da infraestrutura econômica e social orientada para um modelo de crescimento que combine redução de desigualdades, sustentabilidade ecológica e atendimento de necessidades reconhecidas da população brasileira. Algo que, de novo, só é possível sem as amarras do arcabouço fiscal.
V. IA, desemprego e alternativas democráticas: o caso das cooperativas de plataforma
Se a inteligência artificial oferece as oportunidades de desenvolvimento descritas acima, ela também representa riscos concretos e já mensuráveis para o emprego, particularmente entre trabalhadores jovens e em início de carreira. Um estudo recente de Brynjolfsson, Chandar e Chen (2025), utilizando dados administrativos de alta frequência da ADP — a maior processadora de folha de pagamento dos Estados Unidos, com registros mensais de milhões de trabalhadores —, documentou seis fatos sobre os efeitos da IA generativa no mercado de trabalho estadunidense. O achado central é que trabalhadores em início de carreira (22 a 25 anos) em ocupações mais expostas à IA — como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente — experimentaram uma queda relativa de 16% no emprego, controlando por choques no nível da firma, enquanto o emprego de trabalhadores experientes nas mesmas ocupações permaneceu estável ou cresceu. Crucialmente, os autores mostram que as reduções de emprego se concentram em usos da IA que automatizam o trabalho, e não naqueles que o aumentam: quando a IA complementa tarefas humanas, o emprego cresce inclusive entre jovens.
A distinção entre automação e aumentação é politicamente decisiva. Se a IA for implantada exclusivamente segundo a lógica de redução de custos do capital privado, a tendência é de substituição massiva de trabalho em ocupações de entrada — justamente aquelas que funcionam como porta de acesso ao mercado formal para jovens. Em breve, mesmo empregos nos níveis médios das empresas podem ser substituídos pelo uso de “agentes de IA” coordenados por equipes menores de executivos, gerentes e, quem sabe, programadores. O executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, afirmou em janeiro de 2026 que estaríamos “a 6-12 meses de modelos capazes de fazer tudo o que engenheiros de software fazem de ponta a ponta”, mencionando que engenheiros dentro da própria Anthropic já não escrevem código (AMODEI, 2026).
Não devemos esperar que o mercado crie os empregos substitutivos para os desempregados produzidos massivamente por tamanha transformação estrutural do capitalismo e sua estrutura de ocupação. Precisamos de projetos públicos — sejam estatais, sejam de economia solidária e cooperativa. Se a IA for desenvolvida e implantada com governança democrática e orientação para a aumentar a autonomia e a capacidade dos trabalhadores cooperados e servidores públicos, pode gerar ganhos de produtividade compatíveis com manutenção ou expansão do emprego. A opção entre essas trajetórias não é só tecnológica: é política e institucional.
Uma proposta concreta para empoderar trabalhadores é a criação de uma rede nacional de cooperativas municipais de motoristas e entregadores, dotada de plataforma digital própria com inteligência artificial desenvolvida e mantida como infraestrutura pública. A proposta, que sintetizo aqui, parte de um diagnóstico simples: as plataformas digitais de transporte e entrega — Uber, 99, iFood, Rappi — cobram comissões de 25% a 40% do valor de cada corrida ou entrega, mas o custo marginal da tecnologia em si — servidores, algoritmos, manutenção de aplicativos — representa fração modesta do valor capturado. O restante financia amortização de investimentos em expansão agressiva, remuneração de acionistas e estruturas corporativas transnacionais. A própria Uber cobrava inicialmente apenas 10% dos motoristas, indicando que esse patamar era suficiente para cobrir custos de plataforma.
A proposta articula três camadas: uma infraestrutura tecnológica nacional (plataforma digital como software livre, com IA para pareamento, otimização de rotas, previsão de demanda e detecção de anomalias), cooperativas municipais regidas pela legislação cooperativista brasileira, e uma instância de coordenação nacional com governança federativa. O papel do governo federal é decisivo na primeira e na terceira camadas: o desenvolvimento e a manutenção da plataforma digital podem ser atribuídos a uma empresa pública de tecnologia (nos moldes da Serpro ou do Dataprev), a um consórcio de universidades públicas, ou a uma fundação híbrida público-cooperativa com governança tripartite (governo, cooperativas e universidades). O financiamento inicial pode vir da Finep, do BNDES e do FNDCT, e eventualmente de bancos públicos internacionais como o Banco dos Brics. As universidades públicas contribuem por meio da Rede de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs), presente em cerca de 60 universidades, que pode liderar a formação, a assessoria técnica e a constituição das cooperativas municipais — mobilizando competências simultâneas em engenharia de software, ciência de dados, economia solidária e extensão universitária. Com comissões reduzidas a 5%-12%, estima-se aumento de 20% a 35% na renda líquida dos cooperados. A viabilidade está demonstrada por experiências existentes: a Coomappa de Araraquara repassa 93% a 95% do valor da corrida ao motorista; a Green Taxi Cooperative de Denver conquistou 37% do mercado local; a Drivers Cooperative de Nova York reúne mais de 5.000 membros.
As vantagens vão além do plano econômico. A plataforma cooperativa democratiza a governança do algoritmo: preços, distribuição de corridas e critérios de avaliação são decididos em assembleia, não por uma corporação opaca. Os dados de mobilidade urbana tornam-se patrimônio coletivo, úteis para planejamento público. A formalização como cooperados garante direitos previdenciários e proteção social. E a plataforma, desenvolvida como software livre, constitui ativo tecnológico reutilizável para cooperativas em outros setores — cuidadores, eletricistas, pequenos produtores rurais, artesãos.
Essa proposta tem ainda uma dimensão política que merece atenção. Motoristas de aplicativo são, tipicamente, proprietários de seus veículos e percebem-se como empreendedores autônomos, não como trabalhadores assalariados. Essa auto-identificação os afastou historicamente dos partidos de esquerda no Brasil, que operam com categorias sindicais e trabalhistas que nem sempre dialogam com a experiência de quem investe capital próprio e assume risco. O cooperativismo de plataforma oferece exatamente o enquadramento institucional que respeita essa autonomia: o cooperado é sócio, não empregado; participa das decisões, não recebe ordens; e melhora sua renda não por regulamentação estatal do preço, mas pela eliminação do intermediário que captura parcela desproporcional do valor gerado. Trata-se de uma proposta que pode abrir canal de diálogo com uma categoria profissional numerosa, urbana e organizada que dificilmente seria atingida por formas tradicionais de mobilização da esquerda. O modelo é generalizável: se funcionar para motoristas e entregadores, pode ser estendido a qualquer categoria de trabalhadores mediados por plataformas digitais.
VI. Síntese: reforma fiscal como pré-condição geopolítica
Retorno ao argumento central: as parcerias estratégicas e as alternativas democráticas de uso da IA descritas acima não são viáveis sem a reforma fiscal que proponho. Joint ventures substantivas exigem que o parceiro brasileiro entre com capital e capacitação científica, não apenas com território e mão-de-obra barata. Transferência tecnológica genuína só ocorre quando o receptor demonstra capacidade de absorção e inovação própria, o que exige investimentos massivos em educação, pesquisa e desenvolvimento institucional. Por exemplo, as plataformas cooperativas com IA de qualidade exigem investimento público em tecnologia e formação para competir com plataformas transnacionais. Autonomia tecnológica não se conquista com passividade fiscal.
Nesse contexto, é analiticamente significativo — e politicamente preocupante — que integrantes da própria equipe econômica do governo Lula venham sinalizando, para o mandato pós-2026, reformas fiscais que aprofundariam a austeridade em vez de revertê-la. Declarações públicas do secretário do Tesouro Rogério Ceron e da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet apontam na direção de novas reformas previdenciárias e de contenção de despesas obrigatórias em saúde e educação — ou seja, exatamente a agenda de consolidação fiscal pelo lado da despesa social que o mercado financeiro demanda. O fato de essa agenda ser naturalizada e vocalizada pela equipe econômica de um governo de centro-esquerda indica a profundidade com que a lógica da austeridade penetrou o aparato estatal, a ponto de os próprios gestores que deveriam promover a expansão do investimento público tornarem-se portadores do discurso que a inviabiliza.
A reforma fiscal que defendo vai na direção inversa. Não se trata de comprimir despesas obrigatórias para gerar superávits primários que acalmem credores — estratégia que, além de socialmente perversa, é economicamente contraproducente, pois deprime a demanda agregada e reduz a própria base tributária. Trata-se de excluir gastos correntes e investimentos estratégicos do teto de gastos para que o Estado recupere sua capacidade de induzir o desenvolvimento, financiando essa expansão com crescimento econômico (que amplia receitas) e com recomposição da tributação progressiva sobre renda e patrimônio.
O momento é agora. A janela geopolítica aberta pela rivalidade sino-americana não permanecerá aberta indefinidamente. Se o Brasil não aproveitar a atual conjuntura para negociar parcerias substantivas, voltaremos à condição de receptores passivos de investimentos em setores de baixo valor agregado.
Em 2026, o Brasil estará cada vez mais dividido em torno de duas candidaturas presidenciais que, inevitavelmente, inviabilizam candidaturas alternativas em cada campo ao nuclear os polos sociais e as campanhas políticas nos estados. Por um lado, não há espaço político sério na eleição presidencial fora da polarização entre Lula e Bolsonaro no Brasil. Por outro lado, não há como ganhar uma eleição polarizada oferecendo “menos do mesmo” com o arcabouço fiscal. Neste contexto, as críticas feitas ao arcabouço fiscal são construtivas, no sentido de buscarem alertar para o risco eleitoral da opção pela inércia neoliberal. Como alternativa ao “menos do mesmo”, precisamos ganhar corações e mentes para um horizonte utópico de reformas viáveis.
As eleições de 2026 devem ser disputadas em torno dessa escolha civilizatória: continuar prisioneiros de uma austeridade que nos condena ao subdesenvolvimento permanente e nos ameaça com a vitória eleitoral do neofascismo, ou realizar as reformas institucionais — começando pela fiscal — que viabilizam uma estratégia soberana de inserção na economia mundial do século XXI que é compatível com desenvolvimento justo e ambientalmente sustentável.
A pergunta que coloco para debate não é se podemos fazer isso, mas se teremos a coragem política de fazê-lo.
Referências
ABISEMI; GAZETA DO POVO. Como o Brasil corre para entrar na produção de semicondutores. Gazeta do Povo, 16 jun. 2025. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/como-brasil-deve-enfrentar-atraso-producao-semicondutores/. Acesso em: 3 abr. 2026.
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Notas
[1] Esses problemas configuram o fenômeno conhecido como “curtailment” — o corte forçado de geração renovável por excesso de oferta ou insuficiência de escoamento. Em 2025, 20,6% de toda a geração solar e eólica disponível no Brasil deixou de ser aproveitada, com perdas estimadas em mais de R$ 6 bilhões (CORREIO BRAZILIENSE, 2025). Segundo o ONS (2025), a restrição total imposta às fontes eólica e solar atingiu a ordem de 20 GW. A Lei n. 15.269/2025, que estabelece diretrizes para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade para armazenamento (em baterias), previsto para abril de 2026, é um marco importante, mas chega com atraso significativo (JORNAL DA USP, 2026).
[2] Refiro-me aqui a questões não mencionadas ou pouco desenvolvidas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Brasil, 2024), cuja leitura é recomendável.
[3] Pois, como se sabe, itens de gastos com vinculações constitucionais de receitas (como educação e saúde) que tendem a crescer mais do que o limite geral autorizado pelo arcabouço (2,5%) são incompatíveis com ele.
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