Mentiras contra Cuba


Editorial

O site Axios publicou ontem uma reportagem, supostamente baseada em “informações confidenciais”, alegando que o governo cubano comprou mais de 300 drones da Rússia e do Irã para atacar o enclave militar que os Estados Unidos mantêm ilegalmente na Baía de Guantánamo, bem como supostos alvos navais americanos e até mesmo locais na Flórida. Essa invenção é apresentada em meio às acusações infundadas de Washington de que a ilha representa uma “ameaça” à superpotência.

O absurdo dessa suposta notícia é evidente: num momento em que a nação caribenha luta para sobreviver ao bloqueio implacável e intensificado imposto pelo governo dos EUA há mais de seis décadas; quando a principal prioridade do governo e do povo cubano é obter suprimentos essenciais, medicamentos e combustível, bem como mitigar a grave crise energética causada pelo bloqueio; e quando a ilha busca aliviar o estrangulamento econômico por meio de contatos bilaterais de alto nível com Washington, a última coisa que poderiam desejar é adquirir drones de ataque e, assim, dar credibilidade às alegações infundadas sobre seu status como uma ameaça aos Estados Unidos.

Como salientou o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, a Casa Branca está construindo, “sem qualquer justificativa legítima, dia após dia, um dossiê fraudulento para justificar a implacável guerra econômica contra o povo cubano e a eventual agressão militar”, e acusou o referido veículo de comunicação de promover calúnias e disseminar informações vazadas atribuídas ao próprio governo dos EUA. Por sua vez, o Vice-Ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que “o esforço anticubano para justificar a agressão militar contra Cuba sem qualquer justificativa está se intensificando a cada hora, com acusações cada vez mais implausíveis”.

Certamente, a história insidiosa publicada pela Axios corresponde ao padrão de desinformação que a mídia dos Estados Unidos tradicionalmente usa para justificar as agressões militares de seu governo contra terceiros países.

Basta lembrar como, duas décadas atrás, jornais, emissoras de televisão e redes de rádio ecoaram a mentira de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, como prelúdio para a invasão e devastação daquele país árabe; ou como, há alguns meses, a mídia convencional e não convencional da superpotência distribuiu sem escrúpulos a propaganda oficial de Washington e Tel Aviv, segundo a qual Teerã estava a “semanas” de fabricar uma bomba nuclear, uma mentira que vem sendo repetida há pelo menos três décadas; ou como, no caso do México, diversos jornais alimentaram pressões intervencionistas ao publicar informações falsas e distorcidas que apresentam o México como um narcoestado , categoria que descreve melhor os próprios Estados Unidos.

Contrariamente a esta e a outras campanhas para manipular a opinião pública, os fatos demonstram que as provocações e a agressão violenta invariavelmente partiram da superpotência contra a nação caribenha, e nunca o contrário. Por fim, se ainda fossem necessárias mais provas para demonstrar a falsidade da reportagem da Axios, é cristalino que o que Cuba mais precisa neste momento é de paz e que, em vez disso, o governo Trump busca novos conflitos armados para desviar a atenção da recente derrota para o Irã e tentar reverter parte do brutal declínio político que vem sofrendo.


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