Por que seguimos apoiando a Venezuela

Movimentos de solidariedade com a Venezuela (Foto: Prensa Latina)

Defender a Venezuela e Cuba é uma obrigação moral e política de todas as forças progressistas e democráticas de nosso continente

João Pedro Stédile
brasil247.com/

A situação política atual da Venezuela não pode ser explicada apenas pelos acontecimentos do pós 3 de janeiro.

Precisamos contextualiza o que vem acontecendo nas últimas 4 décadas. Na década de 90, havia uma hegemonia total dos EUA no continente, que nos impôs o acordo do NAFTA e na sequência queria impor a ALCA, como uma área sob total controle do capital estadunidense. Todos os governos, menos Cuba apoiavam os gringos.

Mas o povo de alguns países se insurgiu. E houve o Caracazo em 1989, depois a rebelião militar e finalmente a vitória eleitoral de Chavez, que assumiu o poder em 99, quebrando a onda neoliberal, abrindo um novo ciclo de governos progressistas, que se seguiu com Lula, Correa, Evo, Kirchner, e alterou a correlação de forças no continente. Agora se propunha outra integração, em vez de ALCA, derrotada formalmente em 2005, teríamos a ALBA.

O imperialismo estadunidense, governos democratas e republicanos e a classe dominante dos EUA, não perdoaram a ousadia Chavez. E impuseram nessas 4 décadas todas as táticas possíveis dentro do receituário descrito pelo pesquisador Andrew Korybko, com base nos documentos oficiais das forças armadas gringas, como novas táticas de GUERRAS HIBRIDAS.

Nesse longo período eles tentaram de todas as formas possíveis derrotar o processo bolivariano na Venezuela. Lembremos: O golpe que tirou Chávez do governo, por dois dias, em que a repercussão internacional e a mobilização popular imediata, impediu que os golpistas o fuzilassem, em que até o cardeal de Caracas lhe dera a extrema-unção na cadeia na Ilha da Orchila aonde estava preso!

A greve política dos petroleiros para implodir a PDVSA e impedir a exportação de petróleo. A falta de combustível e o caos, foi salva pela ajuda do então governo Fernando Henrique Cardoso do Brasil. Depois vieram as guarimbas com violência terrorista nas ruas, que causou incêndios de escolas, hospitais, desabastecimento fabricado e dezenas de mortos. Muitos deles foram presos e agora foram anistiados.

A morte de Chavez causada por um estranho câncer que não reagia a medicação, é até hoje um enigma. Estranhamente Lugo, Dilma, Kirchner e Lula, também enfrentaram câncer no mesmo período.

Logo o reconhecimento do governo fantoche de Guaidó, a quem transferiram todos os depósitos em dólar e ouro do estado Venezuelano, do exterior, para que essa lumpenburguesia venezuelana se locupletasse. Roubaram milhões de dólares!!

Provocaram uma inflação descontrolada com base em manipulação da taxa de câmbio desde Miami. Bloquearam todas as contas do país no exterior. Impediram investimentos no petróleo e a produção caiu a níveis inferiores a 30% com a caída do PIB até em 90%. Tudo isso causou muitos problemas econômicos para toda população, e gerou uma migração de trabalhadores venezuelanos sem precedentes.

Quando da reeleição de Maduro, a contestaram, com apoio e ilusão de alguns personagens ditos progressistas.

Tudo isso somado a uma campanha mediática permanente, consistente, que certamente custou milhões de dólares, no uso de redes, computadores e os chamados influencers pagos pela CIA e suas agencias. Campanha que segue.

O golpe atual veio com o segundo governo Trump, que sedento pelo petróleo, e perdendo a hegemonia econômica para a Eurasia, reeditou a doutrina Monroe, querendo transformar de novo o continente no seu pátio traseiro, impondo um controle econômico, político e militar.

E no dia 3 de janeiro, depois de mobilizar toda sua força militar, invadiu por via aérea o país, sequestrou o Presidente Maduro e a deputada Cília Flores. Houve resistência, combates, e mais de 100 mortes. Somente daqui a alguns anos saberemos quantos soldados americanos morreram. Só sabemos que eram em sua maioria latinos do grupo elite Delta Force, e armados com as mais poderosas armas do planeta.

A Venezuela, seu povo e as forças armadas foram derrotados. Perderam vidas e seu presidente.

Mas o império não tinha a quem colocar no seu lugar, pois sua agente Maria Corina Machado está desmoralizada perante a sociedade Venezuelana e com ela toda oposição entreguista.

A saída foi então manter o presidente sequestrado e negociar com o governo chavista, com a corda no pescoço ou na alça de mira do fuzil.

Alguns setores da esquerda institucional e esses que só acompanham a política pelas redes, logo se apressaram a chamar de traição. Ou de que não houve resistência. E agora mesmo propagam que há divisão entre os governos da Venezuela e de Cuba. Essas teses fazem parte das táticas dos EUA, difundidas pelos meios de comunicaçao sob influencia da CIA para dividir a esquerda e a opinião pública.

O povo Venezuelano, em sua ampla maioria Chavista, segue a vida, trabalhando, produzindo, organizando as comunas. Dolorido, segue apoiando o governo Chavista, tendo consciência de tudo o que aconteceu.

Nosso movimento tem laços históricos com o movimento camponês Venezuelano, com as comunas produtivas, e com o governo chavista. Temos muitos projetos de cooperação, na produção de sementes, alimentos e intercâmbios na formação de quadros técnicos.

Seremos eternamente gratos pelas bolsas na ELAM Salvador Allende, que permite que dezenas de jovens camponeses, pobres, se formem médicos.

O povo Venezuelano segue vítima da guerra hibrida do império. O governo chavista tem o apoio do seu povo. E nosso movimento será sempre solidário com o povo chavista.

Esperamos que a correlação de forças internacionais mude a favor da humanidade e da paz. Esperamos que a correlação de forças interna nos EUA, mude, e que as forças progressistas consigam mudar sua política externa e sua vocação belicista de agressão aos povos. Que a Doutrina Monroe seja enterrada.

Esperamos que o governo e o povo chavista encontrem os melhores caminhos para aumentar a produção de petróleo e de outros bens que precisam. Que mantenham a soberania sobre o petróleo, os minérios e seu território.

Defender a Venezuela e Cuba é uma obrigação moral e política de todas as forças progressistas e democráticas de nosso continente. E não se iludam, se eles forem derrotados o império aumentará sua pressão sobre o México, Brasil, Colômbia e todo continente. Antes usaram o fantasma dos comunistas e da URSS, depois mudaram para os terroristas islâmicos, que eles financiaram, e agora se insurgem contra os migrantes e criaram o fantoche do narcotráfico, como se eles não fossem o maior mercado mundial de drogas.

Lutaremos para que o Presidente Maduro e a deputada Cília Flores, sejam libertados, pois não cometeram nenhum crime e os EUA não tem o direito e a moral, de condená-los a nada. Ao contrário, espero que no futuro o tribunal de Haya julgue e condene os atuais mandatários dos EUA por suas bombas e crimes em Gaza, Irã, Síria, Sudão, no Caribe, Venezuela e em Cuba e no seu próprio país, pela repressão aos pobres e aos migrantes.

A história da luta de classes, dá voltas, altos e baixos, avanços e recuos, mas a humanidade caminhará sempre na construção de sociedades mais justas e igualitárias, com soberania dos povos e paz.

"A leitura ilumina o espírito".

"A leitura ilumina o espírito".
Apoiar: Chave 14349205187

Comentários