Bolsonaro e as consequências de uma traição

Fontes: Rebelião / Socialismo e Democracia [Imagem: Trump e Flávio Bolsonaro na Casa Branca em 26 de maio de 2026. Créditos: Redes Sociais]


Neste artigo, o autor destaca as graves medidas tomadas por Trump, a pedido de Flávio Bolsonaro, que afetam profundamente a soberania e a independência do Brasil.

Para escapar dos holofotes devido aos seus laços com o “banqueiro” Daniel Vorcaro, chefe do grupo criminoso associado à maior fraude financeira da história da República, o senador Flávio Bolsonaro organizou um encontro com Donald Trump para discutir — segundo ele — alguns assuntos importantes para o país. Após essa visita, o governo dos Estados Unidos tomou três medidas que afetam diretamente a soberania e a independência do Brasil.

A primeira dessas medidas foi atribuir status de terroristas a duas facções locais de narcotráfico, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que pode significar que instituições estadunidenses, como a DEA, podem intervir em território brasileiro para combater ambos os grupos, agora caracterizados pelo governo Trump como narcoterroristas.

O segundo ataque tem sido contra os controles que o governo vem exercendo sobre as ações desproporcionais das grandes empresas de tecnologia e suas plataformas digitais, visto que existe um risco permanente de disseminação de conteúdo criminoso nas redes sociais, o que nada tem a ver com a liberdade de expressão, como afirmam erroneamente as autoridades americanas.

A terceira medida foi a aplicação de uma nova tarifa mais alta, de 25%, sobre os produtos importados por esse país. Embora a Secretaria de Comércio Exterior afirme estar avaliando a aplicação de regras tarifárias punitivas contra o governo brasileiro há mais de um ano, é suspeito que só agora esteja anunciando a implementação desse aumento maciço de tarifas sobre as exportações brasileiras e pressionando pela eliminação do PIX (Parceria Público-Privada para o Comércio Exterior), o que afetaria diversas empresas de cartão de crédito com sede na América do Norte. O documento da Secretaria cita a plataforma eletrônica de transações financeiras, criada pelo Banco Central para facilitar transferências de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas sem custo adicional para os usuários, mais de 20 vezes.

Assim, os filhos do ex-presidente, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, continuam a apelar a uma figura desequilibrada como Donald Trump para impor medidas coercitivas ao Brasil, visando influenciar as próximas eleições. Essa manobra desesperada do clã Bolsonaro para sabotar o governo Lula certamente terá consequências. Se os Estados Unidos implementarem efetivamente políticas intervencionistas e sanções tarifárias, a economia, a soberania e a democracia do Brasil ficarão ameaçadas, com custos enormes para a população.

Sua manobra foi imediatamente denunciada por diversos setores da vida política, e o presidente Lula o acusou diretamente de "cometer traição à pátria", já que seu encontro com Trump tem, de fato, a clara intenção de prejudicar a estabilidade do país para obter apoio eleitoral de setores afetados pela inflação, pelo desemprego e pela perda do poder de compra que pode resultar da crise econômica que essas medidas poderiam gerar.

Essa iniciativa oportunista promovida pela extrema direita provavelmente influenciará setores de eleitores independentes, ou aqueles que se identificam com a direita moderada, a apoiarem o atual presidente nas urnas. Se Flávio Bolsonaro decidir abandonar sua candidatura à presidência e, em vez disso, candidatar-se a regente de uma colônia dos EUA, os eleitores lhe darão as costas, expondo sua narrativa de ser um candidato moderado à presidência.

Pelo contrário, está cada vez mais claro para a maioria dos cidadãos que sua posição é uma completa farsa, sendo percebido como um vendido, subserviente aos interesses dos Estados Unidos. Um estudo com 100 mil grupos de WhatsApp e Telegram, monitorados pela empresa de análise de dados Palver, constatou que 81% das postagens nessas plataformas consideram Bolsonaro direta ou indiretamente responsável pelas ameaças contra o PIX e pelas novas tarifas anunciadas pelo governo americano. De fato, o termo "Tariflavio" está sendo amplamente utilizado nas redes sociais para associar o aumento excessivo das tarifas impostas ao Brasil à recente visita do senador ao presidente Donald Trump.

Por sua vez, o governo brasileiro pretende retomar as negociações com o governo dos EUA, e a próxima Cúpula do G7 em Évain-les-Bains, entre 15 e 17 de junho, deverá ser uma oportunidade para o presidente Lula se encontrar com seu homólogo americano a fim de tentar neutralizar as sanções impostas ao Brasil.

Quanto ao filho do ex-capitão, trata-se de um candidato sem peso intelectual, estatura moral ou preparo para assumir o destino da nação, encurralado por antigos escândalos de fraude (rachadinhas), por ligações com as milícias que aterrorizam a população nas principais capitais, por seus negócios e corrupção com empresários inescrupulosos e, mais recentemente, por sua campanha para prejudicar o Brasil pensando apenas em favorecer seus próprios interesses e os de sua família.


Fernando de la Cuadra é doutor em Ciências Sociais, editor do blog  Socialismo e Democracia, autor do livro  De Dilma a Bolsonaro: Itinerário da Tragédia Sociopolítica Brasileira  (Editora RIL, 2021) e coeditor do livro  E.P. Thompson no Chile: Solidariedade, História e Poesia de um Intelectual Militante  (Ariadna Ediciones, 2024).

Fonte:  https://fmdelacuadra.blogspot.com/2026/06/bolsonaro-y-las-consecuencias-de-una.html

"A leitura ilumina o espírito".

"A leitura ilumina o espírito".
Apoiar: Chave 14349205187

Comentários