
Lula e Emmanuel Macron (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O líder do Sul Global tornou-se uma das últimas vozes capazes de defender a ordem internacional que o próprio Ocidente ajudou a desmontar
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Há momentos em que a história parece inverter seus próprios pressupostos. Este é um deles. Durante décadas, a periferia foi convocada a aprender, seguir e adaptar-se às regras formuladas pelos centros de poder. Hoje, porém, uma das principais potências do Sul Global é chamada a participar justamente da tentativa de administrar a crise daqueles que, durante gerações, reivindicaram para si o monopólio da liderança internacional.
O convite que não deveria existir
O convite feito a Lula revela uma ironia histórica difícil de ignorar. No momento em que os Estados Unidos retomam pressões sobre a América Latina, a Europa enfrenta impasses econômicos e estratégicos, e as instituições internacionais atravessam uma crise de legitimidade sem precedentes, uma das vozes mais procuradas para discutir estabilidade, desenvolvimento e governança global vem justamente da periferia do sistema. O Brasil chega ao G7 sob ataques comerciais e pressões geopolíticas, mas também carregando um ativo raro no cenário internacional: autonomia.
Durante anos, Luiz Inácio Lula da Silva tratou o G7 com um ceticismo difícil de esconder. Via no grupo um clube cada vez menos representativo de um mundo que já não cabe nas fronteiras políticas e econômicas do Atlântico Norte. Não por acaso, repetiu mais de uma vez que o G20 refletia melhor a realidade contemporânea do que a reunião das velhas potências industriais. Havia lógica nessa crítica. O centro de gravidade da economia global mudou, novas potências emergiram, e o século XXI tornou impossível sustentar a ficção de que sete países poderiam continuar falando em nome do planeta.
Por isso, a decisão de comparecer à cúpula realizada na França carrega um significado que vai muito além da agenda diplomática. Lula não mudou de opinião sobre os limites do G7. O que mudou foi a dimensão da crise enfrentada por aqueles que continuam ocupando o topo da ordem internacional.
Ao justificar sua presença, o presidente brasileiro afirmou que era preciso "colocar ordem na casa". A frase chamou atenção pela aparente ousadia. Mas seu verdadeiro significado não está na retórica. Está no diagnóstico. Pela primeira vez em décadas, a principal ameaça à estabilidade do sistema internacional não vem de países considerados revisionistas ou periféricos. Ela emerge do próprio núcleo de poder que construiu a arquitetura política, econômica e institucional do pós-Guerra Fria.
A guerra voltou ao continente europeu. O Oriente Médio atravessa mais um ciclo de instabilidade. Organismos multilaterais perderam capacidade de coordenação. Regras comerciais são substituídas por disputas geopolíticas abertas. Sanções, tarifas e bloqueios voltaram a ocupar o lugar que antes pertencia à negociação. Em meio a esse cenário, a imagem mais reveladora talvez seja justamente a de um presidente latino-americano sendo chamado para participar das discussões sobre os rumos da ordem global.
O convite feito a Lula revela uma ironia histórica difícil de ignorar. Enquanto as potências que comandaram o mundo nas últimas décadas enfrentam crescentes dificuldades para administrar as consequências de suas próprias escolhas estratégicas, uma das vozes mais ouvidas na defesa do diálogo, do desenvolvimento e do multilateralismo passou a vir da periferia do sistema.
É essa inversão que torna a viagem à França relevante. O que está em jogo não é apenas a presença do Brasil em mais uma reunião internacional. O que está em disputa é algo maior: quem terá legitimidade para influenciar os rumos de uma ordem global que já não consegue produzir estabilidade nem mesmo para aqueles que a comandam.
O centro perdeu o monopólio da liderança
Durante boa parte dos últimos oitenta anos, liderança internacional e poder ocidental foram praticamente sinônimos. A estabilidade do sistema mundial dependia da capacidade dos Estados Unidos e de seus aliados de coordenar interesses, estabelecer regras e produzir consensos mínimos para o funcionamento da economia global. Havia conflitos, disputas e assimetrias, mas existia uma percepção relativamente difundida de que o centro do sistema possuía os instrumentos necessários para administrar as próprias crises.
Essa percepção começou a se deteriorar muito antes das guerras atuais. As intervenções militares fracassadas no Oriente Médio, a crise financeira de 2008, a crescente polarização das democracias ocidentais, o avanço da desigualdade e a incapacidade de responder de forma coordenada aos grandes desafios globais corroeram gradualmente a autoridade política construída no pós-Guerra Fria.
O problema não é apenas econômico. É sobretudo político. As mesmas potências que durante décadas apresentaram o livre comércio como fundamento da prosperidade global passaram a recorrer cada vez mais a sanções, barreiras tarifárias, subsídios estratégicos e instrumentos de pressão econômica. As mesmas lideranças que defendiam instituições multilaterais passaram a contorná-las quando seus interesses imediatos assim exigiam. As mesmas democracias que reivindicavam para si a condição de árbitros da ordem internacional tornaram-se incapazes de construir consensos duradouros dentro de suas próprias fronteiras.
O resultado é um fenômeno raro na história das relações internacionais: uma crise simultânea de poder e legitimidade. O Ocidente continua concentrando enorme capacidade militar, tecnológica e financeira. O que já não possui na mesma proporção é autoridade política para transformar essa capacidade em liderança incontestável.
É nesse vazio que novos atores ganham relevância. Não porque sejam mais poderosos. Nem porque tenham substituído o antigo centro de comando. Tornam-se importantes porque conseguem oferecer algo cada vez mais escasso no sistema internacional contemporâneo: capacidade de diálogo entre blocos rivais, interlocução entre interesses conflitantes e disposição para defender espaços mínimos de cooperação em um ambiente crescentemente fragmentado.
É exatamente nesse ponto que o Brasil reaparece no tabuleiro global. Não como sucessor das grandes potências, mas como expressão de uma realidade que o próprio G7 reluta em admitir: o século XXI tornou impossível governar o mundo sem ouvir aqueles que durante séculos foram convidados apenas a obedecer.
O Brasil voltou a incomodar
Se a presença de Lula no G7 revela a crise de liderança do Ocidente, os acontecimentos das últimas semanas revelam outra realidade igualmente importante: o Brasil voltou a ser percebido como um ator estratégico relevante.
Não é coincidência que a escalada de pressões ocorra justamente quando o país registra estabilidade econômica, amplia sua inserção internacional, fortalece os BRICS e recupera capacidade de articulação diplomática. Na política internacional, raramente a pressão recai sobre os irrelevantes. O alvo quase sempre é quem começa a alterar correlações de força.
Mas a natureza dessas disputas também mudou. Durante boa parte do século XX, soberania significava controlar fronteiras, território e recursos estratégicos. No século XXI, a disputa se expandiu para novas camadas de poder. Infraestruturas digitais, sistemas de pagamento, plataformas de comunicação, fluxos de dados e arquiteturas algorítmicas passaram a desempenhar funções cada vez mais decisivas na organização da vida econômica, política e social. Em outras palavras, a soberania deixou de ser apenas territorial. Tornou-se também informacional e cognitiva. É justamente nesse terreno que se concentram algumas das disputas mais importantes do nosso tempo.
Nas últimas semanas, Washington voltou a adotar medidas hostis contra interesses brasileiros. A discussão sobre novas tarifas comerciais, os ataques ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e a decisão de classificar facções criminosas nacionais como organizações terroristas representam fenômenos distintos, mas apontam para uma mesma direção: a crescente internacionalização de temas que tradicionalmente pertenciam à esfera da soberania nacional.
Ao mesmo tempo, a União Europeia decidiu restringir a entrada da carne brasileira sob argumentos sanitários. Formalmente, trata-se de uma questão regulatória. Politicamente, porém, o episódio se insere em uma disputa muito maior envolvendo comércio, padrões produtivos, segurança alimentar e acesso a mercados. Em um cenário de desaceleração econômica global, barreiras comerciais costumam ser apresentadas como exigências técnicas. Mas frequentemente funcionam como instrumentos de proteção estratégica.
Nada disso acontece em um vácuo geopolítico. A América Latina voltou a ocupar espaço crescente nos cálculos de Washington. O reposicionamento da política externa norte-americana, a disputa tecnológica com a China, a reorganização das cadeias globais de valor e a competição por recursos estratégicos recolocaram a região no centro das atenções. Energia, minerais críticos, alimentos, biodiversidade, infraestrutura digital e rotas comerciais tornaram-se ativos ainda mais valiosos em um mundo marcado pela fragmentação.
O Brasil ocupa posição singular nesse contexto. É grande demais para ser ignorado e independente demais para ser plenamente enquadrado. Mantém relações estratégicas com os Estados Unidos, aprofunda laços com a China, participa dos BRICS, dialoga com a Europa e preserva capacidade de interlocução com diferentes polos de poder. Essa autonomia relativa sempre foi um ativo diplomático. Mas, em períodos de intensificação da disputa geopolítica, ela também se transforma em fonte de atrito.
É por isso que a viagem de Lula à França possui significado que vai muito além dos protocolos diplomáticos. O presidente brasileiro não chega ao encontro representando apenas uma economia relevante ou uma democracia influente. Chega representando um país que voltou a reivindicar algo que incomoda cada vez mais em um mundo polarizado: o direito de tomar decisões a partir de seus próprios interesses nacionais.
A autonomia como ativo estratégico
Existe uma diferença fundamental entre influência e autonomia. A primeira pode ser comprada, imposta ou herdada. A segunda precisa ser construída. Ao longo das últimas décadas, boa parte da política internacional foi organizada em torno da capacidade das grandes potências de transformar influência em alinhamento automático. Países eram frequentemente pressionados a escolher lados, aderir a blocos ou subordinar seus interesses nacionais às prioridades estratégicas de centros de poder externos.
O Brasil seguiu um caminho diferente. Nem sempre de forma linear, nem sempre sem contradições, mas com uma característica relativamente constante desde a redemocratização: a busca por margem de manobra. A tradição diplomática brasileira foi construída sobre a percepção de que autonomia não significa isolamento. Significa ampliar opções. Quanto maior a capacidade de dialogar com diferentes polos de poder, menor a dependência de qualquer um deles.
É exatamente essa característica que diferencia a posição brasileira na atual conjuntura. Enquanto parte significativa do sistema internacional é empurrada para uma lógica de alinhamentos rígidos, o Brasil preserva relações estratégicas simultâneas com atores que frequentemente se encontram em campos opostos. Negocia com Washington, amplia comércio com Pequim, participa dos BRICS, mantém interlocução com a Europa, fortalece laços com a África e busca protagonismo em fóruns multilaterais. Essa posição não elimina conflitos. Mas amplia capacidade de negociação.
A importância dessa autonomia tornou-se ainda mais evidente à medida que o sistema internacional passou a operar sob uma lógica de blocos competitivos. Em um ambiente marcado por guerras comerciais, disputas tecnológicas, sanções financeiras e rivalidades geopolíticas crescentes, países capazes de circular entre diferentes espaços de poder tornam-se ativos estratégicos cada vez mais valiosos.
Durante muito tempo, autonomia foi interpretada como hesitação, ambiguidade ou falta de alinhamento. Essa leitura fazia sentido em um mundo organizado por uma única potência dominante. Mas a transição para uma ordem mais fragmentada alterou profundamente essa equação. No século XXI, autonomia deixou de ser um problema a ser corrigido e passou a ser um recurso estratégico. A capacidade de dialogar com múltiplos centros de poder, preservar margens de decisão e evitar dependências excessivas transformou-se em uma forma concreta de influência internacional.
É justamente por isso que Lula desperta atenção muito além do peso econômico brasileiro. O interesse internacional não decorre apenas dos números da economia ou da dimensão territorial do país. Decorre da percepção de que o Brasil continua sendo uma das poucas grandes nações capazes de conversar simultaneamente com interlocutores que já não conseguem conversar entre si.
Essa condição ajuda a explicar uma das grandes contradições do presente. Enquanto o debate político doméstico frequentemente reduz a política externa a disputas ideológicas de curto prazo, a relevância internacional do Brasil cresce exatamente por aquilo que transcende essas disputas: sua capacidade de atuar como ponte em um mundo cada vez mais fragmentado.
A questão central não é se o Brasil será capaz de substituir qualquer potência global. Não será. A verdadeira questão é outra. Em uma ordem internacional marcada pela erosão da confiança, pela fragmentação dos consensos e pela multiplicação dos conflitos, países capazes de produzir diálogo passam a possuir um valor estratégico que nenhuma capacidade militar, isoladamente, consegue substituir.
É essa condição que acompanha Lula até a França. Não a de porta-voz de um bloco específico, mas a de representante de um país cuja principal força, neste momento histórico, é justamente não pertencer integralmente a nenhum deles.
Os próximos movimentos do tabuleiro
A grande questão colocada pela viagem de Lula ao G7 não é o que acontecerá durante a cúpula. É o que acontecerá depois dela.
A história das relações internacionais ensina que a ascensão de atores autônomos raramente ocorre sem resistência. Sistemas de poder tendem a reagir sempre que percebem mudanças capazes de alterar equilíbrios consolidados. Quanto maior a relevância estratégica de um país, maior tende a ser a intensidade das disputas em torno de suas decisões.
Durante o século XX, essas pressões costumavam assumir formas mais explícitas. Intervenções militares, golpes de Estado, bloqueios econômicos e operações encobertas constituíam instrumentos relativamente comuns da disputa geopolítica. No século XXI, os mecanismos tornaram-se mais sofisticados. A pressão continua existindo, mas frequentemente se manifesta por meio de instrumentos financeiros, tecnológicos, jurídicos, informacionais e comerciais.
A mudança mais importante talvez seja outra. O objetivo já não é necessariamente controlar governos. É condicionar ambientes de decisão. Em vez de substituir lideranças, busca-se limitar suas alternativas. Em vez de ocupar territórios, procura-se influenciar infraestruturas críticas. Em vez de impor alinhamentos formais, torna-se mais eficiente moldar incentivos econômicos, fluxos informacionais e arquiteturas tecnológicas capazes de estreitar o horizonte das escolhas disponíveis. O poder contemporâneo opera cada vez menos pela imposição direta e cada vez mais pela administração das possibilidades.
É nesse contexto que o Brasil deve ser observado.
A disputa em torno das plataformas digitais, o controle das infraestruturas tecnológicas, as controvérsias comerciais, as batalhas regulatórias, a influência sobre fluxos financeiros internacionais, as campanhas de desinformação e a crescente judicialização de conflitos políticos tornaram-se componentes permanentes da competição entre Estados e grandes conglomerados transnacionais. O poder já não circula apenas por embaixadas, quartéis e ministérios. Ele também atravessa algoritmos, mercados, cadeias logísticas, sistemas de pagamento, redes de informação e plataformas digitais.
Nenhum desses instrumentos, isoladamente, determina o destino de uma nação. Mas a combinação deles pode produzir constrangimentos significativos sobre governos que buscam ampliar margens de autonomia.
É por isso que a disputa presidencial de 2026 não deve ser compreendida apenas como um evento doméstico. O resultado da eleição brasileira possui implicações diretas para interesses econômicos, tecnológicos e geopolíticos que ultrapassam as fronteiras nacionais. O Brasil concentra recursos naturais estratégicos, capacidade energética, produção de alimentos, biodiversidade, posição geográfica privilegiada e crescente relevância em fóruns multilaterais. Poucos países reúnem simultaneamente tantos ativos considerados essenciais para as transformações econômicas e tecnológicas em curso.
Isso não significa que exista uma conspiração coordenada contra o Brasil. Significa algo mais simples e mais concreto. Grandes interesses tendem a agir de acordo com seus próprios interesses. E, quanto mais relevante se torna um país, mais intensamente suas escolhas passam a ser observadas, disputadas e influenciadas por atores externos.
A verdadeira questão para os próximos anos não será apenas quem governará o Brasil. Será se o país conseguirá preservar a capacidade de definir seu próprio projeto nacional em um ambiente internacional marcado por pressões crescentes e rivalidades cada vez mais intensas.
Essa é a dimensão estratégica que acompanha Lula até a França. O debate não se resume a uma reunião diplomática nem a uma fotografia entre chefes de Estado. O que está em jogo é a posição que o Brasil pretende ocupar em uma ordem internacional que está sendo reconstruída diante dos nossos olhos.
O adulto na sala
Existe uma ironia inevitável na imagem que emerge desta cúpula.
Durante séculos, o poder internacional foi organizado a partir da convicção de que a periferia deveria seguir e o centro deveria liderar. A riqueza, a força militar e a capacidade de definir regras pareciam garantir ao Norte Global um monopólio permanente da direção histórica. Mas a história raramente respeita certezas duradouras.
O século XXI produziu uma inversão que poucos anteciparam. As potências que construíram a ordem internacional continuam poderosas, mas já não conseguem oferecer sozinhas aquilo que legitimava sua liderança: estabilidade, previsibilidade e capacidade de coordenação. Em meio a guerras, fragmentação geopolítica, disputas comerciais e crises institucionais, o mundo tornou-se mais complexo do que os mecanismos criados para governá-lo.
É nesse contexto que Lula chega à França.
Não como líder de uma superpotência. Não como representante de um bloco militar. Não como porta-voz de uma nova hegemonia. Sua relevância decorre de algo mais raro. Em um sistema internacional cada vez mais polarizado, o Brasil continua sendo uma das poucas nações capazes de defender autonomia sem isolamento, diálogo sem submissão e cooperação sem alinhamento automático.
Talvez seja esse o verdadeiro significado da frase sobre "colocar ordem na casa". Não se trata de uma demonstração de força. Trata-se do reconhecimento de uma ausência. Quando os antigos administradores da ordem internacional já não conseguem produzir consensos mínimos, outras vozes inevitavelmente passam a ocupar espaço.
A verdadeira disputa, porém, não é por protagonismo. É por capacidade de definir os termos do futuro. Quem estabelecerá as regras da economia digital? Quem controlará as infraestruturas tecnológicas críticas? Quem determinará os padrões de inteligência artificial, segurança cibernética, transição energética e circulação global de dados? As grandes disputas do século XXI não ocorrerão apenas em torno de territórios, mas em torno das arquiteturas que organizarão a produção, a informação e o poder nas próximas décadas.
O que está acontecendo diante dos nossos olhos não é apenas a crise de um modelo de liderança. É o surgimento de um mundo em que a periferia deixou de pedir licença para participar das decisões e começou a disputar o direito de influenciá-las.
Quando o centro do sistema entra em crise, a periferia deixa de pedir licença e passa a disputar comando.
É por isso que Lula foi chamado.
E é por isso que o convite importa.
Artigo publicado originalmente em <código aberto>
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