Novas sanções em resposta à retumbante derrota da ONU

O logotipo das Nações Unidas pode ser visto na entrada de sua sede em Nova York. Foto: AFP


Na década de 1990, quando Cuba enfrentou a "desintegração" da URSS e as leis extraterritoriais (as Leis Torricelli e Helms-Burton) que os EUA impuseram para precipitar o que chamavam de "a queda" da revolução, Fidel deixou claro o rumo, afirmando que os princípios, as aspirações e os objetivos da revolução não seriam renunciados nas circunstâncias em questão.

“O que importa é que o povo tenha o poder. Não importa as transformações que tenhamos que fazer para defender a pátria e nossas conquistas, mesmo que sejamos punidos por isso, será um motivo para lutar, um motivo para resistir, um motivo para vencer.” Isso foi há mais de 30 anos, e o povo cubano não parou de resistir, enquanto o governo dos EUA continua buscando, a todo custo e acima de qualquer princípio humanitário, a queda da revolução.

A lista de atrocidades intervencionistas e de bloqueio já é interminável, mas nos últimos anos, sob as ambições expansionistas de Trump, ela tomou um rumo direto e assassino — não encontro palavra mais precisa. As transformações iniciadas por Fidel foram aprofundadas e refinadas com maior abrangência nos últimos tempos. Na Assembleia Nacional do Poder Popular, foram aprovadas 176 reformas, agrupadas em 23 áreas-chave, para enfrentar a crise causada pelo bloqueio total imposto.

Essas medidas incluem a expansão do setor privado por meio da eliminação de certos limites; a possibilidade de cubanos residentes no exterior investirem diretamente; a possibilidade de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) importarem e exportarem diretamente; maior autonomia para empresas estatais; fortalecimento da produção agrícola por meio da concessão de terras em regime de usufruto; ampliação das possibilidades de gestão de contas bancárias; e abertura ao investimento estrangeiro em energias renováveis, energia solar e outros setores.

Isso implica, em grande medida, maior descentralização, enfatizando o fortalecimento das capacidades municipais e privadas, bem como o aprimoramento e o aperfeiçoamento das funções do setor público. Uma das contradições persistentes no sistema socialista é a centralização imposta por certas circunstâncias, em contraste com o projeto de socialização dos meios de produção. No contexto da crise desde a década de 1990, a necessária descentralização tem sido cada vez mais promovida.

Essas reformas, sem dúvida, pegaram o governo da Assembleia Nacional de surpresa, um governo que não acredita na capacidade dos cubanos. Acima de tudo, a segunda grande iniciativa de Cuba na Assembleia Geral da ONU representou uma derrota para Trump e Rubio, as principais figuras que insistem obstinadamente nesse caminho, que poderíamos muito bem descrever, como Fidel fez em 1995 na mesma sede da ONU: "São como bombas atômicas silenciosas que matam mulheres, homens e crianças."

Cuba triunfou com 136 votos, apesar das ameaças e subornos dirigidos contra ela. Cuba triunfou em ambos os aspectos: recuperando a iniciativa para a transformação e demonstrando sua verdade no mais alto fórum internacional. Essas derrotas foram recebidas com uma resposta desesperada nos últimos dias, a única coisa que sabem fazer: ameaças e sanções. Primeiro, sancionaram a Cupet, a empresa estatal de energia, a empresa de turismo e, entre outros, Raúl Castro e Díaz-Canel.

Agora a lista aumentou, e as milícias das Tropas Territoriais estão sendo sancionadas “por serem um instrumento do governo”. Eu me pergunto, que sanções reais eles podem impor às Tropas Territoriais? Eles também estão sancionando a Associação de Combatentes da Revolução e as Brigadas de Resposta Rápida, que definem como “grupos parapoliciais de civis armados e treinados pelo governo”. E por que não estão sancionando o ICE, que assassinou migrantes e até mesmo cidadãos norte-africanos?

Na verdade, acho que será uma honra para essas organizações estarem nessa lista de sanções! As empresas sancionadas são: Antex (Antillana Exportadora Corporation), que estabeleceu parcerias médicas em diversos países; e Gaesa (Business Administration Group), cujos ativos estão "bloqueados" porque "gerencia a exportação de trabalho forçado para Angola".

Outras empresas sancionadas incluem a Coreydam SA, que atua no setor de energia; a Gecomex, empresa estatal de comércio exterior; o Grupo Empresarial de Transporte Portuário Marítimo (Gemar); e o próprio Ministério do Turismo. O professor cubano José Ernesto Novaéz destaca que: “Essas sanções de hoje comprovam que é possível continuar punindo um pequeno país e seu povo sem qualquer tipo de reação internacional além das formais.”

São também uma afronta à posição da maioria na ONU em 7 de julho e evidenciam a frustração e o anseio do Secretário-Geral (Marcos Rubio) e seus financiadores por um cenário de colapso que ainda não se concretizou. “O diálogo é apenas uma farsa (...) Sem exonerar o Estado cubano de qualquer de suas responsabilidades, tornar-se cúmplice deste cerco e de seu custo humano é um mergulho vertiginoso na imoralidade.”

*Pesquisadora da UPN e autora de "O INE e seu dilema: Avaliar para quantificar e classificar ou para valorizar e treinar"


"A leitura ilumina o espírito".
Apoiar: Chave 14349205187

Comentários